Cinema e Argumento

Festival de Sundance 2022: “The Princess”, de Ed Perkins

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De tempos em tempos, figuras da vida real se tornam objeto de paixões repentinas entre filmes e seriados. O escritor Truman Capote, por exemplo, foi retratado por dois filmes consecutivos em 2005 e 2006 com Capote e Confidencial, enquanto o pintor Vincent Van Gogh apareceu recentemente na animação Com Amor, Van Gogh e no drama No Portal da Eternidade, também apresentados em dois anos consecutivos. Já a cantora Aretha Franklin agora tem sua história celebrada pela minissérie Genius: Aretha e pelo filme Respect. Mas ainda está por vir um fenômeno tão simultâneo quanto o da princesa Diana. Depois de ter sido encarnada por Kristen Stewart em Spencer e por Emma Corrin no seriado The Crown, Diana ainda ganhará vida com Elizabeth Debicki em uma nova temporada dessa produção original Netflix.

É por isso que suspeitei quando descobri The Princess, documentário de Ed Perkins que faz sua estreia no Festival de Sundance deste ano. Minha suspeita é muito simples: afinal, depois de tudo o que vimos sobre Diana nos últimos anos, ainda há algo de novo a ser dito sobre sua história? Em teoria, o longa aposta que sim. Na prática, entretanto, a promessa não se cumpre e as boas ideias são desperdiçadas. Perkins, que recebeu uma indicação ao Oscar em 2019 pelo documentário de curta-metragem Ovelhas Negras, disse, na apresentação do filme no festival, que sabe o quanto a história de Diana já foi amplamente abordada, mas que, com The Princess, esperava dar um enfoque diferenciado a essa história que, segundo ele, é uma das que mais definem a nossa era. 

O ponto de partida adotado por Perkins é interessante: o de apresentar uma das figuras mais influentes e icônicas do século XX utilizando apenas imagens de acervo, formando um mosaico de como o trabalho da imprensa e a superexposição a qual Diana foi submetida contribuiu para o seu trágico e conhecido desfecho em agosto de 1997. Na arrancada, o conceito funciona: com tantas imagens de jornalistas registrando cada aparição de Diana em qualquer lugar do mundo, somos tomados por um crescente sentimento de angústia porque, mesmo depois de mais duas décadas e com as redes sociais já sendo parte indissociável da nossa realidade, ainda parece absurdo que uma vida seja exposta de maneira tão cruel e sem escrúpulos.

A montagem de Daniel Lapira e Jinx Godfrey é habilidosa no entrelaçamento das imagens e, principalmente, na transição de fatos importantes da vida de Diana. Acontece que logo The Princess vai perdendo tração devido a um problema fácil de antever e que o documentário não contorna: o de que já vimos uma imensa parte daquelas imagens ao longo dos anos. Diana foi uma figura tão explorada e discutida que é difícil encontrar imagens públicas que não sejam familiares ao público, sensação agravada quando não há qualquer outro artifício para enriquecê-las, como é o caso aqui. Daí vem a frustração de constatar que The Princess pode até ser um excelente trabalho de pesquisa, mas que, como cinema, especialmente agora, tem pouco a acrescentar sobre uma figura tão icônica dos nossos tempos.

The Princess review

From time to time, real-life figures become the object of sudden passions in movies and TV shows. Writer Truman Capote, for example, was portrayed in two consecutive films in 2005 and 2006 with Capote and Confidential, while painter Vincent Van Gogh recently appeared in the animation With Love, Van Gogh and in the drama At Eternity’s Gate, also presented in two consecutive years. Singer Aretha Franklin now has her story celebrated by the miniseries Genius: Aretha and the movie Respect. But a phenomenon as simultaneous as that of Princess Diana is yet to come. After being played by Kristen Stewart in Spencer and by Emma Corrin in the series The Crown, Diana will still come to life with Elizabeth Debicki in a new season of the original Netflix production.

That’s why I got suspicious when I heard about The Princess, Ed Perkins’ documentary making its debut at this year’s Sundance Film Festival. My suspicion is very simple: after all, after everything we’ve seen about Diana in recent years, is there still anything new to be said about her story? In theory, The Princess bets so. Practically speaking, however, the promise is not kept and good ideas are wasted. Perkins, who received an Oscar nomination in 2019 for the short-film documentary Black Sheep, said, at the film’s presentation at the festival, that he knows how widely Diana’s story has already been covered, but that he hoped to give a different focus to a life that, according to him, is one of the most defining of our era.

The starting point is quite interesting: to present one of the most influential and iconic figures of the 20th century using only collection images, forming a mosaic of how the work of the press and the overexposure to which Diana was subjected contributed to her tragic and well-known outcome in August 1997. The concept works in the first moments: with so many images of journalists recording each appearance of Diana, we are taken by a growing feeling of anguish because, even after more than two decades and with social networks already being an inseparable part from our reality, it still seems absurd that a life is exposed in such a cruel and unscrupulous way.

The editing by Daniel Lapira and Jinx Godfrey is skillful in the intertwining of images and, above all, in the transition of important facts in Diana’s life. It turns out that soon The Princess loses traction due to the problem that we’ve already seen a huge part of those images over the years. Diana was such a explored and discussed figure that it is difficult to find public images that are not familiar to the audience, a feeling that is exacerbated when there is no other tool to enrich them, as is the case here. Hence the frustration of realizing that The Princess may even be an excellent work of research, but that, as a cinema, especially now, it has little to add about such an iconic figure of our times.

Os indicados ao Screen Actors Guild Awards 2022

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O que rolou aqui? Casa GucciAtaque dos Cães lideram a lista de indicações ao SAG 2022, mas a indicação a melhor elenco ficou apenas com o filme de Ridley Scott.

Quem diria. No ano em que o Globo de Ouro é boicotado e praticamente cancelado em função de escândalos recentes, a cota de constrangimentos acabou ficando com o Screen Actors Guild Awards, que apresentou, nesta quarta-feira (12), uma lista digna de rivalizar com as bobagens tão atribuídas aos votantes da Hollywood Foreign Press. Talvez a representação máxima dessa afirmação seja a lembrança a Jared Leto como ator coadjuvante por Casa Gucci — afinal, como uma interpretação tão caricatural e constrangedora ganha o apoio de um sindicato de atores (e até mesmo dos críticos, considerando a seleção do Critics’ Choice Awards)? Ao menos o Globo de Ouro pode se vangloriar de não ter passado por essa.

O apreço por Casa Gucci, indicado também a melhor elenco e melhor atriz (Lady Gaga), é descabido na medida em que observamos a ausência de Ataque dos Cães na seleção principal, mesmo com o filme de Jane Campion concorrendo em três categorias individuais: ator para Benedict Cumberbatch, atriz coadjuvante para Kirsten Dunst e ator coadjuvante par Kodi Smit-McPhee. Pelo jeito, o filme de Ridley Scott é o Bohemian Rhapsody da temporada de premiações de 2022. E o que falar sobre a escandalosa ausência de Kristen Stewart como melhor atriz por Spencer? Kristen ficou de fora para ressuscitarem Jennifer Hudson (Respect: A História de Aretha Franklin) na disputa, e sua grande falta foi inclusive alvo de reclamações públicas de alguns membros do SAG nas redes sociais.

A categoria de melhor atriz está abarrotada de cinebiografias (Olivia Colman é a exceção com A Filha Perdida) e é uma clara representação das escolhas cômodas feitas pelo votantes, que, assim como praticamente todas as premiações dessa temporada, ignoraram o trabalho sobrenatural do elenco de Mass. Como votante do Independent Spirit Awards, sei que screeners do longa de Franz Kanz estão rolando há muito tempo no circuito e de forma bastante ampla. Ou seja, Mass não ficou de fora por não ter chegado aos votantes. Os caminhos fáceis também foram tomados no segmento de séries e minisséries, onde, sabe-se lá como, a péssima segunda temporada de The Morning Show emplacou quatro indicações, incluindo um lembrança dupla para Jennifer Aniston e Reese Witherspoon.

Realmente não lembro a última vez que o SAG apresentou uma lista tão ruim e, em diversos pontos, bastante incoerente. Confiram abaixo:

CINEMA

MELHOR ELENCO
Belfast
Casa Gucci
King Richard: Criando Campeãs
Não Olhe Para Cima
No Ritmo do Coração

MELHOR ATRIZ
Jennifer Hudson (Respect: A História de Aretha Franklin)
Jessica Chastain (Os Olhos de Tammy Faye)
Lady Gaga (Casa Gucci)
Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos)
Olivia Colman (A Filha Perdida)

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Tick, Tick…BOOM!)
Benedict Cumberbatch (Ataque dos Cães)
Denzel Washington (A Tragédia de Macbeth)
Javier Bardem (Apresentando os Ricardos)
Will Smith (King Richard: Criando Campeãs)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
Caitriona Balfe (Belfast)
Cate Blanchett (O Beco do Pesadelo)
Kirsten Dunst (Ataque dos Cães)
Ruth Negga (Identidade)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ben Affleck (Bar, Doce Lar)
Bradley Cooper (Licorice Pizza)
Jared Leto (Casa Gucci)
Kodi Smit-McPhee (Ataque dos Cães)
Troy Codsur (No Ritmo do Coração)

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE DRAMA
The Handmaid’s Tale
The Morning Show
Round 6
Succession
Yellowstone

MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE COMÉDIA
The Great
Hacks
O Método Kominski
Only Murders in the Building
Ted Lasso

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Jennifer Aniston (The Morning Show)
Jung Ho-Yeon (Round 6)
Reese Witherspoon (The Morning Show)
Sarah Snook (Succession)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA
Billy Crudup (The Morning Show)
Brian Cox (Succession)
Jeremy Strong (Succession)
Kieran Culkin (Succession)
Lee Jung-Jae (Round 6)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Elle Fanning (The Great)
Hannah Waddingham (Ted Lasso)
Jean Smart (Hacks)
Juno Temple (Ted Lasso)
Sandra Oh (The Chair)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Brett Goldstein (Ted Lasso)
Jason Sudeikis (Ted Lasso)
Martin Short (Only Murders in the Building)
Michael Douglas (O Método Kominski)
Steve Martin (Only Murders in the Building)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Cynthia Erivo (Genius: Aretha)
Jean Smart (Mare of Easttown)
Jennifer Coolidge (The White Lotus)
Kate Winslet (Mare of Easttown)
Margaret Qualley (Maid)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Evan Peters (Mare of Easttown)
Ewan McGregor (Halston)
Michael Keaton (Dopesick)
Murray Bartlett (The White Lotus)
Oscar Isaac (Scenes from a Marriage)

Os vencedores do Globo de Ouro 2022

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Com três estatuetas, Ataque dos Cães, de Jane Campion, é o vencedor do Globo de Ouro 2022.

Sem público ou transmissão, o Globo de Ouro 2022 anunciou ontem seus vencedores. O drama Ataque dos Cães, de Jane Campion, levou, merecidamente, os prêmios de melhor filme, direção e ator coadjuvante para Kodi Smit-McPhee (particularmente, eu ainda colocaria na conta o prêmio de melhor ator para Benedict Cumberbatch). No segmento de comédia/musical, Steven Spielberg reinou com seu Amor, Sublime Amor. São resultados coerentes para uma ótima temporada e que fazem muito bem ao Globo de Ouro, cuja lista desde ano não nos reservou vexames. O mesmo se aplica para o segmento de séries, minisséries e antologias, onde Succession foi o melhor drama, Hacks a melhor comédia e The Underground Railroad a melhor minissérie. 

Só o tempo dirá se os resultados tão “comportados” do Globo de Ouro são reflexo das amplas críticas que a HFPA vem recebendo por seus escândalos e falta de representatividade, mas, por ora, saldo positivo para a premiação. Entretanto, deixo aqui dois rápidos adendos. O primeiro é que, por mais que tenha, em Apresentando os Ricardos, um excelente desempenho, Nicole Kidman não deveria ter desbancado concorrentes muito mais fortes e de trabalhos bem mais complexos, como Kristen Stewart por Spencer e Olivia Colman por A Filha Perdida. Vale ficar de olho para conferir se esta é uma tendência da temporada ou uma escolha particular do Globo de Ouro.

Já a segunda é referente ao mestre Hans Zimmer, que levou o prêmio de melhor trilha sonora por Duna. Não escondo que tenho meus problemas com o filme de Denis Villeneuve, mas a consagração realmente me chateia, já que Zimmer, um compositor de mão cheia, teve uma série de trabalhos inspirados e inovadores para quebrar seu jejum na premiação ao longo das duas últimas décadas, de O Código Da Vinci a qualquer um dos longas de Christopher Nolan (a estatueta mais “recente” do compositor era de 2001, por Gladiador). Pode ser que, ao fechar as contas, esta tenha sido a saída do Globo de Ouro para não deixar Duna de mãos abanando.

Confira abaixo a lista de vencedores: 

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA: Ataque dos Cães
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Amor, Sublime Amor
MELHOR DIREÇÃO: Jane Campion (Ataque dos Cães)
MELHOR ATRIZ – DRAMA: Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos)
MELHOR ATOR – DRAMA: Will Smith (King Richard: Criando Campeãs)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Rachel Zegler (Amor, Sublime Amor)
MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Andrew Garfield (Tick, Tick… BOOM!)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Kodi Smith-McPhee (Ataque dos Cães)
MELHOR ROTEIRO: Belfast
MELHOR ANIMAÇÃO: Encanto
MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO-INGLESA: Drive My Car (Japão)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “No Time to Die” (Sem Tempo Para Morrer)
MELHOR TRILHA SONORA: Duna

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE – DRAMA: Succession
MELHOR SÉRIE – COMÉDIA: Hacks
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME:The Underground Railroad

MELHOR ATRIZ – DRAMA: MJ Rodriguez (Pose)
MELHOR ATOR – DRAMA: Jeremy Strong (Succession)
MELHOR ATRIZ – COMÉDIA: Jean Smart (Hacks)
MELHOR ATOR – COMÉDIA: Jason Sudeikis (Ted Lasso)
MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME: Kate Winset (Mare of Easttown)
MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME: Michael Keaton (Dopesick)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Sarah Snook (Succession)
MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: O Yeong-su (Round 6)

Os indicados ao Globo de Ouro, Critics’ Choice e Independent Spirit Awards 2022

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Belfast lidera a lista de indicados do Globo de Ouro e do Critics’ Choice Awards 2022. Ataque dos CãesAmor, Sublime Amor compartilham a dianteira respectivamente.

Já aberta previamente por incontáveis associações de críticos, a temporada de premiações de 2022 ganhou nova tração entre ontem (13) e hoje (14), quando o Globo de Ouro, o Critics’ Choice Awards e o Independent Spirit Awards revelaram os seus indicados. Como um todo, é possível constatar o quanto a temporada está repleta de possibilidades, o que é resultado direto de uma concorrência ampla e forte em várias categorias. Aqui ou ali, faltam vagas, por exemplo, na categoria de melhor atriz, onde Penélope Cruz, vencedora do último Festival de Veneza, ficou de fora por Madres Paralelas, assim como Jennifer Hudson, que parecia ter a receita infalível para prêmios com a sua personificação de Aretha Franklin na cinebiografia Respect. Tais oscilações em presenças e ausências são sempre interessantes para manter o entusiasmo e a curiosidade.

Isoladamente, as polêmicas e os boicotes envolvendo o Globo de Ouro parecem ter surtido efeito na Hollywood Foreign Press Association, que ampliou o seu número de membros para ter um time mais diverso e apresentou, pela primeira vez em muitos anos, uma lista sem qualquer constrangimento. Não há um Music da vida como no ano passado ou, então, o desastre cometido por Jared Leto em Casa Gucci. No lugar, temos uma lista sem surpresas e basicamente dentro do esperado, o que, para o Globo de Ouro, é um bom sinal. Ataque dos CãesBelfast lideram a lista, com Licorice Pizza ganhando o impulso necessário para não ficar restrito ao círculo dos críticos e Não Olhe Para Cima provando que a HFPA continua sem resistir a elencos estelares, mesmo quando os filmes não são bem recebidos. Agora é guardar para ver como se dará a premiação — se é que ela acontecerá, tendo em vista que a estrela escolhida para anunciar os indicados foi… Snoop Dog. Será que o boicote realmente se concretizará?

Enquanto isso, no Critics’ Choice Awards, Belfast, de Kenneth Branagh, também lidera a lista, agora ao lado de Amor, Sublime Amor, de Steven Spielberg. Neste prêmio onde, ao contrário do Globo de Ouro, todas as categorias técnicas são contempladas, há a cota do vexame com a indicação de Jared Leto como melhor ator coadjuvante por Casa Gucci (logo vocês, críticos?!) e uma característica muito importante que faz com que o Critics’ Choice Awards não alcance grande relevância: a de que há aqui um apanhado de tudo o que está pipocando na temporada em termos de favoritismo. E a situação piora na noite de premiação, pois já virou um hábito a decisão de promover empates. Quem lembra de quando Glenn Close (A Esposa) dividiu prêmio com Lady Gaga (Nasce Uma Estrela) ou de quando Bong Joon Ho (Parasita) empatou com Sam Mendes (1917) em melhor direção para ambos perderem melhor filme para o Era Uma Vez Em… Hollywood, de Quentin Tarantino? A dificuldade em se posicionar e ânsia por prever o Oscar jogam o Critics’ Choice no limbo.

E também tivemos os indicados ao Independent Spirit Awards que, comparado aos últimos anos, nunca foi tão… Independente! Isso está evidente no fato da premiação ter, por exemplo, reconhecido A Filha PerdidaC’mon C’mon em melhor filme, mas ignorado Olivia Colman e Joaquin Phoenix por seus desempenhos como protagonistas nos respectivos filmes. Ou seja, na medida em que as “estrelas” parecem ter ficado de lado, o Independent Spirit Awards se dedicou a garimpar obras realmente fora da curva, fato que também se reflete com o elogiado Mass sendo escolhido para o prêmio Robert Altman de elenco (dessa forma, os atores ficam fora da corrida individual por seus desempenhos) e com a baixa recepção a longas que eram dados como palpite fácil, a exemplo o ótimo Shiva Baby. É uma lista que, acertadamente, não tenta ser uma prévia do cinema independente rumo ao Oscar e que estimula o espectador a conhecer filmes que não costumam ganhar holofotes. E o melhor: temos nada menos do que quatro (!!!) mulheres na categoria de direção. De longe, a lista mais interessante até agora.

Confira os indicados:
Globo de Ouro / Critics’ Choice Awards / Independent Spirit Awards.

Os vencedores do Emmy 2021

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Com a vitória por Hacks, Jean Smart é a única atriz, ao lado de Betty White, a já faturar os prêmios de melhor protagonista, coadjuvante e convidada em série de comédia na história do Emmy.

Quando apresentou sua lista de indicados, o Emmy 2021 nos fez celebrar a marca do maior número de pessoas negras já selecionadas para concorrer ao prêmio. Já ontem, ao revelar seus vencedores, o gosto deixado foi amargo: nenhum deles venceu entre interpretações de drama, comédia e minissérie. E não foi por falta de oportunidade. Pelo contrário. Na pior cerimônia dos seus anos recentes, o Emmy demonstrou que só assistiu a uma meia dúzia de seriados, premiando-os até mesmo em que categorias sem qualquer justificativa, como na de melhor ator coadjuvante, onde Tobias Menzies levou a estatueta por The Crown sem sequer ter material na temporada para fazer algo significativo. A derrota do agora saudoso Michael K. Williams por Lovecraft Country certamente foi um dos maiores choques da noite.

Por falar nisso, o cômodo lugar assumido pelo Emmy ao premiar The Crown em todas as categorias possíveis é de um descompasso gigantesco. Sinais já haviam sido dados na semana passada, quando Claire Foy faturou a estatueta de melhor atriz convidada em drama por sua participação em um flashback que, caso retirado da série, não faria falta alguma. E o comportamento dos votantes realmente se confirmou: The Crown ganhou todas as categorias principais em que concorria, incluindo roteiro e direção, além de cada uma de interpretação, feito que nem séries icônicas e historicamente celebradas como Six Feet UnderThe SopranosMad Men jamais conseguiram. Uma pena que esse marco tenha sido alcançado por puro acaso e mediante equívocos. Contudo, não me interpretem mal: a quarta temporada deste programa que finalmente deu o prêmio de melhor série para a Netflix é a melhor até agora, o que, ainda assim, não justifica os prêmios entregues de forma desenfreada e irrestrita.

Nos segmentos de comédia e minisséries, a lógica foi basicamente a mesma, com um leque um tantinho maior de opções. Ted Lasso ganhou melhor série de comédia, enquanto Hacks levou os prêmios de melhor direção, roteiro e atriz, algo que, ao meu ver, não faz muito sentido: como é possível um seriado ter a melhor direção e o melhor roteiro, dois aspectos centrais de qualquer obra audiovisual, e simplesmente não ser a melhor série? No mais, todas as palmas do mundo para a consagração de Jean Smart, uma atriz que, aos 70 anos, vive o grande momento da sua carreira com papeis coadjuvantes de séries importantes dos últimos anos (FargoWatchmen) e agora com um protagonismo à altura do seu grande talento. Por fim, a vitória de The Queen’s Gambit como melhor minissérie foi um banho de água fria após a consagração de Michaela Coel em melhor roteiro com I May Destroy You e a de Mare of Easttown em atriz, atriz coadjuvante e ator coadjuvante. A seleção de minisséries com certeza merecia um desfecho melhor na premiação.

Confira abaixo a lista de vencedores:

MELHOR SÉRIE DE DRAMA: The Crown
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Olivia Colman (The Crown)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Josh O’Connor (The Crown)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Gillian Anderson (The Crown)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Tobias Menzies (The Crown)
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE DRAMA: Jessica Hobbs (The Crown), pelo episódio “War”
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE DRAMA: Peter Morgan (The Crown), pelo episódio “War”

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIATed Lasso
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jean Smart (Hacks)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jason Sudeikis (Ted Lasso)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Hannah Waddingham (Ted Lasso)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Brett Goldstein (Ted Lasso)
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA: Lucia Aniello (Hacks), pelo episódio “There is No Line”
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE COMÉDIA: Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky (Hacks), pelo episódio “There is No Line”

MELHOR MINISSÉRIE: The Queen’s Gambit
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Kate Winslet (Mare of Easttown)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Ewan McGregor (Halston)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Julianne Nicholson (Mare of Easttown)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Evan Peters (Mare of Easttown)
MELHOR DIREÇÃO EM MINISSÉRIE: Scott Frank (The Queen’s Gambit)
MELHOR ROTEIRO EM MINISSÉRIE: Michaela Coel (I May Destroy You)

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