
Direção: Oliver Stone
Elenco: Josh Brolin, James Cromwell, Elizabeth Banks, Thandie Newton, Toby Jones, Ellen Burstyn, Jeffrey Wright, Richard Dreyfuss, Ioan Gruffudd
EUA, 2008, Drama, 123 minutos, 12 anos
Sinopse: George W. Bush (Josh Brolin) entra na faculdade seguindo a tradição de seu pai, George Bush (James Cromwell), um influente político. Apelidado de W pelos amigos, ele vive sob a sombra paterna e deseja apenas curtir a vida. Sem rumo definido na carreira, decide entrar para a política ao concorrer para a Câmara dos Representantes pelo Texas, estado onde vivia desde criança. Na campanha conhece Laura (Elizabeth Banks), com quem posteriormente se casa. W perde a disputa, mas se envolve de vez com a política ao ajudar seu pai na campanha presidencial de 1988, o qual sai vitorioso.

“Irregular no tratamento de sua história e em algumas interpretações, W. tem como mérito um excelente Josh Brolin”
Existe um pouco de Jogos do Poder na narrativa de W., o mais novo filme de Oliver Stone. Ambos os longas apostam em um clima satírico para narrar os bastidores da política norte-americana. A diferença é que a produção estrelada por Josh Brolin é sobre uma figura atual para todos nós; atual e também polêmica. Em consequência, o roteiro tenta humanizar George W. Bush, mostrando que ele também é uma pessoa como todos nós: humano e cheio de obstáculos em sua vida. O problema é que, até a metade da história, essa tal humanização é feita de uma maneira muito incorreta: o clima satírico (também expresso em uma trilha sonora meio cômica) não coincide com o que estamos vendo em tela. Ou seja, vemos um problemático George W. Bush com um péssimo relacionamento com o pai e lidando com problemas de alcoolismo enquanto tudo isso é embalado por um tom desnecessariamente excêntrico.
Contudo, a partir do momento em que mostra a subida de Bush no poder – quando ele resolve se candidatar para a presidência dos Estados Unidos – o filme começa a se recuperar dos pequenos desastres estruturais do primeiro ato. Ainda assim é pouco e W. acaba sem muita graça, deixando a sensação de que o longa não cumpriu a sua missão. Primeiro porque o diretor Oliver Stone não faz nada além de mostrar a vida do personagem. Fica neutro em suas opiniões e longe das polêmicas do governo do presidente. E segundo porque a vida pessoal dele não tem nada de interessante. O roteiro é até bem construído – excetuando o que já foi citado sobre o tratamento da narrativa – e não chega a ser muito falho. O que acontece é a falta de assunto, já que em alguns momentos ficamos vários minutos em uma única tomada com os personagens discutindo a guerra do Iraque, por exemplo.
A boa notícia é que W. não chega a ser um filme ruim. É aquela típica situação em que simplesmente o resultado não superou as expectativas. Mas se existe algo que deve ser reconhecido no produto final é o desempenho de Josh Brolin – essa sim a aparição mais notável dele ano passado e não Milk – A Voz da Igualdade. Ele realmente ficou parecido com Bush. Entretanto, o mais importante de tudo não é o visual em si, mas a caracterização que ele fez: condizente e sem exageros. O total oposto dele em cena é Thandie Newton, completamente infeliz em sua aparição. Sim, parece que estamos vendo Condoleeza Rice em cena, mas não passa disso. Newton é uma completa figurante que não faz nada além de acenar a cabeça com uma cara de retardada (desculpem-me o radicalismo) concordando com o que os outros personagens dizem. Deplorável.
No mais, W. é um longa-metragem competente, especialmente no que se diz a respeito das imagens documentais, que se misturam com grande habilidade com aquelas filmadas pelos atores. O diretor Oliver Stone foi novamente criticado por sua direção – pela terceira vez consecutiva depois dos fracassos chamados Alexandre e As Torres Gêmeas (que não são necessariamente ruins). Não é nada alarmante. Stone pode até fazer um trabalho bem óbvio atrás das câmeras, mas o que importa é que não chega a comprometer o resultado. Mas é pouco para um diretor como ele. W., portanto, encontra o seu principal empecilho no roteiro neutro. É exatamente isso que rebaixa o longa a uma cotação de apenas mediano.
FILME: 6.5

Acho que é consenso por aqui que só o Josh Brolin vale a pena em “W.” e que ele também é o motivo pela qual as pessoas querem assistir o longa…
Não adianta… não consigo sentir vontade de ver esse filme, não mesmo!
Odiei este filme, em todos os aspectos. Nem mesmo Josh Brolin conseguiu me convencer, já que sua atuação foi horrorosa. Talvez Ellen Burstyn seja a única coisa que realmente preste neste “W”.
Nota:2,0 (o pior filme do ano!!!)
Abraço!
Não tenho muito interesse por este filme, por ser uma cinebiografia de Bush. Mas vejo, talvez, por causa do elenco envolvido. ;)
A sua foi, até agora, a melhor opinião que li sobre “W.”.
Não desperto interesse nesse filme, nem um pouco. Talvez por conhecer pouco o trabalho de Oliver Stone…
É estranho ver que Oliver Stone não escolheu um lado e entregou uma obra aparentemente sem alma.
Pretendo assistir ainda, apesar de tudo gosto do tema.
Abraço
Apesar dos comentários pouco animadores sobre a mais nova polêmica de Oliver Stone, quero muito ver esse filme!!
Droga. Escrevi um monte, mas deu erro e o comentário sumiu… Vou resumir: não assistiria esse filme nem pela interpretação do Brolin. A era Bush foi tão horrível que não tenho a menor vontade de revivê-la, mesmo sendo no cinema.
Outra: a incoerência que você diz haver na primeira parte do filme me soa como produção tão desajeitada quanto às trapalhadas absurdas do Bush.
Acho que você foi muito bonzinho com a nota…
Acho que só pretendo ver esse longa pelos elogios ao Josh Brolin, pois mesmo quem não gostou tanto do filme (como você) aprova o desempenho do ator.