Cinema e Argumento

Os vencedores do Oscar 2026

Uma Batalha Após a Outra foi o melhor filme do Oscar 2026.

Há dois universos em conflito quando fazemos nossas apostas para o Oscar. O primeiro envolve a matemática propriamente dita — aquela que considera os prêmios precursores, as estatísticas históricas da Academia e a soma de probabilidades criada até o dia da cerimônia. Já o segundo — e é ele que bagunça tudo — fica apenas no terreno da especulação, quando nos deixamos levar pelo instinto, por aquilo que supostamente tem chance de surpreender ou por certezas que só existem nas nossas teorias. Na maior parte dos casos, a matemática sempre vence, e foi o que aconteceu com a consagração absoluta de Uma Batalha Após a Outra, que levou seis Oscars para casa, incluindo o de melhor filme e o da categoria caçula de escalação de elenco. Tudo o que se especulava sobre uma possível força de última hora para Pecadores não se confirmou. Para dizer bem a verdade, talvez o filme de Ryan Coogler, apesar do recorde de indicações, não tenha sequer chegado perto de arranhar as chances de Uma Batalha Após a Outra, longa responsável por enfim dar a estatueta dourada a um diretor icônico como Paul Thomas Anderson.

As confirmações se deram em uma cerimônia das mais inexpressivas já produzidas pelo Oscar em termos de entretenimento. Do roteiro paupérrimo em ideias ao desrespeito com vários vencedores que tiveram seus microfones cortados durante os discursos, a Academia entregou um programa televisionado sem vida e que em nada justificou o tanto de tempo disposto aos produtores para pensar a cerimônia, este ano realizada tardiamente, mais de 45 dias após o anúncio dos indicados. A lista de equívocos segue: apenas duas das cinco canções indicadas foram apresentadas, como se as outras não tivessem importância alguma; o tempo dado aos apresentadores das categorias é excessivo e mal aproveitado; e até mesmo o In Memoriam — este ano mais povoado do que o habitual devido ao número de importantes despedidas recentes — pareceu feito de improviso, inclusive no próprio layout das fotos do telão, que pareciam ter saído diretamente de um Paint qualquer.

Sobre os vencedores, algumas considerações:

– Tem causado certa insatisfação o terceiro Oscar de Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra), muito pelo fato de ele não ter comparecido à cerimônia. Penn estava na Ucrânia defendendo as causas que sempre defende e sua campanha para o prêmio foi nula. Por que ele haveria de aparecer quando nunca deu sinal de que estaria lá? E desde quando o merecimento de um prêmio se mede pela presença ou não de alguém no Oscar? Para completar, também não sou da turma que não o premiaria porque ele já tem duas estatuetas. É em função desse tipo de pensamento que as injustiças cometidas pela Academia viraram uma bola de neve. Acho Penn um espetáculo no filme de Paul Thomas Anderson e defendo essa vitória.

– Também fico muito feliz com a vitória de Amy Madigan em atriz coadjuvante com A Hora do Mal. Depois de anos dando rasteiras em performances de terror (Toni Collette em Hereditário, Lupita Nyong’o em Nós) ou alimentando expectativa em torno delas para, no fim, se recusar a premiá-las (Demi Moore em A Substância), o Oscar parece ter compreendido a necessidade de reconhecer um gênero popular e que há anos vem sendo preterido por um tolo preconceito. Madigan é o ponto alto de A Hora do Mal e, sem dúvida, sua estatueta já envelhece muito bem, pois é a vitória certa, na hora certa, pela interpretação certa.

– Sei que muita gente gosta da ideia de Michael B. Jordan ter um Oscar de melhor ator por Pecadores, mas não chego a me entusiasmar com o reconhecimento. Gosto muito de Jordan desde Fruitvale Station — e acho, inclusive, que ele ofuscou Chadwick Boseman em Pantera Negra —, mas, dessa vez, ele não era o ator mais interessante nem dentro do próprio filme, que dirá do ano. Era o indicado menos interessante dentro da categoria, que, aqui em casa, foi conquistada por Ethan Hawke em Blue Moon. Jordan se tornou o sexto ator negro a conquistar o prêmio de melhor protagonista, evidenciando uma disparidade que merece ser notada: em melhor atriz, até hoje, em quase cem anos de Oscar, somente uma mulher negra levou a estatueta (Halle Berry, por A Última Ceia). O que significa essa resistência?

– Ainda em melhor ator, o caso de Timothée Chalamet ficará para a posteridade como um caso de campanha às avessas. À parte as polêmicas envolvendo suas declarações sobre ópera e ballet, Chalamet, a meu ver, já vinha perdendo esse Oscar desde o ano passado, quando fez um discurso constrangedor no Screen Actors Guild Awards ao vencer o prêmio de melhor ator por Um Completo Desconhecido. Citando que trabalhava para estar no mesmo panteão de Marlon Brando, Viola Davis e Daniel Day-Lewis, o jovem começou uma obcecada busca pelo Oscar. Não há problema na ambição. Ela, inclusive, pode ser um belo combustível. Mas há algo de errado quando um artista encara prêmios como balizadores de grandeza e sucesso. Timothée caiu vertiginosamente nessa armadilha e colocou fora um Oscar que provavelmente viria de forma natural.

– O Brasil acabou não levando estatuetas para casa, como era de se imaginar, apesar das nossas torcidas. No caso de O Agente Secreto, ganhou mesmo a narrativa de que é muito difícil um país levar o Oscar de melhor filme internacional por dois anos seguidos. Talvez tenhamos vencido os precursores porque eles não premiaram Ainda Estou Aqui no ano passado. O Oscar não tinha dívida com o Brasil. Nem mesmo o BAFTA, que já havia nos reconhecido com Central do Brasil. Nem por isso saímos menores: a visibilidade que o cinema brasileiro vem ganhando é imensa, e O Agente Secreto tem parte fundamental nessa construção. O trabalho agora é outro: não podemos nos importar com nosso cinema apenas em época de Oscar, principalmente quando estatísticas nos dizem que mais da metade dos lançamentos brasileiros comercialmente sequer chegam a mil espectadores nas salas de cinema cada um.

Confira abaixo a lista completa de vencedores do Oscar 2026:

MELHOR FILME: Uma Batalha Após a Outra
MELHOR DIREÇÃO: Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Após a Outra)

MELHOR ATRIZ: Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
MELHOR ATOR: Michael B. Jordan (Pecadores)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Amy Madigan (A Hora do Mal)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra)
MELHOR ESCALAÇÃO DE ELENCO: Uma Batalha Após a Outra
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Pecadores
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Uma Batalha Após a Outra

MELHOR FILME INTERNACIONAL: Valor Sentimental (Noruega)
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Mr. Nobody Against Putin
MELHOR ANIMAÇÃO: Guerreiras do K-Pop
MELHOR MONTAGEM: Uma Batalha Após a Outra
MELHOR FOTOGRAFIA: Pecadores
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Frankenstein
MELHOR FIGURINO: Frankenstein

MELHOR TRILHA SONORA: Pecadores
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Golden” (Guerreiras do K-Pop)

MELHOR SOM: F1: O Filme
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Avatar: Fogo e Cinzas
MELHOR MAQUIAGEM E CABELO: Frankenstein
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Singers e Two People Exchanging Saliva
MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: The Girl Who Cried Pearls

MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO: All the Empty Rooms

Os vencedores do The Actor Awards 2026

Elenco de Pecadores recebe o prêmio principal da noite.

Indicador de eventuais mudanças na categoria principal temporada ou caso isolado de uma premiação que optou por abraçar o diferente? O The Actor Awards elegeu Pecadores como o melhor elenco e deu reconhecimento de peso a um filme que, apesar do recorde de indicações ao Oscar, só ganhava prêmios técnicos até aqui, perdendo, inclusive, o Globo de Ouro de melhor filme de drama para Hamnet: A Vida Antes de Hamlet. Tal consagração, assim como a inesperada vitória de Michael B. Jordan como melhor ator, dá uma nova embaralhada na corrida dominada a largos passos por Uma Batalha Após a Outra, mas será o suficiente para desbancar o reinado do longa dirigido por Paul Thomas Anderson? Difícil saber, o que é muito estimulante. Aliás, por falar em mistérios, o The Actor Awards confirmou que, considerando as categorias de interpretação, há apenas uma certeza para a noite do Oscar: a de que Jessie Buckley levará o prêmio de melhor atriz.

Nas demais disputas, tudo se resumirá a narrativas daqui em diante — e não de matemática, como costuma acontecer. Com a vitória de Michael B. Jordan como melhor ator, por exemplo, Timothée Chalamet (Marty Supreme) vê seu suposto favoritismo perder um pouco mais de força, principalmente após ter perdido também o BAFTA. Em ator coadjuvante, Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra) repete o prêmio concedido pelos britânicos e agora assume a dianteira da categoria. No entanto, estaria o Oscar disposto a premiá-lo pela terceira vez? Por fim, é de se considerar que Amy Madigan (A Hora do Mal) agora seja, pela lógica, a aposta mais confortável em atriz coadjuvante. Acontece que, para o Oscar, o obstáculo está no fato de que seu filme não concorre em nenhuma outra categoria, ao contrário das demais concorrentes. É emoção que chama, né?

Confira abaixo a lista completa de vencedores do The Actor Awards:

CINEMA

MELHOR ELENCOPecadores
MELHOR ELENCO DE DUBLÊS: Missão: Impossível – O Acerto Final
MELHOR ATRIZ: Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
MELHOR ATOR: Michael B. Jordan (Pecadores)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Amy Madigan (A Hora do Mal)

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE DRAMAThe Pitt
MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE COMÉDIAThe Studio

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS EM SÉRIEThe Last of Us
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Keri Russell (The Diplomat)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Noah Wyle (The Pitt)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Catherine O’Hara (The Studio)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Seth Rogen (The Studio)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Michelle Williams (Morrendo Por Sexo)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Owen Cooper (Adolescência)

Apostas para o The Actor Awards 2026

Não falta suspense para a cerimônia de premiação do The Actor Awards que será realizada neste domingo (01), a partir das 21h (horário de Brasília). Considerando as categorias de cinema, somente a de melhor atriz tem uma favorita sacramentada – caso de Jessie Buckley, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet. Já as demais apresentam disputa acirrada entre dois concorrentes, como melhor elenco (Pecadores e Uma Batalha Após a Outra), ou chegam com cenários amplamente abertos, a exemplo de melhor ator e atriz coadjuvante, onde, até o momento, não há consenso algum se levarmos em conta as recentes premiações televisionadas. Aliado a isso, o The Actor Awards sequer tem na disputa filmes em língua não-inglesa como Valor Sentimental ou O Agente Secreto. Ou seja, nem mesmo com as eventuais vitórias de hoje, as corridas dos atores para o Oscar ficarão necessariamente definidas.

Abaixo, minhas apostas para hoje:

CINEMA

MELHOR ELENCO: Pecadores / alt: Uma Batalha Após a Outra
MELHOR ELENCO DE DUBLÊS: Uma Batalha Após a Outra / alt: Pecadores
MELHOR ATRIZ: Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet) / alt: Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria)
MELHOR ATOR: Ethan Hawke (Blue Moon) / alt: Timothée Chalamet (Marty Supreme)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra) / alt: Jacob Elordi (Frankenstein)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra) / alt: Amy Madigan (A Hora do Mal)

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE DRAMA: The Pitt / alt: Ruptura
MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE COMÉDIA: The Studio / alt: Only Murders in the Building

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS EM SÉRIE: Round 6 / alt: Andor
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Rhea Seehorn (Pluribus) / alt: Britt Lower (Ruptura)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Noah Wyle (The Pitt) / alt: Gary Oldman (Slow Horses)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jean Smart (Hacks) / alt: Catherine O’Hara (The Studio)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Seth Rogen (The Studio) / alt: Martin Short (Only Murders in the Building)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Erin Doherty (Adolescência) / alt: Michelle Williams (Dying for Sex)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Owen Cooper (Adolescência) / alt: Stephen Graham (Adolescência)

Os vencedores do BAFTA 2026

Com seis troféus, Uma Batalha Após a Outra triunfa no BAFTA.

Se comentei que, em termos de indicados, o BAFTA 2026 em nada movimentava a temporada de premiações, a situação é totalmente diferente agora que os britânicos revelaram seus vencedores. Ainda que, na cerimônia realizada hoje (22), Uma Batalha Após a Outra tenha confirmado seu favoritismo, o BAFTA deu conta de bagunçar a corrida de três das quatro categorias de interpretação. Wumni Mosaku (Pecadores) e Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra) foram os vitoriosos entre os coadjuvantes, diferindo de outras premiações como o Globo de Ouro e o Critics’ Choice, que, por sua vez, também optaram por candidatos diferentes entre si. Ou seja, o The Actor Awards terá papel fundamental no processo de revelar alguma tendência para ambas as categorias. Já o melhor ator foi, surpreendentemente, Robert Aramayo (I Swear), que não aparece em nenhuma outra lista e que, sendo britânico, aponta para a ideia de vermos o BAFTA retornando aos tempos em que valorizava mais o cinema local e estava menos preocupado em ser apenas uma prévia europeia do Oscar.

Saem consolidados da cerimônia Uma Batalha Após a Outra — que faturou inclusive categorias técnicas como melhor montagem e fotografia — e, claro, Jessie Buckley (Hamnet) como melhor atriz, sendo a única do quarteto de interpretações que deve terminar a corrida pelo Oscar vencendo todos os prêmios televisionados. Quanto às chances do Brasil, Adolpho Veloso perdeu a estatueta de melhor fotografia por Sonhos de Trem, o que pode ser considerado algo inusitado, mas o mesmo não se pode dizer de O Agente Secreto, que, conforme imaginado, saiu da festa sem vitórias. Não faço coro à análise de que o filme de Kleber Mendonça Filho somente perdeu porque o BAFTA tem predileção por obras europeias na categoria de filme de língua não-inglesa (Walter Salles, inclusive, já se consagrou duas vezes nela com Central do Brasil e Diários de Motocicleta, além de receber indicação por Abril Despedaçado). O que me parece é que, pela primeira vez, um grupo tenha confirmado a força de Valor Sentimental, que, não podemos esquecer, concorre a nove Oscars. Temos, sim, um concorrente de peso — e, dessa vez, sem chances de ser escanteado por uma certa Karla Sofía Gascón…

Confira abaixo a lista de vencedores:

MELHOR FILME: Uma Batalha Após a Outra
MELHOR FILME BRITÂNICO: Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
MELHOR DIREÇÃO: Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Após a Outra)

MELHOR ATRIZ: Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
MELHOR ATOR: Robert Aramayo (I Swear)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Wunmi Mosaku (Pecadores)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra)
MELHOR ESCALAÇÃO DE ELENCO: I Swear
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Pecadores
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Uma Batalha Após a Outra
MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA: Valor Sentimental (Noruega)
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Mr. Nobody Against Putin
MELHOR ANIMAÇÃO: Zootopia 2
MELHOR FILME PARA CRIANÇAS E FAMÍLIA: Boong
MELHOR MONTAGEM: Uma Batalha Após a Outra

MELHOR FOTOGRAFIA: Uma Batalha Após a Outra
MELHOR TRILHA SONORA: Pecadores
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Frankenstein
MELHOR FIGURINO: Frankenstein
MELHOR SOM: F1: O Filme
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Avatar: Fogo e Cinzas
MELHOR CABELO E MAQUIAGEM: Frankenstein

MELHOR ESTREIA DE DIRETOR, PRODUTOR OU ROTEIRISTA BRITÂNICO: A Sombra do Meu Pai
MELHOR CURTA BRITÂNICO: This Is Endometriosis
MELHOR CURTA BRITÂNICO DE ANIMAÇÃO: Dois Meninos em Busca da Liberdade
EE RISING STAR: Robert Aramayo

Os vencedores do Globo de Ouro 2026 (e deu Brasil de novo, agora em dose dupla!)

Wagner Moura e o seu Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama por O Agente Secreto.

É mais do que oficial: o cinema brasileiro vive uma verdadeira era de ouro. Não bastasse o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama para Fernanda Torres e o Oscar de melhor filme internacional para Ainda Estou Aqui em 2025, agora O Agente Secreto garante nosso protagonismo na temporada de premiações pelo segundo ano consecutivo. E, mesmo já colecionando consagrações desde o Festival de Cannes, é novamente no Globo de Ouro que um representante brasileiro vê suas chances serem consolidadas na corrida pelo Oscar. O resultado, aliás, foi melhor do que o imaginado: não só o favoritismo de Wagner Moura se confirmou na categoria de melhor ator em drama, como o próprio O Agente Secreto acabou levando o prêmio de melhor filme em língua não-inglesa. A segunda conquista dá enorme gás para a produção pernambucana porque ela foi capaz de desbancar Valor Sentimental, indicado em nada menos do que oito categorias, e Foi Apenas Um Acidente, que concorria em segmentos importantíssimos como os de direção e roteiro. É uma vitória triunfante e que muda de forma radical o jogo na disputa entre os filmes internacionais. Os caminhos abertos por Ainda Estou Aqui realmente não foram poucos.

Outros ótimos momentos de uma cerimônia bastante em discursos e seus respectivos posicionamentos diante do que vem acontecendo no mundo e, mais especificamente, nos Estados Unidos, ficaram por conta dos coadjuvantes. Primeiro, Teyana Taylor voltou a tomar a dianteira na disputa de atriz coadjuvante com seu reconhecimento por Uma Batalha Após a Outra. Logo em seguida, no mesmo bloco, Stellan Skarsgård foi escolhido o melhor ator coadjuvante por Valor Sentimental. Ambos os troféus movimentam disputas ainda suscetíveis a mudanças daqui para a frente, o que é sempre muito bom para qualquer temporada. O Globo de Ouro também não fez mais do mesmo em melhor filme de drama, desbancando o favorito Pecadores — que acabou vitorioso na categoria de conquista cinematográfica e de bilheteria — para premiar Hamnet: A Vida Antes de Hamlet. A surpresa é excelente notícia para Jessie Buckley, pois evidencia o quanto sua celebração em melhor atriz vem ampliada pelo amor ao filme de Chloé Zhao. E, por falar em amor, acho que já dá para dizer que Uma Batalha Após a Outra é mesmo imparável. Definitivamente, chegou a hora de Paul Thomas Anderson.

Confira abaixo a lista de vencedores:

CINEMA

MELHOR FILME DE DRAMA: Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
MELHOR FILME DE COMÉDIA/MUSICALUma Batalha Após a Outra
MELHOR DIREÇÃO: Paul Thomas Anderson (Uma Batalha Após a Outra)

MELHOR ATRIZ EM FILME DE DRAMA: Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA/MUSICAL: Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria)
MELHOR ATOR EM FILME DE DRAMA: Wagner Moura (O Agente Secreto)
MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA/MUSICAL: Timothée Chalamet (Marty Supreme)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Stellan Skarsgård (Valor Sentimental)
MELHOR ROTEIROUma Batalha Após a Outra
MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESAO Agente Secreto (Brasil)

MELHOR ANIMAÇÃOGuerreiras do K-Pop
MELHOR TRILHA SONORAPecadores

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Golden” (Guerreiras do K-Pop)
CONQUISTA CINEMATOGRÁFICA E DE BILHETERIA: Pecadores

SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES

MELHOR SÉRIE DE DRAMAThe Pitt
MELHOR SÉRIE DE COMÉDIAThe Studio
MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILMEAdolescência

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Rhea Seehorn (Pluribus)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Noah Wyle (The Pitt)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jean Smart (Hacks)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Seth Rogen (The Studio)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Michelle Williams (Morrendo por Sexo)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Stephen Graham (Adolescência)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Erin Doherty (Adolescência)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Owen Cooper (Adolescência)
MELHOR PERFORMANCE DE STAND-UP: Ricky Gervais (Ricky Gervais: Mortality)