Na coleção… Crash – No Limite

De todos os filmes da última década, Crash – No Limite deve ser aquele que mais desperta o amor e ódio dos cinéfilos. Cheio de defensores e detratores, o filme de Paul Haggis ficou conhecido como uma das maiores surpresas da história do Oscar. Antes do prêmio, pouco era comentado. Depois, passou a ser debatido em todos os cantos do planeta. Mas, afinal, será mesmo que esse filme merecia tanta polêmica por ter tirado o Oscar das mãos de O Segredo de Brokeback Mountain?

Tal questão já foi discutida exaustivamente e, recentemente, quando revi Crash – No Limite reafirmei o meu posicionamento de que o filme está longe de representar esse endeusamento dos admiradores, assim como também está muito distante de ser o horror apontado por quem o odeia. Crash – No Limite, pelo menos para mim, é um filme satisfatório e com algumas virtudes – mas, claro, não isento de falhas.

O exagero está presente (a trilha de Mark Isham, por exemplo, é bastante manipuladora, mesmo que efetiva), mas nada que apague os surpreendentes efeitos causados por um roteiro repleto de cenas tensas e marcantes. Existem pelo menos dois momentos fenomenais – e não vou nem descrevê-los para não estragar a surpresa de quem ainda não conferiu o longa. Em tantas cenas explosivas, quem mais se destaca é Thandie Newton, que chegou a vencer o BAFTA por seu ótimo desempenho.

Celebrado por ser um excelente retrato da violência em Los Angeles, hoje Crash – No Limite deve parecer batido. Contudo, devemos nos lembrar que essa onda de filmes com histórias interligadas surgiu após o trabalho de Paul Haggis. Crash é o original. E, no que se propõe, consegue ser muito acima da média. As ressalvas não comprometem o ritmo efetivo e contundente dessa obra controversa e que será questionada até o fim dos tempos. Não amo nem odeio. Só defendo um filme injustamente massacrado por causa de um Oscar.

FILME: 8.0


7 comentários em “Na coleção… Crash – No Limite

  1. Cristiano, até incluo “Magnólia” nesse formato de histórias interligadas, mas não acredito que o filme de Paul Thomas Anderson tenha foco nisso, ao contrário de “Crash”. Quanto a Sandra Bullock, ela está muito bem nesse filme mesmo… Muito melhor do que no seu celebrado desempenho em “Um Sonho Possível”.

    Kamila, naquele ano do Oscar, o meu favorito era “Munique”, mas não reclamo do prêmio para “Crash”. Não digo que tenha sido merecido, mas também não classifico a celebração como um erro!

    Brenno, era bem óbvio que “Crash” pudesse vencer… O problema é que, nas épocas de premiação, costumamos analisar apenas o histórico de vitórias de um determinado filme e, muitas vezes, nos esquecemos do impacto das temáticas… E concordo contigo, a Thandie Newton merecia ganhar como atriz coadjuvante (e o BAFTA foi mais uma vez certeiro ao ter coroado o desempenho da atriz).

    Hugo, também acho que o Paul Haggis foi impecável ao costurar as histórias dos personagens. O que não me agrada são certos personagens e as resoluções deles…

    Roberto, repito: por mais injusto que o prêmio de “O Discurso do Rei” possa parecer, temos que nos lembrar que era extremamente óbvio que ele fosse sair do Oscar como o grande vencedor!

    Magno, como eu disse para o Cristiano, “Magnólia” e “Boogie Nights” são filmes de histórias inteligadas sim, mas que não fazem disso o seu principal atrativo… Já o longa de Paul Haggis tem toda a sua história construída em cima do formato, como se esse fosse o ponto principal! Acho que com Paul Thomas Anderson não é bem assim… Por isso, não vejo muita relação entre esses filmes.

  2. “Crash” é o original? Histórias interligadas? “CRASH”? Talvez você tenha se esquecido do Monstro que é Paul Thomas Anderson… E do Melhor Filme “fundamentado” em histórias interligadas… “Magnólia”. Sem, óbvio, esquecer do também maravilhoso “Boogie Nights”… Aliás, “Crash” não chega aos pés de nenhum dos dois! Não vamos comparar… PTA é uma coisa e PH é outra. Mas o filme do Paul Haggis é bom, concordo que não é um filme desprovido de virtudes. Mas tirar o Oscar da obra-prima que foi, é e continuará sendo “O Segredo de Brokeback Mountain”? Não mesmo… O fato é: “Crash”, apesar de inferior a “Brokeback”, era, na época, um filme bem mais “eficiente” que seu rival. Afinal me responda: “premiaremos uma obra-prima com uma historinha ‘gay’ ou um filme pejado de pieguices e outros defeitos com uma historinha ‘eficiente'”? Ah, colé, vamos premiar o mais eficitente! Rsrs! Vai me dizer agora que a Academia não faz merda quase sempre?! E que você realmente preferia “Chicago” em detrimento de “O Pianista” ou “As Horas”?

    Amplexos

  3. Entre ver o Crash vencedor do Oscar e o atual (e sonolento) O discurso do rei, prefiro o primeiro sem pestanejar. Agora, que foi uma pena o Ang Lee faturar diretor e o filme, nao, foi.

    O que não coube no Jukebox (textos, poemas, matérias, pensamentos):

    http://baudenotas.blogspot.com

  4. Eu gosto muito do filme, considero que Paul Haggis foi perfeito ao costurar a história de vários personagens com temas explosivos como violência e preconceito.

    Qualquer filme com muitos personagens é complicadíssimo, tínhamos Robert Altman que era craque neste tipo de trabalho, porém usando mais ironia nas relações entre os personagens, diferente da fúria apresentada aqui,

    Abraço

  5. O único Oscar que “Crash – No Limite” merecia era o de Atriz Coadjuvante para Thandie Newton (que nem foi indicada). Na 1ª vez que vi não gostei, mas ao revê-lo subiu em meu conceito, apesar de não achá-lo nenhuma maravilha. Quando ganhou o Oscar de Melhor Filme apostei na lata em homofobia, mas hoje já não acredito nisso. Como bem disse o Rubens Ewald Filho, o filme passa-se em Los Angeles e trata de questões sociais que os acadêmicos conhecem muito bem. Por isso triunfou.

  6. Tenho “Crash – No Limite” na minha coleção e me orgulho disso. Sou uma das defensoras do Oscar de Melhor Filme que ele conquistou e não tenho vergonha de dizer isso abertamente. Acho que a obra, hoje, não parece datada e acredito que muita gente torce o nariz pra o longa por achá-lo manipulador, mas, para mim, essa história continua a ter impacto.

  7. Eu acho que é um bom filme sim, mas sinceramente inúmeras outras fitas com estilo e proposta semelhantes são muito mais contundentes. E, depois de um tal “Magnolia”, eu não vi nada de original neste filme.

    Ainda acho um absurdo “Brokeback Mountain” ter perdido o oscar de filme pra este!

    Contudo, há uma participação notória de Sandra Bullock que está muito bem mesmo e a Newton, citada por ti. A direção é eficiente e há cenas marcantes mesmo, o filme funciona.

    Abraço!

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