Capturing Mary

The worst of all possible thoughts: what might have been.

Direção: Stephen Poliakoff

Elenco: Maggie Smith, David Williams, Ruth Wilson, Danny Lee Wynter, Gemma Arterton, Michael Byers, Max Dowler, Jack Berkeley, Rebecca Bottone

Inglaterra, 2007, Drama, 98 minutos

Sinopse: Um jovem (Danny Lee Wynter) leva uma velha senhora (Maggie Smith) a uma profunda exploração de seu passado, para um época quando, ainda jovem e famosa escritora, conheceu um estranho que afetou a sua vida para sempre.

Quando menos esperamos, surge um certo alguém em nossas vidas que muda toda a nossa história. Pode ser aquele amigo especial ou, então, um grande amor. Para Mary (Maggie Smith), a situação não é bem assim. A vida dela foi transormada, é verdade. Porém, ela faz parte daquela parcela que tem sua vida afetada por pessoas “negativas”. Depois que conheceu um homem numa festa de elite, ela nunca mais foi a mesma. Mary teve bloqueio criativo, perdeu empregos e viveu com ansiedade por muito tempo após um único encontro com esse homem. Ele era misterioso e encantador, mas não no bom sentido.

Capturing Mary, então, faz o retrato de uma vida interrompida. A Mary de Maggie Smith nunca conseguiu viver em paz em função desse sujeito que a assombrou durante tantos anos a sua memória. O problema é que esse telefilme não define muito bem as razões da protagonista sentir-se tão incomodada com o outro personagem. Afinal, ela estava apaixonada, fragilizada ou escandalizada?  Então, acompanhamos com interesse o que se sucedeu na vida de Mary, mas nunca compreendemos muito bem a razão dos sentimentos da personagem.

Adotando aquele clássico estilo da velhinha que conta uma história de sua juventude para um personagem mais novo, Capturing Mary é uma produção da TV inglesa que recebeu destaque em função de Maggie Smith (indicada ao Emmy de melhor atriz por sua interpretação aqui). Não é todo dia que temos a honra de assistir a um trabalho dessa excelente veterana. Assim, é, no mínimio, recompensador acompanhar Capturing Mary por causa de Maggie. É certo que o filme não lhe dá grandes chances (ela nada mais é do que uma narradora de fatos). Entretanto, a atriz tem aquela humanidade que é transmitida com um simples olhar. Sua presença basta.

Elegante em seu trabalho técnico (destaque especial para os ótimos figurinos), Capturing Mary traz aquela habitual qualidade britânica no que se refere ao seu formato – tanto na técnica quanto na narrativa. A belíssima trilha de Adrian Johnston (vencedora do BAFTA) também é outro atestado de qualidade. Capturing Mary, no balanço final, tem saldo positivo. A ressalva é que, se tivesse explorado melhor as motivações sentimentais de sua protagonista e se não apresentasse um formato tão limitado dramaticamente para Maggie Smith, teria sido um filme mais interessante.

FILME: 7.5

13 comentários em “Capturing Mary

  1. Não deixem também de assistir “O Palácio de Joe” que na verdade é a primeira parte deste filme, onde o garoto (Joe) é contratado pelo milionário dono da casa.

  2. Penso que o “medo” nos leva a perder algumas oportunidades.. Não entendi que ele fosse mau, mas uma pessoa sem “ilusões” sobre as pessoas “bem-sucedidas” que estavam no auge na sociedade da época e tentou mostrar o outro lado do sucesso.. Entendi que Mary sentiu a paixão de Greenville por ela e tb a paixão tão forte dela por ele. Isso a assustou, pois ele, um homem poderoso, poderia tirar sua liberdade e seus sonhos. Não creio que ele tenha estragado a carreira dela, mas que ela mesma, com suas idéias muito avançadas para a época. Ela não compreendeu o jesto carinhoso dele dizer que a queria com a cópia da chave de sua casa. Se pudesse mudar esse filme, mostraria toda a paixão de Greenville. Será que ele era mesmo real? O filme deixou a desejar… e fiquei apaixonada pelo cara!!!

  3. Fiquei me perguntando se ele não era criação da mente dela, ao pedir socorro, se não era ela desesperada com o que sua vida havia se tornado, se através de seus medos não havia criado a imagem de um homem, se ele não seria o inverso dela, em momentos de fama conhecendo tudo e todos e com seus segredos, confessando-os a ela. Sendo um conhecimentos que não poderiam passar adiante, pois muitas coisas sabemos e não podemos dividir, e com isso ela foi se aprisionando em mundo em que ela poderia culpa alguém que não existia na realidade sim alguém que queria ser, mas ao mesmo tempo aqui tudo a afrontava com a moralidade, com a sociedade e suas regras.

  4. Bom… Esse foi o site que mais ofereceu respostas às minhas dúvidas desde que assisti o filme, se é que se pode falar em “respostas” quando se trata de “Conquistando Mary”. Um filme muito bem elaborado e inteligente, bem nos padrões do cinema europeu, para quem prefere fugir do lugar-comum de Hollywood. Para mim, um filme profundamente intrigante e sedutor, que conduz o espectador a muitos questionamentos. Mas algumas das minhas questões permanecem sem resposta: “Por que ele aparece para ela no final, ainda jovem? Por que ele pede socorro da última vez que a vê? Será que ela tem algum tipo de esquizofrenia e ele é apenas uma ilusão de sua mente?” Se alguém tiver alguma dica, por favor responda, pois esse filme me perturba um pouco.

    • O filme não pretende dar respostas. Ele só incita perguntas. Essa é a magia. Aquele sujeito perdido no meio da imensidão de “mortos” daquela sociedade hipócrita, imerso entre seres que não estão de fatos vivos, encontra um outro ser vivo como ele, mas não consegue estabelecer nenhum vínculo. Ele está por demais contaminado pelos zumbis que o acolheram. A menina ao mesmo tempo fica atraída e repugnada. Mas compartilha com ele os mesmos sentimentos em relação a “o que estamos fazendo aqui? qual o sentido?”. Aquele olhar no carro, quando ele está partindo e pede socorro é catártico e para mim explica o filme. O fantasma do cara vai persegui-la para sempre, ele tocou nas suas mais profundas inquietações existenciais.

  5. Um sentimento que atualmente não existe mais. Ser maculada,manchada por algo torpe. Naquela conversa na adega ela perde a inocência. Os “métodos” que ele usa para se manter à tona na sociedade, manipulando segredos inconfessáveis, numa sociedade conservadora vão aos poucos sendo diluídos na nova moral que surge. E por aí vai,ms para isso é preciso entender uma época que já passou.

  6. Assisti ontem. Gostei de tudo no filme. A Maggie Smith e os cenários são maravilhosos. Mas, realmente, não ficou claro se ela lamentava ter aprisionado a vida dela na atmosfera negativa/ameaçadora do cara, ou se lamentava não ter se deixado seduzir, ou se constatava que disperdiçou a vida, simplesmente. De qualquer forma o meu sentimento
    é que, de um jeito ou de outro, o tempo passa e, se tem a pessoa tem a sorte de envelhecer (não morrer jovem), a forma como viveu pode deixar um terrívél sentimento de vazio.

  7. Acabei de ver o filme na tv a cabo. Como peguei já com algum tempo começado, fiquei sem entender direito o que aconteceu e vim pesquisar na net. Bom saber que esse sentimento de estar “perdida” no filme não é por falha minha. (rsrsrs)
    Parabéns, o único lugar em português em que achei referência ao filme.

  8. Kamila, acho que esse deve ser o primeiro filme que assisto do Stephen Poliakoff…

    Stella, dei uma olhada no teu blog e agora meu link já tá aparecendo certo! Sei lá o que houve… =P

  9. Por alguma razão que desconheço, de alguns dias para cá, “Cinema e Argumento” aparece na minha lista de blogs como se tivesse sido atualizado há 3 anos atrás. Muito estranho… Tentei remover e tornar a incluir na lista, mas não adiantou. Lá está: ‘Cinema e Argumento – Melhores de 2007 – Figurino’.

  10. Já estou interessada, Matheus! Adoro os filmes ingleses! Você baixou da internet? Espero que chegue na minha locadora.

  11. Como adoro filmes britânicos, devo conferir esse aí. Aliás, o Stephen Poliakoff adora histórias desse tipo, hein???

Deixar mensagem para Cancelar resposta