Três atores, três filmes… com Celso Sabadin

Meus primeiros contatos com crítica de cinema – e com a descoberta de que é realmente possível trabalhar com isso – passam pelo trabalho do jornalista Celso Sabadin, que, em mais de 30 anos de carreira, acumula experiência em veículos como Folha de São Paulo, Estadão e Rede Bandeirantes. Além da trajetória como crítico, é autor  dos livros “Vocês Ainda Não Ouviram Nada – A Barulhenta História do Cinema Mudo”, “Éramos Apenas Paulistas”, e “O Cinema como Ofício” e já trabalhou como roteirista na TV e no cinema. Já há alguns anos convivo com Sabadin durante as edições do Festival de Cinema de Gramado, evento que ele orgulhosamente cobre há exatos 27 anos, e é realmente um privilégio tê-lo por aqui com indicações inéditas entre todas as atuações já selecionadas para a coluna. Confiram abaixo as escolhas!

Ed Harris (Os Eleitos)
Ed Harris é um achado no filme Os Eleitos. Além de ser fisicamente parecido com o astronauta pioneiro John Glenn, personagem que interpreta, Harris encarna como poucos aquele “bom mocismo” norte-americano do pós Segunda Guerra, aquele momento em que os EUA se firmam como a potência mais midiática do mundo, onde as aparências e o faz-de-conta valem mais do que a própria realidade. Um grande filme do ótimo diretor Phillip Kaufmann que, por estas injustas questões de mercado, está desde 2004 sem emplacar um filme para o cinema.

Vincent Lindon (O Preço de Um Homem)
Vincent Lindon no drama francês O Preço de um Homem também é um ponto fora da curva. Seu semblante duro e seu olhar que mistura frieza e indignação caem como uma luva no papel de um desempregado de meia-idade preso nas engrenagens da burocracia estatal e na desumanidade do capitalismo neoliberal. Uma interpretação que prova, mais uma vez, que menos é mais. Principalmente no cinema.

José Wilker (Bye Bye Brasil)
E fecho com José Wilker no marcante Bye Bye Brasil, filme icônico não só dos anos 80, como também da história do cinema brasileiro como um todo. No papel de Lord Cigano, Wilker é o próprio Brasil travestido de ator: sacana, matreiro, sedutor, alegre, mentiroso, divertido, irônico. Com um meio sorriso de canto de lábio, diz mais que horas de discurso sociológico sobre a alma de todo um país condenado a nunca dar certo. Filmaço.

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