A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2

Forever isn’t as long as I’d hoped.

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Direção: Bill Condon

Roteiro: Melissa Rosenberg, baseado no romance homônimo de Stephenie Meyer

Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Michael Sheen, Dakota Fanning, Kellan Lutz, Peter Facinelli, Billy Burke, Joe Anderson, Ashley Greene, Nikki Reed, Jamie Campbell Bower, Lee Pace, Cameron Bright

The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 2, Aventura, 115 minutos

Sinopse: Após dar a luz a Renesmee (Mackenzie Foy), Bella Swan (Kristen Stewart) desperta já vampira. Ela agora precisa aprender a lidar com seus novos poderes, assim como absorver a ideia de que Jake (Taylor Lautner), seu melhor amigo, teve um imprinting com a filha. Devido ao elo existente entre eles, Jake passa a acompanhar com bastante atenção o rápido desenvolvimento de Renesmee, o que faz com que se aproxime cada vez mais dos Cullen. Paralelamente, Aro (Michael Sheen) é informado por Irina (Maggie Grace) da existência de Renesmee e de seus raros poderes. Acreditando que ela seja uma ameaça em potencial para o futuro dos Volturi, ele passa a elaborar um plano para atacar os Cullen e eliminar a garota de uma vez por todas. (Adoro Cinema)

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Foram necessários cinco filmes para que um diretor finalmente compreendesse por completo a essência da saga Crepúsculo. No caso, Bill Condon, que já havia dirigido Amanhecer – Parte 1, mas que só agora conseguiu reunir, de forma escancarada, os elementos que tanto “enlouquecem” as fãs: o romance idealizado sem medo de ser cafona, a trilha sonora pensada exatamente para exaltar os momentos apaixonados dos protagonistas, as cenas que nem precisariam existir se não fosse… a necessidade de fisgar ainda mais o público-alvo. A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 certamente merece reconhecimento por não tentar ser mais do que realmente é. Só que se esse desfecho cai com uma luva em níveis açucarados para atender as expectativas das fãs, por outro lado também deixa sempre evidentes as maiores fragilidades de Crepúsculo: do roteiro frouxo a pequenos detalhes muito questionáveis do ponto de vista dramático, Amanhecer – Parte 2 continua a decepcionar quem não aprecia a obra de Stephenie Meyer.

Mas Bill Condon estava certo em fazer um desfecho devidamente “apelativo” para o público-alvo. Não faria sentido, nessa altura do campeonato, tentar realizar algo diferente. Seria tempo perdido. Até porque vários diretores de perfis bem distintos já passaram pela saga e nunca conseguiram dar um perfil mais autoral ou ousado para a história de amor de Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson). Então vamos aos fatos: primeiramente, impressiona o fato de Crepúsculo ser uma saga de forte sucesso nas bilheterias e ainda ter efeitos visuais tão desleixados. Só investem o dinheiro arrecadado no salário dos atores? E antes o problema fosse apenas os lobos mal concebidos: o verdadeiro horror aqui é Renesmée, filha do casal protagonista, que parece ter saído diretamente do clássico jogo The Sims de tão explicitamente computadorizada. É um atentado ao espectador de bom senso, que pode muito bem se constranger com a criança. A corrida de Bella e Edward na floresta, logo no início, também é lamentável. Sem falar da maquiagem, que continua péssima, a ponto de deformar alguns atores – como Kellan Lutz, sempre irreconhecível. Já em termos de história, podemos confirmar o que sempre foi muito claro: não existe razão – além da financeira, claro – para Amanhecer ser narrado em dois capítulos.

Ao contrário de Harry Potter e as Relíquias da Morte, que, a princípio, tinha uma divisão muito duvidosa mas que, depois, revelou-se uma grata surpresa, em Amanhecer não existe qualquer fator novidade: os dois filmes poderiam sim ser apenas um. Com isso, a trama seria mais enxuta e o arco dramático (do casamento até o desfecho) não deixaria margens para prolongamentos desnecessários que, claro, sucumbem a verdadeiras bobagens. Mas se existe uma surpresa no segundo longa da série dirigido por Bill Condon, essa é a própria Bella. A partir do momento em que se torna vampira, ela muda completamente: não só por se tornar uma espécie de guerreira e dona do próprio nariz, mas por estar melhor fotografada e sem suas eternas caretas de desamparada incompreendida. E isso prova que, quando quer, Kristen Stewart sabe ser diferente. Já Robert Pattinson continua engessado e apático, murchando frente a nova abordagem de seu par. Enquanto isso, Taylor Lautner está meio de escanteio no grande conflito da trama. O único que parece rir secretamente de tudo, como se revelasse de forma sutil que está ali só para ganhar dinheiro, é Michael Sheen, ator que cada vez mais se torna um expert em construir personagens divertidos de tão exagerados e caricatos.

Caindo no velho esquema do filme que é praticamente todo sobre uma preparação para um grande momento, Amanhecer – Parte 2 ainda revela uma surpresa para os seus últimos momentos: a cena da batalha na neve. Só que esse clímax é uma faca de dois gumes, e se você não quiser ler spoilers, abandone o texto. De um lado, a melhor cena de toda a série (com restrições ao padrão da saga, claro), que consegue ser movimentada e bem fluida. De outro, uma mudança brusca: essa cena não existe. É a previsão de um futuro que não acontece na história. Ou seja: com essa cena, Amanhecer – Parte 2 irrita por fazer o espectador de bobo. E não é nem em relação a enganação em si, mas como ela brinca com as emoções do espectador, visto que, nela, inclusive, um personagem do elenco fixo chega a morrer. Porém, sem a cena, o filme de Bill Condon seria ainda mais frouxo, com uma resolução totalmente desestimulante e fácil, reafirmando que uma divisão de filmes não era necessária. Cabe a você decidir se o filme ficaria melhor ou pior sem a tal batalha na neve.

Muito se foi dito que Amanhecer – Parte 2 é o “melhor” filme da saga Crepúsculo e que, inclusive, ele chega a surpreender positivamente. Não vejo dessa forma. Comparado aos outros longas, ele é, repetindo, o que melhor compreende para quem está falando: seja quando conduz o romance de forma bastante idealizada ou quando encerra a história com uma retrospectiva (homenagem?) de todos os personagens que passaram pela história de Stephenie Meyer. Não tenho dúvidas que Bill Condon se saiu bem nesse sentido. No entanto, o resultado não é nada além disso: Crepúsculo continua sem um roteiro consistente, um enredo que justifique tanta mobilização dos personagens e motivações convincentes. É mais do mesmo, apenas com a diferença de que um longa da série nunca foi tão endereçado às fãs. Para elas, deve ter sido o desfecho perfeito. Já eu, cinéfilo isento de qualquer amor por Bella e Edward, ainda fiquei por ver um longa realmente interessante sobre essa história de amor.

FILME: 5.5

2*

3 comentários em “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2

  1. Weiner, concordo com tudo o que você disse. Mas “Amanhecer – Parte 2” passou muito longe de redimir a saga…

    Kamila, e essa “apelação” é, justamente, o que torna o filme ligeiramente melhor. Bill Condon entendeu para quem é dirigida a saga “Crepúsculo”!

  2. Para mim, “Amanhecer – Parte Dois” surpreende positivamente e encerra a série como o melhor filme da mesma. Acho que Bill Condon foi muito feliz, especialmente na cena da batalha da neve, que é o melhor momento cinematográfico dessa franquia. Mas, em uma coisa concordamos, enfim: o desfecho é apelativo e vai agradar em cheio aos fãs dessa série cinematográfica/literária.

  3. Renesmee, que nome é esse? Haha.
    Brincadeiras de lado, concordo com você sobre a cena final, na minha opinião é a melhor de todo o filme – acrescentaria que é a melhor sequência já feita para qualquer filme da saga. E sobre ser faca de dois gumes, também assino embaixo. Pode ser frustrante quando tudo vem à tona. Mas quem iria se arriscar tanto num filme de amor adolescente? Seria incrível se resolvessem se arriscar de verdade, mas enfim…
    Os créditos finais foram uma bela homenagem.
    Abraços!!!!!!

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