Phil Spector

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Direção: David Mamet

Roteiro: David Mamet

Elenco: Helen Mirren, Al Pacino, Chiwetel Ejiofor, Jeffrey Tambor, Rebecca Pidgeon, John Pirruccello, James Tolkan, David Aaron Baker, Matt Malloy, Dominic Hoffman, Philip Martin, Jack Wallace

EUA, 2013, Drama, 92 minutos

Sinopse: Drama que foca na relação entre Phil Spector (Al Pacino) e sua advogada de defesa, Linda Kenney Baden (Helen Mirren), enquanto o lendário produtor é julgado pelo assassinato de Lana Clarkson.

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A música que abre Phil Spector é inconfundível: Unchained Melody, do Righteous Brothers, que ganhou o mundo ao ser escolhida como a música-tema de Ghost – Do Outro Lado da Vida. A canção deve muito de seu sucesso a Harvey Philip Spector – ou, simplesmente, Phil Spector – produtor musical que trabalhou com verdadeiras lendas da música, alavancando carreiras e colocando muitos nomes até então desconhecidos no mapa. Ao longo dos anos, ele produziu artistas como Tina Turner, Beatles, Ramones, Cher, Céline Dion e os próprios Righteous Brothers. O problema, no entanto, é que a Unchained Melody que abre Phil Spector é o único indício musical marcante que encontramos no filme.

Fora as gratuitas menções a astros em diálogos e raros momentos embalados por outras trilhas, o longa escrito e dirigido por David Mamet está focado no evento que selou de vez o fim da carreira do personagem-título: o tumultuado julgamento que definiria se ele era culpado ou não pela morte da jovem atriz Lana Clarkson em seu apartamento. A decisão de ter esse enfoque não é lá muito sábia, já que, com ela, Phil Spector, em breves 90 minutos, torna-se meramente filme sobre os bastidores de um julgamento, esquecendo a importância artística da icônica figura que tem como protagonista.

Exibido em março pela HBO, Phil Spector é um filme curto e sem muito tempo para firulas. E, mesmo com dois gigantes frente ao elenco (Helen Mirren e Al Pacino), esse parece um projeto menor da emissora – como se tivesse sido feito apenas para cumprir contratos e cotas. É exatamente em função disso que Phil Spector se torna tão decepcionante. Aqui não existie a ambição e o requinte que estamos acostumados a ver em produções que carregam o selo HBO (em telefilmes, o excelente Virada no Jogo, por exemplo, foi o exemplar mais admirável da emissora nos últimos anos).

O filme de Mamet soa como uma formalidade mesmo, apostando em um formato repetido e que não demonstra um fiapo de originalidade. Os próprios atores não têm muito o que fazer com o material. Helen Mirren, a verdadeira protagonista como a advogada que, relutante, aceita defender Spector, uma vez ou outra dá indícios de sua habitual elegância e sutileza, mas o texto é completamente raso. Já Al Pacino repete maneirismos (You Don’t Know Jack?), muito acomodado nos figurinos e perucas do personagem, tornando-se uma figura quase chata em seus discursos prolongados.

Na realidade, não dá para culpar Pacino e Mirren, já que toda a decepção de Phil Spector vem toda do trabalho de direção e roteiro de David Mamet, onde o seu maior mérito é construir todo o filme sem tomar partido: afinal, Spector matou ou não a garota? Até hoje ainda há divergências quanto a esse assunto, mas Mamet nunca se mostra tendencioso – o que é, no mínimo, algo coerente. Só que, de resto, nada instiga: o roteiro escrito por ele não poderia ser mais previsível para o tipo de enredo que desenvolve, contando o caso do protagonista de forma muito linear e didática.

Mamet está mais preocupado em mostrar as minúcias da construção da defesa do protagonista (entrevistas, ensaios, testes) do que a dinâmica entre a advogada e o réu. A relação entre os dois poderia – e deveria – ser o ponto alto do filme. Não só porque traria momentos preciosos para os dois atores, mas também porque a história só teria a ganhar com os entraves entre essas duas figuras tão distintas. Por não apostar nesse acerto tão óbvio, Phil Spector perde muitas chances. É realmente uma pena que seja assim, já que não é todo dia – seja na TV ou no cinema – que vemos dois grandes nomes como Al Pacino e Helen Mirren dividindo um filme.

FILME: 6.0

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2 comentários em “Phil Spector

  1. Pingback: Behind the Candelabra | Correio do Tempo

  2. Tive o prazer de assistir, gostei demais das atuações de Helen e de Al Pacino.

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