O som das trilhas

Biutiful, por Gustavo Santaolalla

Gustavo Santaolalla é um compositor que está longe de ter a minha admiração. As melodias criadas por ele são sempre eficientes (mesmo em trilhas que não são grandiosas como apontam, a exemplo de O Segredo de Brokeback Mountain), mas, se formos ouvir a trilha inteira, podemos notar várias repetições de estilo. É o caso de Biutiful (notem com os nomes das canções têm grafias erradas, assim como o título do filme), que traz aquele velho estilo de Santaolalla que todos conhecemos, em especial aquele que ouvimos em Babel. O que ele faz em Biutiful é reciclado. Reciclado, mas eficiente. No filme, a trilha chama mais a atenção e tem mais eficiência do que separado. No entanto, é um trabalho positivo – mas, assim como todos os outros do compositor, nada que seja digno de celebração exacerbada.

Mildred Pierce, por Carter Burwell

Carter Burwell é um sujeito muito trabalhador, mas que nunca fez trilhas grandiosas e que recebessem muitos aplausos. Conhecido por ser colaborador dos filmes dos irmãos Coen, ele também já fez outros trabalhos interessantes como Adaptação e A Pele. Porém, creio que nunca fiquei tão satisfeito com uma trilha de Burwell quanto em Mildred Pierce. Na minissérie, já dava para notar a eficiência da trilha, mas ouvi-la separadamente é um deleite. Desde as composições de créditos iniciais e finais até faixas excelentes como Mouting Monty, o compositor acertou apostou na simplicidade para alcançar um resultado digno de reconhecimento. Um trabalho que vale a pena conferir, especialmente por se tratar de um dos momentos mais inspirados do subestimado Burwell.

The Village, por James Newton Howard

Quando penso em James Newton Howard, logo me lembro dos lindos violinos e das composições singulares que ele fez para A Vila. A grande maioria detesta esse filme incompreendido (que, para mim, é o auge de M. Night Shyamalan), mas, mesmo aqueles que não compartilham da minha opinião quanto ao longa devem reconhecer a completa beleza dessa trilha sonora. Além de cumprir muito bem a missão de ambientar ainda mais o espectador no clima filme, o álbum serve como exemplo de como se fazer uma bela trilha que varie entre drama e suspense sem se perder. Basta ouvir What Are You Aking Me? e, principalmente, Those We Don’t Speak of para entender. Trabalho de mestre para se ter na coleção!

How to Train Your Dragon, por John Powell

Nunca me liguei nos trabalhos de John Powell (o único que devo ter ouvido mais de uma vez é o de O Ultimato Bourne), mas foi extremamente interessante ter conhecido o que ele fez para a trilha de Como Treinar o Seu Dragão. Por esse filme, Powell recebeu uma indicação ao Oscar. E com todos os méritos, já que essa é uma das melhores trilhas para uma animação dos últimos anosa. Talvez um pouco longo demais e, em certos casos, repetitivo, o álbum transmite toda a aventura da história com muito dinamismo. São poucas as trilhas de animação que se sustentam do início ao fim (talvez só as da Pixar)… Sorte que John Powell conseguiu isso em Como Treinar o Seu Dragão.

Blue Valentine, por Grizzly Bear

Para falar bem a verdade, só fui prestar a atenção na trilha de Namorados Para Sempre na hora dos créditos finais – que são lindos, por sinal. Alligator (Choir Version) encerra com perfeição a dolorosa história de amor do filme de Derek Cianfrace. Por causa dela, fui procurar o álbum completo e o resultado ficou somente no regular: nada de tão especial como essa música de desfecho mas também nada abaixo da média. A banda Grizzly Bear compreendeu todo o lado independente do filme e trouxe uma satisfatória ambientação de cada momento da vida dos personagens. Uma trilha diferente em vários momentos, mas que não chega a alcançar tudo aquilo que poderia…

6 comentários em “O som das trilhas

  1. Amenar, não acho a trilha de “Onde Vivem os Monstros” um grande trabalho, mas, certamente, é um dos mais interessantes do Carter Burwell.

    Fael, e “Alligator” toca após o momento mais belo do filme para encerrá-lo com chave de ouro!

    Kamila, a de “Namorados Para Sempre” tem mais eficiência no filme…

    Antonio, muito obrigado!

  2. Não conheço ainda a última trilha resenhada, mas você foi muito feliz na escolha das outras quatro, que são excelentes trilhas.

  3. Adoro a trilha de Como Treinar o Seu Dragão. A de Blue Valentine eu só escutei no filme e não parei para analisá-la direito, Alligator é linda mesmo!

  4. Pra mim o Burwell merece aplausos – e citações eternas -, pela trilha de “Onde Vivem os Monstros”, que pra mim é uma das mais belas trilhas já feitas. *feita em parceria com Karen O.

    Grizzly Bear é uma banda ótima, e pra mim a melhor canção de Blue Valentine é “Shift”. De fato eu esperava que o filme fosse mais “musical”, como num filme de Coppolinha, mas a linha mais ‘pessimista’ dele justifica essa falta de musicalidade (em minha opinião)

Deixar mensagem para Kamila Cancelar resposta