Na coleção… Capote

Capote é um filme lento, arrastado e de poucos acontecimentos. É muito fácil encontrar quem não aprove o resultado do longa de Bennett Miller. A  lentidão da narrativa, realmente, prejudica o andamento da história. Mas, Capote tem dois fatores que relevam qualquer tipo de falta de ritmo. O primeiro deles é a extraordinária interpretação de Philip Seymour Hoffman. O segundo é a ótima evolução emocional de cada um dos personagens.

O filme narra o interesse do escritor Truman Capote (Hoffman) pelo brutal assassinato da família Clutter em uma remota cidade de costumes rurais nos Estados Unidos. O escritor ficou sabendo do crime por uma notícia do jornal e, aos poucos, começou a se envolver cada vez mais. A princípio, era para ser apenas um artigo para o New York Times. Entretanto, Capote se envolveu tanto com a história que decidiu escrever um livro. O resultado? A Sangue Frio, um dos livros de não-ficção mais famosos da literatura norte-americana.

Capote foge das formalidades tão presentes em cinebiografias e entrega um produto, sim, biográfico, mas longe de parecer como tal. Um dos grandes méritos desse trabalho de Bennett Miller é falar especificamente sobre a jornada emocional do protagonista. É fantástico acompanhar toda a transormação de Capote na medida em que se envolve cada vez mais com a história e com entrevistas exclusivas com os assassinos. Gradativamente, o personagem vai se modificando e, ao final, podemos nos surpreender ao ver a figura principal tão devastada.

Porém, toda essa abordagem dramática não teria a mesma força se não tivéssemos um ator tão extraordinário como Philip Seymour Hoffman no comando. Vencedor do Oscar de melhor ator por seu desempenho, Hoffman reproduziu com exatidão todos os tiques e trejeitos de Capote. Mas, todo mundo sabe que, às vezes, isso não é o bastante. Ele vai além. Muito mais do que uma reprodução biográfica, o ator criou uma figura crível e verdadeira. Não é só uma pessoa sendo reproduzida na tela. É, também, um personagem dramático de grande qualidade.

Se não fosse por seu ritmo cansativo, Capote seria um filme mais admirável. Gosto bastante de todo o resultado geral, mas, assim como muitos, fico incomodado com um roteiro tão lento como esse. Bennett Miller só teria a ganhar com um texto mais dinâmico e que não dialogasse exclusivamente com aqueles que tem paciência para acompanhar algo assim. Essa mesma história ainda tem outra versão (inferior, por sinal), Confidencial, com Toby Jones, Sandra Bullock e Daniel Craig.

FILME: 8.0


8 comentários em “Na coleção… Capote

  1. Cleber, gosto quando vejo pessoas apreciando “Capote”. Acho que ele, às vezes, é bem subestimado…

    Brenno, eu acho que a Catherine Keener não faz absolutamente NADA no filme. Não entendi o porquê da atriz ter recebido qualquer indicação a prêmios…

    Kamila, o Philip Seymour Hoffman estava incrível! Mas aquele ritmo da obra me deixava completamente desanimado…

    Wally, “Confidencial” tem algumas coisas interessantes, mas fica bem razoável mesmo.

    Roberto, o Bennett Miller está filmando “Moneyball”, novamente fazendo parceria com o Philip Seymour Hoffman!

    Leandro, não acho que a lentidão afete o resultado do filme, mas confesso que me senti incomodado com ela…

    Reinaldo, isso mesmo! =)

  2. Acho esse filme uma obra irretocável,belíssimo e um interessantíssimo,a forma em que o diretor nos aproxima dos envolvidos é incrível.
    E Phillip Seymour Hoffman extraordinário e definitivamente acho que a lentidão do filme não incomoda em nada.
    Abraços

  3. Também conheço muita gente que reclama da lentidão desse filme, mas o resultado final (bem como a atuação impecável do Phillip Seymour Hoffman) é simplesmente extraordinário. Aliás, por onde anda o senhor Bennett Miller?

  4. Concordo plenamente contigo: o filme tem um ritmo arrastado DEMAIS! Agora, vale pela fenomenal performance do Philip Seymour Hoffman! Ele está sensacional aqui e foi merecedor de todos os prêmios que conquistou! Este também está na minha coleção! :)

  5. Gostei muito, mas confesso que faço parte do time incomodado com o ritmo lento da obra. Apesar de eu admirar a Catherine Keener, acho que ela recebeu beeeeeeeeeeeeeeeeeeem mais reconhecimento do que devia por esse filme.

  6. A soma de vários fatores positivos resulta em um filme elegante e sóbrio, algo que jamais poderíamos esperar em um trabalho feito sobre Truman Capote. OBRA-PRIMA! Nota 10!

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