Em Um Mundo Melhor

Direção: Susanne Bier

Elenco: Mikael Persbrandt, Trine Dyrholm, Ulrich Thomsen, Markus Rygaard, William Jøhnk Nielsen, Camilla Gottlieb, Satu Helena Mikkelinen, Kim Bodnia

Hævnen, Dinamarca/Suécia, Drama, 119 minutos

Sinopse: Anton (Mikael Persbrandt) é um médico que trabalha em um campo de refugiados na África. Ele divide seu tempo entre os dias que passa trabalhando e outros em casa, em uma pacata cidade na Dinamarca. Anton tem dois filhos com Marianne (Trine Dyrholm), de quem está se separando contra a vontade. Elias (Markus Ryggard), seu filho mais velho, sofre com a perseguição no colégio de um garoto maior que ele. A situação muda quando conhece Christian (William Johnk Nielsen), que perdeu a mãe recentemente e acaba de se mudar para o local. Após defender Elias, Christian é agredido. Como vingança, dá uma surra no garoto e o ameaça com uma faca. A partir de então Elias e Christian se tornam grandes amigos. Só que um plano de vingança mais ousado coloca em risco a vida de ambos.

Em Um Mundo Melhor começa parecendo um filme convencional, como se a diretor Susanne Bier estivesse ainda reproduzindo as obviedades do melodrama que apresentou no cinema norte-americano em Coisas Que Perdemos Pelo Caminho. Logo no início, acompanhamos um médico olhando crianças africanas correndo, felizes e sorridentes, atrás de seu caminhão. Essa é uma cena clássica de filmes passados na África. Por isso, Em Um Mundo Melhor deixava a sensação que seria mais uma dessas histórias previsíveis ou, então, de monotonia como Lugar Nenhum na África. O filme, entretanto, segue um caminho bem diferente.

Essa produção vencedora do Oscar 2011 de melhor filme estrangeiro pouco se foca no trabalho do protagonista como médico na África (isso é só uma storyline secundária), mas sim em dramas humanos sobre relacionamentos encenados em uma pequena cidade da Dinamarca. Dramas que, por sinal, são muito interessantes e consistentes, versando sobre os mais diversos assuntos como casamentos despedaçados, a dor de um filho ao ter perdido a mãe, bullying e a falta de comunicação em uma família. Nada fora do lugar, tudo dosado com a devida intensidade, trazendo um ritmo dinâmico para essa história que deve ser facilmente acessível a todos.

Em Um Mundo Melhor ainda tem a seu favor personagens muito complexos, que trabalham em plena sintonia com os acontecimentos criados para eles. Se os adultos expressam, sem qualquer artificialidade, os dilemas de pessoas maduras (em especial o casal que está passando por um processo de separação), as crianças exemplificam com eficiência as consequências de descobertas perigosas e a falta de compreensão do mundo adulto. São personagens que nunca fogem da realidade e que, pelo excelente trabalho de elenco, se tornam ainda mais verdadeiros, com destaque para a revelação do jovem William Jøhnk Juels Nielsen. Susanne Bier, portanto, uniu dramas envolventes com personagens bem escritos e situações atraentes, que variam entre a tensão e o drama sentimental.

Outro mérito de Em Um Mundo Melhor é conseguir fazer, sem dificuldade alguma, a transição entre adultos e personagens. Nenhuma abordagem se sobrepõe à outra e, quando se cruzam, possuem a mesma eficiência de quando trabalhadas separadamente. Claro que ainda existem situações avulsas, como a do maquiavélico africano que violenta mulheres grávidas, mas nada que tire o excelente ritmo do longa dinamarquês. Apesar de tantas virtudes e acertos, Em Um Mundo Melhor é um filme momentâneo. Assim, é fácil apreciar o filme na hora e se envolver com cada história contada por ele. Porém, os créditos finais chegam e, minutos depois, parece que o filme não está mais com você. Nesse sentido, não é tão eficiente como poderia ser. Mas, convenhamos, quem dá grande importância a isso quando ele funciona justamente quando tem que funcionar: na hora em que estamos sentados à sua frente?

FILME: 8.5

3 comentários em “Em Um Mundo Melhor

  1. Rafael, eu esperava bem mais de “Coisas Que Perdemos Pelo Caminho”.

    Kamila, não entendo o porquê dessas opiniões divididas, o filme é muito eficiente!

  2. Acho que uma das melhores críticas que vi sobre um filme que tem dividido opiniões por aí….

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