
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Christoph Waltz, Diane Krueger, Daniel Brühl, Mélanie Laurent, Michael Fassbender, Til Schweiger, Eli Roth
Inglourious Basterds, EUA, 2009, Drama, 150 minutos, 18 anos
Sinopse: Nos primeiros anos da ocupação alemã na França, Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) testemunha a execução da sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz). Shosanna consegue escapar e foge para Paris, onde muda de nome e assume a identidade de uma dona de um pequeno cinema. Em outro lugar da Europa, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) orgazina um grupo de soldados judeus americanos para colocar em prática uma vingança. Posteriormente conhecido pelos alemães como os “Os Bastardos”, o grupo de Raine junta-se à atriz alemã e agente secreta Bridget Von Hammersmark (Diane Krueger) em uma missão para eliminar os líderes do Terceiro Reich. E o destino junta todos no mesmo cinema, onde Shosanna tramou um plano de vingança próprio.

Dia desses defendi com unhas e dentes o cinema de Quentin Tarantino. Colegas de trabalho vieram me dizer que Tarantino é um cineasta original, mas que é exagero considerá-lo um dos melhores diretores em atividade. Ora, só o fato de alguém conseguir produzir trabalhos originais, nos dias de hoje, já é o suficiente para elevar tal pessoa a um patamar muito superior. O cinema anda meio escasso de ideias e originais e, através dos anos, Tarantino nunca deixou de transbordar essa qualidade de trazer uma abordagem diferente mesmo que para histórias óbvias.
É o caso de Bastardos Inglórios. Temos aqui um tema já saturado mas que nas mãos do diretor ganha contornos diferenciados. Só que dessa vez Tarantino resolveu mexer com um tema que sempre é abordado de forma acadêmica: o nazismo. Eu, que partilho de certo conservadorismo, não apreciei muito todo o humor satírico ou as tiradas espertas que o diretor colocou nesse assunto. O crítico Robert Roten compartilha dessa ideia e ainda complementa: “Bastardos Inglórios nos ‘ensina’ que a guerra não é um inferno e sim uma diversão“.
Mas, deixando de lado esse detalhe, Bastardos Inglórios tem aspectos muito admiráveis. O primeiro, disparado, é a interpretação de Christoph Waltz. Intimidante e cativante ao mesmo tempo, o ator encontrou o tom perfeito entre a seriedade e o humor, sendo, portanto, o que existe de melhor no filme. Todas as cenas com o ator são maravilhosas – o que só comprova todo o talento desse habilidoso ator que é, merecidamente, considerado o favorito para o Oscar de melhor ator coadjuvante. O resto do elenco, apesar de não ter resultados individuais brilhantes como Waltz, consegue alcançar um excelente resultado. Portanto, os atores são o ponto alto de Bastardos Inglórios.
A trilha sonora, marca registrada dos filmes de Tarantino, mais uma vez aparece imponente, sendo um elemento fundamental para a construção estética do filme. O diretor sempre foi mestre nisso e tal acabamento visual não foge de Bastardos Inglórios, que tem uma estética e uma abordagem narrativa peculiares. E é aí que entra o diferencial do diretor que foi citado no início do texto. Ele transforma qualquer hitória comum em algo diferente.
Pena que tudo isso esteja em um roteiro tão chato. A história começa de forma excepcional, em um diálogo extremamente tenso e a trama termina em uma excepcional sequência que envolve a estreia de um filme. Mas, se no início e no final Bastardos Inglórios é um primor, no resto é pura monotonia. Algumas cenas chegam a ser sonolentas – como aquela em que um grupo de pessoas se reúne em uma taverna, por exemplo. É um descompasso que chega a incomodar. Bastardos Inglórios é um filme de extremos. Quando satisfaz, é excelente. Quando não o faz, é decepcionante.
FILME: 7.0

NA PREMIAÇÃO DO CINEMA E ARGUMENTO:

péssimo ponto de vista. A cena da taverna é uma das melhores do filme, tão boa quanto a do início. As atenções a detalhes, expressões e comportamentos humanos em determinadas situações, o ex soldado alemão sentado do lado de um integrante do comando que ele matou 20 integrantes, e no final tudo indo por água a baixo, a negociação e a surpresa no final com a atriz atirando no soldado, tudo muito bem elaborado. Não há tramas ruins, somente as que o orgulho da nação se encontra com a shosanna são um pouco chatas!
Outra obra-prima, hehehe. Deve figurar junto com o Avatar na minha lista dos melhores do ano!
Pelo menos alguém nesses comentários (Vinnie) conseguiu ver o que existe de ‘filme de arte’ em ‘Avatar’. E, desculpe, meu amigo, mas você sabe que discordo quase que por completo de sua opinião sobre ‘Bastardos Inglórios’. Falei, haha.
Janeb, achei entediante sim, HAHAHAHAHA. Acho que cada um tem sua opinião. É inutil ficar fazendo comentários irônicos querendo me tirar pra desentendido. Existe uma sutil diferença entre o não saber sobre cinema e o ter uma opinião diferente da maioria, my dear =)
Vinnie, apesar de eu gostar bem mais de Tarantino que você, concordo completamente com o teu comentário sobre “Bastardos Inglórios”.
Weiner, acho que o único aspecto extraordinário de “Bastardos Inglórios” é o Christoph Waltz.
Nando, como sempre, sendo um bom entendedor das minhas opiniões…
Cineamador, é sempre bom ver pessoas que concordam comigo… Principalmente quando eu sou um estranho no ninho hahaha E já te linkei por aqui também.
Reinaldo, como eu disse em minha resenha, achei a cena da taverna muito monótona.
Santiago, eu achei que o Tarantino ficou devendo no roteiro dessa vez…
Kamila, e nesse aspecto do Tarantino pegar um tema “batido” e transformar em algo genial eu ainda acho ele mestre. Pena que o filme não tenha me conquistado.
Mayara, depois quero ler sua opinião sobre o filme.
Preciso ver este filme URGENTE!! rsrs. Infelizmente o perdi no cinema por causa da censura. Agora que completo 18 anos, o filme resolve sair do circuito… Agora só no DVD. ;)
“Inglórios Bastardos” é um dos melhores filmes de 2009. Como você bem cita, o longa tem aspectos excelentes, como a performance do Christoph Waltz, a parte técnica e, claro, a direção do Quentin Tarantino. Como você bem disse, ele pega aqui um tema “batido”, mas apresenta uma versão diferente dele, com competência, humor e muito carisma! Uma obra excelente e madura de um dos melhores diretores do cinema atual.
Feliz Natal, Matheus, para você e sua família!
Cara, não achei nada monótono em Bastardos Inglórios, achei tudo incrível, e um diretor amadurecido.
Abraço.
Achei a cena da taverna genial. Pesa contra ela, que as outras duas citadas por vc são mais geniais ainda.
Grande abraço Matheus
Estou adicionando ao Blogroll do Cineamador! Abraços.
Concordo com tudo que você falou! Foi a critica que mais concordei até o momento. Parabens! Abraços…
Essa doeu de verdade Matheus…
Ainda bem que um comentário sempre é somente um comentário. “Bastardos” continua sendo o cinemão que é mesmo depois de ser escanteado pra além de “Avatar”. Ufff, quando enfim o cinema comercial deixa escapar um filme bom de verdade… Tá, deixa pra lá.
Que comentário esse aí em cima, hein? :-) Pelo menos te chamou de My Dear, rs.
Sabe que gostei bastante de “Bastardos Inglórios”, e foi um filme que me conquistou desde o primeiro minuto, mantendo meu interesse até os acontecimentos finais. Me deslumbra a facilidade com que o Tarantino dosa humor e tragédia, sem ser piegas ou engraçadinho. Há um equilíbrio genial.
Outra vertente excepcional está no elenco. Brad Pitt, caricato e engraçado; Laurént, enigmática e manipuladora; Bruhl, sutil, Waltz, asqueroso e cheio de dubiedades. Poderia ficar falando sobre o filme até amanhã, me encantou de verdade – e com certeza disputa minha preferência com “Avatar” e “500 Dias Com Ela” para melhor filme de 2009.
Na verdade eu não me decepcionei com o diretor, e sim mantive uma opinião que já tinha, pois, penso parecido com os teus colegas de trabalho. Considero ele um diretor muito talentoso, que consegue produzir cenas memoráveis mas que normalmente são isoladas em meio a um filme que deixa a desejar em outros aspectos. Kill Bill, por sua vez, é que consegue ser um longa consistente em termos de arte. Mas em Bastardos Inglórios, o diretor volta ao seu velho estilo, conseguindo nos conquistar com cenas magníficas, no início e no fim, como citaste, mas se perdendo em partes do desenrolar. Se em outros longas podia ser com algumas cenas exageradas, aqui é realmente na monotonia de seu roteiro (como a cena chata da taverna) que ele se perde. É um filme a se considerar, mas ainda fico, inclusive, com o próprio Avatar, se formos falar em obras de arte do ano.
Roteiro fraco? A cena do Bar no porão, entediante? Monótono? HAHAHAHHAHAHAHA Não é à toa que você deu uma nota maior para Avatar, que está cheio de cenas movimentadas pra espantar o tédio da garotada. E diálogos maravilhosos (como o da cena na taverna) zero.
Mas o pior mesmo é ter que ler “Bastardos Inglórios nos ‘ensina’ que a guerra não é um inferno e sim uma diversão“. Bastardos Inglórios não é uma lição de moral, é arte, my dear. Sutil diferença.