Vicky Cristina Barcelona

Direção: Woody Allen

Elenco: Javier Bardem, Scarlett Johansson, Rebeca Hall, Penélope Cruz, Patricia Clarkson, Chris Messina.

EUA/Espanha, 2008, Comédia, 96 minutos, 14 anos.

Sinopse: Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlet Johansson) são grandes amigas que estão em férias em Barcelona. Vicky procura ser sensata em relação ao amor e está noiva, enquanto que Cristina sempre busca uma nova paixão que possa virar sua cabeça. Um dia, em uma galeria de arte, elas conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um atraente pintor que teve um relacionamento problemático com sua ex, Maria Elena (Penélope Cruz). Ainda naquela noite, durante o jantar, Juan Antonio se aproxima da mesa em que Vicky e Cristina estão, fazendo-lhes a proposta de com ele viajar para Oviedo. Vicky inicialmente a rejeita, mas Cristina aceita de imediato e consegue convencer a amiga a acompanhá-la. É o início do relacionamento conturbado de ambas com Juan Antonio.

Repetindo uma estrutura já conhecida pelo seu público, Woody Allen mais uma vez consegue um resultado positivo justamente por causa isso. Os créditos não são só dele, uma vez que o elenco alcança notável qualidade em sua química.”

Woody Allen é o diretor que tem a carreira mais vasta quando estamos falando de filmes sobre relacionamentos. É a traição em Match Point, as desavenças familiares em O Sonho de Cassandra, o amor inesquecível em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e a relação entre amantes de idades diferentes em Manhattan. Depois de certo tempo se falar abertamente sobre paixão, o excêntrico de óculos volta a tocar no assunto com Vicky Cristina Barcelona, rodado na bela Espanha. Mesmo quem não gosta do país deve admitir que as locações deram um tom muito especial para a história, que cria um notável clima iluminado para abranger a ciranda de amores que o filme apresenta. Não é a clichê Paris (exaustivamente explorada em filmes desse tipo), é um lugar mais interessante cinematograficamente falando.

No geral, Vicky Cristina Barcelona é mais um filme típico de Woody Allen. Desde o já conhecido estilo dos créditos de abertura até os diálogos cheios de citações inteligentes. Portanto, existem os prós e os contras quando digo que esse é mais um longa comum do diretor. Ao mesmo tempo em que temos um elenco totalmente em sintonia (algo muito decorrente na história de Allen), temos também a simples estrutura que ele imprime em suas histórias. Nada de muito novo, tudo muito simples e que já vimos antes. O tipo de longa que adivinharíamos de quem é mesmo sem sabermos o nome do diretor. Vicky Cristina Barcelona, define-se então como um filme pequeno e singelo, carente de características mais impressionantes.

Mesmo que seja uma produção simples num todo, tem a habilidade de conquistar a cada minuto. Quando não acerta no balanceamento das histórias (é fácil ver algumas ligeiras monotonias quando o roteiro muda de uma história que estava particularmente interessante para outra mais sem graça), tem o feito de contornar seus problemas com as atuações. Cada um tem sua característica em particular. Javier Bardem é tudo aquilo que as mulheres querem e que os homens gostariam de ser – inteligente, sedutor e meticuloso com suas atitudes. Scarlett Johansson é a beleza em pessoa. Rebeca Hall é a confusão de problemas, mas também a emocionalmente sedutora. A princípio somos apresentados a esses três personagens que formam uma química muito apropriada para esse estilo de filme. Até que a figura de Penélope Cruz entra em cena, conseguindo ser o ponto alto de Vicky Cristina Barcelona. É uma pena que ela demore a aparecer em cena e tenha participação limitada, mas ela literalmente rouba a cena em cada minuto. É de se constatar que Penélope parece ter melhorado exponencialmente sua carreira depois de Volver.

Vicky Cristina Barcelona quer mostrar que nem sempre os relacionamentos dão certo, mesmo aqueles que parecem ser certos (e, talvez, principalmente esses). Woody Allen já disse isso em diversos filmes e em diversas linguagens. Aqui não tem nada diferente. Mas o longa deixa uma lembrança bem carinhosa. Talvez pelas belas paisagens de Barcelona ou pela maravilhosa química entre os atores.  Vicky Cristina Barcelona vai causar muitas risadas, ainda que não seja uma história de relacionamentos bem sucedidos. O principal de tudo, afinal, é que o filme segue justamente aquilo que a personagem de Penélope Cruz diz: “Os relacionamentos não realizados são sempre mais românticos”. E por falar de histórias assim, Allen mais uma vez acertou.

FILME: 8.0

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14 comentários em “Vicky Cristina Barcelona

  1. Pingback: Vicky Cristina Barcelona: amor na era da “descartabilidade”

  2. Vicky Cristina Barcelona é um filme leve, rodado em uma cidade muito interessante e com atores igualmente interessantes (fugindo bastante do padrão de beleza hollywoodiano).
    O filme seria medíocre sem a participação de Penélope Cruz. A importância do idioma na interpretação de Maria Elena é fundamental! As explosões em espanhol são extremamente interessantes.
    Apesar de pequena, sua atuação faz o filme valer a pena!

  3. Pingback: Mais do Mesmo … Mas Com Diferenças. | :: MovieYou - A Crítica Democratizada ::

  4. Adorei o filme. É puro Woody Allen, inteligente, ágil e divertido. O elenco não poderia estar mais afinado. Penélope Cruz e Javier Bardem dão uma lição de interpretação. É um filme com diálogos rápidos e inteligentes. Enfim, um ótimo entretenimento.

  5. Penelope Cruz é hoje uma das minhas atrizes preferidas, fico muito feliz ao ver que o fato dela voltar à suas raízes tem ajudado bastante para ela confirmar que é realmente talentosa.

  6. Parece ser daquele típo de filme irresistível do Woody. Só elenco já valeria a pena. Quero muito ver. =D

    Ciao!

  7. Eu adorei o filme. Muito agradável, o roteiro está excelente, como sempre. Eu adoro as obras do Woody Allen, sou meio suspeito para comentar alguma coisa, apesar de ter achado Scoop um dos piores filmes que ele já fez. No entanto, Vicky Cristina Barcelona é puro Woody Allen: excelentes tiradas, muito humor e diálogos inteligentes…

    abraço!

  8. Mais um texto que me deixa com muita vontade de conferir este filme, pena que ainda não estreou em minha cidade….

  9. Achei a melhor comedia de Allen em dez anos. Acho o roteiro muito bem amarrado na forma como encaixa todos os personagens na trama de gente desesperada para encontrar o ingrediente que falta para a vida perfeita, incluindo o casal que hospeda Vicky e Cristina em Barcelona. Cruz é realmente o ponto alto do filme e é impressionante como ela só sabe atuar falando em espanhol: seus trabalhos nos filmes americanos são horriveis, em geral.

    Abraços!

  10. Mesmo singelo, é um programa a não se perder, para os fãs de cinema.
    Cruz vem se revelando cada vez mais capaz, e como Woody faz mágica com suas atrizes, ela deve estar mesmo ótima.
    Espero ver em DVD, pois nos cinemas aqui dificilmente passará.

    Cumps.

  11. O filme conseguiu ser muito agradável, o que já é um feito e tanto. E o elenco teve uma química muito boa e a Penélope Cruz esteve fantástica desde sua aparição até sua última cena.

  12. Woody Allen nunca foi um diretor muito popular…
    Apesar de eu não simpatizar com o diretor (Não me pergunte por que), ele é responsável por inegáveis ótimos filmes. “O sonho de Cassandra” nem parece que é de Allen, por seguir um gênero não comum dele. “Vicky Cristina Barcelona” me parece mais um filme mediano em sua filmografia, confesso que não tenho muita curiosidade de assistir.

    Abraço!

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