Alguma Coisa Assim

Logo quando fez sucesso com o excelente Os Famosos e os Duendes da Morte, Esmir Filho já era elogiado por ter se destacado anteriormente com o curta-metragem Tapa na Pantera. Contudo, limitar a carreira dele como diretor de curtas exemplificando sempre seu talento com apenas este trabalho é um verdadeiro erro. Esmir é mais do que Tapa na Pantera. Basta assistir a Alguma Coisa Assim para saber. Este trabalho do diretor recebeu vários prêmios, incluindo melhor roteiro para curta-metragem na Semana Internacional da Crítica no Festival de Cannes e melhor curta-metragem, direção e atriz no Festival de Cinema de Gramado.

Nada mais justo. Todo e qualquer reconhecimento para Alguma Coisa Assim é mais do que válido. Antes mesmo de Os Famosos e os Duendes da Morte, Esmir Filho já demonstrava muita sensibilidade ao trabalhar as angústias e as descobertas adolescentes. No curta de 2006, ele, em 15 minutos, conta a história de Caio (André Antunes) e Mari (Caroline Abras), dois jovens que, nas ruas de São Paulo, descobrem um pouco mais sobre eles mesmos. Ele, que está indo para a sua primeira festa gay, começa a experimentar este mundo que, até então, lhe era desconhecido. Já ela faz o papel de fiel amiga que o acompanha na nova descoberta. No entanto, a situação não é simples: talvez Caio represente muito mais do que um mero amigo para Mari.

Para público que conseguir se identificar com a temática, a experiência será muito marcante. E este é um grande mérito de Alguma Coisa Assim: a identificação com a história, que não é inteiramente dedicada a um personagem. O foco é dividido, aumentando ainda mais a possibilidade desta identificação. O longa funciona como uma verdadeira nostalgia para quem já viveu momentos parecidos e não apenas no sentido da descoberta do mundo homossexual ou, então, da paixão não correspondida, mas também do fiel retrato reflexivo de como uma noite pode despertar as mais variadas sensações – desde o momento de empolgação ao se entrar numa festa até o momento cheio de pensamentos quando se coloca a cabeça no travesseiro para dormir.

Os dois atores se saem muito bem nessa missão, comprovando o talento de Esmir para selecionar jovens talentos. André Antunes (sem fazer qualquer caricatura ou exagero no que se refere ao tom gay de seu personagem) e Caroline Abras formam uma dupla extremamente eficiente, ajudando a verossimilhança da história. Por fim, Alguma Coisa Assim é mais um curta-metragem que comprova como os curtas de temática gay são infinitamente melhores do que os longas. A exemplo do igualmente excepcional Eu Não Quero Voltar Sozinho, o curta de Esmir Filho é uma aula de como falar sobre homossexualidade e, mais especificamente, sobre as descobertas do mundo jovem. Maravilhoso! Para assistir ao curta, clique aqui.

2 comentários em “Alguma Coisa Assim

  1. Sei do seu amor por “Os Famosos e os Duendes da Morte”, mas eu acho que esse filme é um tanto irregular. Entretanto, reconheço o talento do Esmir Filho. Quero assistir a esta obra mais recente dele.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: