As Melhores Coisas do Mundo

Não é impossível ser feliz depois que a gente cresce. Só fica mais difícil.

Direção: Laís Bodanzky

Elenco: Francisco Miguez, Fiuk, Denise Fraga, Caio Blat, Gabriela Rocha, Gustavo Machado, Paulo Vilhena, Gabriel Illanes, José Carlos Machado

Brasil, Drama, 100 minutos

Sinopse: Mano (Francisco Miguez) é um adolescente de 15 anos. Ele está aprendendo a tocar violão com Marcelo (Paulo Vilhena), pois deseja chamar a atenção de uma garota. Seus pais, Camila (Denise Fraga) e Horácio (Zé Carlos Machado), estão se separando, o que afeta tanto ele quanto seu irmão mais velho, Pedro (Fiuk). Sua melhor amiga e confidente é Carol (Gabriela Rocha), que está apaixonada pelo professor Artur (Caio Blat). Em meio a estas situações, Mano precisa lidar com os colegas de escola em momentos de diversão e também sérios, típicos da adolescência dos dias atuais.

As Melhores Coisas do Mundo faz parte de um trio de filmes brasileiros lançados neste ano que versam sobre a adolescêcia. Enquanto Os Famosos e os Duendes da Morte e Antes Que o Mundo Acabe possuem um estilo mais autoral e de menos apelo popular, esse longa-metragem de Laís Bodanzky é o mais comercial dos três – até em função dos nomes famosos envolvidos no projeto. Justamente por ser um filme mais abrangente, As Melhores Coisas do Mundo consegue muitos pontos a seu favor por causa disso, mas também alguns contra.

Como o cinema de Laís Bodanzky é facilmente admirável, era de se esperar que As Melhores Coisas do Mundo fosse outra bela surpresa vinda da diretora. Não é exatamente o que acontece. É certo que tenho muitos problemas com filmes que não possuem uma linha dramática bem definida e, talvez, seja exatamente esse o motivo de eu não ter apreciado tanto esse longa-metragem. As Melhores Coisas do Mundo é simplesmente o retrato da adolescência em uma escola. Ou seja, vários personagens, inúmeras histórias e múltiplos focos narrativos.

Claro que a história tem um protagonista, mas o roteiro não faz questão de focalizar os dramas. Os questionamentos do personagem principal e todas as suas inseguranças são fragmentados em diversos tipos de situações – o que, para o meu gosto pessoal, não soa lá muito interessante. Ele lida com os pais que se separam, com a ânsia de querer conquistar uma garota, com as diversões da adolescência e também toma dor pelos colegas que são zombados pela escola. Isso não deixa que As Melhores Coisas do Mundo seja superficial, apenas dilui a dramaticidade que poderia ter sido melhor concentrada.

Mas, se por um lado a diretora Laís Bodanzky resolveu tratar sobre várias histórias, ela também acertou com essa decisão. São extremamente identificáveis os tipos de pessoas retratadas nesse filme. Todos que já frequentaram uma escola, em especial mais recentemente, vão conseguir reconhecer os diversos personagens que são mostrados na história. Sem falar, claro, de algumas situações, vocabulários e ideologias que são cultivados pelos jovens na história. Ou seja, para quem um dia foi ou é adolescente nos últimos anos, As Melhores Coisas do Mundo tem um significado mais especial.

Nessa vontade de ser uma produção mais popular, inventaram de colocar Fiuk como ator. Além de ser um absurdo que o roteiro queira nos convencer que ele é um jovem de meros 17 anos, o rapaz simplesmente não consegue fazer uma cena sem parecer forçado. Se Katharine Hepburn achava que dava para ver engrenagens na cabeça de Meryl Streep planejando uma atuação, é uma pena que ela não viveu para ver Fiuk. É visível que ele quer se mostrar bom ator e alguém que se leve a sério. Mas, às vezes, chega até a causar humor involuntário com suas tentativas planejadas e frustradas.

Fiuk é a voz destoante de um coro acertado. Todos os outros atores do elenco estão na medida em seus respectivos papéis. Se Francisco Miguez não chega a ter um forte carisma, ao menos consegue liderar o filme com uma boa regularidade, bem como sua colega de cena Gabriela Machado. Já os atores mais experientes conseguem estar excelentes. Destaque para uma Denise Fraga sempre humana. Ela, inclusive, deveria se dedicar a mais papéis dramáticos, uma vez que é uma atriz que tem toda simpatia e competência necessária para papéis com essa abordagem.

Em uma última análise, As Melhores Coisas do Mundo traduziu com competência a geração adolescente da internet e conseguiu reproduzir com fidelidade muitas das situações do público-alvo. Mas, é uma pena constatar que Laís Bodanzky não tenha tido a mesma sorte que teve nos seus trabalhos anteriores. Se Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade se beneficiavam por adicionar novos aspectos aos tipos de histórias que narravam, As Melhores Coisas do Mundo termina sendo apenas mais um filme sobre adolescência. Com aspectos positivos, é verdade. Mas, nada muito além de somente um entretenimento agradável.

FILME: 7.5


12 comentários em “As Melhores Coisas do Mundo

  1. Leandro, eu também gosto muito da Laís Bodanzky e fui assistir esse filme por causa dela!

    Kamila, comédia é difícil mesmo. Mas, 2010 está sendo o ano do cinema juvenil aqui no Brasil. Tanto “As Melhores Coisas do Mundo” quanto “Os Famosos e os Duendes da Morte” e “Antes que o Mundo Acabe” são bons trabalhos sobre o tema.

    Vinícius, mesmo que não seja o melhor filme da diretora, tem bom resultado.

    Cleber, está longe de ser um filme marcante, mas tem atrativos!

    Samuel, é o filme menos interessante da Bodanzky, mas ainda assim bom.

    Wally, a minha situação era exatamente a contrária: eu esperava MUITO mais do filme e terminei um pouco decepcionado =/

    Pedro, o meu favorito desses filmes de adolescentes é “Os Famosos e os Duendes da Morte”.

    Mayara, os brasileiros estão aprendendo a trabalhar com esse gênero…

    Bárbara, eu vi o trailer de “Desenrola” e acho que será bem bobinho…

    Othon, ele é péssimo!

  2. É um filme bacana mas nada de excepcional né. Vi no cinema um que sairá nos próximos meses: Desenrola. Pela prévia parece que serão abordados os mesmos temas mas não parece ser muito bom.

  3. Gosto do trabalho da Laís. Esse é mais um bom filme dela. Mas nessa incrível levada de filmes sobre a adolescência, recomendo Morro do Céu, do Spolidoro, quando entrar em cartaz – vi no circuito de festivais.

    Abs!!!

  4. Ah, eu achei mais que apenas entretenimento agradável. Fui completamente surpreso pelo filme, do qual eu esperava ser uma bomba. Muito sensível, muito maduro e bem comovente.

  5. Pela sua crítica, acho que foi generoso na nota final do filme. É superficial, com atuações regulares… Tem Fiuk, e é apenas um “entretenimento agradável”…

    É, Bodansky que me perdoe dessa vez, mas acho que vou passar esse filme

    • EU ASSISTI MAIS SE EU NAO TIVESSE ASSISTIDO DIRIA O MESMO PORQUE É UMA CHATISSE

  6. Parece ser um filme um tanto diferenciado dentro da produção nacional, o que por si só já é um motivo para ver. Como gosto dos filmes da Bodanzky tenho boa expectativa para esse!

  7. Tô com muita vontade de conferir este filme. É tão raro a gente ver uma comédia juvenil, no Brasil, que tem mais acertos que erros…

  8. Não assisti a esse filme e estou muito curioso por ser um filme de Laís Bodanzky,diretora pela qual admiro muitíssimo.
    Mas tem seus contras né porque aturar Fiuk é só pra masoquista !

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