Scott Pilgrim Contra o Mundo

We are Sex Bob-Omb and we are here to make you think about death and get sad and stuff. One, two, three, four!

Direção: Edgar Wright

Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Ellen Wong, Alison Pill, Kieran Culkin, Anna Kendrick, Brie Larson, Jason Schwartzman

Scott Pilgrim vs. the World, EUA, 2010, Comédia, 112 minutos

Sinopse: Scott Pilgrim (Michael Cera) tem 23 anos, integra uma banda de colégio, vive trocando de emprego e tem um namoro firme. Sua vida está maravilhosa, até conhecer Ramona V. Flowers (Mary Elizabeth Winestead). Ele logo se apaixona perdidamente por ela, só que não será fácil conquistar seu amor. Para tanto, ele precisa enfrentar os sete ex-namorados dela, que estão dispostos a tudo para impedir sua felicidade com outra pessoa.

Existe uma linha muito tênue entre filmes que são verdadeiramente nerds/alternativos e aqueles que recebem esse título porque forçam a barra e “obrigam” o espectador a defini-lo assim por causa das inúmeras referências espertinhas no roteiro. Scott Pilgrim Contra o Mundo, fracasso nas bilheterias norte-americanas mas sucesso entre os espectadores que dão uma chance a ele, enquadra-se no segundo caso. Mas se o recente Kick-Ass: Quebrando Tudo surpreendeu com seu frescor, Scott Pilgrim falha em suas próprias ambições.

De início, é super fácil ficar encantando com toda a dinâmica e as deliciosas referências desse filme de Edgar Wright. Um extraordinário uso de efeitos e de sacadas virtuais conferem a Scott Pilgrim um tom muito divertido. E assim vai até a metade. Entretanto, tanta pirotecnia começa a cansar. Além disso afetar o ritmo, traz um lado muito frenético para o enredo. Ou melhor, para a falta dele. Sei que não é possível esperar muito de uma história toda arquitetada em torno de videogames e quadrinhos, mas o mínimo que se pode esperar é algum tipo de história e não algo quase sem acontecimentos como é aqui. Tem conflitos, é verdade, mas faltam acontecimentos consistentes.

O maior problema é que Scott Pilgrim parece mais um monte de cenas engraçadinhas costuradas em um irregular ritmo de 112 minutos. Junte a tudo isso um protagonista igualmente “sou nerd”, mas que não tem um pingo de expressão. Não sei de onde tiraram a ideia que Michael Cera tem carisma ou de que ele consegue ser um desses jovens atores que merece encabeçar vários filmes. No máximo, funciona como um coadjuvante. Sorte que existem outras figuras nesse filme, como Alison Pill e o estranho Kieran Culkin, para conferir simpatia ao elenco.

De resto, o filme é tudo isso que citei por aqui: um frescor de ideias em sua primeira parte e uma frenética repetição de efeitos e tiradas espertinhas no resto. Scott Pilgrim, sem dúvida alguma, vai ser a obra-prima nerd para aquele público viciado em jogos de videogames e histórias em quadrinhos. Mas, para falar a verdade, é mediano como cinema. Ninguém pode me acusar de má vontade. Só tenho muita resistência a esses tipos de filmes que querem, a todo custo, convencer que são super legais, inteligentes, cults e alternativos. Um filme passa a ter essas características de forma natural e genuína e não de forma milimetricamente planejada como nesse filme. Longe de ser ruim, Scott Pilgrim só precisava ser menos pretensioso e passar naturalidade – algo que simplesmente não ocorre, pelo menos pra mim.

FILME: 6.5


9 comentários em “Scott Pilgrim Contra o Mundo

  1. A crítica é tão fraca quanto o filme. Apenas do ponto de vista da pipoca.

  2. Cleber, deve funcionar melhor em dvd mesmo…

    Leandro, tenho sérios problemas com o Michael Cera. Acho que ele interpreta sempre o mesmo papel, sem qualquer variação.

    Mayara, o filme divertiu muita gente mas, como você pode ver em meu texto, não fui muito cativado…

    Kamila, e foi exatamente isso que aconteceu comigo.

    Weiner, acho que vou começar a evitar filmes desse estilo. Normalmente não consigo entrar no clima deles.

    EricRussel, não analisei o filme fazendo um comparativo com HQ’s e games. Analisei o filme com minha visão de um fã de cinema. E, nesse sentido, “Scott Pilgrim Contra o Mundo” me decepcionou…

    Elói, acho que foi por causa de ahmamudillah! hahaha

  3. Imagino que quem tenha comentado não tenha se ligado que este filme é baseado numa sequencia de 6 histórias em quadrinhos…
    Particularmente, gostei muito do filme, pelas sacadas de Tetris, Zelda, KOF, e outros jogos estes, que fizeram parte de, não só da minha, mas da infância de vários amigos e amigas, que, aliás, também adoraram a adaptação.
    Mas uma coisa digo aqui: poderia sim ter ficado melhor, mas, adaptar um livro, ou mesmo uma HQ, e transformar num filme, é algo complicado. Claro, não ficou fiel à temática original, mas repito novamente: ficou bem bom. ALIÁS, é um “game-based” muito melhor em assistir do que muitas adaptações feitas por aí, mesmo porque, tem pitadas de comédia o tempo todo.
    De qualquer forma, eu, que tive o prazer de jogar River Raid, Pac Man, En Duro, Shinobi, Zelda, Sonic… entre outros clássicos da época, recomendo este filme àqueles que tem interesse em capturar as pitadas de jogos que não mais estão entre nossos dias (a não ser que tenhamos um emulador! Hehe)…

  4. Também não me identifico muito com filmes assim – se fosse dirigido por um maluco adorável como Spike Jonze ou Tarantino, ou ainda se caísse nas graças das premiações, minha curiosidade seria atiçada. Como não é nem um, e nem será outro, opto pela abstenção. Frescor demais passa. (6)

  5. Eu tô curiosa para conferir este filme, mas sempre fico com um pé atrás em relação à obras que possuem muito hype. Não gosto de criar expectativas demais e acabar me desapontando!

  6. Eu gosto muitíssimo desse filme,o bastante divertido e acho que por trás do ritmo frenético demais,tem um roteiro bem bacana,o protagonista pode até ser interessante,mas Michael Cera é capaz de fazer estragar qualquer personagem legal.Mas em termos de filmes chamados cool e baseados em HQ prefiro Kick Ass.
    Abraços

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