Rapidamente

reparebem

OS AMANTES PASSAGEIROS (Los Amantes Pasajeros, 2013, de Pedro Almodóvar): É decepcionante ver Pedro Almodóvar realizar Os Amantes Passageiros depois de um filme tão ousado e fora dos padrões como A Pele Que Habito. Nesse seu retorno às comédias escrachadas, ele perde a mão nos exageros, em uma proposta desfocada, afetadíssima e que não chega a ter um momento verdadeiramente original. Mas o filme se descontrola de verdade quando o diretor resolve fazer piadas sexuais, colocando tudo em um quase constrangimento com momentos desnecessariamente escancarados (o sêmen na boca de um personagem, as pelo menos duas ereções explícitas…). O exagero na construção dos personagens tem seu valor, já que poucos sabem abusar disso como Almodóvar. Só que a história nada diz e o diretor parece ter esquecido como fazer uma boa comédia depois de anos realizando apenas dramas. Um longa completamente passageiro (com o perdão do trocadilho) e que nem será mais lembrado em um futuro muito breve.

DON JUAN DE MARCO (idem, 1994, de Jeremy Leven): Não envelheceu muito bem esse que foi um dos últimos longas protagonizados por Marlon Brando. Não sei se é porque hoje Johnny Depp causa sono com qualquer aparição ou se porque é um filme realmente mediano, mas suas fragilidades ficaram mais evidentes com os anos, em especial a batida trama de um profissional que está prestes a se aposentar mas que resolve se envolver em um caso impossível de ser desvendado que será a despedida de sua trajetória profissional. A dubiedade do desfecho de Don Juan de Marco é mais interessante do que o filme em si, que é praticamente todo sobre as aventuras mirabolantes e românticas do tal Don Juan (Depp) e sobre como seu psiquiatra (Brando) tem sua vida transforada ao se inspirar no paciente. Clichê, quase bobo, mas açucarado na medida exata para conquistar o coração das plateias mais sentimentais.

REPARE BEM (idem, 2013, de Maria de Medeiros): Mesmo não vencendo outros prêmios importantes (roteiro e direção ficaram com o colombiano Cazando Luciérnagas), esse documentário foi eleito o melhor filme da mostra competitiva de longas estrangeiros do 41º Festival de Cinema de Gramado. Dirigido por Maria de Medeiros (sim, a atriz que já fez até Pulp Fiction – Tempo de Violência!), o longa, inteiramente falado em português, conta uma história brasileira, mas é uma coprodução Brasil/Espanha/Itália/França. Em pauta, a vida de Denise Crispin, cujo marido, Eduardo Leite “Bacuri”, morreu em 1970 nas mãos da ditadura militar brasileira. Depois de 40 anos, ela e a filha, Eduarda, recebem a Anistia e Reparação do Brasil. Analisado friamente, Repare Bem não tem inventividades e se apoia quase que exclusivamente nos depoimentos de no máximo três pessoas. É convencional e, em função disso, cabe à identificação do espectador com o tema decidir até que ponto o filme merece aplausos. Pela emoção que imprime ao assunto em vários depoimentos e pela forma completa e franca que ilustra aquele que foi o pior momento da história do Brasil, termina, claro, com pelo menos um notável valor humano.

VENDO OU ALUGO (idem, 2013, de Betse de Paula): Tinha a impressão que era mais original essa comédia de Betse de Paula que venceu nada menos que 12 prêmios no último Cine PE. A verdade é que o filme é um verdadeiro pastelão com piadas bastante óbvias (quem ainda aguenta ver o bolo de maconha feito acidentalmente?), mas com um elenco praticamente de luxo – até porque é sempre um privilégio ver a grande Marieta Severo esbanjando talento e simpatia em outra produção que não seja o seriado global A Grande Família. Tendo boa vontade, dá para entrar no clima e se divertir com a química do elenco e com a engraçada situação das protagonistas (que devem para meio mundo e não querem perder a pose). Tem também pequenas críticas sociais e sacadas interessantes. Entretanto, certamente prometia mais e perde várias chances de realizar algo realmente divertido (os tiroteios e o próprio pastor que poderia ser o ponto alto não rendem tanto), o que pode decepcionar inclusive as plateias menos exigentes.

2 comentários em “Rapidamente

  1. Dos filmes que você assistiu recentemente, só conferi “Don Juan de Marco”. Há muito tempo mesmo e pouco me lembro sobre o longa, o que não é um bom sinal.

    Uma pena que Almodóvar não tenha entregado um bom filme após a obra-prima que é “A Pele que Habito”. A sensação que eu tenho, aliás, é que “Os Amantes Passageiros” teve uma passagem discretíssima pelos cinemas.

Deixe uma resposta para Matheus Pannebecker Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: