Duplicidade

Direção: Tony Gilroy

Elenco: Clive Owen, Julia Roberts, Paul Giamatti, Tom Wilkinson

Duplicity, EUA, 2009, Comédia, 120 minutos

Sinopse: CIA e ele do MI6, que deixaram seus antigos empregos para lucrar com a guerra fria existente entre duas corporações rivais. O objetivo de ambos é encontrar a fórmula de um produto, que renderá uma fortuna a quem patenteá-lo antes. Para tanto eles buscam sempre enganar o outro, usando todos os truques possíveis.

Uma pena que Julia Roberts esteja envolvida nesse projeto. Ela vende o filme de forma errada. Quem pensa que Duplicidade vai trazer romance e comédia no estilo dos filmes que deram sucesso para Julia, vai se decepcionar. O longa de Tony Gilroy (um diretor difícil de engolir) não é simples: tem narrativa fragmentada, trama levemente complexa e inúmeras complicações para os personagens na história. Gilroy segue o mesmo estilo de Conduta de Risco e obtem um resultado bem parecido, só que dessa vez com um tom divertido – e até mesmo irônico.

O problema é que Duplicidade demora a engrenar. O enredo só começa a ter momentos de maior significância depois da metade. Até ali, o vai-e-vem narrativo incomoda e os personagens não trazem empatia. Porém, de uma hora pra outra, as coisas melhoram e o espectador pode perceber um roteiro mais dinâmico. O diretor e roteirista Gilroy parece ter se especializado nesse tipo de trama, onde acompanha-se os problemas internos e as falcatruas dentro de grandes empresas. Não é algo que necessariamente me atraia, mas aqui até que tem certo efeito.

Julia, mal fotografada e com a idade já marcando o seu rosto (meu momento Rubens Ewald Filho esse, não?!), Clive Owen, Paul Giamatti e Tom Wilkinson estão regulares. Falta, porém, um maior aprofundamento das figuras, que nunca são bem exploradas. Ora, fica difícil se envolver com personagens que não possuem maiores dimensões. Mais difícil ainda é torcer por eles. Portanto, Duplicidade peca ao não trazer um maior embasamento para as figuras que trabalham em cena. Centrou-se demais na narrativa truncada do que no desenvolvimento dos personagens.

O que se conclui, portanto, é que o filme é dirigido para o público que já conhece Tony Gilroy. Principalmente para aqueles que apreciam o estilo dele. Duplicidade não é nenhuma pérola e muito menos justifica todo o buzz envolvendo o diretor (que, por alguma razão, foi ovacionado por seu trabalho de estreia), mas diverte e tem bons momentos. Especialmente quando funciona, já que consegue alcançar passagens de puro entretenimento.

FILME: 7.5

3

7 comentários em “Duplicidade

  1. Tbm esperava outra coisa desse filme, mas acabei me surpreendendo pela boa qualidade do roteiro, Julia e Clive estão ótimos, muito boa a química entre eles, a história é legal, apesar de meio complexa e realmente o enredo demora a engrenar. nota 7.0!
    Abs! Diego!

  2. Rafael, eu também ainda me irrito com esse estilo do Gilroy de sempre querer soar complexo com os seus diálogos… Talvez seja por causa disso que eu não veja nele o talentoso diretor que muita gente vê.

  3. Matheus, o fime todo parece irritante por essa insistência do Gilroy em sempre soar complexo e com diálogos ágeis e rasteiros como se isso fosse sinal de genialidade. Mas o filme tem aquela atmosfera de sofisticação e perigo aliados. E concordo contigo: Julia Roberts foi uma péssima escolha, até porque acho ela uma atriz limitadíssima, cheia de pose, mas sem expressão dramática. Gosto do resto do elenco, principalmente de Clive Owen.

  4. Kamila, exatamente! A Julia levou o projeto a sério demais… Isso fica visível na atuação dela.

    Vinícius, o problema é que o Gilroy misturou dois estilos que não combinam para o maior público. Ou seja, Conduta de Risco + comédia = fracasso.

    Mayara, a química dos dois funciona de novo =)

  5. A minha curiosidade em torno do filme é conferir se a química entre Julia e Clive rendeu bem como em “Closer” e também se o toques de comédia realmente valeram. ;)

  6. Acho que esse filme não é o melhor do Tony Gilroy, mas também não merecia ser um fracasso de bilheteria. Mas discordo quando à Julia, para mim ela ainda está linda.

  7. Eu concordo com a tua impressão. Todo o projeto parece ter um tom irônico e isso é mostrado tanto pelo roteiro do Tony Gilroy, como pela forma como o longa foi editado, mas a Julia levou o projeto a sério demais – e falei isso no texto que fiz sobre “Duplicidade”. De qualquer maneira, a química dela e do Clive Owen é excelente!!!!

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