Enterrado Vivo

I’m so sorry, Paul.

Direção: Rodrigo Cortés

Elenco: Ryan Reynolds, Ivana Miño e vozes de José Luis García Pérez, Robert Paterson, Samantha Mathis, Stephen Tobolowsky, Kali Rocha

Buried, EUA/Espanha/França, 2010, Suspense, 95 minutos

Sinopse: Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um americano que trabalha como motorista de caminhão no Iraque. Ele acorda, sem saber como, enterrado vivo dentro de caixão de madeira. Sem saber o que aconteceu e o porquê de estar ali, ele tem em suas mãos apenas um telefone celular e um isqueiro. Começa então uma tensa corrida contra o tempo e a falta de ar. A pressão aumenta ainda mais quando os sequestradores exigem um resgate milionário para libertá-lo e um vídeo com suas imagens vai parar no YouTube.

São 95 minutos de filme em apenas um cenário. Não existe outra pessoa em cena além do ator Ryan Reynolds. E, para completar, tudo se passa dentro de um caixão. Só de saber de uma proposta dessas, já ficaria muito curioso para conferir o resultado. Imagine, então, quando o filme consegue uma boa recepção de público e crítica. Assim é Enterrado Vivo, um suspense claustrofóbico comandado pelo espanhol Rodrigo Cortés e que foge dos padrões convencionais do estilo norte-americano de fazer suspense. Ou seja, mais uma excelente surpresa vinda de mãos espanholas (para quem não se lembra, o excelente [REC] também era comandado por diretores da Espanha).

Mesmo que falado todo em inglês e protagonizado por um popular ator dos Estados Unidos, dá para notar que Enterrado Vivo não se assemelha muito com um suspense qualquer vindo da terra do tio Sam. Se a proposta por si só já é original, o longa também surpreende por conseguir manter o ritmo e a qualidade durante todo o tempo. Com uma estrutura dessas (principalmente no que se refere ao difícil trabalho de limitar-se a um único e pequeno cenário), seria fácil cair em armadilhas. Felizmente, não é o que acontece aqui. O diretor Rodrigo Cortés soube explorar com muita objetividade todas as possibilidades para história. Algo que, possivelmente, diretores norte-americanos poderiam arruinar e entupir de exageros e inverossimilhanças.

Nem por isso Enterrado Vivo está livre de falhas. Demorando para apresentar de fato alguma tensão real além de apenas claustrofobia, a primeira metade da história limita-se a sucessivas ligações do protagonista por um celular. A trilha de Victor Heyes, que muitos comparam com as trilhas dos filmes de Hitchcock, também não me agradou, tornando-se um pouco exagerada em diversos momentos. Depois da primeira parcela de duração é que o roteiro finalmente engrena e consegue construir um cenário muito mais envolvente e desesperador – muito devido ao ótimo desempenho de Ryan Reynolds e às situações criadas pelo roteiro. Alguns momentos previsíveis existem, é verdade, mas tudo isso passa despercebido em um filme bem arquitetado e que possui um final corajoso e nada parecido com os de tantos suspenses que estamos acostumados a ver.

FILME: 8.0

11 comentários em “Enterrado Vivo

  1. Puxa, que coincidência (!?) acabei de assistir um episódio maravilhoso de CSI-Las Vegas em que um membro da equipe também é enterrado vivo.

    Este episódio foi dirigido pelo Quentin Tatantino que se revelou um grande fã da série. Já assistiu? Se não, vale a pena.

  2. Rafael, a ideia interessante já me dava curiosidade, mas os comentários positivos só aumentaram a minha vontade de ver o filme!

    Kamila, mesmo com expectativas, eu consegui gostar do filme.

    Reinaldo, talvez tenha sido proposital mesmo, mas isso é apenas um pequeno detalhe desse ótimo filme, né?

    Weiner, não é uma obra-prima, mas é muito bom! Acho que se você pensar dessa maneira, não vai se frustrar…

    Cleber, eu sim xD

    Fael, depois quero saber a tua opinião!

    Luis Galvão, que bom que não fui o único que achou a trilha meio exagerada…

    Otavio, vamos ver o que o Cortés vai fazer daqui pra frente… E quanto a trilha, acho que tem um quê de Hitchcock sim, mas, sinceramente, acho que não combinou com o filme!

  3. Sobre o exagero na trilha, creio que ele tenha pensado nas trilhas clássicas dos filmes de Hitch. A abertura estilizada com a música tocando exageradamente me diz isso.

    Abs!

  4. Exato! Também gostei muito! Pra mim, esse Rodrigo Cortés é a revelação entre os novos diretores de 2010. Acho que ele vai longe.

    Abs!

  5. Eu também adorei o filme. Acho, porém, que o roteiro devagar no começo foi a preparação para a ótima final. E também achei a trilha uma pouco exagerada demais.

  6. Verei hoje, sem falta! Estou muito curioso porque só tenho lido elogios. Mas mesmo assim verei sem grandes expectativas.

  7. Quero conferir este filme o mais depressa possível, tenho lido e ouvido críticas muito positivas a seu respeito. Mas como Kamila, irei assisti-lo sem grandes expectativas, me parece ser um filme passível de frustração.

  8. Concordo que o suspense demore a engrenar, mas penso que isso seja proposital. Se o roteiro começasse, digamos, em ponto de bala, o desgaste se assentaria de forma precipitada… Acho que o roteiro é muito bem ritmado e a direção de Cortés esconde bem as poucas falhas do texto.
    Abs

  9. Mais uma boa crítica sobre este filme. Imagino que ele seja agoniante… Quero conferir sem expectativas.

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