Os Famosos e os Duendes da Morte

Direção: Esmir Filho

Elenco: Henrique Larré, Ismael Canepelle, Tuane Eggers, Samuel Reginatto, Áurea Baptista, Adriana Seiffert

Brasil, 2009, Drama, 95 minutos, 14 anos

Sinopse: Um garoto (Henrique Larré) de dezesseis anos, fã de Bob Dylan, acessa o mundo através da Internet, enquanto vê seus dias passarem em uma pequena cidade alemã no interior do Rio Grande do Sul. A chegada de uma figura estranha na cidade traz lembranças do passado e o leva para um mundo além da realidade.

Em uma de suas divagações pela internet (que consistem na ação de escrever em um blog de autoria própria ou de conversar com amigos pelo messenger), o protagonista de Os Famosos e os Duendes da Morte proclama: “Longe é o lugar onde a gente pode viver de verdade (…) Estar perto não é físico”. O menino não gosta do lugar onde vive. Ele não se sente próximo do mundo que lhe foi imposto pela vida e muito menos das pessoas que nele habitam. O “Tambourine Man” vive um mundo paralelo, onde exerga esperança e alternativa na vida virtual.

Acompanhar cada ação do protagonista é mergulhar num mar de angústias. Poucas foram as vezes (e, para falar bem a verdade, não me ocorre nenhum exemplo agora) em que o cinema conseguiu retratar tão bem o universo dos adolescentes reclusos e impossibilitados de viver a juventude da forma que tanto anseiam. Os Famosos e os Duendes da Morte vai penetrar na pele daqueles que moram em um lugar isolado… Muito mais: vai atingir de forma contundente aqueles que sentem que não pertecem ao mundo à sua volta, aqueles que enxergam a felicidade como algo quase inalcançável e aqueles que acham que tudo poderia mudar se estivesse em um lugar diferente ou com “aquela” pessoa ao lado.

Falar que a maturidade de Esmir Filho como diretor impressiona é cair no lugar comum. O relevante é que Os Famosos e os Duendes da Morte marca o espectador pelo conjunto geral. Não é só o trabalho atrás das câmeras que traz a singularidade estética e narrativa do filme. Logo, já podemos citar o trabalho exemplar de Henrique Larré como o protagonista. Larré não apenas captou toda a essência dramática do personagem, como também a transmitiu com muita segurança. Podemos notar, em cada olhar e gesto, uma figura verdadeira. Todos os coadjuvantes possuem seus momentos. Mas, ao meu ver, a estrela é Larré – cuja cena que mais me marcou foi aquela em que ele dança e desaba de tristeza nos braços da mãe em uma noite de festa junina.

Algo muito importante a ser considerado é a forma como o filme não se restringiu aos moradores do Rio Grande do Sul. O blogueiro que vos escreve é porto alegrense, portanto, seria muito fácil me identificar com os traços riograndenses da projeção. Entretanto, Os Famosos e os Duendes da Morte se livra desse empecilho e realiza uma história não menos que universal.  O roteiro narra cada minuto como se fosse algo que pudesse acontecer em qualquer lugar do planeta. A solidão existe… Não importa em que lugar. O filme, em um balanço geral, é um estudo minucioso sobre as angústias de uma minoria que cada vez perde mais espaço: os adolescentes isolados. Isolados não por vontade própria, mas porque a vida deu esse fardo.

Apesar de tantos méritos, pensei que Os Famosos e os Duendes da Morte iria me atingir não só com sua temática irresistível (que é perfeita para o meu gosto pessoal), mas também como cinema. Não foi exatamente o que aconteceu. O formato, por algumas vezes, não me causou o efeito necessário. O filme perde impacto e força justamente nas cenas em que se propõe a ser figurativo. De certa forma, elas quebram o ritmo da história. Não digo que faltou cinema em Os Famosos e os Duendes da Morte (muito pelo contrário!), mas não foi apresentado o tipo de tratamento narrativo que normalmente me conquista. Se tivesse apostado menos naquelas tomadas filmadas com câmera na mão e em algumas complexidades, talvez tivesse me conquistado por completo. Só faltou isso para eu celebrar não somente a perfeita reflexão do conteúdo do filme, mas também a estrutura e o formato.

FILME: 8.5


6 comentários em “Os Famosos e os Duendes da Morte

  1. Eu gostei do filme. Muito bom…
    Ele sabe retratar bem a solidão e a angustia…

    (Se veio outro comentário meu… Ignore, haha)

  2. Desde que li os bons comentários na Mostra, fiquei curiosa para assistir, mas saiu do cinema. Espero que lancem em DVD. rsrs. ;)

  3. Alan, mesma coisa comigo! Fiquei sabendo sobre o filme e já permaneci aguardando com ansiedade.

    Vinicius, é uma pena que esse filme esteja em um circuito tão limitado…

    Robson, e são filmes como “Os Famosos e os Duendes da Morte” que me cativam com o cinema brasileiro!

  4. Acho lindo e cativante esse espaço que o cinema basileiro está assumindo. É gratificante ver que a qualidade aumenta a cada filme e que não mais só a favela e a violência são alvos das câmeras de cinema.

  5. Desde a primeira vez que eu vi este filme fiquei doido pra conferir, só estou esperando estreiar aqui na minha cidade ! xD
    cinemapublico.blogspot.com

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