Contos argentinos

Já virou uma espécie de lei: filme argentino é filme maravilhoso. Ok, não podemos negar que os nossos vizinhos são, realmente, muito bons e que muito frequentemente encantam com a facilidade de fazer maravilhas com histórias completamente simples, sobre as pequenas coisas da vida. Só que também precisamos reconhecer que nem tudo que vem da deles é necessariamente um espetáculo. É o caso de Um Conto Chinês, que, como muitos exemplares do País, foi ovacionado pelo público. A diferença é que, aqui, o resultado chega a decepcionar. Estrelado pelo George Clooney argentino Ricardo Darín – que, assim como o norte-americano, faz mil filmes e tem sempre a mesma (eficiente) cara, esse longa de Sebastián Borensztein é, no máximo, agradável. Principalmente num ano em que a narrativa jovem e assuntos mais contemporâneos alcançaram notável desempenho em outro filme vindo do país, Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual.

Um Conto Chinês começa de forma peculiar, com um misto de curiosidade e comédia. Numa bela tarde ensolarada, um casal está num pequeno barco na China. Ele se vira, pega as alianças que estão dentro de uma cesta e se prepara para pedir a moça em casamento. Mas, quando o chinês volta para a amada, uma vaca cai na cabeça dela, matando a pobre chinesa. A partir daí, a história desse rapaz se cruza com a de Roberto (Ricardo Darín), um rabugento argentino que é dono de uma ferragem. E contar qualquer outro detalhe pode estragar Um Conto Chinês, exatamente porque o filme se desenvolve sem qualquer surpresa. É certo que encontramos aqui as sutilezas do cinema argentino, bem como a forma de mostrar enredos de “gente como a gente”. O problema é que o filme é repetitivo, girando em torno de um mesmo assunto o tempo inteiro, sempre sem inovar ou sequer instigar como a cena inicial.

Tal sensação de lugar-comum também fica evidente porque Um Conto Chinês mostra uma situação que já estamos cansados de ver: aquela em que um homem extremamente mal humorado tem sua vida alterada em função de um estranho – e, nesse caso, é fácil lembrar de Gran Torino, já que, em ambos os filmes, o rabugento começa a conviver com um oriental! O coringa que está na manga de Um Conto Chinês é mesmo Ricardo Darín, uma figura que sempre desperta interesse, mesmo quando o filme é apenas regular, como é o caso desse. Com conclusões menos originais do que o esperado, essa experiência cinematográfica agradou muitas pessoas, entrando para a lista dos filmes argentinos venerados. No entanto, acredito que, como já mencionado, seja apenas consequência dessa onda que se instalou de que todo e qualquer longa dos nossos vizinhos é excepcional. Na maioria das vezes, concordo. Dessa vez, não vi o porquê de Um Conto Chinês receber tantos elogios. Não que seja ruim, só é bem menos do que todos apontaram.

2 comentários em “Contos argentinos

  1. Realmente, filmes argentinos são maravilhosos e, em cinema, pelo menos, eles dão um baile em nós. E esse filme tem Ricardo Darín, né??? Para mim, isso basta! :)

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