Opinião – A escolha de Francesca

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Atenção! Se você não assistiu ao filme “As Pontes de Madison”, não continue! O texto possui spoilers.

Francesca (Meryl Streep, indicada ao Oscar por seu desempenho) tem uma vida correta para a sua época. Ela é uma dona-de-casa em uma fazenda no condado de Madison e mora com seu marido (Jim Haynie) e seus dois filhos. (Christopher Kroon e Sarah Kathryn Schmitt). A princípio, ela tem uma vida satisfatória, onde seu cotidiano se resume em cuidar da casa e de suas famílias. É o ideal de felicidade para os anos 60. Um dia, a família parte para um concurso de novilhos em uma outra cidade e Francesca fica em casa. Pareciam ser quatro dias solitários, mas eis que um fotógrafo da National Geographic, Robert Kincaid (Clint Eastwood), bate à sua porta pedindo por informação. Ele quer fotografar as pontes do condado, mas não está se situando. Francesca se oferece para ajudar o fotógrafo, mostrando-lhe as pontes das redondezas.

Eles passam a tarde juntos, trocando algumas opiniões e fotografando paisagens. Contudo, ambos marcam um jantar – já que ambos estão sozinhos. E é nessa noite que tudo muda. As simples conversas passam a se transformar em íntimas confissões, relatos sentimentais e outras tantos diálogos sobre sonhos e amor. Surgem confidências. Surge uma música. Surge uma dança. E ambos se beijam. A partir daí, Frances e Robert estão apaixonados. Ela, uma mulher presa a uma vida já definida. Ele, um homem livre que está disposto a fazer qualquer coisa. O principal mérito do roteiro de As Pontes de Madison, escrito por Richard LaGravanese (diretor de longas como Escritores da Liberdade e P.S. Eu Te Amo), é conferir muita humanidade aos dois. Não estamos assistindo um amor à primeira vista ou muito menos uma atração física. Robert e Francesca se apaixonaram pelos verdadeiros seres humanos que existem em cada um deles.

Tudo muito romântico e verossímil, dotado de belos diálogos que são pontuados por uma inesquecível Meryl Streep e um surpreendente Clint Eastwood – no papel mais diferente de toda a sua carreira. Entretanto, chega um momento decisivo para ambos. O marido e os filhos de Francesca estão voltando e Robert tem que ir embora. Agora ela tem uma difícil escolha: permanecer em Madison com as pessoas com quem construiu a sua vida até agora ou sair a viajar pelo mundo com Robert, uma intensa e verdadeira paixão? A jornada de escolha da personagem é extremamente dolorosa. Ela tem a oportunidade de viver o grande amor da sua vida. Mas, para isso, ela terá que abandonar o seu lar e as pessoas com quem sempre viveu. Nos extras do dvd, o escritor LaGravanese disse que a maioria das pessoas com menos de 30 anos radicalmente condenam a escolha que ela toma no filme – a de permanecer com sua família. Já a maioria das pessoas acima de 30 anos, afirmam que sua decisão foi correta.

É uma indecisão mortal, já que é extremamente difícil se colocar na posição da protagonista. O problema é que o roteiro não faz da família de Francesca um conjunto de pessoas que a fazem infeliz. Eles são boas pessoas, que se contentam com o banal. Ela é a diferente. Ela quer paixão, sentimento, algo diferente do que vive e que teve a oportunidade de provar a sensação quando conheceu Robert. Colocando-me na posição dela, eu teria feito o mesmo que ela fez, acredito. Dá pra se levar de base o que Francesca diz para Robert, que sua família não iria aguentar a dor, a vergonha, a fofoca que a sua decisão de fugir iria causar. Principalmente em uma época conservadora como aquela. E uma frase do filme exemplifica bem isso: “Robert, você não entende. Quando uma mulher toma a decisão de se casar e ter filhos… Por um lado a sua vida começa. E por outro lado a sua vida termina“. Mas, é claro, que eu não posso negar que não ficaria com vonde de abrir a porta daquele carro e sair correndo no meio da chuva. Afinal, esse tipo de certeza só aparece uma vez na vida. Ainda assim, eu faria o mesmo que ela fez. Por mais doloroso que seja.

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E você? Acha que Francesca deveria ter fugido com Robert ou ela estava certa em ficar em Madison com sua família? Dê a sua opinião! =)

ps: e a minha querida Susan Sarandon que me perdoe, mas aquele Oscar era todo da Meryl Streep!

Os visitantes do Cinema e Argumento concordaram com a escolha de Francesca. Abaixo, o resultado da enquete:

Francesca deveria…

ter ficado com sua família. 65% (15 votes)

ter fugido com Robert. 35% (8 votes)

17 comentários em “Opinião – A escolha de Francesca

  1. Amoooo esse filme, já assisti pelo menos “quatrocentas” vezes…Penso com clareza que a escolha de Francesca foi sensata, e como ela bem disse no filme e a titulo de nossas experiências de vida é bem verdade que essa fulminante paixão iria se ofuscar e ela se perderia de si mesmo. A bem da verdade é certo que uma boa parte de nós NÂO estamos com quem realmente queríamos estar…

    • Meu filme preferido.. assisti tantas vezes…e para a época, foi a melhor escolha ..pois como ela disse ..o que eles tiveram, se perderia e seria visto, apenas como algo sórdido. Filme belíssimo de uma sensibilidade incrível….quantas “Francesas” circulam por aí nos dias d e hj….

  2. Alex, eu não disse que a Sharon Stone não marca presença. Falei que Streep e Sarandon marcam muito mais que ela, ao menos pra mim…

  3. Matheus, e desde quando Sharon Stone não marca presença o suficiente em “Cassino”. Eu discordo dessa coisa sobre ela ser indicada como coadjuvante. Afinal, muitos dos acontecimentos do filme se desenvolvem por causa da sua Ginger. Além do mais, há muitas sequências onde é a atriz o centro da situação, e não necessariamente sempre Robert De Niro ou Joe Pesci. Ao menos o Globo de Ouro, uma premiação por vezes demente, foi capaz de ser mais justa, consagrando a atriz.

  4. Louis, tenho na lembrança uma cena em que Francesca diz algo como “Robert, nós dois sabemos que, a partir do momento em que fugirmos, tudo vai desmoronar”. Acho que essa frase define bem o que ela sentia naquele momento. Justifica a escolha dela.

    Shaun, acho que levo muito em consideração o fato de ela viver numa época conservadora. Se tivesse acontecido atualmente, acho que ela poderia sim ter fugido. Tanto, que no final, ela até incentiva os filhos a fazer tudo o que puderem para alcançar a felicidade.

    Vinícius, nós ficamos na torcida para que ela fuja, mas acho que o filme não teria metade da graça se ela tivesse ido embora com ele…

    Wally
    , é uma situação complicada. Independente da escolha dela, ela seria egoísta em ambas as decisões. Ao ficar, foi egoísta com Robert. Se fugisse, seria egoísta com a família.

    Rafael
    , eu também acho válida a decisão dela, mesmo que tenha sofrido muito.

    Kamila, o seu comentário resume perfeitamente o meu sentimento em relação a escolha da Francesca.

    Weiner, esse é o filme mais emocionante e verdadeiro de toda a carreira do Clint Eastwood!

    Alex, se a Sharon Stone concorresse como coadjuvante eu até concordava. Mas como “atriz” a Streep e a Sarandon tinham muito mais presença nos seus respectivos filmes.

    Robson, o filme é maravilhoso. E acho que justamente pelo fato de ela não ter fugido!

    Mayara, esse também é um dos fatores pela qual ela foi certa em ficar.

    Pedro, filmaço mesmo!

    • Excelente os argumentos de vocês.
      Amoooo cada detalhe desse filme.

  5. Eu acho que ela deveria ter fugido com o Clintão véio! Mas, via de regra, é uma decisão complicada. Filmaço!

    Abs!

  6. Excelente Texto! E acho que ela fez a escolha certa, por já ter planejado sua vida e ter uma família. Achei que foi só uma aventura e que estava entediada, rsrs. Mas adoro o filme, mais um excelente trabalho de Clint. ;)

  7. É uma complicada decisão, mas eu ainda acho que ela devia ter ‘fugido’ com ele… ha ha ha, a gente torce e num torce, fica feliz e alegre pelo casal. É um excelente filme!

    P.s.: Adorei essa sua sessão!

  8. Faço a minha as palavras da Kamila, mas peraê! “ps: e a minha querida Susan Sarandon que me perdoe, mas aquele Oscar era todo da Meryl Streep!” Coitadas! Aquele Oscar era da Sharon Stone!

  9. Acho que a Francesca representa um pouco de cada dona de casa do mundo, mulheres que se devotam ao marido e aos filhos, e, mesmo assaltadas por um romance, permanecem cumprindo suas funções. Este filme é extraordinário, o melhor da carreira de Eastwood, e o desfecho não podia ser mais brilhante. Então, eu concordo com a escolha de Francesca.
    Abraços!

  10. Olha, eu concordo com você que ela deveria ter mesmo ficado com a família. Por mais lindo que seja o romance que ela teve com o personagem do Clint Eastwood, temos que analisar a situação da Francesca de acordo com a época em que ela vivia. E deixar a família de lado, naquela época, era uma coisa complicada. Não é só isso. É deixar o certo pelo incerto, o amor do marido e dos filhos que estão ali para ela, para viver uma aventura com um fotógrafo nômade…. A Francesca pode ter sido infeliz, ou não, quem sabe. Mas, ela teve aquela lembrança do romance para sempre – e é isso que importa, pelo menos, para mim…

  11. Não sou muito de decidir o que determinado personagem deve fazer nos filmes, quais atitudes tomar, porque temos personalidades e visões de mundo às vezes bem diferentes. Mas do jeito que acontece no filme, acho bastante válida a decisão dela, além de que traz um sentimento de tristeza enorme. Mas me abstenho em votar!

  12. Acho que o filme me encantou tanto justamente por essa decisão dela ao final, por isso mesmo acho que deixaria do mesmo jeito.

  13. E ae cara. Antes de tudo só quero falar que curti pra caramba essa sua temática no blog de falar sobre acontecimentos chaves de bons filmes. Foge do comum.

    Bom, eu entendo os motivos que levaram a Francesca a permanecer em casa, já que ela tinha uma família já formada e além do conservadorismo da época ela gostava da sua família e não os queria ver sofrendo.

    Mas… acredito que o certo era ela ter ido embora com o veio Clint, pois acho que a pessoa deve ter o direito de mudar a sua vida, não importa como, nem pq. Claro, ela deveria no minimo ter uma conversa séria com a família, mesmo que eles não fossem entender, muito menos aprovar.

    Se a felicidade dela estaria no ato de ir embora… ela deveria ter ido.

    Vlw!

  14. Acho que ela fez bem em ficar com a família. Primeiro porque o amor de mãe pelos filhos ultrapassa qualquer outro. Segundo porque como ela mesmo diz no seu diário, o que ela e o Robert tiveram foi especial justamente por durar pouco – se tivesse ido com ele, havia o risco de todo aquele amor não durar e acabar com a bela memória que ele deixou. E aliás, aquela cena da Francesca na camionete com o marido, com a mão na maçaneta, decidindo se vai com Robert ou não é uma das coisas mais impressionantes que eu já vi da Meryl. Abraço!

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