Quando o herói não é mais super

É lamentável que, nos últimos anos, Hollywood tenha estragado a reputação dos super-heróis. Ano após ano, encontramos milhares de filmes baseados em quadrinhos e, com exceção dos longas de Christopher Nolan sobre Batman, quase nenhum deles conseguiu resultado realmente satisfatório. Eles parecem todos iguais, sem inspiração, com muita ação racional e alívios cômicos. Sei que hoje em dia é moda falar mal do Homem-Aranha, de Sam Raimi, mas o primeiro e o segundo filme deste super-herói eram excelentes exemplos de como preservar o espírito dos quadrinhos e também trazer uma ótrima roupagem cinematográfica. E, por instantes, parecia que Capitão América: O Primeiro Vingador fosse se diferenciar de seus semelhantes, sendo também diferenciado. Grande engano! Mais do mesmo.

A verdade é que, até mais ou menos a metade, esse filme de Joe Johnston consegue ser muito interessante. Alcança esse feito justamente ao trabalhar o lado menos extraordinário do protagonista: a fase em que ele era apenas um magricela que queria, desesperadamente, entrar no exército. É trabalhando as motivações do personagem e a força de vontade que existe dentro dele que Capitão América: O Primeiro Vingador acerta. Isso se deve ao fato de acompanharmos uma história extremamente verossímil, que aproxima o personagem do espectador: ele é humano e poderia muito bem estar circulando entre nós. O problema, no entanto, surge quando o protagonista recebe o famoso líquido poderoso que lhe transforma.

O Steve Rogers de Chris Evans não escala paredes e muito menos voa. Ele só recebeu um porte físico impressionante, saindo do corpo magro para outro de músculos e maior estatura. A transformação em si não é o problema (vejam como ela também não é tão fantasiosa), mas sim o que vem depois em termos de história: a partir daí, o longa se transforma em mais uma experiência banalizada de heróis. Correria, luta, explosões, perseguições e, no meio disso tudo, uma piadinha ou outra para descontrair. É uma pena constatar, portanto, que o visual (muito inspirado nas deliciosas matinês), o protagonista próximo da realidade e a história sejam ofuscadas pela vontade de Hollywood de sempre entregar a mesma coisa. Capitão América poderia ter sido diferente. Tinha tudo para ser. Não foi.

4 comentários em “Quando o herói não é mais super

  1. Nossa, não poderia concordar mais! O filme acabou sendo uma decepção pra mim por causa disso. Não é que ele seja ruim, mas sim que é apenas mais um exemplar genérico de todos esses filmes que foram lançados nos últimos tempos. Não sei quanto a você, mas tive a mesma sensação ao assistir Thor.
    Lanterna Verde então… Esse foi um fiasco.

    O alívio é que ainda temos a última parte do Batman do Christopher Nolan para ver. Também dá pra ter um tiquinho de esperança com esse reboot do Homem Aranha.

  2. Kamila, eu gostei bastante do filme até antes do protagonista se tornar o bombado Capitão América. Depois disso, achei tudo muito óbvio…

    Reinaldo, o clima de matinê permanece durante todo o filme, eu não gostei mesmo foi da execução do segundo ato…

  3. Ah não sei Matheus. Concordo com a queda de ritmo do filme e uma “banalização” desse momento que vc sublinha em diante, mas não seria tão rigoroso na análise dos efeitos e dividendos de O primeiro vingador. É um ótimo filme, referendado pelo clima de matinê e diverte um pool de espectadores muito mais amplo do que o comum em filmes de heróis de HQ.
    Enfim, isso tudo para dizer que me surpreendi positivamente com o filme. Esperava um fiasco.
    Abs

  4. Matheus, sinto discordar de você, dessa vez. Eu adorei, adorei mesmo “Capitão América”. Achei um filme delicioso de se assistir. Fora que o personagem principal tem um carisma enorme, você torce por ele desde o princípio. Até o patriotismo exacerbado dos norte-americanos aqui não me incomodou… rsrsrs

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