Cinema e Argumento

A trilha sonora de… HP 7 – Parte 1

Qual fã de Harry Potter até hoje não se arrepia ouvindo a música-tema da série composta por John Williams? Pois é, mas acontece que a clásica música do menino-bruxo já sumiu faz um bom tempo das trilhas de Harry Potter. Assim como a saga abandonou sua estética inicial e se reinventou a partir do terceiro filme, o lado musical também se reformulou. Alguns gostam, outros não. Independente disso, a mudança era necessária.

Assim que John Williams deixou a série (ele fez um maravilhoso trabalho, em especial no terceiro filme, mas aprovo a saída dele para uma nova fase), a trilha não foi muito feliz com Patrick Doyle no quarto volume. A equipe se deu conta da escolha errada e convocou Nicholas Hooper. Esse sim um compositor que deu um novo tom para a saga e conseguiu realizar um notável trabalho musical. Ele criou pelo menos uma composição marcante: Dumbledore’s Army.

Hooper também fez a trilha de O Enigma do Príncipe, mas foi substituído por Alexandre Desplat, um dos maiores compositores da atualidade. O francês, três vezes indicado ao Oscar, não apresenta nada de surpreendente ou inovador na trilha de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. Comparado ao estilo de Desplat e ao que já foi realizado antes no setor musical da série, não existe nada nessa trilha que nós já não ouvimos antes.

O que encontramos nesse álbum é um estilo que se aproxima mais do estilo de Nicholas Hooper do que do estilo de John Williams. Nesse sentido, Alexandre Desplat continua todo aquele clima mais “adulto” da trilha sonora, livrando-se do tradicional arranjo clássico criado por Williams (mas que poderia estar presente aqui ou ali e não faria mal algum). Mas, pelo menos para mim, Desplat apenas fez uma variação do que Hooper já havia realizado.

Todo o estilo conhecido do francês pode ser reconhecido em faixas como Lovegood. Também podemos encontrar os violinos nervosos em faixas super movimentadas como Sky Battle ou até mesmo melancolia de piano em Harry and Ginny. Mas, no geral, como já dito, o resultado é apenas regular, sem maiores surpresas. Não que isso seja ruim – até porque Desplat nunca chegará nesse nível – só faltou um pouquinho mais de inspiração…

1. The Obliviation

2. Snape to Malfoy Manor

3. Polyjuice Potion

4. Sky Battle

5. At the Burrow

6. Harry and Ginny

7. The Will

8. Death Eaters

9. Dobby

10. Ministry of Magic

11. Detonators

12. The Locket

13. Fireplaces Escape

14. Ron Leaves

15. The Exodus

16. Godric’s Hollow Graveyard

17. Bathilda Bagshot

18. Hermione’s Parent

19. Destroying the Locket

20. Ron’s Speech

21. Lovegood

22. The Deathly Hallows

23. Captured and Tortured

24. Rescuing Hermione

25. Farewell to Dobby

26. The Elder Wand

“Better Days”

Ryan Murphy não é um sujeito de muita sorte. Criou Nip/Tuck (que só deu certo no início e depois sucumbiu a total decadência), dirigiu Correndo Com Tesouras (um ótimo filme, mas que a grande maioria subestima) e agora está alcançando reconhecimento com o seriado Glee (e, mesmo assim, tem vários detratores). Julia Roberts também é outra profissional que não teve muito êxito em suas últimas escolhas. Desde Closer – Perto Demais, ela não conseguiu emplacar um trabalho mais notável ou sequer um sucesso de bilheteria…

Apesar de tudo isso, algo que não consigo identificar desperta muito a minha simpatia nas prévias de Comer, Amar, Rezar. Não sei se é porque parece ser um feel good movie ou se é um desses filmes com viagens onde a personagem principal descobre as belezas da vida. Não sei. A verdade é que essa música de Eddie Vedder, Better Days, e todas as locações e a fotografia me conquistaram completamente. Sem falar, claro, que tem Javier Bardem e Richard Jenkins no elenco. Comer, Rezar, Amar, pode até não ser um grande um filme – e duvido muito que seja – mas, certamente, parece ser algo muito agradável de se assistir.

A trilha sonora de… A Origem

Desde que produziu Batman Begins, as trilhas dos filmes de Christopher Nolan seguiram o mesmo estilo. Se nas produções do justiceiro mascarado Hans Zimmer fazia dupla com James Newton Howard, aqui em A Origem ele assume sozinho o cargo de compositor. Não sei foi a ausência de Howard, mas o resultado não foi inspirado. De maneira alguma questiono a habilidade de Zimmer e muito menos desprezo o que ele consegui fazer em A Origem. No entanto, esse álbum parece mais uma reciclagem de outras trilhas dos filmes de Nolan. O mesmo estilo, a mesma sonoridade e o mesmo ritmo. Interessante? Sim. Mas, se for para ouvir repetições, prefiro revisitar  o maravilhoso momento musical de Batman – O Cavaleiro das Trevas. Para fazer o download da trilha de A Origem, clique aqui.

1. Half Remembered Dream

2. We Built Our Own World

3. Dream is Collapsing

4. Radical Notion

5. Old Souls

6. 528491

7. Mombasa

8. One Simple Idea

9. Dream Within a Dream

10. Waiting for a Train

11. Paradox

12. Time

Últimas Trilhas Sonoras

Koyaanisqatsi, por Philip Glass

Koyaanisqatsi é considerado um dos grandes trabalhos de Philip Glass. E merece o título de obra-prima por diversas razões. Além de ser uma sinfonia assombrosa de tão efetiva, tem o poder de conduzir todo o filme – que não possui diálogos. Junto com o excelente jogo de imagens, Glass trouxe uma trilha sonora singular, que representa um grande momento do compositor. Não é só a música-tema que fica perpetuando na mente, mas também toda a trilha, que deixa uma impressão muito marcante. Trabalho de mestre.

Powaqqatsi, por Philip Glass

Quem ouvir a trilha de Powaqqatsi, pode muito bem ficar com a pulga atrás da orelha. O álbum desperta a sensação de “já ouvi isso antes”. E já ouviu mesmo. Uma famosa composição, The Anthem, utilizada em O Show de Truman, é derivada daqui. Powaqqatsi é um álbum que já começa de forma super empolgante (a faixa de abertura, Serra Pelada, é impecável), mas não consegue sustentar o encantamento por muito tempo. É mais um ótimo resultado de Glass, mas não consegue se equiparar a Koyaanisqatsi. Sem falar, que possui algumas passagens que destoam do conjunto, como From Egypt.

Naqoyqatsi, por Philip Glass

Foi golpe baixo: Philip Glass resolveu produzir toda a trilha de Naqoyqatsi usando violinos como matéria-prima. O que ouvimos aqui não é nada menos que excepcional. Além de se igualar ao primeiro volume da trilogia, é bem possível que seja até superior. Glass realizou, em Naqoyqatsi, uma bela sucessão de composições geniais. Incrível como ele conseguiu fazer qualquer coisa com violinos, indo da tensão até o drama em questão de segundos. Escutar o que o compositor conseguiu na trilogia é obrigatório para qualquer fã de trilhas.

The Cove, por J. Ralph

Surpreendente trabalho de J. Ralph em A Enseada, provando que 2010 está sendo um ano muito significativo para as trilhas de filmes que chegam ao Brasil. Por mais que tenha 27 faixas, J. Ralph nunca perde a mão e consegue, frequentemente, inovar no seu estilo. É extremamente satisfatório ver como uma trilha tão elaborada dessas foi feita justamente para um documentário, gênero não muito apreciado pela maioria. Mais uma prova de que esse estilo de cinema tem sim grandes atrativos. O compositor pode se dar por satisfeito com o resultado alcançado, já que arrebentou no produto final.

The Ghost Writer, por Alexandre Desplat

Alexandre Desplat chegou em um momento da carreira onde até as suas trilhas mais convencionais possuem um ou outro momento de excelente inspiração. É o caso do trabalho em O Escritor Fantasma. Podemos até não ter uma música marcante, mas só de ouvir faixas como a música-tema ou The Truth About Ruth, já dá para notar que, mesmo com tantas trilhas, Desplat nunca perde o fôlego. Junto com a nebulosa fotografia, a boa parte musical é o que traz o tom certo para o filme de Roman Polanski.

Toy Story 3, por Randy Newman

Não sou fã das trilhas sonoras de Randy Newman. Acredito que elas podem até funcionar dentro do filme, mas, quando escutadas fora, não conseguem funcionar como apenas um produto musical. A trilha de Toy Story 3 é assim: tem um bom papel dentro do filme, mas chega a ser repetitiva e meio chata quando escutada fora dele. Claro que existem algumas faixas bem legais (a versão espanhola para You’ve Got a Friend in Me é ótima), mas, aos poucos, a repetição fica visível e o álbum não passa do convencional.

Últimas Trilhas Sonoras

Chéri, por Alexandre Desplat

Digo, com a maior certeza, que Alexandre Desplat é um dos maiores gênios quando o assunto é trilha sonora. Depois que estourou com O Despertar de Uma Paixão e A Rainha, não parou mais. Desplat está sempre realizando trabalhos maravilhosos e, de vez em quando, alcança níveis espetaculares. Foi assim, mais recentemente, com O Curioso Caso de Benjamin Button e Coco Antes de Chanel. Agora, é a vez do compositor apresentar mais uma trilha extraordinária com Chéri. Algumas canções nos remetem ao trabalho de A Rainha e isso é um ótimo sinal. A parte sonora de Chéri é fundamental para o filme e, mesmo quando escutada separadamente, funciona em altos níveis.

The Fog of War, por Philip Glass

Outro excepcional trabalho do mestre Philip Glass, que aqui alcança um nível espetacular. Não é apenas a qualidade das composições que impressiona na trilha de Sob a Névoa da Guerra. Outro aspecto notável é como Glass consegue sustentar a qualidade de todas as faixas em um álbum que possui mais de 30 composições. A trilha, portanto, além de ser um grande trabalho, permanece quase que intacta durante todo o tempo. Pena que seja uma passagem pouco conhecida da carreira de Glass.

Taking Lives, por Philip Glass

Às vezes, Philip Glass se arrisca em projetos mais comerciais e não se sai tão bem. É o caso da trilha desse suspense completamente mediano chamado Roubando Vidas. O curioso é que, em alguns momentos, Glass ainda consegue colocar melodias de piano em uma trilha tensa (como na faixa Martin Reese Childhood). No entanto, o resultado fica no óbvio. Glass até tem alguns momentos de inspiração, mas cai no banal e realiza um álbum que não traz nada de diferente. Um momento comum na carreira de um compositor genial.

Los Abrazos Rotos, por Alberto Iglesias

Não sou muito fã do estilo de Alberto Iglesias. Mas, de vez em quando, ele costuma acertar. Na trilha de Abraços Partidos, ficou no meio do caminho – assim como o filme. Se existem algumas faixas bem significativas (minha favorita é Final y a Ciegas), existem outras simplórias e banais. Iglesias seguiu a cartilha e apresentou o que, normalmente, sempre apresenta quando é convidado para fazer as trilhas de Pedro Almodóvar. Só faltou um pouco de inovação. Se é para ver mais do mesmo, é melhor ouvir novamente outros álbuns de Iglesias com maior qualidade.

The Hurt Locker, por Marco Beltrami & Buck Sanders

Juro que não entendi quando vi o nome de Marco Beltrami e Buck Sanders entre os indicados ao Oscar de melhor trilha sonora. Primeiro, os votantes costumam ignorar trilhas que foram feitas por duplas. Segundo, o trabalho deles não possui excelência alguma para figurar na lista. Guerra ao Terror pode até ter méritos quando realiza cenas de tensão, mas certamente a trilha não é uma das conquistas do filme. Beltrami e Sanders foram básicos demais e não deixaram impressão alguma. Tanto, que, após o filme, eu nem lembrava da trilha. O susto foi maior ainda quando a vi entre as finalistas do Oscar. Mas, eles precisavam puxar o saco do filme, não é mesmo?