Cinema e Argumento

Filmes em DVD

O Quarto do Filho, de Nanni Moretti (revisto)

Com Nanni Moretti, Laura Morante e Jasmine Trinca

O Quarto do Filho é uma aula de como se deve conduzir um filme sobre perdas sem ser piegas. É impressionante a naturalidade do longa – o roteiro flui de forma especial, fazendo com que nós realmente acreditemos naquela tragédia e, junto com os personagens, passemos por toda a dor deles. Mais verossímil ainda é a escolha do elenco, todos impecáveis e grandes atores. Merecidamente vencedor da Palma de Ouro em Cannes, O Quarto do Filho penetra na pele e arrepia, com uma dramaticidade única e sincera a todo o momento. Certamente não é uma produção de fácil digestão, mas para aqueles que gostam de apreciar esse tipo de filme, é um prato cheio. Altamente recomendado.

FILME: 8.5 

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen (revisto)

Com Woody Allen, Diane Keaton e Shelley Duvall

Tinha visto esse premiado filme de Woody Allen há muito tempo atrás e não tinha apreciado muito o resultado. Achei que eu o compreenderia melhor com o tempo, devido à sua história adulta sobre a complexidade dos relacionamentos, mas nada se modificou. Continuo definindo Noivo Neurótico, Noiva Nervosa apenas como uma boa comédia e nada mais. Tem vários momentos originais (o protagonista interagindo com o espectador, os pensamentos dos personagens sendo mostrados durante alguns diálogos) e o casal tem um excelente timing cômico, até porque Keaton e Allen tiveram um relacionamento e o filme é meio que uma homenagem para ela (o título original, Annie Hall, refere-se a Diane Hall, verdadeiro nome de Keaton e Annie que é seu apelido na vida real). Entretanto, a grande premiação no Oscar (incluindo a categoria principal) foi um completo exagero. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa é uma simples comédia, que nem marcante é. Só Keaton e Allen mereceram os seus devidos reconhecimentos pelo longa

FILME: 7.5

Miss Potter, de Chris Noonan

Com Renée Zellweger, Ewan McGregor e Emily Watson

 

Tudo em Miss Potter é no diminuitivo: legalzinho, bonitinho, bem feitinho… O longa é bem simpático, mas correto demais em todos os aspectos; o que, de certa forma, não atrapalha de jeito nenhum o resultado, mas que simplesmente comprova que o filme poderia ter sido bem superior caso tivesse uma direção mais autêntica e que desse mais personalidade ao roteiro. Acompanhar a versão cinematográfica da vida da escritora Beatrix Potter (Renée Zellweger, que um dia foi uma marcante atriz e que hoje não passa de uma pessoa neutra) é tarefa bem passageira mas satisfatória na medida para valer uma espiada. Nada de inteligente, ousado ou muito atraente. Só aceitável.

FILME: 6.5

Embriagado de Amor, de Paul Thomas Anderson

Com Adam Sandler, Emily Watson e Philip Seymour Hoffman

O menor trabalho da carreira do competente diretor Paul Thomas Anderson e que, estranhamente, lhe deu o prêmio de melhor diretor no festival de Cannes. Embriagado de Amor não é uma comédia romântica comum, isso é fato – até porque nem parece se encaixar nesse gênero, devido a complexidade de seus personagens e a alguns tons dramáticos – mas não tem nada de genial ou muito estimulante. As situações são divertidas e os personagens um pouco estranhos (Emily Watson, apesar de ótima, parece bem deslocada), fazendo com que o longa não conquiste qualquer um. O resultado é satisfatório, só acredito que o roteiro precisava um pouco mais de empenho, já que no final das contas vai culminar em final óbvio. O que se deve destacar é a interpretação do Adam Sandler, na melhor de sua fraca carreira. Anderson merecia o prêmio em Cannes por qualquer outro filme de sua carreira, mas por alguma razão misteriosa o premiaram por esse.

FILME: 7.0

Entre Dois Amores, de Sydney Pollack

Com Meryl Streep, Robert Redford e Klaus Maria Brandauer

Meryl Streep é a nossa heroína-solo nesse longa do recentemente falecido diretor Sydney Pollack – durante os longos 160 minutos de filme, ela é a única personagem constante, já que todos estão sempre indo e vindo, não passando de meros coadjuvantes. Streep mais uma vez consegue apresentar um excelente desempenho, segurando praticamente sozinha esse filme estranho. Ela cria sotaque dinamarquês, doma tigres com chicote, trabalha na lavoura e entra de corpo e alma no projeto. Não é um dos melhores momentos de sua carreira, mas a paixão dela pelo projeto é mais do que visível. Entre Dois Amores recebeu uma tradução equivocada aqui no Brasil, já que o filme nem se trata de uma história de amor. Na realidade, o gênero não fica bem definido – mas, resumindo, é um épico grandioso sobre a solidão de uma mulher ao ser “abandonada” pelo marido e que tem que lidar com a extensa produção de café que comprou. Dá pra entender o porquê do longa ter conquistado sete Oscar, incluindo melhor filme (mas não de atriz). Mas não consegui ficar sem a sensação de que estamos vendo um filme que quer apenas ser um marco épico na história do cinema como …E O Vento Levou.

FILME: 6.5

Antes e Depois, de Barbet Schroeder

Com Meryl Streep, Liam Neeson e Alfred Molina

Meryl Streep resolveu se divertir um pouquinho com esse Antes e Depois, pois não fica muito claro o porquê da atriz ter se envolvido em um projeto tão óbvio e previsível. A história não pode ser mais batida (os pais procurando a verdade sobre um assassinato que possivelmente o filho deles poderia ter cometido) e o longa não tem nem tom de suspense, pois de tão simples que é a trama, não desperta interesse nenhum. De qualquer forma, é mais um daqueles filmes que ficamos grudados até o fim só para saber o desenrolar de tudo. Mais interessante ainda é quando temos atores competentes no comando. Meryl e Neeson fazem de Antes e Depois uma diversão aceitável. Porém, infelizmente, tudo é muito passageiro e não consegue deixar qualquer impressão.

FILME: 6.5

Maria, de Abel Ferrara

Com Forest Whitaker, Juliette Binoche e Marion Cotillard

É muito complicado quando um filme resolve tocar no assunto religião. Um deslize, e o filme já é apedrejado. Maria se sai bem nesse quesito, conseguindo abordar bons questionamentos sobre a fé e a verdadeira identidade de Jesus de forma interessante. O problema do trabalho de Abel Ferrara é que ele praticamente não funciona como um produto cinematográfico, tornando-se uma experiência monótona e neutra como cinema. Ainda assim, é a figura de Forest Whitaker que atribui qualidade ao filme. Ele, pouco antes de ganhar o seu Oscar de ator por O Último Rei da Escócia, é o ponto de maior destaque. Já Juliette Binoche e Marion Cotillard têm pouco a fazer, em aparições passageiras e mal aproveitadas. Maria é um filme feito para se discutir, e consegue obter êxito com isso. Mas estamos falando de cinema.

FILME: 6.0

Filmes em DVD

Pecados Íntimos, de Todd Field (revisto)

Com Kate Winslet, Patrick Wilson e Jennifer Connelly

Na primeira vez que assisti Pecados Íntimos, não fui muito cativado por seu roteiro. Apesar de ser uma impecável adaptação do livro de Tom Perrotta, prefiro o roteiro anterior de Todd Field – Entre Quatro Paredes. Porém, Pecados Íntimos conquista mais como filme. É mais bem estruturado, dividindo suas tramas dramáticas com maestria, onde todos os personagens têm o seu devido espaço – com exceção de Jennifer Connelly como a esposa traída, que não tem maiores dimensões psicológicas. De certa forma, é uma produção subestimada, que só acabou tendo o reconhecimento do público de arte. Até as premiações preteriram o filme, já que merecia muito mais do que realmente teve. O elenco é ótimo, com Kate Winslet dando um show como sempre (mesmo não sendo a mais impactante em termos de interpretação) e Patrick Wilson surpreendendo em grande interpretação. Mas o destaque mesmo fica com o coadjuvante Jackie Earle Haley, assustador e humano como o pedófilo que acaba de sair da prisão. Pecados Íntimos não é um filme facilmente digerível e não deve agradar muita gente por conta de seus temas pesados e tratamento subjetivo e intelectualizado, mas tem inúmeros méritos que merecem ser reconhecidos. Acima de tudo, é real e muito próximo da realidade. O diretor Todd Field se mostra um grande mestre ao explorar o melhor tipo de cinema dramático que existe – o da vida real, no qual é fácil o espectador se identificar.

FILME: 8.5

Querido Frankie, de Shona Auerbach (revisto)

Com Emily Mortimer, Gerard Butler e Jack McElhone

É impossível negar que certos filmes menores, de baixo orçamento e com nomes não muito famosos apareceram como ótimas surpresas nos últimos anos. Enquanto Pequena Miss Sunshine e Juno estouraram em público e crítica, outros passaram despercebidos. É o caso desse ótimo Querido Frankie, que conquista completamente com sua humildade e sinceridade. A história, apesar de original, não apresenta essa característica em seu roteiro – acompanhamos uma história morna, sem maiores picos ou emoção, mas que por alguma razão misteriosa prende a atenção. Além de uma carismática protagonista (Emily Mortimer, excelente) e de um competente “par” (Gerard Butler, em uma de suas melhores aparições no cinema), o jovem ator que dá título ao filme (Jack McElhone) também apresenta bom desempenho. Querido Frankie não tem nada de excepcional e até deixa algumas tramas muito nebulosas – como a história do verdadeiro pai de Frankie -, mas é um filme querido demais para não se gostar.

FILME: 8.0

Flores de Aço, de Herbert Ross

Com Sally Field, Julia Roberts e Shirley McLaine

Flores de Aço deu a Julia Roberts sua primeira indicação ao Oscar. Nada mais merecido, a atriz está realmente excelente no papel da noiva diabética do longa. Contudo, é injustiça falar só dela, já que o elenco feminino também tem ótimos desempenhos, especialmente a Sally Field. No resto, Flores de Aço é um filme bem comum sobre relacionamentos que se afloram quando alguém da família decide se casar e todos são obrigados a ficarem juntos. Não tem nada no roteiro que nós já não tenhamos visto em outras produções, e adicione a isso uma mistura de comédia e drama. As atrizes compensam a história banal, com aparições radiantes.

FILME: 7.0

Footloose – Ritmo Louco, de Herbert Ross

Com Kevin Bacon, Dianne Wiest e Sarah Jessica Parker

Mais um filme colegial musicalizado sobre amores proibidos e jovens rebeldes em tempos de repressão como já vimos em Grease – Nos Tempos da Brilhantina e no mais recente Hairspray – Em Busca da Fama. Footloose – Ritmo Louco não acrescenta nada de novo ao gênero, mas sem dúvida é um entretenimento muito divertido e agradável, especialmente por causa de sua deliciosa trilha sonora. Com rostos em início da carreira como Kevin Bacon e Sarah Jessica Parker, o longa é basicamente mais uma historinha colegial onde nada acontece. Porém, assim como qualquer outro filme desse estilo prende a atenção exatamente por causa de sua temática.

FILME: 7.0

Os Simspons – O Filme, de David Silverman

Com as vozes de Dan Castellaneta, Julie Kavner e Nancy Cartwright

Vi esse filme dos Simspons sem qualquer expectativa, pois nunca acompanhei o seriado ou sequer vi um episódio completo. O resultado foi bem decepcionante para mim – fazia tempo que eu não via uma animação tão perdida e irregular em seu humor, o que é uma pena, porque o filme tem tiradas bem inteligentes. Suas piadas às vezes chegam em um ritmo frenético, deixando a sensação de que os roteiristas tiveram uma overdose de idéias. O longa é cheio de erros, mas é impossível resistir ao charme dos personagens, todos muito divertidos. Cheio de situações pouco prováveis e temática não muito instigante, Os Simpsons – O Filme é insatisfatório.

FILME: 6.0

New York, New York, de Martin Scorsese

Com Robert De Niro, Liza Minelli e Lionel Stander

É definitivo, eu não gosto de Martin Scorsese. Sei que vou ser apedrejado em praça pública por causa desse meu comentário, mas simplesmente não acho que ele seja um bom diretor. New York, New York é mais um de seus intermináveis filmes que podiam muito bem ter metade de sua duração. O musical (que na realidade nem é bem um musical, já que é mais sobre música do que um musical cantado propriamente dito) tem 170 minutos de duração e só consegue certo carisma por causa das interpretações de Robert De Niro e Liza Minelli – ambos merecedores de indicações ao Oscar. Mesmo que tenha uma significativa direção de arte e interessantes figurinos, a produção simplesmente não decola, tornando-se uma experiência completamente dispensável. Se existe um motivo para que New York, New York seja assistido, esse é a sua dupla protagonista. De resto, nada de especial ou marcante.

FILME: 6.0

Ela Dança, Eu Danço, de Anne Fletcher

Com Channing Tatum, Jenna Dewan e Rachel Griffiths

Depois que acabei de assistir Ela Dança, Eu Danço não consegui acreditar um dia eu tive paciência para assistir filmes de dança. O longa de Anne Fletcher é uma sucessão de clichês e tramas desinteressantes que servem de base para bonitas coreografias e uma boa trilha sonora. Mas infelizmente um longa não sobrevive só com essas qualidades, principalmente quando estamos falando de um gênero totalmente saturado e repetitivo (alguém vê alguma diferença entre esses filmes, como Vem Dançar, por exemplo?). Por mais que tenhamos um bom elenco desconhecido, Ela Dança, Eu Danço não empolga e não consegue nem ser um guilty pleasure, o que é uma pena. O fato é que o filme nem é uma desgraça, eu que cansei de histórias assim. Se é pra fazer, que façam algo ao menos original. No final das contas, eu só ficava esperando a próxima aparição da sempre competente Rachel Griffiths durante a história…

FILME: 5.5

Pecados Ardentes, de David Mackenzie

Com Ewan McGregor, Tilda Swinton e Emily Mortimer

No final de Pecados Ardentes, cheguei a conclusão que eu não entendi o propósito do longa, se é que existe. É uma simples história de traição, com excessivas e desinteressantes cenas de sexo e roteiro vazio. Não fica muito claro as motivações dos personagens, que transam a toda hora e com qualquer um que aparece na frente. Em certos longas, o sexo se justifica, mas não é o caso aqui. E isso é um ponto completamente negativo. É louvável a intenção do diretor David Mackenzie de deixar tudo da forma mais realista possível – e isso se comprova na personagem de Tilda Swinton, que consegue atrair alguém mesmo não sendo nem um pouco atraente. Louvável também é o visível empenho do bom elenco. Mas quando Pecados Ardentes resolve misturar um assassinato na história, tudo fica mais sem graça ainda. Fraco e irregular, é um filme completamente neutro e com praticamente nada a dizer.

FILME: 5.0

Últimas Trilhas Sonoras

Good Bye, Lenin!, por Yann Tiersen

Adeus, Lênin! é o meu filme estrangeiro favorito mas estranhamente só o assisti duas vezes. Nunca tinha reparado na trilha sonora, e resolvi procurá-la. O resultado é mais do que gratificante, já que o trabalho realizado por Yann Tiersen é fenomenal. A trilha é basicamente composta em cima de lindas composições de piano, o que sempre é um grande atrativo para mim (é o som que mais me fascina), e consegue ser marcante tanto quanto o filme de Wolfang Becker. Traduzindo uma melancolia única e passagens muito emocionantes, a trilha de Adeus, Lênin! entra para a minha lista de trilhas favoritas de todos os tempos. Veredito: Para ouvir até o final dos tempos.

House Of Sand And Fog, por James Horner

Devo confessar que nunca vi grande coisa nas trilhas de James Horner, nem mesmo no seu mais famoso trabalho que lhe rendeu o Oscar, Titanic. Contudo, fui pego de surpresa com o compositor nesse seu poderoso e intenso trabalho na trilha de Casa de Areia e Névoa. Ele não se limita a criar canções óbvias, vai além – a grandiosidade está presente em inúmeras canções, assim como a inventividade. O longa de Vadim Perelman necessitava apenas de uma trilha mais previsível, mas James Horner chegou ao auge de sua carreira com essa trilha que foi indicada ao Oscar. Sem dúvida alguma é um dos pontos altos do filme e a parte técnica mais marcante dentre todas. Só se perde um pouco ao criar faixas excessivamente longas, como The Shooting/A Payment Of Our Sins. Veredito: Para ouvir até o final dos tempos.

WALL-E, por Thomas Newman

O compositor Thomas Newman fugiu completamente de seu típico estilo ao fazer a trilha de WALL-E – nada de pianos melancólicos tomando conta das composições. E exatamente por causa disso realizou um dos melhores trabalhos de toda a sua carreira (talvez perdebdi somente para Beleza Americana) e provavelmente vai ser aquele que lhe dará a sua tão merecida estatueta dourada que até agora não tem. WALL-E não seria o mesmo sem essa maravilhosa trilha, que tem momentos brilhantes e consegue ser uma das melhores em toda a história das animações. Veredito: Para ouvir constantemente.

Marie Antoinette, por Vários

Todo mundo sabe que Sofia Coppola é mestre em fazer a seleção da trilha sonora de seus filmes. A diretora já havia provado isso em As Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros, mas foi com essa fascinante coletânea de Maria Antoineta que ela apresentou seu melhor momento. A alma indie é evidente e cada música tem sua importância no filme. A que mais gosto é What Ever Happened (a mais conhecida do longa), cantada por The Strokes e simplesmente contagiante. Não é só as músicas que são ótimas, mas também as instrumentais. Sendo uma das melhores coletâneas dessa década, o cd é obrigatório para aquelas que apreciam música de excelente qualidade e mais ainda para os fãs de Sofia Coppola. Veredito: Para ouvir constantemente.

Mamma Mia!, por Vários

Se quem achava que as músicas do ABBA eram impossíveis de ser cantadas por um elenco desses, aqui está a prova de que é possível. Todos muito competentes e no completo timing musical necessário. Mas quem se destaca é a estupenda Meryl Streep (que antes já havia provado ter poder vocal em longas como A Última Noite e Lembranças de Hollywod, mas que aqui supera-se de forma única), arrasando em The Winner Takes It All e fazendo uma excelente versão da música-tema. A trilha tem alguns deslizes, como a enjoativa I Have a Dream (ainda que de certa forma aproveitável por conta da voz de Amanda eyfried). Contudo, a trilha é bem satisfatória. Veredito: Para ouvir as favoritas constantemente.

Sex And The City, por Vários

Podem fazer inúmeras reclamações do longa de Sex And The City, mas é idnamissível que a trilha sonora seja criticada. Por enquanto é a mais pop e divertida do ano, sem contar que retrata todo o espírito do seriado. Claro que temos algumas passagens bregas (Fergie e sua Labels Or Love) e outras já saturadas (alguém ainda aguenta ouvir The Look Of Love, que já tocou milhões de vezes em diversas novelas?), mas mesmo assim são bons guilty pleasures. O auge fica com Jennifer Hudson cantando All Dressed In Love – provando que seu lugar é frente a um microfone e nao a câmeras – e a tristeza de Auld Lang Syne. Também destaco a versão cinematográfica instrumental do tema da série. Tudo muito passageiro, mas ainda assim incrivelmente empolgante. Veredito: Para ouvir as favoritas constantemente.

The Happening, por James Newton Howard

Um aspecto técnico muito marcante dos filmes de M. Night Shyamalan é sempre a trilha sonora do excelente James Newton Howard. O auge foi alcançado com A Vila. Aqui em Fim dos Tempos encontramos o trabalho mais fraco de Howard, numa composição pouquíssimo inspirada e sem nenhum momento marcante (a não ser por Main Titles, a única realmente brilhante). Mas nem por isso é ruim, muito pelo contrário – Howard é sempre competente em tudo o que faz e aqui não é diferente. Por mais que a trilha fique histérica em alguns momentos, sem dúvida o resultado é satisfatório. O único porém é que se esparava mais. Veredito: Para ouvir raramente as faixas favoritas.

Desperate Housewives – Season 1, por Danny Elfman

Danny Elfman sempre foi um bom compositor, isso não nego; mas nunca me conquistou. Sua composição para a primeira temporada de Desperate Housewives é bem divertida e condiz com todo o ótimo humor da série. Contudo, existe aquele velho problema de que ela não funciona fora da série. Se as “aventuras” de Susan Mayer, Gabrielle Solis, Bree Van de Kamp e Lynette Scavo se tornam mais cômicas em cena por causa do trabalho de Elfman, escutar a trilha separadamente já não é uma experiência tão prazerosa. As faixas são curtas e muito repetitivas na maioria das vezes, o que não deixa espaço para que uma ou outra se torne mais marcante. No final das contas, é interessante ouvir essa trilha, mas certamente ela será logo descartada, pois não deixa maiores impressões. Veredito: Para ouvir uma vez e talvez salvar algumas favoritas.

O espaço continua sempre aberto para sugestões!

Fico devendo a trilha de “Magnólia” para a Kamila e a de “Donnie Darko” para o Wally. Elas estarão sem falta no próximo post =)

Filmes em DVD

Um Dia de Cão, de Sidney Lumet

Com Al Pacino, Chris Sarandon e Charles Durning

Arrisco dizer que Um Dia de Cão é o melhor filme de assalto que já assisti. Tudo é muito bem conduzido harmonicamente nesse filme tenso e poderoso, que prende o espectador até o último minuto. Não é só o roteiro premiado com o Oscar que faz com que tenhamos essa excelente produção. Ainda que ele e a direção de Sidney Lumet sejam essenciais para o bom andamento, é Al Pacino que brilha a anos-luz na frente de todo mundo. Impressionante como esse ótimo ator, aqui em início de carreira (33 anos atrás), consegue hipnotizar como o protagonista que nem desperta ódio no espectador – na realidade, até torcemos por ele. Recebeu uma merecida indicação ao Oscar por seu trabalho. Ele viria a conquistar o prêmio da Academia mais tarde, com o maravilhoso Perfume de Mulher. Um Dia de Cão, apesar de um pouco extenso, é poderoso e intrigante. Um verdadeiro exercício de tensão como não se vê há muito tempo em filmes desse estilo.

FILME: 8.5

As Pontes de Madison, de Clint Eastwood (revisto)

Com Meryl Streep, Clint Eastwood e Annie Corley

Um dos mais belos romances da década de 90 e talvez o mais sincero. Incrível como tudo em As Pontes de Madison é verossímil, desde os personagens até às situações que eles vivem. O roteiro de Richard LaGravanese (diretor de P.S. Eu Te Amo e Escritores da Liberdade) consegue ser emocionante na medida exata. Contudo, a grande estrela do filme é Meryl Streep, indicada ao Oscar por seu trabalho (perdeu para Susan Sarandon, por Os Últimos Passos de Um Homem), e no melhor desempenho de sua carreira. É aqui que ela volta a mostrar porque é a melhor atriz do cinema, uma profissional exemplar e impecável. De forma alguma a estrutura romântica convencional atrapalha As Pontes de Madison, pois seu teor romântico anula os defeitos do longa. Emocionante e belo, o filme merecia mais reconhecimento e com certeza não são poucas as pessoas que se encantaram com essa linda história de amor.

FILME: 9.5

Coisas Belas e Sujas, de Stephen Frears (revisto)

Com Chiwetel Ejiofor, Audrey Tautou e Sophie Okonedo

Um trabalho menor mas nem por isso menos competente e desinteressante do diretor Stephen Frears (um de meus diretores favoritos, que realizou excelentes produções como A Rainha e Ligações Perigosas). É uma mistura de filme-denúncia com boas doses de tensão e que trata de um tema difícil – o mundo do tráfico de órgãos – de forma muito instigante. A gélida e nebulosa fotografia ajuda a exaltar todo o mistério que envolve essa criminosa prática. Infelizmente não dá pra deixar de se notar que a estrutura parece com aqueles filmes que passam de madrugada na Globo, mas é a direção e o bom elenco (em especial Audrey Tautou, no seu primeiro filme de língua inglesa) que compesam esse defeito. Coisas Belas e Sujas recebeu uma merecida indicação ao Oscar de melhor roteiro original. Mesmo que não seja uma pérola, merece ser conferido.

FILME: 8.0

Feitiço do Tempo, de Harold Ramis

Com Bill Murray, Andie MacDowell e Chris Elliott

Filme de sucesso dos anos 90 que funciona exatamente por causa de sua proposta. Talvez seja também um dos melhores momentos de Bill Murray (que até então só tinha me conquistado com Encontros e Desencontros) no mundo das comédias. Por mais que o tratamento de Feitiço do Tempo seja quase que totalmente cômico, existe uma pitada de melancolia naquela história. O diretor Harold Ramis percebeu isso e misturou muito bem esses dois gêneros quando necessário. A grande excelência do filme fica mesmo no roteiro e em seus atores (até a insossa Andie MacDowell está em boa atuação), os maiores atrativos desse ótimo filme que é diversão garantida para qualquer público. Seu único defeito é ficar repetindo a mesma comédia até o último minuto de filme. O que não funcionaria em um filme irregular. Mas aqui definitivamente não é o caso.

FILME: 8.0

Crimes do Coração, de Bruce Beresford

Com Diane Keaton, Sissi Spacek e Jessica Lange

O diretor Bruce Beresford sabe lidar com amor e amizade de uma forma bem convencional, mas que no final das contas acaba conquistando qualquer um. Antes desse Crimes do Coração ele havia ganho o Oscar de Melhor Filme por Conduzindo Miss Daisy, excelente filme que falava sobre a improvável amizade entre uma senhora e um negro. Nesse seu novo trabalho, que recebeu três indicações ao prêmio da Academia – incluindo melhor atriz para Sissi e roteiro adaptado – ele não apresenta nada que já não tenhamos visto no cinema. São três irmãs com personalidades diferentes que em um momento da vida (nesse caso quando o avô adoece) são obrigadas a se reunirem novamente. Uma está sendo acusada de tentativa de homicídio, outra quer ser famosa e a terceira envelheceu antes do tempo por ser a única que permaneceu cuidando do parente enfermo. A partir daí, elas vão destilar todas as frustrações que adquiriram através dos anos e tentar entender as suas histórias de vida. O enredo e a estrutura banal não prejudicam o filme, mas também não ajudam. Quem consegue fazer com que Crimes do Coração seja uma boa experiência é o excelente trio de atrizes, em especial Sissi e Diane, ambas excelentes e com uma grande química. De resto, nada de novo ou muito original.

FILME: 7.5

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, de Tim Story

Com Jessica Alba, Chris Evans e Ioan Gruffudd

Um velho ditado popular diz que “errar é humano”, mas também diz que “persistir no erro é burrice”. E é exatamente o que essa continuação de Quarteto Fantástico faz. Pior ainda, além de persistir em todos os pontos negativos de seu filme anterior, consegue tornar tudo mais desinteressante e pobre. Confesso que o filme anterior é um guilty pleasure meu, consegui assiti-lo sem criticismo e me diverti com o resultado, mas mesmo assim eu reconhecia todos os seus erros. Em Surfista Prateado também entrei na onda, mas a fórmula saturou e a infantilidade se tornou algo inaceitável para mim. Os efeitos especiais pouco ajudam a trama absurda e completamente inverossímil (mesmo se tratando de uma história em quadrinhos) e o elenco parece completamente perdido, como se estivessem atuando como “favor”. O diretor Tim Story mais uma vez se mostra um diretor medíocre e sem qualquer domínio em seu cargo. A aventura funciona durante alguns momentos, mas logo se perde na obviedade.

FILME: 5.5

Norbit, de Brian Robbins

Com Eddie Murphy, Thandie Newton e Cuba Gooding Jr.

Logo quando acabei de ver Norbit, minha sensação foi de alívio. Primeiro porque eu nunca vi tanta bobagem junta em toda minha vida, e segundo por Eddie Murhpy não ter um Oscar em mãos. Todo mundo sabe que ele não é um bom ator e que talvez Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho tenha sido um golpe de pura sorte, mas é difícil entender como Murhpy foi se meter em algo tão acéfalo depois de quase ter ganho o Oscar de ator coadjuvante. Não apenas ele, mas Thandie Newton e Cuba Gooding Jr. também não mereciam participar de tamanha idiotice. O filme nada mais é que isso – ridículo, sem graça, idiota e completamente inútil. A única coisa que presta mesmo é o excelente trabalho de maquiagem que foi indicado ao prêmio da Academia e que merecidamente não levou. Se alguém, um dia, me disser que gostou dessa “coisa”, perco a minha fé nesse mundo.

FILME: 2.0

Filmes em DVD

Acusados, de Jonathan Kaplan

Com Jodie Foster, Kelly McGillis e Bernie Coulson

Antes de ganhar o Oscar por seu desempenho como Clarice Starling em O Silêncio dos Inocentes, a impecável Jodie Foster já havia recebido a estatueta dourada por seu trabalho em Acusados. Certamente, é nesse drama de tribunal que ela apresenta seu melhor momento no cinema, em performance ousada para a época do filme, contando com uma pesada e longa cena de estupro. O mais interessante do longa de Jonathan Kaplan é que ele faz questionamentos sobre a identidade da protagonista, que está abrindo processo por causa do tal estupro, deixando uma incógnita para o espectador: seria ela uma mentirosa ou realmente uma vítima? Somente no final descobrimos isso, quando enxergamos a encenação do crime. Tudo muito bem conduzido, com excelentes doses de suspense e drama, sem falar daquela típica tensão que tanto hipnotiza em filmes bons de tribunal. Mas os maiores méritos mesmo são de Foster.

FILME: 8.0

O Assasinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford, de Andrew Dominik

Com Brad Pitt, Casey Affleck e Sam Rockwell

Tive certa relutância para assistir esse O Assassinato de Jesse James. Assistindo ao longa, cheguei a conclusão que eu deveria ter sido mais generoso com ele, uma vez que o filme de Andrew Dominik é cheio de pontos positivos que transformam a experiência no mínimo válida. A começar pelo maior destaque, Casey Affleck. O jovem ator foi indicado ao Oscar de coadjuvante por seu desempenho. Nada mais merecido, pois ele é a total estrela de O Assassinato de Jesse James, ofuscando até mesmo Bradd Pitt (que, apesar de estar em momento inspirado, ainda tem muito o que aprender como ator). Affleck hipnotiza como o Robert Ford do título, trazendo para o espectador uma incógnita. Ele ilumina cada cena em que aparece e é um grande achado do longa. A parte técnica não deixa a desejar em nenhum momento. A trilha sonora é um dos maiores acertos, sendo usada na medida exata e conseguindo até mesmo surpreender com sua melancolia e minimalismo em diversos momentos. Mas o destaque mesmo é a bela fotografia, que foi indicada ao prêmio da Academia (e, sem sombra de dúvida, deveria ter sido premiada). O único fator que fez com que eu não gostasse tanto do filme foi o seu roteiro. Tenho que concordar que ele trabalha de forma mais do que exemplar as personalidades dos personagens. Mas, a história foi alongada demais e já na metade do filme eu já não o assistia com entusiasmo. Esse é o único defeito da produção. Porém, um defeito quase que decisivo no resultado final.

FILME: 7.5

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet.

Com Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz e Yolande Maureau

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é um dos filmes estrangeiros mais cults da história do cinema. Conquistou uma boa parcela de cinéfilos e ainda conseguiu cinco indicações ao Oscar (incluindo melhor filme estrangeiro). Não faço parte dos admiradores em potencial dessa simpática produção francesa, que nada mais é que uma homenagem ao amor e a felicidade. O grande acerto do filme é ter a maravilhosa Audrey Tautou como protagonista. Ela, que mais tarde iria repetir a parceria com o diretor Jeunet em Eterno Amor, interpreta Amélie Poulain de forma única e especial, deixando a personagem na lista das mais queridas do cinema. A produção tem um belo visual – a fotografia é esplêndida, assim como direção de arte e outros setores técnicos. Sem falar, é claro, de toda inventividade narrativa (fiquei particularmente encantado com os primeiros minutos, onde conhecemos a infância da protagonista). Mas, pouco a pouco, comecei a perder meu interesse pelo filme, que começa a ficar repetitivo e não parece chegar a lugar algum. No desfecho, depois de já passadas duas horas, não acabaei com o mesmo sorriso no rosto que comecei. Acho que O Fabuloso Destino de Amélie Poulain vale mais pelo seu lado técnico. Mas, ainda assim, é uma prova de que o cinema francês seja, talvez, o melhor entre os estrangeiros.

FILME: 7.5

Scoop – O Grande Furo, de Woody Allen

Com Scarlett Johansson, Woody Allen e Hugh Jackman

Difícil entender como Woody Allen foi fazer essa produção totalmente sem graça depois de realizar o ótimo Match Point. Okay, ele não precisava realizar um outro filme na mesma qualidade que esse, mas ao menos poderia ter feito algo mais simpático e envolvente. Scoop – O Grande Furo não chega a possuir defeitos, só é muito mediano em todos os seus aspectos. A começar pelo elenco – Scarlett Johansson é bela e talentosa, mas aqui não conseguiu dar vida ao personagem e segurar o filme sozinha, Woody Allen volta a interpretar a si mesmo com seus trejeitos e tiradinhas engraçadas (mas chega uma hora em que começa a saturar) e Hugh Jackman tem cara de nada, sendo o mais inexpressivo da história. Além disso, mistura suspense e comédia em doses irregulares, alternando momentos de monotonia com outros de boa lineariedade. Não é um momento ruim de Woody Allen – o pior foi o incrivelmente monótono Melinda e Melinda – só vem pra mostrar que às vezes o diretor gosta de fazer umas bobagens só pra se divertir.

FILME: 6.0

Sob o Efeito da Água, de Roman Woods

Com Cate Blanchett, Sam Neill e Hugo Weaving

Eu já tenho certa dificuldade com filmes sobre drogados, porque até hoje não vi um filme exemplar sobre esse tipo de história. Sob o Efeito da Água é uma produção difícil de se definir e nem é bem um filme sobre esse assunto. A única razão para assisti-lo é Cate Blanchett (ótima, mas é difícil entender como ela veio a se interessar por esse projeto), que tenta extrair tudo de positivo que consegue da sua personagem pouco interessante e rasamente explorada. Sam Neill e Hugo Weaving não trazem nada de útil, muito pelo contrário. Um filme completamente irregular e que demora séculos para apresentar suas verdadeiras intenções, que mesmo assim não são suficiente para manter o interesse do espectador no roteiro arrastado. Por mais que fique bem dramático em seus momentos finais e tenha bons momentos, Sob o Efeito da Água mereceu seu fracasso.

FILME: 5.5

Segundas Intenções, de Roger Kumble

Com Ryan Phillipe, Sarah Michelle Gellar e Reese Witherspoon

Bobagem teen completamente clichê que usa um fiapo absurdo de história para criar um filme narrativamente pobre de noventa minutos. Na realidade, Segundas Intenções é um filme com teor sexual sem sexo. Nada na parte sexual é especialmente marcante ou pesado. Então, na idéia de criar um suspense erótico, falha completamente. Mas até que dá pra se divertir com algumas situações totalmente previsíveis, até porque o clima que o diretor Roger Kumble criou é de completo descompromisso. Difícil mesmo é não levar tudo a sério. O elenco tem seus momentos de competência, com Reese Witherspoon e Ryan Phillipe se sobressaindo, enquanto Sarah Michelle Gellar e Selma Blair são completos erros. Segundas Intenções não merece a fama entre o povão que possui, pois é uma produção muito boba e praticamente nula como cinema.

FILME: 5.5