Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos

Direção: Paulo Halm

Elenco: Caio Blat, Maria Ribeiro, Luz Cipriota, Daniel Dantas, Lúcia Bronstein, Hugo Carvana

Brasil, Drama, 2009, 93 minutos

Sinopse: Zeca (Caio Blat) tem 30 anos mas age como se fosse um adolescente. Formado em Literatura, vive às custas de uma herança. Ambiciona ser escritor e há anos trabalha num livro que jamais consegue terminar, para desespero de seu pai (Danton Mello). Zeca vive com Julia (Maria Ribeiro), professora de Belas Artes, que está terminando o doutorado. O relacionamento vai mal, fragilizado pelas diferenças no modo que cada um encara a vida. Zeca não quer nada, Julia sabe o que quer. Incapaz de escrever, menosprezado pela mulher, Zeca passa os dias entregue ao ócio. É infeliz, porém conformado com isso. Até o dia em que descobre que Julia o está traindo. E, com uma outra mulher.

Em inúmeros seriados, os personagens principais sofrem por nunca serem os mais interessantes. Meredith Grey, Kitty McCallister, Susan Mayer e Carrie Bradshaw são exemplos disso. Elas são ofuscadas por outras personagens em cena e não conseguem ser figuras que despertem a empolgação do público. Mas se o elenco coadjuvante, nesses casos, é um alívio, o mesmo não pode se dizer de Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, que tem toda a sua atenção centrada na visão unilateral do protagonista.

O problema é que o personagem principal desse filme é um verdadeiro chato. Zeca (Caio Blat, que abandonou de vez a sua imagem de bom moço recatado desde Cama de Gato), é um amontoado de clichês. Ele é um jovem metido a escritor e que tem bloqueios de criatividade. Nunca consegue acabar uma história que criou, não tem emprego algum, não faz nada o dia inteiro e ainda acha que tudo em sua volta é uma porcaria. Zeca reclama de tudo e ainda descobre que sua namorada, Júlia (Maria Ribeiro), está de caso com outra mulher.

Chocado, mas covarde demais para reagir, ele assume a sua posição de “corno manso”, como o próprio comenta. Só que, como um total desocupado, ele fica com essa história na cabeça e resolve ir atrás da amente de sua mulher e descobrir o que ela tem de tão especial. Com isso, apaixona-se por ela e, então, um triângulo amoroso é formado. No meio de tudo isso, Zeca proclama questionamento existenciais, pensamentos bem elaborados e frases de efeito para tentar, sem muito sucesso, colocar algum tipo de reflexão e filosofia em seus conflitos clichês.

Se não fosse por um personagem principal tão desinteressante, talvez Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos tivesse um resultado mais atraente. Ao mesmo tempo em que os conflitos de Zeca conseguem ter algum tipo de relevância dramática, chega a irritar o modo como ele enfrenta tudo e ainda consegue cometer inúmeros erros conscientemente. Ou seja, comete erros sabendo das consequências e depois reclama de tudo, culpando a vida e as pessoas. Como diria a Maria Elena de Penélope Cruz, sofre de insatisfação crônica. O roteiro torna o personagem interessante na teoria, mas na prática o afasta do espectador no seu desenvolvimento de personalidade.

O bom trabalho de elenco disfarça um pouco esse tratamento irregular de personagens, mas não chega a compensar todas as falhas. A história, que é rasa (para não dizer irrelevante em certos aspectos), tem seus momentos, mas nunca consegue alçar voo. Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, portanto, tem intenções positivas e tenta criar reflexões, mas não consegue ir além de um personagem clichê e que nós já vimos muitas vezes em tantos outros filmes. Mais do mesmo e sem diferenciais…

FILME: 6.0

10 comentários em “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos

  1. Alan, não adianta, eu me irritei demais com o Zeca. Ele sabe que é um “merda” e mesmo assim parece se acomodar com a situação e só tomar atitudes que pioram tudo.

    Robson, achei o protagonista um verdadeiro porre =P

    Wally, eu não gostei muito mesmo… Eu nem tinha expectativas, mas mesmo assim não curti muito.

    Kamila, amou meu texto? Obrigado xD

    Leandro, acho que se você tem curiosidade, deve assistir. Mas eu avisei, né? =)

    Mayara, tem algumas cenas legais, mas eu não vi nada demais…

    Malena, obrigado! É sempre bom ouvir elogios dos leitores =)

    Roberto, eu gosto do Caio Blat, mas não sou tão fã…

  2. Achei que esse filme do Halm merecia uma divulgação maior do que teve. Gostei bastante! E mais uma vez o Caio Blat mostra porque é um dos atores da nova geração mais interessantes do momento.

  3. Ótimo texto (pra variar) mas mesmo com o seu sendo o texto mais negativo sobre o filme,ainda me interesso por ele,ainda acho que irei gostar do filme.
    Abraços

  4. Confesso que fiquei desanimado depois de ler tua crítica, estava muito interessado neste filme.

  5. É engraçado essa coisa de gosto, né?! Da mesma forma que conseguimos ter ressonância sobre tantos filmes, as vezes com outros isso é impossível. conferi há pouco esse filme e gostei bastante. Acho que o mérito está justamente nisso, do personagem querer se mostrar desinteressante e ainda fazer questão de deixar claro que o é.

    Acho que, na verdade, Zeca tem um pouco de cada brasileiro.

  6. Eu gostei do filme, achei bacana a premissa e um pouco descompromissado até. Acho que de tão chato e desinteressante, Zeca acaba sendo legal, pelo fato dele mesmo saber que é um ‘merda’ acaba caindo no gosto do público, mas claro tem algumas coisa que deixam raiva como as últimas cenas no qual ele ficam sem as duas por pura burrice, cheguei a pensar se ele tinha algum problema mental, afinal alguém em sã consciência não faria aquilo. Mas no resultado geral eu gostei!

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