O Abrigo

There’s a storm coming like nothing you’ve ever seen, and not a one of you is prepared for it!

Direção: Jeff Nichols

Roteiro: Jeff Nichols

Elenco: Michael Shannon, Jessica Chastain, Tova Stewart, Shea Whigham, Katy Mixon, Natasha Randall, Ron Kennard, Scott Knisley, Bob Maines

Take Shelter, EUA, 2011, Drama, 120 minutos

Sinopse: Curtis LaForche (Michael Sannon) mora numa pequena cidade de Ohio com a esposa Samantha (Jessica Chastain) e sua filha de seis anos, que possui uma deficiência auditiva. Os dois trabalham pesado para juntar o dinheiro para suprir as necessidades especiais da filha, mas mesmo passando por algumas dificuldades, eles podem dizer que são felizes. Isso começa a mudar quando Curtis passa a ter pesadelos com uma tempestade apocalíptica e começa a ficar obsessivo. Ele constrói um abrigo no quintal e desperta a preocupação da esposa e a desconfiança dos amigos e colegas de trabalho. (Adoro Cinema)

Em Cisne Negro, o diretor Darren Aronofsky criou um filme baseado na paranoia da protagonista Nina (Natalie Portman). Durante metade do longa, acompanhamos diversas cenas da personagem imaginando situações tensas e que a levam para um mundo perigoso e ameaçador. O filme, convenhamos, não tem os seus méritos nesse ato (onde é repetitivo e redundante), mas sim nas consequências que ele encadeia quando a história se encaminha para o impecável desfecho. Na obra de Aronofsky, toda a paranoia de Nina parece anunciar algo – e, logo, descobrimos que isso é verdade. Já O Abrigo, estrelado por Michael Shannon e Jessica Chastain, segue basicamente o mesmo caminho em relação ao personagem cheio de alucinações (nesse caso, com suspeitas de esquizofrenia). A diferença é que, aqui, não existe um grande clímax. Ficamos sempre à espera de algum grande momento ou de uma reviravolta que nunca acontece – e, quando finalmente parece que assistiremos a algo arrasador, o filme acaba.

Ao construir uma trama baseada em suspense (afinal, os sonhos premonitórios do protagonista realmente significam algo?) e em drama (a forma como uma família é afetada pela confusão de seu patriarca é um acerto), O Abrigo, infelizmente, acaba sem maior impacto em qualquer uma das vertentes. Na tensão, falha ao ser repetitivo na fórmula que adota. No drama, não traz ousadias para uma história sobre esquizofrenia. Assim, as duas horas de duração se tornam bastante lentas, já que o filme não consegue ser impactante nas ambientações que constrói. É necessário elogiar, no entanto, o diretor Jeff Nichols por nunca sair dos trilhos na hora de dar os tons para a história. Se fosse alguém mais descontrolado e sujeito a intensificar emoções com gritos e choros – ou até mesmo com uma trilha sonora utilizada da maneira errada – O Abrigo poderia sucumbir ao fracasso. Isso não acontece com Nichols que, apesar de alcançar um resultado completamente morno, não escolhe o frenesi. É sempre melhor errar pela falta do que pelo excesso.

O que mais se destaca, em uma última análise, é a dupla Michael Shannon e Jessica Chastain. Provavelmente, o ator já teve momentos muito mais interessantes (Possuídos?) e seu tipo de personagem já foi retratado de formas mais interessantes por outros filmes, mas é injusto negar a forma precisa como Shannon conduz o seu Curtis LaForche. Já a revelação do momento Jessica Chastain (que esteve na última award season com os celebrados A Árvore da VidaHistórias Cruzadas), acerta novamente ao interpretar com a devida sutileza uma personagem que, assim como o de Shannon, prima pela verossimilhança. Os dois atores são os responsáveis por manter certo interesse por esse filme que poderia ser mais instigante. O Abrigo, sem eles, sairia do morno para o sonolento.

FILME: 6.0

5 comentários em “O Abrigo

  1. Isso que eu n entendi tbm, no final mostra que ele tava certo ? E como ele esta longe do abrigo que dizer que aquilo era o fim dele ? Ou era so mais um sonho querendo dizer que ele longe ou perto de casa ele iria ter que enfrentar a doença ?

  2. Kamila, para mim, “O Abrigo” valeu mesmo pelas performances do Shannon e da Chastain!

    Rafael, como eu disse no meu texto, “O Abrigo” é praticamente uma variação de todo aquele primeiro ato de “Cisne Negro” envolvendo as alucinações da Nina. Não vi nada de muito diferente…

  3. Eu não sei bem se o filme não traz coisas novas. Pra mim, a bordagem que não segue os lugares comuns do suspense já é uma coisa muito boa e diferente do que se vê. Além do cara estar perdido em suas alucinações, ele mesmo tem consciência disso e procura se ajudar, o que reforça demais o drama do personagem. É como se ele lutasse consigo próprio, o que é uma grande batalha. Por isso acho que o clímax do filme é quando ele abre, por sua vontade, a porta do abrigo e vê que tudo está normal lá fora. Fico arrepiado com essa cena. Enfim, gosto demais do filme, Shannon está sensacional.

  4. Ao contrário de você, gostei muito de “O Abrigo”. Achei um thriller psicológico bastante competente, especialmente na construção do drama central do personagem principal. Além disso, temos as duas grandes performances de Michael Shannon e Jessica Chastain.

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