Na coleção… A Malvada

Se você ainda dá credibilidade para o Oscar, deve saber que A Malvada é o primeiro de dois filmes que conseguiram o recorde de 14 indicações ao prêmio. Dá para entender facilmente o porquê de Titanic estar ao lado do filme estrelado por Bette Davis. Mas também dá para entender, na mesma proporção, o porquê desse trabalho de Joseph L. Mankiewicz ter recebido tanta celebração. A Malvada nada mais é que um filme que tem todas as suas engrenagens funcionando em pura sintonia.

Bette Davis, mais elegante e diva do que nunca, interpreta a estrela de teatro Margo Channing. Famosa por suas peças, ela recebe a visita de uma ingênua menina que diz ser a sua maior fã. No entanto, Eve Harrington (Anne Baxter) está longe de ser esse poço de pureza. Ela quer reproduzir a técnica de Margo e também alcançar o sucesso que sua ídola conquistou através dos anos. Ou seja, a malvada do título enganador não é Bette Davis e sim Anne Baxter.

Talvez o maior mérito de A Malvada seja a habilidade do diretor Makiewicz em falar sobre teatro sem realizar um filme somente calcado nesse tipo de arte. A produção está longe de parecer um teatro filmado. É cinema mesmo. Claro que as interpretações possuem esse estilo (até porque esse era o estilo vigente naquela época), mas nada que deixe A Malvada com cara de uma peça teatral. A direção de arte explorada com precisão, bem como os impecáveis figurinos ajudam a construir o clima mais cinematográfico do filme.

Em relação às atuações, elas são um show a parte. Ao passo que Bette Davis aparece na atuação mais emblemática de sua carreira, Anne Baxter também não fica muito atrás ao mesclar diversos tipos de abordagens para sua personagem. Reparem também numa ligeira aparição de Marilyn Monroe. Atuações clássicas, direção segura e roteiro marcante (existem várias frases memoráveis citadas até os dias de hoje) transformam A Malvada em um clássico obrigatório!

FILME: 9.0

10 comentários em “Na coleção… A Malvada

  1. Reinaldo, concordo!

    Mayara, é verdade. “A Malvada” melhora a cada revisão.

    Alan, tudo funciona em “A Malvada”!

    Luis Galvão, acredita que eu ainda não assisti a “Crepúsculo dos Deuses”?

    Kamila, e se refilmassem, tinham que colocar a Susan Sarandon como Margo Channing. Acho que ela é MUITO parecida com a Bette Davis, principalmente no cabelo e nos olhos…

    Kahlil, também tenho a versão dupla, mas ainda não conferi o dvd de extras.

    Cleber, tem que assistir logo, é um filme maravilhoso!

    Rodrigo, digamos que a Bette Davis tinha uma personagem mais interessante, enquanto a Anne Baxter rivalizava com uma personagem mais simples… Mas ambas estavam sensacionais!

    Mateus, ano maravilhoso mesmo – e que, hoje em dia, não se repete mais =/

  2. Duas obras-primas que tangenciam em temática foram lançadas aquele ano: A MALVADA e CREPÚSCULO DOS DEUSES. Eu não me preocupo em pensar qual é o melhor. Um levou 6 Oscar; o outro, 4 Globos de Ouro. E ambos são geniais. Que nenhuma das 3 protagonistas tenha levado o Oscar de Atriz aquele ano só aumenta ainda mais a importância de tais trabalhos. Sei que o texto é sobre A MALVADA, mas acho difícil dissociar as obras. São dois olhares implacáveis e inesquecíveis sobre a indústria do Cinema, sobre as estrelas, sobre o sucesso. Que ano maravilhoso o Cinema presenciou!

  3. Eu acho que de tanto gostar desse filme, eu nunca tive coragem de fazer uma resenha sobre ele. Já perdi a quantidade de vezes que o vi, já sei até as sequências das falas e cenas, vou criar vergonha e escrever um post sobre a película.

    Tem algumas repetições que gosto de cometer, uma delas é falar da incrível capacidade/intimidade que a Bette Davis tinha com as câmeras. Dessa forma, ‘A Malvada’ é mesmo a Anne Baxter, ela é stricto sensu, a atriz principal do longa. No entanto, a Bette Davis chama os holofotes de tal forma pra ela que já ouvi muitas pessoas chamado a Davis de ‘A Malvada’ por achar que ela era a protagonista da história.

    Bette Davis, realmente, teve uma grande atuação. Madura, ou como o próprio Mankiewicz falou posteriormente: Bette Davis era o sonho de qualquer diretor – uma atriz preparada. Perdeu o Oscar por mais um tropeço da Academia. Lembrando que além de concorrer com a própria Baxter, também disputava com a incrível Gloria Swanson de Crepúsculo dos Deuses. Enfim, o filme é mesmo incrível – em todos os aspectos -, e merece sem dúvida alguma, toda a reverência dos cinéfilos.

    A única coisa que não entendi no seu texto foi a seguinte frase: ‘Dá para entender facilmente o porquê de Titanic estar ao lado do filme estrelado por Bette Davis.’ Espero que você não esteja comparando os dois longas, porque fora a mesma quantidade de indicações ao Oscar, não há nenhuma outra semelhança substantiva.

    Abraço,
    Rodrigo.

  4. Adorado por todo mundo, eu tenho uma enorme curiosidade quanto assistir esse filme – e tentei comprar algumas vezes, mas, aparece sempre outra coisa e eu nunca acabo comprando, mais farei isso logo.

  5. Tenho em minha coleção este aí e concordo: “A Malvada” é um verdadeiro filmaço. Adoro a forma como a história vai se desenhando. Adoro as excelentes atuações de Anne Baxter, Bette Davis e do ator que faz o crítico. Não sei por quê, mas eu confesso que adoraria ver uma refilmagem atualizada deste grande clássico! rsrsrs

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