A Caixa

“There are always consequences.”

Direção: Richard Kelly

Elenco: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella, Deborah Rush, Gillian Jacobs, James Rebhorn, Holmes Osborne

The Box, EUA, 2009, Suspense, 115 minutos, 14 anos

Sinopse: O que você faria se lhe entregassem uma caixa com apenas um botão e que se você o apertasse lhe deixaria milionário mas, ao mesmo tempo, tirasse a vida de alguém que você não conhece? Norma Lewis (Cameron Diaz) é uma professora e o seu marido, Arthur (James Marsden), é um engenheiro da NASA. Eles são um casal com um filho que leva uma vida normal morando no subúrbio. Tudo muda quando um misterioso homem aparece com uma proposta tentadora: a caixa. Norma e Arthur têm 24 horas para fazer a escolha.

Existe uma linha muito tênue nos filmes de Richard Kelly. Uma linha que divide a inteligência da maluquice fora de controle. Em Donnie Darko, Kelly conseguiu transitar com muita habilidade entre seus propósitos e não caiu em armadilhas. Alcançou originalidade sem partir para a confusão excessiva. Em A Caixa, no entanto, ele se perde nas próprias intenções. Na insistente tentativa de querer parecer genial, o diretor perde a mão na vontade de querer surpreender em suas resoluções.

As escolhas erradas já começam na seleção dos atores. Cameron Diaz, totalmente imprópria para o papel (ela passa o filme inteiro choramingando com uma voz irritante e com uma expressão ineficiente) comprova que esse tipo de filme não é o seu forte. Idem para James Marsden, ator raso demais para a dramaticidade que o roteiro tenta – inutilmente – passar em alguns momentos. Ainda temos o coadjuvante Frank Langella, que já se mete em uma roubada logo depois de sua merecidíssima indicação ao Oscar por Frost/Nixon.

A Caixa não é de todo ruim. A história, claro, é instigante e o filme a sustenta de forma satisfatória durante um certo tempo. O grande empecilho é a forma como resolvem tudo. O dilema dos protagonistas (apertar ou não o botão?) já é solucionado antes da metade do filme e o que assistimos depois disso é uma sucessão de enrolações que se misturam com tramas propositalmente confusas (e, como já mencionado antes, com a insistente intenção de parecerem geniais). Aos poucos, Kelly vai se afundando até sair da decepção e estacionar no péssimo. Ao que tudo indica, é um diretor que não passou de uma grande enganação.

FILME: 5.0


 

8 comentários em “A Caixa

  1. Fiz um curta metragem fuleiro usando essa história quando estava no 2 ano do 2 grau. A história é do Hitchcock? Me surpreendi quando vi o trailer mas ali mesmo não tive vontade de ver o filme, parece que eles viajaram mesmo no roteiro.
    E quanto a Cameron Diaz, concordo.

  2. Kamila, eu até tinha me interessado pelo trailer e foi por causa dele que assisti o filme… Mas, infelizmente, me decepcionei bastante.

    Mayara, de certa forma, é!

    Fael, o filme é bem sem noção mesmo!

    Luis Galvão, eu tinha curiosidade em ler o conto… Mas depois do filme, perdi completamente a vontade.

    Alex, eu até notei esse estilo “elegante” e “clássico”, mas é tanta maluquice no filme que não deu pra engolir…

    Fábio, boa análise… Mas como você pode ver pelo meu texto, não consegui enxergar o filme dessa maneira.

  3. É um diálogo íntimo com a ficção pessimista produzida nos anos 70 – basta lembrar Soylent Green, Fuga do Século 23, O Homem de Palha, O Homem Ilustrado, Capricórnio 1, Matadouro 5 e outras obras desta época – que não combina com o público do século XXI.
    Confesso que a salada de frutas do conto, nas mãos do Kelly, me deixou atordoado, e que em certo ponto é raro você assistir um filme que, no final, faça você olhar para a tela meio perdido e perguntar “que porra foi essa afinal?”. As ficções daquela época eram feitas para provocar mais perguntas do que respostas, instigar a “viagem” do espectador, dizer que ele precisa dar seguimento ao argumento.
    Não é para o público de hoje. Não é um grande filme, é falho principalmente por aludir tanta coisa e, de repente, voltar à simplista questão do “apertar ou não apertar”. Fica um gosto de doce tirado da boca, mas é esse o grande atrativo da obra. Até hoje me pergunto se gostei ou não do filme, mas o que mais me intriga é que até hoje o filme me faz raciocinar sobre o que afinal ele levanta.
    Isso, em certo ponto, tem que ser um mérito.

  4. Não acho que Richard Kelly seja uma enganação. Embora ele faça o seu “A Caixa” se perder em meio a passagens fantasiosas (mas que tem lá seus enigmas intrigantes a serem interpretados), a maneira como ele conduz a história é muito elegante e clássica. Em muitos momentos, pensei estar diante de um filme produzido no início da década de 1970. Nostalgia pura!

  5. Eu confesso que li o conto que deu origem ao filme, e é MUITO BOM! Não sei se mudaram o final (mas como você diz que eles resolvem o ‘problema’ logo no começo, já mostra um diferença crucial), e não esperava muito dessa adaptação.

  6. Eu assisti ao trailer deste filme, neste final de semana, e não gostei. Seu texto não me anima em nada para conferir a obra.

Deixar mensagem para Luis Galvão Cancelar resposta