Cinema e Argumento

Filmes em DVD

Casa de Areia e Névoa, de Vadim Perelman (revisto)

Com Ben Kingsley, Jennifer Connelly e Shoreh Agdashloo

Drama intenso e até um pouco subestimado, que não teve a repercussão que merecia, apesar das três indicações ao Oscar (Ator para Kignsley, Atriz Coadjuvante para Shoreh e Trilha Sonora). Para um trabalho de iniciante, o resultado é sensacional, mostrando o talento de Vadim Perelman atrás das câmeras. Contudo, certamente as atuações são o ponto alto de Casa de Areia e Névoa. Jennifer Connelly, injustamente preterida nas premiações, está no melhor momento da sua carreira; a coadjuvante Shoreh Agdashloo surpreende em ótimo trabalho. Mas o show fica por conta de Ben Kingsley, marcante e intenso em papel memorável. O roteiro não ajuda tanto – um fiapo de história é trabalhado durante duas longas horas de duração, com temas dramaticamente pesados, tirando o ritmo da história. Mas toda a competência do filme cobre esses meros defeitos e consegue trazer para o espectador um excelente produto cinematográfico. Destaque também para a trilha de James Horner.

FILME: 8.0

Ratatouille, de Brad Bird (revisto)

Com as vozes de Patton Oswalt, Peter O’Toole e Ian Holm

Espetáculo visual que achei mais impressionante nas telas do cinema do que em casa. O ratinho Rémy continua me conquistando com toda sua simpatia, assim como todo o filme de Brad Bird. Dessa vez fiquei mais atento aos detalhes técnicos – a boa trilha de Michael Giacchino, a excelente montagem e os ótimos efeitos sonoros (que inclusive deveriam ter levado uma das estatuetas que O Ultimato Bourne ganhou). O roteiro é o ápice desse filme de Brad Bird – que anteriormente havia me decepcionado com Os Incríveis – que não é apenas um filme apenas para crianças, uma vez que os adultos também têm muito o que aprender com a história. Sem dúvida alguma Ratatouille mereceu o prêmio máximo do cinema de animação (e tantos outros que conquistou pelo caminho), pois fazia tempo que uma animação não se apresentava tão impecável como essa.

FILME: 8.5

Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos, de Pedro Almodóvar

Com Carmen Maura, Antonio Banderas e Julieta Serrano

De todos os filmes de Almodóvar que tive a oportunidade de assistir, esse é o mais sem graça. Por mais que eu odeie Má Educação, é uma película que tem personalidade e um propósito. Esse Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos nada mais é que uma brincadeirinha boba para causar algumas risadas. Com um roteiro raso e pouco insipirado, o filme nunca empolga (com excessão dos momentos finais) e toda a excelência do filme se deve ao espetacular desempenho de Carmen Maura, impecável como a ótima protagonista. Os coadjuvantes também são muito bons e auxiliam a produção a ter um bom andamento. Relativamente curta, a história tem seus bons momentos, mas eu achei que tudo ficou muito aquém para os padrões de Almodóvar. Recebeu uma estranha indicação ao Oscar de melhor Filme Estrangeiro, mas não levou a estatueta.

FILME: 7.0

Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino

Com Steve Buscemi, Harvey Keitel e Michael Madsen

O filme menos badalado do genial Quentin Tarantino. Talvez por ter sido com ele que o diretor se lançou no cinema (só viria a ter maior repercussão com Pulp Fiction – Tempo de Violência). Porém, nota-se na estrutura e no roteiro de Cães de Aluguel tudo o que o diretor estava prestes a nos apresentar em seus filmes seguintes. Aqui tempos um filme policial tenso e intrigante, que atiça a curiosidade do espectador até o último minuto de projeção. Com a ajuda de um excelente elenco (Harvey Keitel e principalmente Steve Buscemi estão ótimos), tudo se desenvolve de forma clara, trazendo o filme mais objetivo de Tarantino. Por mais que não seja especialmente original ou sequer espetacular, Cães de Aluguel é um excelente filme do gênero que merece ser conferido.

FILME: 8.0

High School Musical, de Kenny Ortega

Com Zac Efron, Vanessa Hudgens e Ashley Tisdale

Nem com a maior boa vontade do mundo consegui ao menos me divertir com esse High School Musical. Nem tentando ignorar os clichês e a previsibilidade. O musical acaba sendo um produto da falta de originalidade de Hollywood, que ainda insiste nessas histórias colegiais enjoativas. Funcionaria muito melhor se tivesse sido feito na década passada – mas mesmo assim alcançou inexplicável sucesso entre as garotas adolescentes. As canções pobres e toscas só ferem os ouvidos e até ofendem o gênero, tamanha a inutilidade delas. O astro teen Zac Efron irrita com seu visual típico de adolescente americano e Vanessa Hudgens não convence como garotinha inocente. Os vilões, por exemplo, são um acerto muito maior. Porém, High School Musical funciona para aqueles dias de inverno em que nos gripamos e ficamos em casa, onde qualquer porcaria da Sessão da Tarde é uma opção assistível quando não se tem mais nada para ver.

FILME: 5.0

Duro de Matar 4, de Len Wiseman

Com Bruce Willis, Justin Long e Jeffrey Wright

Nunca assisti a nenhum filme da série Duro de Matar, mas tentei entar no clima desse. No entanto, achei que a confusa história não convence tanto quanto deveria e o roteirista não se deu conta disso. A ação é completamente absurda mas competente e cumpre muito bem o seu papel no filme, empolgando nos momentos certos, em fusão com ótimos efeitos especiais. Bruce Willis ainda está ótimo e em plena forma para interpretar o personagem. Duro de Matar 4 deve satisfazer os fãs da série, mas não consegui entrar muito clima. O filme é extremamente longo para o gênero (130 minutos) e não empolga quando deixa de mostrar correrias e explosões. Porém, não posso deixar de negar que é um filme muito bem acabado e um excelente retorno de Bruce Willis.

FILME: 6.0

Segredos Na Noite, de Patrick Stettner

Com Robin Williams, Toni Collette e Rory Culkin

Suspense dramático (tendendo muito mais para o drama, apesar dos toques nebulosos e obscuros da fotografia) que lembra bastante a premissa de filmes como Os Esquecidos e Plano de Vôo – onde o protagonista tem de provar que determinada criança existe e que ela não é fruto de sua imaginação. Tudo muito bem pontuado pelos desempenhos de Robin Williams (em ótima presença como há tempos não se via) e Toni Collette (aproveitando muito bem o limitado espaço que lhe é proporcionado). Bem diferente do que eu imaginava por tratar de abuso sexual, doença terminal, homossexualidade e deficiência visual – temas incomuns para o gênero – Segredos Na Noite só não causa maior impacto por causa da falta de intensidade no seu roteiro, especialmente no interessante desfecho que seria melhor se tivesse uma dimensão psicológica maior. Mas mesmo assim é um bom filme que até merece uma conferida.

FILME: 7.5

Conte Comigo

Conte Comigo, de Kenneth Lonergan

Com Laura Linney, Mark Ruffalo e Matthew Broderick

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Um estilo de filme que me agrada bastante é aquele que trata de famílias desestruturadas e cheias de pessoas com problemas afetivos e carências a serem resolvidas. Conte Comigo é um filme desse gênero. O diretor Kenneth Lonergan optou por tratar esse assunto da forma mais acessível possível – nada de roteiro instrospectivo, tramas subjetivas ou personagens complicados. Conseqüentemente, com isso, consegue atingir um público mais amplo, realizando uma produção altamente abrangente e que facilmente conquista certo público. Porém, também traz alguns defeitos para a história – a estrutura narrativa é certinha demais e não vemos nenhum momento mais original. Senti bastante falta de uma maior consistência ou conflitos mais intensos.

Porém, é no elenco que Conte Comigo encontra a sua maior força. Laura Linney (indicada ao Oscar de melhor atriz por essa sua atuação) empresta todo o seu grande talento para interpretar essa mulher comum – é muito fácil o público se identificar com o personagem – que criou o filho sozinha, tem problemas no trabalho e que acaba de virar amante de um homem. É com a chegada do seu irreponsável irmão (Mark Ruffalo) que ela verá sua vida transformada, principalmente quando ele começa a se relacionar com o sobrinho, trazendo algumas verdades para a vida do garoto. Linney dispensa comentários (só a emocionante cena final já é uma prova de que ela é um dos maiores talentos de sua geração) e aqui apresenta o melhor momento de toda a sua carreira. Mark Ruffalo me surpreendeu, no seu filme de maior destaque. Ainda temos pequena ponta de Amy Ryan, indicada ao Oscar de coadjuvante desse ano por Medo da Verdade.

Conte Comigo é um filme linear e pouco inspirado, mas que consegue causar algumas reflexões e conquistar por causa de seus simpáticos personagens. Não é uma produção que procurar julgar pessoas ou dar qualquer tipo de lições de moral típicas desse gênero – ele apenas observa e traz questionamentos ao espectador por meio de seus personagens. Até quando o afeto pode ser usado como desculpa para perdoar os erros de um ser humano? O que realmente queremos da vida? Quem amamos é aquela pessoa em que realmente confiamos? Tudo isso não está explicitamente no filme. O cinéfilo deve procurar isso na história. Conte Comigo não é nada memorável ou marcante, mas uma boa produção com um grande saldo positivo.

FILME: 8.0

Filmes em DVD

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O Custo da Coragem, de Joel Schumacher

Com Cate Blanchett, Emmet Bergin e Alan Devine


Se existe um diretor que até hoje não mostrou ao que veio, esse é Joel Schmuacher. Ele se lançou em diversos gêneros – musical (O Fantasma da Ópera), suspense (Número 23) e aventura (Batman & Robin). No entanto, até hoje não se achou: quando não realiza catástrofes, produz filmes completamente irregulares e esquecíveis. Só existe um trabalho relevante em seu currículo, O Cliente, e ainda por cima todos os méritos vão para a Susan Sarandon. O Custo da Coragem não vai mudar sua vida e logo você irá esquecer. A história é mal conduzida e não empolga em nenhum momento, mas a presença da Cate Blanchett (outra atriz que apesar do filme ser ruim, tem a habilidade de salvar o dia) consegue disfarçar a banalidade da narrativa, que é completamente linear e sem emoção. A história só consegue criar certo charme nos momentos finais, onde a protagonista da história tem que se deparar com um perigo real. É por Blanchett, e somente por ela, que O Custo da Coragem não chega a ser ruim.

FILME: 6.5

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Tentação, de John Curran

Com Mark Ruffalo, Peter Krause e Naomi Watts


O diretor John Curran me surpreendeu completamente com O Despertar de Uma Paixão. Nem lembrava que esse Tentação era dele, e assisti sem saber disso. E, mais uma vez, ele conseguiu me conquistar. Existe um quê de Pecados Íntimos (a vida suburbana é cheia de casamentos despedaçados e pessoas infelizes) e um toque de Closer – Perto Demais (o sexo é usado como forma de afetar os sentimentos e magoar o próximo) no roteiro, que além de usar a introspecção para criar um clima de tristeza na trama, ainda conta com um ótimo elenco. Mark Ruffalo, Peter Krause (em seu trabalho mais significativo depois do fim de A Sete Palmos), Laura Dern e Naomi Watts estão excelentes, entregando uma empatia única e fazendo com que o espectador se identifique com os personagens. Apesar desses nomes famosos, Tentação é um filme completamente independente. Por mais que não traga inovações ou uma mensagem mais consistente, é um filme simples e efetivo, que até faz pensar.

FILME: 8.0

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16 Quadras, de Richard Donner

Com Bruce Willis, Mos Def e David Morse


16 Quadras é mais uma bobagem policial que Bruce Willis realiza tentando resgatar seu estrelato no gênero que fez tanto sucesso no passado. Não posso dizer que não fui envolvido pela trama e que não me empolguei em certos momentos, mas acho difícil apreciar esse passatempo que nada mais é que uma repetição de tantos outros filmes que vagam pelo cinema. Além de ter um dos coadjuvantes mais chatos da década (alguém me explica porque Mos Def faz aquela voz tão insuportável?!), o filme segue uma linearidade absurda, mantendo-se totalmente preso às regras do gênero. No entanto, quando não se exige muito do filme de Richard Donner, ele engana perfeitamente, mantendo a tensão e a curiosidade pelo desfecho. Por mais que seja esquecível e completamente dispensável, 16 Quadras é uma aceitável diversão para se assistir sem expectativas.

FILME: 6.5

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O Homem Que Não Estava Lá, de Joel e Ethan Coen

Com Billy Bob Thornton, Frances McDormand e Scarlett Johansson


O Homem Que Não Estava Lá resgata todo o espírito noir do cinema, contando uma história totalmente envolvente e interessante. Cheio de brilhantimos, o filme é uma pérola dos irmãos Coen que foi completamente ignorada nas premiações – recebeu apenas uma indicação ao Oscar (fotografia) e perdeu. O protagonista é Billy Bob Thornton, em momento inspirado e que caiu como uma luva para o papel. Em menores participações aparecem Frances McDormand, James Gandolfini, Scarlett Johansson e Richard Jenkins. A elegante trilha sonora ajuda a conduzir o interessante roteiro, que nunca decepciona durante suas duas horas de projeção. Como não sou muito fã de Fargo – Uma Comédia de Erros, acho que O Homem Que Não Estava Lá é a melhor introdução possível ao mundo desse dois ótimos irmãos.

FILME: 8.5

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Feliz Natal, de Christian Carion

Com Daniel Brühl, Diane Krueger e Guillaume Canet


Até hoje eu não entendo a badalação em torno de Paradise Now. Muitos condenaram a Academia por não ter premiado o filme, enquanto eu acho que a não-premiação foi algo bem justo. Falou-se tanto nesse filme, que acabaram esquecendo dos outros concorrentes. O mais injustiçado é esse Feliz Natal, surpreendente drama de guerra que chama a atenção por tratar o tema de forma humana, deixando de lado toda aquela repetição típica que costuma envolver esse gênero tão saturado. Além de ser um filme relativamente curto para esse tipo de história (não tem nem duas horas de duração), consegue ser dramaticamente interessante, mostrando toda emoção que existe dentro de cada ser humano envolvido na guerra – algo parecido com o recente Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood. Sua primeira hora é um pouco chata e entediante, mas tudo se recupera a partir do momento em que o tal “feliz natal” do título é dado. Certamente merecia ter levado o Oscar…

FILME: 8.0

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Impulsividade, de Mike Mills

Com Lou Pucci, Tilda Swinton e Vince Vaughn


Ritmo é inexistente no roteiro de Impulsividade, já que a história é arrastada e tudo demora pra se desenrolar. O que não deveria acontecer, uma vez que a história é interessante. Tirando esse efeito que é quase debilitante para o andamento, o filme tem bons aspectos. A começar pelo elenco, onde todos têm destaque. O novato Lou Pucci é competente, Vince Vaughn longe de qualquer caricatura habitual e Keanu Reeves sem parecer o robô que sempre é. Mas a presença mais significativa é a de Tilda Swinton (recém agraciada com o Oscar de coadjuvante por Conduta de Risco), em um dos desempenhos mais memoráveis de toda a sua carreira. Outro aspecto positivo é a deliciosa trilha sonora, cheia de excelentes canções. Impulsividade é um bom filme, mas que peca por não ter um bom andamento. O que, na minha visão, é essencial.

FILME: 6.0

Filmes em DVD

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Mary Poppins, de Robert Stevenson

Com Julie Andrews, Dick Van Dyke e David Tomlinson


Se Willy Wonka é o rei dos doces em A Fantástica Fábrica de Chocolate, Mary Poppins (Julie Andrews, ótima) é a rainha da diversão em Mary Poppins. A premissa desses dois filmes é praticamente a mesma. Mary Poppins é a babá mágica, que leva as crianças a lugares maravilhosos e inesquecíveis. Tudo isso permeado por músicas encantadoras e ótimas coreografias. O filme é tão puro que encanta completamente, nos lembrando da época em que a inocência era algo incrível de se ter. Para embarcar no clima de Mary Poppins é preciso voltar a ser criança e liberar toda a imaginação que existe. O único defeito é que o filme é longo demais para uma produção infantil, e dificilmente crianças menores conseguirão prestar atenção na história durante mais de duas horas Ganhou cinco Oscars, incluindo melhor atriz para Julie Andrews.

FILME: 8.0

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Até o Fim, de Scott McGehee e David Siegel

Com Tilda Swinton, Goran Visnjic e Jonathan Tucker


Mais um exemplar de filme de chantagem que não traz nada de novo ou mais interessante. Se existe um motivo para que esse filme seja assistido é a presença de Tilda Swinton, ótima como sempre. De resto, Até o Fim é bem morno, nunca conseguindo empolgar como produções desse estilo normalmente conseguem fazer com seus clichês. De certo os diretores levaram a história a sério demais e quiseram fazer uma produção correta. Pena que se excederam em seguir demais as regras e entregaram um filme completamente passageiro…

FILME: 6.5

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O Abraço Partido, de Daniel Burman

Com Daniel Hendler, Adriana Aizemberg e Sergio Boris


O cinema argentino sempre chamou a minha atenção por sua delicadeza e por seu humanismo ao tratar de relacionamentos. O Abraço Partido parecia ser mais um exemplar emocionante desse gênero ao tratar da história de um filho que está prestes a conhecer o pai que o abandonou quando ele ainda era criança. Mas a produção resolveu seguir um rumo diferente e apostar no humor e na irreverência, o que acaba por enganar o espectador que esperava ver justamente o contrário ao ler a sinopse. De qualquer forma, os personagens muito bem trabalhados conseguem segurar as rédeas da história que, ao menos, é simpática o suficiente para tornar o filme uma aceitável diversão.

FILME: 7.0

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O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, de Robert Aldrich

Com Bette Davis, Joan Crawford e Maidie Norman


A exemplo de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, esse filme estrelado por Bette Davis é longo demais, mas consegue manter o interesse o espectador durante toda a projeção. Bette Davis, por sinal, dá um show de interpretação como a dissimulada Baby Jane do título, em inesquecível desempenho que lhe rendeu sua décima indicação ao Oscar. Joan Crawford também não fica atrás, só que saiu prejudicada por seu personagem não ser tão interessante quanto o de Davis. O Que Terá Acontecido a Baby Jane? encanta mais pelas fabulosas interpretações do que pelo filme em si, mas mesmo assim consegue se tornar um marco na história do cinema preto-e-branco. Altamente recomendável.

FILME: 8.0

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Um Lugar No Coração, de Robert Benton

Com Sally Field, John Malkovich e Danny Glover


É muito difícil achar uma atriz que tenha dois Oscar em casa na mesma categoria. Sally Field é uma delas. Além de ganhar merecidamente pelo ótimo Norma Rae, ainda venceu por esse Um Lugar No Coração. Nesse trabalho sua vitória não tão merecida, mas mesmo assim ela realiza um bom trabalho. Na realidade, ela é um pouco prejudicada pela linearidade da produção, que não faz nada além de mostrar a história de uma mulher plantando algodão pra não perder a casa. Falta ritmo ao filme também, mas ele ainda tem um momento brilhante – a cena do tornado é fantástica – e bons coadjuvantes que ajudam Sally Field a sustentar a qualidade, em especial John Malkovich. Ainda tem pequena participação do lost Terry O’Quinn.

FILME: 7.5

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Evita, de Alan Parker

Com Madonna, Antonio Banderas e Jonathan Pryce


Pra começo de conversa já digo que Evita é o pior musical que já vi em toda minha vida – histriônico, exagerado, descontrolado e incrivelmente monótono. São mais de duas horas de incessantes canções (em nenhum momento do filme existe qualquer tipo de diálogo, tudo é cantado) em que nenhum momento empolgam, apenas ferem os ouvidos. Mas o maior erro do filme não é ser um musical, mas tratar de forma americana uma história tipicamente latina – a vida da famosa argentina Eva Duarte de Perón. Não posso dizer que o filme é totalmente ruim – ele é muito bem produzido, especialmente nos figurinos e na direçao de arte. Em algum momento ou outro, também gostei de algumas músicas. Mas, infelizmente, o resultado é péssimo, nada que o esforço em vão de Madonna e Antonio Banderas possa salvar.

FILME: 5.0

Filmes em DVD

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Eterno Amor, de Jean Pierre Jeunet

Com Audrey Tautou, Jodie Foster e Marion Cotillard

Foi bem gratificante rever essa produção francesa que acerta em praticamente em todo seu lado técnico, mas que desanda completamente no roteiro. A excelente Audrey Tautou comanda o bom elenco que também inclui Jodie Foster, Gaspard Ulliel e Marion Cotillard. O problema de Eterno Amor é que o filme se perde em inúmeras e desinteressantes subtramas, que confundem o espectador e são completamente desnecessárias. Se o filme propôs uma história de amor emocionante, falhou nesse quesito, pois torcemos mais pela personagem em busca da verdade do que pelo amor entre o casal principal. Com uma lindíssima fotografia e uma bela direção de arte, o filme vale pelo lado técnico e por ser incrivelmente bem produzido.

FILME: 7.0

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Vida Bandida, de Barry Levinson

Com Bruce Willis, Billy Bob Thornton e Cate Blanchett

Tenho que admitir que superestimo Vida Bandida, mas fui completamente envolvido pela diversão dessa história muito engraçada e agradável, que se destaca por ter um excelente elenco com performances em plena sintonia. Além de ter Bruce Willis e Billy Bob Thornton em um dos melhores momentos de suas carreiras, temos uma Cate Blanchett inspiradíssima, que merecia até mesmo uma indicação ao Oscar de coadjuvante. O filme esbanja simpatia, ajudado por uma boa trilha sonora, e conquista sem o menor aviso. Pode até parecer filme de Sessão da Tarde, mas é impossível ficar indiferente a esse ótimo entretenimento.

FILME: 8.5

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Regras da Atração, de Roger Avary

Com James Van Der Beek, Kate Bosworth e Jessica Biel


Mais uma comédia comum e sem grandes atrativos, que bebe da fonte do gênero sem ter medo de mostrar isso. Possui várias narrativas inventivas (utilizando-se bastante da montagem ágil com a trilha cheia de ritmo) e personagens interessantes, mas nunca consegue empolgar ou divertir por completo. Regras da Atração se salva por causa do competente elenco e de algumas boas tomadas, ainda que seja completamente previsível e bem Sessão da Tarde. O resultado fica no mediano: nada mais que simples e morno.

FILME: 6.5

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Más Companhias, de Arie Posin

Com Jamie Bell, Ralph Fiennes e Glenn Close

Más Companhias é um excelente veículo para demonstrar que o ator Jamie Bell (o menino bailarino de Billy Elliot) está em plena forma de atuação e é um talento promissor. Por mais que dispute o filme com veteranos como Glenn Close e Ralph Fiennes – ambos em papéis limitados e pouco explorados – o ator consegue se sobressair sobre os demais do elenco. A história parece mais uma variação inferior de Desperate Housewives, intercalando problemas de drogas e suicídio em uma vizinhança. Más Companhias é uma boa e aceitável diversão, que só peca por não conseguir trazer impacto em suas histórias.

FILME: 7.5

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Ônibus 174, de José Padilha

Documentário


Antes de fazer sucesso com o superestimado Tropa de Elite, o diretor José Padilha já havia feito esse documentário que trata sobre o famoso seqüestro do ônibus 174. Muito bem realizado, esse longa-metragem prima por manter tensão e nervosismo durante todo o seu desenvolvimento. Não sou tão fã de documentários, mas esse conseguiu chamar minha atenção pela competência e pela humanidade dos fatos. Pena que se exceda na duração e enrole bastante em diversos momentos…

FILME: 7.5