Cinema e Argumento

Os vencedores do Oscar 2017

violaoscarfinalQuem considera engraçada a situação envolvendo a leitura errada do vencedor do Oscar de melhor filme certamente não compreende o quanto esse momento foi a coroação máxima da tragicidade da temporada de premiações de 2017. Em um ano que já havíamos comentado ser extremamente difícil do ponto de vista de discussões, onde cinéfilos fizeram da disputa uma arena onde filmes se digladiam como se tivessem nascido exatamente para isso, o equívoco só endossa o tom odioso das últimas semanas. Ver La La Land vencer para depois ter seu prêmio entregue para Moonlight foi algo lamentável de se ver – e o que dizer, então, de quem vivenciou isso. Todos saem perdendo: independente de preferências, imaginem a frustração de quem subiu ao palco, estava prestes a terminar o discurso de vitória e de repente recebe um cochicho no ouvido de que aquele prêmio não foi entregue corretamente. Igualmente chata – e isso já foi declarado por Mahershala Ali, vencedor como melhor ator coadjuvante por Moonlight – é a situação da equipe do filme de Barry Jenkins, que precisou subir ao palco para comemorar uma vitória diante da desgraça alheia de outra equipe. Ali, coberto de razão, diz que não se sentiu à vontade para celebrar qualquer coisa diante daquela confusão. 

O grande problema não está no erro em si, mas no tempo demorado para corrigir a situação. Afinal, se existe uma auditoria que, no backstage, tem em mãos o mesmo envelope que está sendo lido pelos apresentadores a fim de evitar qualquer tropeço, como demoraram tanto para barrar a vitória de La La Land, que, nesse meio tempo, se abraçou, subiu ao palco, pegou prêmio e ainda quase terminou um discurso? Houve também erro de Warren Beatty, que simplesmente não soube como agir quando percebeu que algo estava errado: qualquer vídeo que você assistir dá conta de mostrar o veterano visivelmente confuso com o resultado que tinha em mãos (ele ainda procura outro cartão dentro do envelope que esclarecesse sua dúvida), além de Faye Dunaway olhar para ele com uma expressão de preocupação e de Beatty entregar a bomba a ela para depois sussurrar “está escrito Emma Stone”. Mais grave ainda, no entanto, é o fato de nenhum representante do Oscar ter tomado frente da situação, deixando a ingrata missão para os próprios vencedores de La La Land. Nem a auditoria, que já se desculpou publicamente pelo ocorrido, sabe como o envelope de melhor atriz foi parar nas mãos de Beatty (dizem que ainda estão investigando), o que desmonta ainda mais a credibilidade do prêmio.

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Toda a situação é lastimável porque a vitória de Moonlight nunca será lembrada antes da gafe. O mico foi o verdadeiro marco da 89ª edição do Oscar. Por mais que ainda restem dúvidas sobre o quanto o Oscar realmente abraça a diversidade com sinceridade, um filme como o de Barry Jenkins merecia uma lembrança mais emblemática do que essa que está fadado a ter. Primeira história de cunho LGBT a ganhar o prêmio principal da Academia, Moonlight pode até ser um filme estruturalmente imperfeito (já comentei várias vezes sobre como o terceiro ato me decepciona profundamente), mas tem qualidades inegáveis e é uma obra incrivelmente catártica para os tempos que vivemos. Entretanto, quando digo que tenho minhas dúvidas sobre o quanto o Oscar realmente mudou é porque, em 2014, 12 Anos de Escravidão ganhou exatamente os mesmos prêmios de Moonlight – filme, roteiro adaptado e um de coadjuvante – para logo em seguida a vitória ser sucedida pelo ano do Oscar So White.

Mais do que isso: mesmo com a consagração do longa de Jenkins, o Oscar segue limitando os intérpretes negros a vitórias em categorias de coadjuvante e sem dar um prêmio de direção a um negro. Importante saber: o vencedor da categoria de melhor filme vem a partir de quem tem a melhor média de colocação no ranking de preferência que os votantes precisam fazer na hora de votar. Ou seja, de nada adianta La La Land ser o primeiro colocado em inúmeras listas se, em outras, aparece entre os últimos colocados. É mais benéfico para um filme, na categoria de melhor filme, estar em terceiro ou quatro lugar, mas de forma unânime na cédula da maioria dos votantes (eu próprio teria favorecido Moonlight, pois ele era o terceiro melhor na minha avaliação). Já o Oscar de de direção computa simplesmente quem recebeu mais votos. Ou seja, a vitória de Damien Chazelle por La La Land sugere mais sobre o Oscar do que estamos dispostos a admitir. A mudança poderia – e merecia – ser bem mais expressiva.

Em termos de distribuição de estatuetas, o Oscar preferiu seguir a tendência do BAFTA, que não deixou La La Land monopolizar os prêmios, fazendo suas escolhas de forma mais democrática. E, novamente, não podemos dizer que houve injustiças ali (até A Chegada foi lembrado)! É um saldo positivo, ainda que, particularmente, me entristeça Isabelle Huppert não ter vencido: poucas atrizes francesas tiveram uma trajetória tão promissora no Oscar por um filme tão atípico, o que, parando para pensar, já é por si só uma vitória tremenda. Jimmy Kimmel, que fez um bom trabalho como apresentador ao não ficar se enrolando em monólogos intermináveis e aparições infinitas, teve sacadas espertas e corajosas, como Twittar para Donald Trump em plena cerimônia e pedir para que Meryl Streep levantasse e recebesse o aplauso de uma plateia em pé, fazendo novamente uma clara provocação ao presidente estadunidense que, ao ser criticado por ela no Globo de Ouro, definiu a atriz como “superestimada”. Agora, um momento dessa cerimônia que precisa ficar mesmo marcado é a vitória de Viola Davis (merecida, por sinal), que fez um discurso emocionante e arrebatador sobre a honra que sente de fazer parte de uma profissão que tem o mágico dom de exumar corpos e dar protagonismo a histórias que, em vida, nunca foram contadas. Poucas vezes Viola esteve tão emocionada. E mal sabe ela que somos nós que recebemos o presente de vê-la consagrada. Confira abaixo a lista completa de vencedores:

MELHOR FILMEMoonlight: Sob a Luz do Luar
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ATOR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ROTEIRO ORIGINALManchester à Beira-Mar
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Moonlight: Sob a Luz do Luar
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Apartamento (Irã)
MELHOR ANIMAÇÃOZootopia – Essa Cidade é o Bicho
MELHOR DOCUMENTÁRIOO.J.: Made in America
MELHOR FOTOGRAFIALa La Land: Cantando Estações
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃOLa La Land: Cantando Estações
MELHOR FIGURINOAnimais Fantásticos e Onde Habitam
MELHOR MONTAGEMAté o Último Homem
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR TRILHA SONORALa La Land: Cantando Estações
MELHOR MIXAGEM DE SOMAté o Último Homem
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Chegada
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Esquadrão Suicida
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Mogli: O Menino Lobo
MELHOR CURTA-METRAGEM: Sing
MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIOThe White Helmets
MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃOPiper: Descobrindo o Mundo

Apostas para o Oscar 2017

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Há quem pule Carnaval e há quem não perca por nada a entrega do Oscar. Como faço parte do segundo grupo, hoje vou estar sintonizado na TNT, a partir das 21h, para acompanhar a etapa final da temporada de premiações. A cerimônia, que será apresentada por Jimmy Kimell, começa de verdade somente às 22h30, mas antes já estarei na área com um novo live na página oficial do Cinema e Argumento no Facebook para comentar melhor as apostas elencadas aí embaixo. Lá no Twitter também faço meus comentários ao longo da cerimônia. Então, para quem for deixar as serpentinas de lado, fica o convite: vamos curtir todos juntos o Oscar 2017?

MELHOR FILMELa La Land: Cantando Estações / alt: Moonlight: Sob a Luz do Luar
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações) / alt: Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar)

MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações) / alt: Isabelle Huppert (Elle)
MELHOR ATOR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) / alt: Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós) / alt: Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar) / alt: Dev Patel (Lion: Uma Jornada Para Casa)
MELHOR ROTEIRO ORIGINALManchester à Beira-Mar / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Moonlight: Sob a Luz do Luar / alt: Lion: Uma Jornada Para Casa
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Apartamento (Irã) / alt: Toni Erdmann (Alemanha)
MELHOR ANIMAÇÃOZootopia – Essa Cidade é o Bicho / alt: Kubo e as Cordas Mágicas
MELHOR DOCUMENTÁRIOA 13ª Emenda / alt: O.J.: Made in America
MELHOR FOTOGRAFIAMoonlight: Sob a Luz do Luar / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃOLa La Land: Cantando Estações / alt: Animais Fantásticos e Onde Habitam

MELHOR FIGURINOJackie / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MONTAGEMLa La Land: Cantando Estações / alt: Até o Último Homem
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações) / alt: “How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras)
MELHOR TRILHA SONORALa La Land: Cantando Estações / alt: Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR MIXAGEM DE SOMLa La Land: Cantando Estações / alt: Até o Último Homem
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Até o Último Homem / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Star Trek: Sem Fronteiras / alt: Esquadrão Suicida
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Mogli: O Menino Lobo / alt: Doutor Estranho

Comentando os indicados e os favoritos ao Oscar 2017

lalalandmovieDesde o advento da internet, nunca houve um Oscar tão complicado de se acompanhar. E isso não tem nada a ver com La La Land: Cantando Estações ter monopolizado a disputa ou com as reações adversas que um filme instantaneamente desperta ao se tornar o grande favorito da temporada, mas sim com a completa intolerância de quem se propõe a discutir a temporada. Ou melhor: problematizá-la como se fosse uma missão de vida. É um pouco estranho pensar que a situação seja encarada dessa maneira visto que um salto histórico foi dado no sentido de representatividade. Algumas discussões são inegavelmente importantes, enquanto outras parecem apenas pretexto para procurar cabelo em ovo, especialmente quando o engajamento na discussão é mais pose do que reflexão genuína. Com pessoas metendo o bedelho em assuntos espinhosos só para polemizar, muitas vezes foi rompida a barreira do bom senso em relação a  diversos ideais.

Há quem considere errado gostar de La La Land por ele ser supostamente machista. Adorar Viola Davis também se revela uma opinião extremamente rasteira para certos espectadores, já que existem outras atrizes negras tão talentosas quanto ela que não recebem o mesmo reconhecimento. Já a possível vitória de O Apartamento é motivo de torcida como forma de protesto contra Donald Trump e não por méritos próprios ou como um claro reflexo de que a Academia tem dificuldades em premiar comédias como Toni Erdmann. E o que dizer de Amy Adams, cuja ausência por A Chegada não podemos lamentar já que foi Ruth Negga quem entrou de surpresa na disputa com Loving? Sobrou até para Lion porque um garoto pobre e de origem indiana não pode ser resgatado por uma família branca e rica porque isso é celebrar os chamados white saviors.

Entretanto, não me interpretem de maneira errada. O que quero dizer é que não há nada problema em levantar qualquer uma dessas questões (no cinema, como diz o crítico Luiz Carlos Merten, experiências são feitas de olhares particulares: se eu não enxergo uma coisa, isso não significa que tal coisa realmente não esteja lá) ou muito menos em elucidar problematizações que são realmente necessárias para os tempos efervescentes que vivemos no cinema. Só que o pessoal, especialmente nas redes sociais, pesa demais na discussão, impondo opiniões como verdades absolutas e não como ferramentas para um debate democrático. Para falar sobre cinema no Oscar 2017, você precisa amar ou odiar determinada coisa, defender ou recauchutar determinada posição. Até porque, dizem, se você se exime de entrar nesse jogo, você comete o pecado da omissão. Confesso que isso cansa bastante.

Tem sido um exercício complexo, onde frequentemente me indigno com quem parece ver filme só para postar polêmica na internet ao mesmo tempo em que procuro apurar o olhar, na medida do possível, de quem acha que representatividade não é algo assim tão importante. Mas foi difícil porque não existem discussões, e sim monólogos para ver quem tem mais razão ao final. Felizmente, não estamos mais em Esparta para ganhar discussões no grito, e, por isso, aos poucos fui procurando me distanciar do furacão que se tornou a temporada de prêmios. Não é diferente agora. Muito já falamos aqui no blog sobre o que determinadas indicações simbolizam em termos de representatividade (e isso inclui até a lembrança de Meryl Streep por Florence: Quem é Essa Mulher?, única intérprete que concorre por um papel de comédia esse ano) e sobre o quanto fatores exteriores às vezes precisam ser considerados na disputa, mas agora vou pendurar um pouco as chuteiras nesse assunto para falar sobre os filmes em si e sobre o quanto a gente vê merecimento em um ou outro dentro da tela. Vamos nessa?

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O olhar comum

É o tipo de cinema que sempre me tocou e que poucas vezes o Oscar celebrou como agora: aquele sobre pessoas comuns como eu e você. Seja em musicais (La La Land), relatos históricos (Estrelas Além do Tempo), adaptações teatrais (Um Limite Entre Nós) e situações muitos próximos da realidade (Moonlight: Sob a Luz do Luar), a temporada se debruçou sobre sonhos, dores, esperanças e dúvidas identificáveis a todos nós. Não é nem loucura colocar Elle nesse balaio, já que sua protagonista é, em muitos aspectos, a representação da mulher madura, independente, bem sucedida e sexualmente ativa que o cinema norte-americano raramente retrata dessa maneira. Por isso, percebam como as pessoas de realidades distantes e em situações extraordinárias foram aos poucos perdendo os holofotes. É o caso de Jackie, antes tão bem cotado para dar um segundo Oscar para Natalie Portman e até para concorrer nas categorias principais. Seu destino foi ser finalista em dois segmentos técnicos e perder o favoritismo para a sua intérprete.

Os violinos do Titanic

Uma brincadeira da internet dá conta de que o musical La La Land é como o trio de músicos que tocam violino enquanto o Titanic afunda no filme de James Cameron. E que problema há no escapismo? Um filme, por não ser tão engajado socialmente ou politicamente quanto os outros, é inferior por causa disso? Na crítica de La La Land já havia falado sobre o preconceito contra a leveza de um romance, mas talvez seja mesmo necessário um filme como esse, que nos propõe a sair um pouco de um mundo que, a cada dia, noticia as coisas mais absurdas. A vida está pesada e não há mal nenhum em ir ao cinema para sonhar com realidades paralelas. É a homenagem de La La Land aos clássicos musicais de Hollywood e esse seu escapismo que despontam o filme de Damien Chazelle como franco favorito ao Oscar de melhor filme. Simplesmente não há disputa. Antes assinalado como uma alternativa, Moonlight se enfraqueceu na temporada ao perder o Screen Actors Guild Awards de melhor elenco, ficando apenas com o Globo de Ouro de melhor drama na bagagem. Caso vença, o filme de Barry Jenkins desafiará toda a matemática dos prêmios, o que só aconteceu de verdade com Crash – No Limite em 2006 (Spotlight foi um caso à parte ano passado).

Discussão de sobra entre as atrizes

Não houve categoria mais polêmica entre as atuações do que a de melhor atriz. Com a ausência de Amy Adams por A Chegada, caíram pesado em cima de Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?), que realmente não mereceu a indicação, mas se esqueceram que, considerando o histórico de todos os outros prêmios da temporada, quem entrou de última hora foi Ruth Negga, que não acho que faça nada de muito maravilhoso em Loving para estar aqui também. Com Natalie Portman (Jackie) já considerada uma carta fora do baralho, a disputa sobra para Emma Stone (La La Land) e Isabelle Huppert (Elle), com a primeira tendo larga vantagem por ter conquistado o BAFTA e o SAG (pouco conta o Globo de Ouro, já que ela só concorria com Meryl lá). Em contramão, não considerem a francesa uma impossibilidade, pois, além de ser um ícone do cinema europeu mundialmente adorado pela crítica e ainda em plena atividade, Huppert vem sendo celebrada mundo afora, algo que nunca aconteceu em sua carreira. Ela tem feito direitinho o tema de casa, concedendo entrevistas para todos os meios, participando de todos os prêmios e sendo fotografada por revistas importantíssimas. Ainda que o histórico dos prêmios trabalhe contra a sua vitória, em termos de Oscar, vale a velha lógica: quem é visto termina por ser lembrado.

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E a vida pessoal?

Casey Affleck reacendeu a chama das discussões sobre até que ponto a vida pessoal de um ator deve interferir no julgamento de seu trabalho no cinema. Com acusações de assédio sexual, Affleck vem colhendo a antipatia de muita gente por essa situação, o que passa um pouco longe de mim: já que o filme está aí, prefiro julgá-lo exclusivamente por ele, e aí há de se reconhecer o quanto Affleck é sensacional em Manchester à Beira-Mar. A disputa é de igual para igual com Denzel Washington em Um Limite Entre Nós, já que ambos estão inspirados em seus respectivos filmes, mas apresentando estilos bem diferentes de interpretação. Também seria justo colocar no mesmo patamar o jovem Andrew Garfield, que tem em Até o Último Homem o momento mais expressivo de sua carreira até agora. No geral, o nível da categoria é excelente, onde somente Ryan Gosling concorre sem muitos méritos por La La Land. Para quem for participar de algum bolão, a disputa se divide entre Casey e Denzel, com uma pequena vantagem do primeiro considerando o número de prêmios conquistados na temporada.

Coadjuvantes pulverizados

Quer uma estatueta ainda mais disputada? Então dê uma olhada entre os atores coadjuvantes. Repetindo a situação do ano passado, a seleção desse ano se divide entre intérpretes que ganharam diferentes prêmios por seus desempenhos. Mahershala Ali vem com o SAG por Moonlight e Dev Patel com o BAFTA por Lion: Uma Jornada Para Casa. Nem o Globo de Ouro ajuda a desempatar a situação, já que o vencedor lá foi Aaron Taylor-Johnson, por Animais Noturnos, que sequer concorre ao Oscar. Nunca subestime o poder de um queridinho da Academia como Jeff Bridges, que tem sido celebrado pelo mesmo papel desde Coração Louco (e vale lembrar que, por essa lógica, Christoph Waltz ganhou um segundo Oscar de coadjuvante por Django Livre em um ano igualmente pulverizado). Agora, se os votantes realmente fossem espertos, uma consagração para Michael Shannon por Animais Noturnos não cairia nada mal dado a falta de favoritismo da categoria (e o fato de que, claro, o ator é sempre uma unanimidade, menos em coisas como Homem de Aço). O único que infelizmente tem suas chances zeradas é o jovem Lucas Hedges, o meu favorito entre os cinco e que é uma grande revelação em Manchester à Beira-Mar.

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Do protagonismo às participações de luxo

Viola Davis bem que poderia estar concorrendo como protagonista por Um Limite Entre Nós e, mesmo que a aceite como coadjuvante no filme dirigido pelo colega Denzel Washington, é inegável o quanto sua nova classificação novamente suscita a discussão sobre a categoria de coadjuvante ser um reduto de protagonistas que ajustam sua campanha para ganhar um prêmio que não conquistariam entre as atrizes principais. Curiosamente, existe outro extremo: o de Michelle Williams, que, caso concorresse ao Emmy por Manchester à Beira-Mar, seria enquadrada na categoria de atriz convidada e não de coadjuvante. Nicole Kidman também tem papel bem pequeno em Lion, deixando apenas para Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo) e Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar) a representação fiel da categorização de coadjuvante em tempo de cena e relevância. Viola reina soberana como favorita e também como merecedora, mas bem que também poderia existir algum espaço para a Naomie Harris, não?

Categorias técnicas consagrarão La La Land?

La La Land já fez história ao se juntar aos clássicos Titanic A Malvada como recordista de indicações ao Oscar, mas, por outro lado, é bem provável que não leve para casa um número histórico de estatuetas (chutando por cima, deve sair com cerca de oito prêmios, a mesma quantia de Quem Quer Ser Um Milionário?, outro filme repleto de sonhos e otimismo em um ano de obras com grande cunho dramático). O que decide isso é como a Academia reagirá ao filme de Damien Chazelle em categorias técnicas, o que nos leva a considerar preferências históricas dos votantes. É bem possível, por exemplo, que Jackie fature melhor figurino, já que filmes contemporâneos raramente ganham essa estatueta. Mais provável ainda é que Até o Último Homem leve pelo menos um dos segmentos de som dado o favorável histórico de longas de guerra na categoria (Cartas de Iwo JimaA Hora Mais Escura são os exemplares mais recentes). Também não deixo de ter minhas dúvidas se a linda fotografia de Moonlight não é capaz de desbancar La La Land como forma de dar algum tipo extra de protagonismo ao filme de Barry Jenkins, que parece ter chances reais de consagração apenas em ator coadjuvante e roteiro adaptado. Aí é questão de dar sorte no bolão mesmo! As nossas apostas finais estarão por aqui no próximo post!

Os vencedores do BAFTA 2017

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Não perca pontos no bolão: Viola Davis é aposta certa para o Oscar de atriz coadjuvante. Com o BAFTA, tanto ela quanto Emma Stone (La La Land) reforçam a ideia de que o jogo já está fechado para as mulheres.

Não dê bola para quem disser que o BAFTA foi distributivista ou bondoso demais em sua premiação de 2017 ao entregar prêmios para praticamente todos os grandes filmes da temporada. Há justiça e sentido em quase todas as escolhas dos votantes britânicos. Só vamos deixar de comentar os prêmios para Lion: Uma Jornada Para Casa porque ainda não conferimos o filme, mas fica a observação: a exemplo do ano passado, em 2017 temos novamente uma disputa de ator coadjuvante acirrada, onde os principais prêmios se dividem entre três dos concorrentes. Na pulverização do BAFTA, teve para todo mundo: Florence: Quem é Essa Mulher? (maquiagem e penteados), Animais Fantásticos e Onde Habitam (design de produção), A Chegada (som), Manchester à Beira-Mar (ator e roteiro original), e por aí vai… Alguma injustiça? Nenhuma. La Land: Cantando Estações pode mesmo ser o hit da temporada, mas há filmes igualmente relevantes e cheios de méritos na disputa, e o BAFTA fez questão de celebrá-los. Em um ano qualquer e abaixo da média, a situação poderia ser vista mesmo como uma certa covardia para agradar a todos. Não é o que acontece em 2017. 

É de se comemorar que os britânicos tenham retomado a lucidez que, em edições longínquas, sempre foi muito característica das estatuetas distribuídas por eles. Afinal, como não comemorar, por exemplo, a vitória do lindo Kubo e as Cordas Mágicas em animação? Ou do fato dos votantes terem colocado o pé no chão e percebido que La La Land é sim o grande espetáculo do ano (faturou filme, direção, atriz, fotografia e trilha sonora), mas que o seu roteiro original não é o melhor da temporada, concedendo a vitória para o texto impecável de Manchester à Beira-Mar? Mas também fiquemos atentos: com Denzel Washington fora da disputa, o caminho ficou fácil para Casey Affleck levar melhor ator, o que novamente lhe dá visibilidade em uma corrida que, desde o SAG, deixou seu nome sob à sombra do protagonista de Um Limite Entre Nós. Ainda é importante ressaltar que o BAFTA não elucida muita coisa sobre a categoria de filme estrangeiro, já que o prêmio foi parar com O Filho de Saul (o longa é da award season passada, mas só se qualificou para o prêmio este ano), deixando pendente a incógnita se Toni Erdmann é mesmo o franco favorito.

Por falar em qualificação para o BAFTA, a francesa Isabelle Huppert não pôde concorrer por Elle, pois o filme de Paul Verhoeven estreia no Reino Unido apenas em março. Mais uma vitória fácil a partir dessa configuração: em franca escalada de consagração, Emma Stone carimbou de vez o seu Oscar, e não há nada que Natalie Portman possa esperar nessa altura do campeonato. E não é apenas porque Emma virou o jogo e vem faturando tudo, mas sim porque Huppert resolveu embarcar no ritmo: praticamente estabelecida em Los Angeles, dá entrevista para todo e qualquer programa, estampa várias capas de revista, cria conta no Instagram e desmistifica a sua fama de blasé. Com a surpreendente vitória no Globo de Ouro, ainda está recebendo elogios em Berlim por sua performance em Barrage e, em breve, deve faturar o Independente Spirit Awards por sua performance em Elle. Não há dúvida: a atriz parece estar gostando muito, mas muito mesmo dessa viagem internacional que está fazendo às premiações norte-americanas com Elle. Obviamente que, por ser estrangeira, as chances de Huppert se reduzem, mas nunca duvidem do poder da Meryl Streep do continente europeu. Principalmente quando ela, ao contrário de Emmanuelle Riva, em Amor, vem fazendo de tudo para chegar lá. Não custa sonhar. Confira abaixo a lista de vencedores do BAFTA 2017:

MELHOR FILME: La La Land: Cantando Estações
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ATOR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Dev Patel (Uma Jornada Para Casa)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Manchester à Beira-Mar
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Lion: Uma Jornada Para Casa
MELHOR FOTOGRAFIA: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MONTAGEM: Até o Último Homem
MELHOR FIGURINO: Jackie

MELHOR TRILHA SONORA: La La Land: Cantando Estações
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Florence: Quem é Essa Mulher?

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Animais Fantásticos e Onde Habitam
MELHOR ANIMAÇÃO: Kubo e as Cordas Mágicas
MELHOR DOCUMENTÁRIO: A 13ª Emenda
MELHOR FILME BRITÂNICO: Eu, Daniel Blake
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Mogli: O Menino Lobo
MELHOR CURTA-METRAGEM: Home

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: A Love Story
BAFTA RISING STAR: Tom Holland

Os vencedores do Screen Actors Guild Awards 2017

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Otimismo (além de diversidade, claro) é a palavra de ordem da temporada de premiações em 2017: com La La Land fora da disputa, Screen Actors Guild Awards premia o espirituoso Estrelas Além do Tempo na categoria de melhor elenco.

Se você estava cansado do marasmo de emoções dessa temporada de premiações, o Screen Actors Guild Awards veio para mexer um pouco com os nossos ânimos. Isso não se refere à vitória de Estrelas Além do Tempo (que, na realidade, vem apenas para enfraquecer Moonlight e engrandecer La La Land, provando que a temporada quer premiar histórias que prezam pelo otimismo), mas pela virada decisiva de Emma Stone como favorita ao Oscar de melhor atriz com o musical de Damien Chazelle. Há muito comentamos aqui no blog que um segundo Oscar para Natalie Portman seria improvável (atrizes sempre precisam provar mais competência do que atores – em carreira, papeis e desempenhos – para ganhar um prêmio novamente, o que não é o caso de Natalie, que, desde Cisne Negro, só vem fazendo coisas como Thor Sexo Sem Compromisso), e o SAG assinou embaixo: Emma Stone, estrela em ascensão da vez no filme mais querido da temporada, pode mesmo quebrar o jejum de 43 anos do Oscar sem premiar uma atriz principal de musical (a última foi Liza Minelli, por Cabaret).

Também é importante observar a vitória de Denzel Washington. O ator está mesmo ótimo em Um Limite Entre Nós e não tinha um SAG em casa até então. À parte a dívida, Denzel tinha como principal concorrente Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar), que vem encarado problemas com as acusações de assédio sexual que a grande imprensa insiste em não dar muita bola. É certo que, desde o ano passado, a premiação tem sido pioneira em abraçar como ninguém a diversidade, mas um possível terceiro Oscar para Denzel vai ao encontro do que já dissemos: é sempre mais fácil um homem ser celebrado novamente do que uma mulher. Daniel Day-Lewis, que nem tem carreira tão constante assim, que o diga! E, como o Oscar está sedento para apagar a sua fama de racista, não seria surpresa alguma ver o ator levando uma nova – e merecida – estatueta por seu desempenho. Ele e Affleck, cada um a sua maneira, são excelentes em seus respectivos filmes. O que vai pesar aqui é a influência de fatores exteriores. Mas, afinal, não é quase sempre assim quando o assunto é premiações de cinema? Confira abaixo a lista de vencedores:

MELHOR ELENCOEstrelas Além do Tempo
MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR ATOR: Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE DRAMA: Stranger Things
MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE COMÉDIAOrange is the New Black
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: John Lithgow (The Crown)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: William H. Macy (Shameless)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Bryan Cranston (All the Way)

Apostas para o Screen Actors Guild Awards 2017

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O Sindicato dos Produtores consagrou La La Land: Cantando Estações como o melhor filme do ano (precisa mesmo esperar até 26 de fevereiro para entregar o Oscar ao musical de Damien Chazelle?), mas hoje o Screen Actors Guild Awards será um tantinho diferente dos outros prêmios porque o papa-prêmios da temporada concorre apenas nas categorias de melhor atriz e melhor ator. A noite deve ser de Moonlight: Sob a Luz do Luar, com La La Land consagrando apenas Emma Stone e carimbando de vez a atriz como franca favorita ao Oscar (a situação só se reverte se Natalie Portman finalmente começar a vingar com Jackie, que tem feito uma fraca carreira até aqui). É bom lembrar que, desde o ano passado, o Screen Actors Guild Awards tem abraçado a diversidade (lembram dos prêmios para Idris Elba, Queen Latifah, Uzo Aduba e Viola Davis?). Por isso, não se surpreendam se até Denzel Washingston desbancar o favorito Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) com seu ótimo desempenho em Um Limite Entre Nós. Denzel nunca ganhou o SAG e, na justa tendência que estamos vivendo de celebrar a diversidade, ele pode ser uma alternativa lógica. Devido ao Miss Universo, a TNT não tramiste a premiação ao vivo, deixando a exibição exclusiva aqui no Brasil para a TBS a partir das 23h.

MELHOR ELENCOMoonlight: Sob a Luz do Luar / alt: Estrelas Além do Tempo
MELHOR ATRIZ: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações / alt: Natalie Portman (Jackie)

MELHOR ATOR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) / alt: Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós) / alt: Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar) / alt: Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE DRAMAThe Crown / alt: Westworld
MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE COMÉDIABlack-ish / alt: Veep
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Thandie Newton (Westworld) / alt: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: John Lithgow (The Crown) / alt: Rami Malek (Mr. Robot)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Lili Tomlin (Grace and Frankie)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jeffrey Tambor (Transparent) / alt: Anthony Anderson (Black-ish)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story) / alt: Bryce Dallas Howard (Black Mirror)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Courtney B. Vance (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story) / alt: Bryan Cranston (All the Way)

Os indicados ao Oscar 2017

oscarnom17Emma Stone e Ryan Gosling, essa dupla aí à esquerda, acaba de entrar para a história do Oscar. Ambos são os protagonistas de La La Land: Cantando Estações, que recebeu hoje 14 indicações ao Oscar e agora faz parte do grupo seleto de filmes que alcançaram esse recorde absoluto (apenas A Malvada Titanic contabilizaram tal feito anteriormente). Parece que não há mesmo como parar o musical de Chazelle, lembrando aquele Oscar em que O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei levou praticamente todos os prêmios em que concorria. Mas existem outras coisas a serem notadas na lista divulgada hoje pela Academia. E a mais importante delas, claro, é que estamos diante do Oscar mais diverso de todos os tempos. O Oscar So White de 2016 surtiu efeito: Pela primeira vez na História há atores negros concorrendo nas quatro categorias de atuação e filmes como Estrelas Além do Tempo, Um Limite Entre NósLovingMoonlight: Sob a Luz do Luar figuram nas categorias principais da seleção. Também há Isabelle Huppert, uma francesa que, dirigida por um holandês, estrela uma história cuja história se desenvolve a partir de uma cena de estupro. Tem mesmo filme para todo mundo no Oscar 2017 e a maior unidade deles é clara: praticamente todos contam histórias muito identificáveis, sobre pessoas como eu e você que sonham, sofrem, amam. As situações extraordinárias parecem ter ficado de lado este ano. E talvez por isso a lista esteja tão interessante.

As surpresas foram poucas, considerando os bons títulos e as categorias já consolidadas. O que pode – e deve – ser considerado negativo é a exclusão de Amy Adams por A Chegada. Ao contrário do que se pode pensar, quem “roubou” sua vaga foi Ruth Negga, por Loving, e não Meryl Streep, que era uma certeza por Florence: Quem é Essa Mulher?. Por falar no filme de Stephen Frears, aconteceu o que previmos: Hugh Grant repetiu o efeito Daniel Brühl por Rush. A Academia não comprou a fraude de um protagonista masculino concorrendo como coadjuvante, deixando o britânico de fora. Com Mel Gibson perdoado (o que não chega a ser um choque, já que Até o Último Homem vinha fazendo uma ótima carreira nas premiações), o Oscar surpreendeu mesmo em lucidez ao incluir Michael Shannon por Animais Noturnos. A correção é importante: é ele o grande coadjuvante do filme de Tom Ford e não Aaron Taylor-Johnson. Enquanto isso, nas categorias técnicas, são imperdoáveis as lembranças para Passageiros (melhor trilha sonora e design de produção) e Esquadrão Suicida (maquiagem e penteados). Os dois filmes são tão ruins que não merecem indicação a qualquer coisa. A cerimônia do Oscar acontece no dia 26 de fevereiro. Confira abaixo a lista completa de indicados:

MELHOR FILME
A Chegada
Até o Último Homem
Estrelas Além do Tempo
Um Limite Entre Nós

Lion: Uma Jornada Para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
A Qualquer Custo
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar

MELHOR DIREÇÃO
Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Dennis Villeneuve (A Chegada)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
Mel Gibson (Até o Último Homem)

MELHOR ATRIZ
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Isabelle Huppert (Elle)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)
Ruth Negga (Loving)

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Dev Patel (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Jeff Bridges (Até o Último Homem)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Michael Shannon (Animais Noturnos)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Haris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
20th Century Women
O Lagosta
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
A Qualquer Custo

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Chegada
Estrelas Além do Tempo
Um Limite Entre Nós

Lion: Uma Jornada Para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR ANIMAÇÃO
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
Minha Vida de Abobrinha
The Red Turtle
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Land of Mine (Dinamarca)
A Man Called Ove (Suécia)
The Salesman (Irã)
Tanna (Austrália)
Toni Erdmann (Alemanha)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Audition (The Fools Who Dream)” (La La Land: Cantando Estações)
“Can’t Stop the Feeling” (Trolls)
“City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)
“How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras)
“The Empty Chair” (Jim: The James Foley Story)

MELHOR FOTOGRAFIA
A Chegada
La La Land: Cantando Estações
Lion: Uma Jornada para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Silêncio

MELHOR FIGURINO
Aliados
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Florence: Quem é Essa Mulher?
Jackie
La La Land: Cantanto Estações

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Esquadrão Suicida
A Man Called Ove
Star Trek: Sem Fronteiras

MELHOR MIXAGEM DE SOM
A Chegada
Até o Último Homem
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
La La Land: Cantando Estações
Sully: O Herói do Rio Hudson

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
A Chegada
Até o Último Homem
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
La La Land: Cantando Estações
Sully: O Herói do Rio Hudson

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Doutor Estranho
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
Kubo e as Cordas Mágicas
Mogli

Rogue One: Uma História Star Wars

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Chegada
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Ave César!
La La Land: Cantando Estações
Passageiros

MELHOR MONTAGEM
A Chegada
Até o Último Homem
A Qualquer Custo
La La Land: Cantando Estações
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR TRILHA SONORA
Jackie
La La Land: Cantando Estações
Lion: Uma Jornada para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Passageiros

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
13th
I Am Not Your Negro
Fogo no Mar
Life, Animated
O.J.: Made in America

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
4.1 Miles
Extremis
Joe’s Violin
Watani: My Homeland
The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM
Ennemis Intérieurs
La Femme et le TGV
Silent Nights
Sing
Timecode

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Blind Vaysha
Borrewed Time
Pear Cider and Cigarettes
Pearl
Piper

Quem serão os indicados ao Oscar 2017?

theoscars

É amanhã, a partir das 11h10 (horário de Brasília), que conheceremos os indicados ao Oscar 2017. A própria página oficial da Academia no Facebook (@TheAcademy) fará uma tramissão ao vivo do anúncio para ninguém ficar de fora. Enquanto isso, o Cinema e Argumento dá seus palpites para as categorias principais do prêmio. Confiram abaixo!

MELHOR FILME
Até o Último Homem
A Chegada
Estrelas Além do Tempo

La La Land: Cantando Estações
Um Limite Entre Nós
Lion: Uma Jornada Para Casa
Manchester à Beira-Mar
Moonlight: Sob a Luz do Luar
A Qualquer Custo

O que pode acontecer: Martin Scorsese surgir de última hora com Silêncio ou o Oscar realmente comprar a proposta de Animais Noturnos. Em um cenário ainda mais surpreendente, é possível até Deadpool chegar entre os finalistas, visto sua indicação aos sindicados de produtores e roteiristas. Com a possibilidade de até dez indicados fica difícil prever (vai entender como Carol não chegou lá ano passado!), mas é mais ou menos por aí…

MELHOR DIREÇÃO
Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
David Mackenzie (A Qualquer Custo)
Garth Davis (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)

O que pode acontecer: Denis Villeneuve realmente vingar com A Chegada. Mas, como sempre, subestimo a capacidade do Oscar de inovar e deixo Villeneuve de fora para arriscar em direções mais tradicionais do ponto de vista temático: David Mackenzie, que comanda uma mistura de drama, crime e western familiar em uma fazenda do Texas, e Garth Davis, responsável por um drama familiar sobre um garoto que decide ir atrás da família que o perdeu 25 anos atrás.

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (A Chegada)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Isabelle Huppert (Elle)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)

O que pode acontecer: Meryl Streep ficar de fora para entrar Emily Blunt (A Garota no Trem). Difícil saber até que ponto o Oscar So White do ano passado afetou os votantes (se conscientizou a Academia, pode surgir Ruth Negga com Loving), mas, pelas contas de outros prêmios, Emily Blunt está na frente como uma possível surpresa. Pena que por um filme tão ruim (e por uma indicação atrasada que deveria ter vindo por Sicario: Terra de Ninguém). Ainda assim, é improvável Meryl ficar de fora, principalmente depois do discurso no Globo de Ouro, que foi decisivo para a atriz se firmar em visibilidade entre as cinco finalistas.

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

O que pode acontecer: Viggo Mortensen ou Ryan Gosling não emplacarem. Ambos foram lembrados em todos os grandes prêmios até aqui, mas é importante lembrar: Viggo tem um papel contido demais em comparação ao que o Oscar normalmente costuma reconhecer e Ryan tem a maldição de homens em musicais para quebrar (recentemente, Richard Gere não emplacou indicação por Chicago, assim como Ewan McGregor por Moulin Rouge!). O que beneficia ambos é o fato da disputa não estar acirrada, abrindo margem apenas para Joel Edgerton ser lembrado por Loving ou, mais remotamente, para Tom Hanks dar a volta por cima no Oscar com Sully: O Herói do Rio Hudson.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

O que pode acontecer: quase nada, visto que essa é a categoria aparentemente mais fechada entre as quatro de atuação. A seleção acima se repetiu basicamente em todas as listas divulgadas até aqui, o que deixa as cinco candidatas consolidadas na disputa. Em uma jogada de azar, chutaria como surpresa Nicole Kidman sendo novamente esquecida (lembram do ano de Obsessão?) para que Janelle Monáe entre aos 45 de segundo tempo. Lembrando que Monáe está em dois filmes que figuram nas bolsas de apostas: Estrelas Além do TempoMoonlight: Sob a Luz do Luar e que sua inclusão pode fazer algo histórico (colocar quatro atrizes negras concorrendo em uma mesma categoria). Ou seja, resta, novamente, saber até que ponto o Oscar So White surtiu efeito.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor Johnson (Animais Noturnos)
Dev Patel (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)

O que pode acontecer: o Oscar realmente comprar a farsa que é Hugh Grant ser considerado coadjuvante por Florence: Quem é Essa Mulher? Mesmo que o desempenho do ator seja surpreendente na comédia dirigida por Stephen Frears, nada justifica a fraude. Indicado a todos os prêmios, Grant pode repetir o efeito Daniel Brühl em 2014, quando o ator alemão, após uma carreira figurando em todas as listas da temporada, não chegou ao Oscar de coadjuvante por Rush  – No Limite da Emoção (ele também era protagonista em seu respectivo filme). E não vamos subestimar Aaron Taylor-Johnson, que ganhou um Globo de Ouro e, na semana seguinte, uma indicação ao BAFTA. A lembrança nesse segundo prêmio é particularmente sintomática, já que a academia britânica escolheu seus indicados antes do GG revelar seus vencedores.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Capitão Fantástico
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
A Qualquer Custo
O Lagosta

O que pode acontecer: algumas surpresas, visto que a categoria de roteiro adaptado está muito mais acirrada do que a de original. Ainda assim, o ano parece de poucas alternativas até mesmo entre roteiros, o que pode ser reflexo do bom nível dos favoritos. Entre os originais, deixo de lado Jackie (que perdeu até o suposto fôlego que tinha para dar um segundo Oscar para Natalie Portman) para apostar em O Lagosta. A Academia costuma reservar uma ou mais vagas entre os roteiros para produções alternativas, então fica aí esse palpite.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Animais Noturnos
A Chegada
Um Limite Entre Nós
Lion: Uma Jornada Para Casa

Moonlight: Sob a Luz do Luar

O que pode acontecer: uma substituição de Animais Noturnos por Estrelas Além do Tempo (representando a ala de escolhas mais tradicionais), Silêncio (se o filme de Martin Scorsese finalemente conseguir nascer nessa temporada) ou até mesmo Deadpool (que surpreendentemente foi indicado ao Writers Guild of America). O filme de Tom Ford é um verdadeiro mistério: enquanto o Globo de Ouro e, principalmente, o BAFTA caíram de amores pela história, o SAG não deu importância alguma – e isso é estranho, já que o ponto mais forte de Animais Noturnos é justamente o elenco. Fora isso, a categoria dá indícios de já estar fechada. 

Os indicados ao BAFTA 2017

labafta

Mantendo a glória alcançada na última edição do Globo de Ouro, La La Land: Cantando Estações é o recordista de indicações ao BAFTA 2017.

Seguindo sua trajetória vitoriosa e aparentemente imbatível, La La Land: Cantando Estações agora também lidera a lista de indicados do BAFTA 2017. A seleção, revelada na manhã de hoje (10), surpreende pelos dois filmes que aparecem em segundo lugar no número de indicações (ambos com nove): A ChegadaAnimais Noturnos. A significativa presença do primeiro é gratificante porque o preconceito com ficções é grande, mas o BAFTA não ligou muito para isso, levando o filme de Dennis Villeneuve para todas as categorias principais, o que é raro. Já o segundo não deixa de ser polêmico, uma vez que o filme de Tom Ford, celebrado desde o Festival de Veneza com o prêmio especial do júri, divide opiniões por onde passa. Novamente, não é muito comum um longa com essa natureza de recepção receber tantos confetes assim. No mais, Emily Blunt (A Garota no Trem) surge novamente como alternativa em uma lista sem Isabelle Huppert (aqui Elle não era elegível pois só estreia em março no Reino Unido) e Eu, Daniel Blake, de Ken Loach, ocupou a vaga de queridinho britânico do ano (talvez o maior em muitos anos). Os vencedores do BAFTA serão conhecidos no dia 12 de fevereiro. Confira abaixo a lista de indicados:

MELHOR FILME
A Chegada
Eu, Daniel Blake
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR DIREÇÃO
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Denis Villeneuve (A Chegada)
Ken Loach (Eu, Daniel Blake)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
Tom Ford (Animais Noturnos)

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (A Chegada)
Emily Blunt (A Garota no Trem)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Jake Gyllenhaal (Animais Noturnos)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Hayley Squires (Eu, Daniel Blake)
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Nicole Kidman (Lion)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
Dev Patel (Lion)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
A Qualquer Custo
Eu, Daniel Blake
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Chegada
Animais Noturnos
Estrelas Além do Tempo
Lion
Até o Último Homem

MELHOR FILME BRITÂNICO
American Honey
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Eu, Daniel Blake
Negação
Notes on Blindness
Sob a Sombra

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Dheepan: O Refúgio (França)
O Filho de Saul (Hungria)
Julieta (Espanha)
Mustang (França)
Toni Erdmann (Alemanha)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
A 13ª Emenda
The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years
The Eagle huntress
Notes on Blindness
Weiner

MELHOR ANIMAÇÃO
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
Procurando Dory
Zootopia

MELHOR TRILHA SONORA
A Chegada
Animais Noturnos
Jackie
La La Land: Cantando Estações
Lion

MELHOR FOTOGRAFIA
A Chegada
A Qualquer Custo
Animais Noturnos
La La Land: Cantando Estações
Lion

MELHOR MONTAGEM
A Chegada
Animais Noturnos
Até o Último Homem
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Doutor Estranho
Florence: Quem é Essa Mulher?
Jackie
La La Land: Cantando Estações

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Animais Noturnos
Até o Último Homem
Doutor Estranho
Florence: Quem é Essa Mulher?
Rogue One: Uma História Star Wars

MELHOR SOM
A Chegada
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Até o Último Homem
La La Land: Cantando Estações
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

MELHORES EFEITOS VISUAIS
A Chegada
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Doutor Estranho
Mogli: O Menino Lobo
Rogue One: Uma História Star Wars

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
The Alan Dimension
A Love Story
Tough

MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
Consumed
Home
Mouth of Hell
The Party
Standby

BAFTA RISING STAR
Anya Taylor-Joy
Laia Costa
Lucas Hedges
Ruth Negga
Tom Holland

Os vencedores do Globo de Ouro 2017

huppertglobes

Maior surpresa (agradável) da noite, a francesa Isabelle Huppert foi a melhor atriz dramática por Elle.

Fazendo história, o Globo de Ouro desse domingo (08) reforçou o favoritismo absoluto do musical La La Land: Cantando Estações na temporada de premiações. O filme de Damien Chazelle (do já impressionante Whiplash: Em Busca da Perfeição) quebrou recordes e, vencendo todos as categorias em que concorria, se tornou o maior vencedor da história do prêmio em 74 anos, batendo os até então soberanos Um Estranho no NinhoO Expresso da Meia-Noite, ambos com seis prêmios (alguns deles por categorias que já não existem mais, como ator revelação). Foram sete as vitórias: filme comédia/musical, direção, roteiro, ator e atriz em comédia/musical (Emma Stone e Ryan Gosling), trilha sonora e canção original (“City of Stars”). Se continuar nesse ritmo, La La Land devolverá aos estadunidenses o Oscar de direção (que há seis anos só vai para “estrangeiros”) e consagrará o diretor mais jovem da história do prêmio da Academia (Chazelle tem apenas 32 anos). Já os dramas Moonlight: Sob a Luz do LuarManchester à Beira-Mar tiveram que se contentar apenas com as estatuetas de melhor filme e ator drama (Casey Affleck), respectivamente.

Se o prêmio para Aaron Taylor-Johnson como ator coadjuvante por Animais Noturnos parecia o prelúdio de uma noite de desastres (é absurdo ele ser celebrado enquanto seu colega Michael Shannon sequer foi indicado e é até superior em cena), boas surpresas vieram ao longo da cerimônia, como a vitória do francês Elle na categoria de filme estrangeiro, dando um tapa de luva na caretice do Oscar que já excluiu o longa de Paul Verhoeven da lista de pré-selecionados de sua categoria. Enquanto o discurso emblemático da homenagem de Meryl Streep indicava que esse se firmaria como o momento mais emocionante da noite (não só pela linda introdução de Viola Davis, mas por tudo o que Meryl disse com uma elegância ímpar, sem trazer nada para si, da importância do ofício do ator a tudo de mais sombrio e nefasto que a eleição de Donald Trump traz para os Estados Unidos), eis que o Globo de Ouro revela uma maturidade ímpar ao entregar o prêmio de melhor atriz em drama para Isabelle Huppert (Elle). A francesa, que tem uma das carreiras mais prolíferas e emblemáticas da Europa (e do mundo), falou que não deveriam existir fronteiras quando o assunto é cinema. E só devemos agradecer ao fato de que o Globo de Ouro compreendeu essa ideia em um momento certo. Confira abaixo a lista de vencedores:

MELHOR FILME DRAMA: Moonlight: Sob a Luz do Luar
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: La La Land: Cantando Estações
MELHOR ATRIZ DRAMA: Isabelle Huppert (Elle)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ATOR DRAMA: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ROTEIRO: La La Land: Cantando Estações
MELHOR ANIMAÇÃO: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Elle (França)
MELHOR TRILHA SONORALa La Land: Cantando Estações
MELHOR SÉRIE DRAMAThe Crown

MELHOR SÉRIE COMÉDIAAtlanta
MELHOR TELEFILME OU MINISSÉRIEThe People v. O.J. Simpson: American Crime Story
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA: Billy Bob Thornton (Goliath)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Tracee Ellis Ross (Black-ish)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Donald Glover (Atlanta)
MELHOR ATRIZ EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story)
MELHOR ATOR EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Tom Hiddleston (The Night Manager)
MELHOR ATOR EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Hugh Laurie (The Night Manager)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Olivia Colman (The Night Manager)

Apostas para o Globo de Ouro 2017

goldennom

Com apresentação de Jimmy Fallon, o Globo de Ouro revela nesse domingo (08) a sua lista de premiados. Até aqui, La La Land: Cantando Estações lidera as apostas por ser o líder de indicações com ampla vantagem, mas principalmente por ser o filme sensação da temporada. O filme de Damien Chazelle é aposta fácil em praticamente todas as categorias de comédia/musical. Entre os dramas, Moonlight: Sob a Luz do LuarManchester à Beira-Mar dividem o favoritismo, com o primeiro largando na frente após acumular uma série de prêmios vindos de associações de críticos. Confira abaixo, a nossa lista de apostas que ainda inclui seriados, minisséries e telefilmes. Lembrando que, aqui no Brasil, o Globo de Ouro é transmitido pela TNT a partir das 22h.

MELHOR FILME DRAMA: Moonlight: Sob a Luz do Luar / alt: Manchester à Beira-Mar
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: La La Land: Cantando Estações / alt: Deadpool
MELHOR ATRIZ DRAMA: Natalie Portman (Jackie) / alt: Amy Adams (A Chegada)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações) / alt: Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
MELHOR ATOR DRAMA: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) / alt: Denzel Washington (Cercas)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações) / alt: Ryan Reynolds (Deadpool)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Cercas) / alt: Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar) / alt: Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações) / alt: Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ROTEIRO: Manchester à Beira-Mar / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR ANIMAÇÃO: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho / alt: Moana: Um Mar de Aventuras
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações) / alt: “Can’t Stop the Feeling” (Trolls)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Toni Erdmann (Alemanha) / alt: O Apartamento (Irã)
MELHOR TRILHA SONORALa La Land: Cantando Estações / alt: A Chegada
MELHOR SÉRIE DRAMAWestworld / alt: The Crown

MELHOR SÉRIE COMÉDIAAtlanta / alt: Mozart in the Jungle
MELHOR TELEFILME OU MINISSÉRIEThe People v. O.J. Simpson: American Crime Story / alt: The Night Of
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA: Evan Rachel Wood (Westworld) / alt: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA: Rami Malek (Mr. Robot) / alt: Matthew Rhys (The Americans)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Sarah Jessica Parker (Divorce)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Donald Glover (Atlanta) / alt: Jeffrey Tambor (Transparent)
MELHOR ATRIZ EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story) / alt: Kerry Washington (Confirmation)
MELHOR ATOR EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Courtney B. Vance (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story) / alt: John Turturro (The Night Of)
MELHOR ATOR EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: John Lithgow (The Crown) / alt: Sterling K. Brown (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Thandie Newton (Westworld) / alt: Olivia Colman (The Night Manager)

Melhores de 2016 – Atriz Coadjuvante

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Não é por abandonar qualquer glamour que enalteça sua beleza já natural que Juliana Paes é uma grande revelação em A Despedida. Carismática atriz ela sempre foi, mas aqui encontra o trabalho mais íntimo de sua carreira, construindo uma personagem cuja dramaticidade vem quase inteiramente de dentro para fora. É lançando um olhar carinhoso sem que isso se confunda com piedade ou arquitetando secretamente momentos de generosidade para que Almirante (Nelson Xavier), seu amante 55 anos mais velho, não se sinta enfraquecido e até mesmo inválido que Juliana Paes constrói uma personagem fascinante: apesar de nova, sua Fátima é uma mulher visivelmente calejada e triste que se ilumina por completo com a mais atípica das paixões. Ao contrário do que se poderia esperar, principalmente pela disparidade de idade, não há um momento sequer de A Despedida em que o espectador duvide de sua paixão por Almirante. Afinal, para ela, hombridade não está na idade – e sim na retidão de caráter, no carinho, na integridade. E bastam cerca de meros vinte minutos (no belíssimo ato final do filme) para que ela permaneça na memória tanto quanto o protagonista. Ainda disputavam a categoria: Anya Taylor-Joy (A Bruxa), Jane Fonda (A Juventude), Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) e Kate Winslet (Steve Jobs).

EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens) | 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas)| 2011 – Amy Adams (O Vencedor| 2010 – Marion Cotillard (Nine| 2009 – Kate Winslet (O Leitor| 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro| 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

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