Filmes em DVD

Adeus, Lenin!, de Wolfang Becker (revisto)

Com Daniel Brühl, Katrin Saas e Maria Simon

Precisei rever esse longa alemão pra confirmar se eu tinha gostado tanto dele de verdade, já que eu o assisti há muito tempo atrás e apenas uma vez. E tudo se confirmou – continuo apaixonado pelo filme, que é a minha produção estrangeira favorita. Achei estranho a Academia não ter se lembrado nele na respectiva categoria, já que é um filme muito bem produzido e com uma dramaticidade sempre competente. Político, engraçado, crítico e emotivo, Adeus, Lenin! prima por conseguir unir todas essas características de forma harmoniosa. A bela trilha de Yann Tiersen (que também fez a de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) e a montagem original conferem ao filme alemão um ar de competência que poucos estrangeiros conseguem. Talvez eu o superestime, mas Adeus, Lenin! é um dos meus filmes “de coração”.

FILME: 9.0

Interiores, de Woody Allen

Com Diane Keaton, Geraldine Page e Mary Beth Hurt

Não sou fã de carteirinha do Woody Allen. Suas comédias são boas e seus dramas também, mas sinceramente acho que todos eles possuem a mesma estrutura. Foi só de uns tempos pra cá, com Match Point e O Sonho de Cassandra, que ele alterou o seu estilo. Interiores é o primeiro trabalho do senhor excêntrico de óculos que me conquistou completamente – talvez isso seja pelo fato de que esse tipo de histórias sobre famílias cheias de feridas escondidas me agrade bastante. Mas não creio que tenha sido somente por isso – o longa é muito bem escrito (o mais introspectivo e denso já realizado por Allen), dando dimensões instigantes para cada personagem. O elenco dá um show a parte, em especial Diane Keaton e Mary Beth Hurt, como as irmãs que competem o tempo inteiro para ver quem é a melhor na vida. Interiores é o meu filme favorito de Woody, um drama simples mas que aos poucos vai entrando na mente e hipnotizando com suas temáticas realistas. Recebeu cinco merecidas indicações ao Oscar e é um verdadeiro marco na carreira do diretor. Pena que não seja conhecido.

FILME: 8.5

O Casamento de Muriel, de P.J. Hogan

Com Toni Collette, Rachel Griffiths e Daniel Lapaine

Pra quem desconhece o longa, O Casamento de Muriel pode parecer uma variação de O Casamento do Meu Melhor Amigo só que menor, uma vez que também é dirigido por P.J. Hogan. O fato é que um filme não tem nada a ver com o outro. Enquanto o que é estrelado por Julia Roberts foi um hit romântico, O Casamento de Muriel é um drama sobre pessoas isoladas e insatisfeitas, que anseiam por coisas boas na vida. Toni Collette realiza um trabalho excepcional como a triste Muriel do título e apresenta o melhor trabalho de sua filmografia. Quem também merece destaque é a coadjuvante Rachel Griffiths, já demonstrando muito talento antes de sua indicação ao Oscar de coadjuvante por Hilary & Jackie. As músicas do ABBA servem como pano de fundo para essa história de mudanças e sobre a força que existe dentro de cada um de nós.

FILME: 8.5


Um Amor Verdadeiro, de Carl Franklin (revisto)

Com Renée Zellweger, Meryl Streep e William Hurt

Se não fosse pelo competente elenco, Um Amor Verdadeiro seria uma produção qualquer sobre alguém que tem câncer e que passa os últimos dias da vida ao lado da família. O roteiro não foge dos habituais clichês do gênero (pessoas brigadas fazendo as pazes nesse momento difícil e lições de vida são alguns exemplos), mas a dupla Renée Zellweger e Meryl Streep validam uma espiada nesse filme que é bastante sincero e consegue até mesmo emocionar. Streep conseguiu uma duvidosa indicação ao Oscar de protagonista; duvidosa porque claramente é Renée Zellweger o nome principal do filme. Mas a nomeação se deve justamente ao difícil trabalho fisíco que a atriz realizou para dar verossimilhança na situação da personagem. Um pouco esticado demais (não precisava exceder duas horas de duração para narrar uma história tão simples) e óbvio, mas triste e emotivo.

FILME: 8.0

Atração Fatal, de Adrian Lyne

Com Michael Douglas, Glenn Close e Anne Archer

Atração Fatal é um filme que envelheceu com o tempo. Hoje é um filme completamente batido e que tem uma trama clichê. Antes era até ousado para sua época. Tentei fugir um pouco desses “clichês” da história adquiridos com o tempo e tentar aproveitar o que o longa de Adrian Lyne tinha para me oferecer. Confesso que gostei do resultado e fiquei até tenso com esse guilty pleasure. Deixando de lado a tensão da simples a história, a verdadeira força de Atração Fatal se situa nas atuações do elenco. Michael Douglas está em um de seus melhores momentos, mas é ofuscado pela marcante Glenn Close, naquele típico ótimo papel de uma mulher que enlouquece cada vez mais com o desenrolar dos fatos. Atração Fatal recebeu seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme (!). Se você for capaz de entrar no túnel do tempo e voltar para a época que o filme foi exibido, o resultado é satisfatório.

FILME: 7.0

Uma Rua Chamada Pecado, de Elia Kazan

Com Vivien Leigh, Marlon Brando e Kim Hunter

Sou fã incondicional de Vivien Leigh, mesmo que Uma Rua Chamada Pecado tenha sido apenas o segundo film que assisto com ela. Impressionante como ela consegue atuar com notável tranqüilidade e excelência, transmitindo verossimilhança a todo momento. Esse seu primeiro trabalho antes do grandioso sucesso de E O Vento Levou é ótimo e Vivien é a que mais se destaca no longa, mesmo competindo com o galã Marlon Brando (o único que não levou o Oscar por sua atuação, já que os outros três membros do elenco – Kim Hunter, Vivien Leigh e Karl Malden – sairam vitoriosos). O longa, na realidade, não tem nada de sensual como o título indica; aliás, é bem recatado. Uma Rua Chamada Pecado se torna um retrato sobre a moralidade, centrando-se na figura de Vivien Leigh, interpretando uma mulher que, à primeira vista, é pura e querida, mas que esconde um passado pecaminoso e uma alma dissimulada. A direção de Elia Kazan não segura o ritmo, tornando o filme em uma experiência pouco marcante e sem maiores momentos.

FILME: 7.0

14 comentários em “Filmes em DVD

  1. Kamila, eu também adorei o desempenho da Glenn Close, mas eu ainda prefiro sua fabulosa performance em “Ligações Perigosas”. Quanto a Vivien Leigh, não acho sua atuação deslocada e sim sua personagem.

    Louis, “Um Amor Verdadeiro” não teria muita emoção se não fosse pela presença da Meryl Streep. A Rachel mais uma vez tem ótima aparição no cinema; não algo como “Hilary & Jackie”, mas certamente competente. Pena que nunca se deu bem no mundo cinematográfico.

    Vinícius, “Adeus, Lênin!” fica melhor em uma revisão.

    Mateus, comece pelo filme de Wolfang Becker =D

    Red Dust
    , ao contrário de você acho o trabalho de Tiersen melhor em “Adeus, Lênin!” do que em “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”.

    Pedro, ainda bem que a minha recomendação vingou haha.

    Wally, quem sabe na próxima lista você tenha visto alguns hahaha.

    Lucas, “Atração Fatal” é COMPLETAMENTE Supercine!

    Ibertson, de Adrian Lyne só vi “Atração Fatal” e “Infidelidade”, que são filmes até bem parecidos em sua estrutura.

    Marcio, “Interiores” é um dos dramas mais consistentes que já vi, e o melhor trabalho do Woody Allen.

    Hélio, o PJ Hogan realmente parecia um sujeito ótimo para comédias românticas e é uma pena que ele tenha sumido.

    Gustavo
    , “Adeus, Lênin!” é belíssimo sim :D

  2. Dessa lista eu só assisti Adeus Lenin e Uma Rua Chamada Pecado (Nota 7? achei baixa…)

    Adeus Lenin é belissimo, fiquei com vontade de reve-lo.

    Abraço

    Gustavo Madruga

    PS: Cine Ôba Voltou!!!

  3. Eita, todos filmes que vi ha tanto tempo que pouco lembro. Com exceção de Adeus Lenin, um filme que acho bem legal, mas nao a maravilha que muita gente acha, e Interiores, unico aí da lista que eu nao vi (o que é uma falha enorme, ja que Woody Allen é um dos meus cineastas favoritos).

    De todos, lembro com carinho do Casamento de Muriel. O PJ Hogan parecia um cineasta interessante para comedias romanticas, uma pena que sumiu…

    Abraços!

  4. “Interiores” é um dos melhores filmes que já vi, mas é notória a cópia (ou homenagem) a Ingmar Bergman, principalmente em “Gritos e Sussurros” e “Sonata de Outono” (que aliás, também aparece em outro bom trabalho de Allen “A Outra”).

  5. Adeus, Lênin é um excelente filme mesmo. Adorei quando o vi em uma mostra de cinema que ocorreu aqui na cidade.

    Os outros eu não vi, mas quero ver O Casamento de Muriel e Uma Rua Chamada Pecado. Sem contar Interiores do Woody Allen. Do Adrian Lyne eu não me interesso tanto em assistir esse, mas consegui recentemente o filme Alucinações do Passado dele e parece ser muito interessante.

  6. Adeus, Lênin é ótimo.
    Acho Atração Fatal uma ótima entrada para conhecer Glenn Close, mas é um filme bem supercine.

  7. Você podia é parar de assistir filme que eu não vi. Humpf.

    Adeus, Lênin é excelente mesmo! Nota 8,5 [****]

    Ciao!

  8. ADEUS, LÊNIN! é o único que eu vi dessa lista, Matheus. No entanto, acho que vi o melhor da lista. Decide alugar o filme quando vi ele na tua lista e gostei muito.

    Abraço!

  9. Destaco ‘Adeus Lenine’. Um argumento delicioso, que aglutina diversos géneros de forma perspicaz. Claro que a banda sonora de Yann Tiersen é fundamental. A música não é tão luminosa como a de ‘Amélie’, é diferente, mas também um nectar para os ouvidos.

    8/10.

    Abraço.

  10. Nossa, eu tô mal em?! Não vi nenhum desses filmes, apenas ouvi falar. Vou dar uma procurada nos mais interessantes.

    Bom final de semana.
    Abraço
    Mateus

  11. Dessa vez só vi três filmes de sua seleção:

    ADEUS, LÊNIN! [9.0 ou 5/5] Esse eu acho excelente também, sem dúvida um dos melhores ‘estrangeiros’ que já vi. Aliás, acho que preciso rever também, faz um certo tempo desde conferi essa pequena obra-prima.

    UM VERDADEIRO AMOR [7.5 ou 3/5] Apesar de frustrar em alguns momentos nos quais recorre a clichês típicos desse estilo de trama, convence pelo elenco acima da médio. Melhor desempenho da Zellweger e que merecia um reconhecimento no Oscar – muito mais que a Streep, inclusive.

    ATRAÇÃO FATAL [8.0 ou 4/5] Sem dúvida envelheceu muito, mas ainda é ótimo ver a Glenn Close num dos melhores momentos de sua carreira.

  12. Muitos filmes bons. De cara, amo Adeus Lênin! Um Amor Verdadeiro me emocionou, graças à sempre formidável Meryl. Casamento de Muriel eu revi há um tempo e achei um barato (ver a Rachel pré-Brenda Chenoweth, então, impagável!). Atração Fatal é excelente, com Glenn Close matando a pau! E Uma Rua Chamada Pecado eu acho extraordinário!

  13. Comentando os filmes que vi:

    ADEUS, LÊNIN: Me lembro que você postou aqui que este era um de seus filmes favoritos. Eu gosto desta obra, mas não tanto quanto você! :-)

    UM AMOR VERDADEIRO: Este filme funciona por causa da atuação da Meryl Streep. Renée Zellweger também está muito bem como a filha que abandona sua vida para cuidar da mãe doente.

    ATRAÇÃO FATAL: Eu acho que este filme faz um verdadeiro serviço de utilidade pública ao mostrar para os homens o que acontece quando eles decidem trair suas esposas. :-)

    Brincadeiras à parte, acho a atuação de Glenn Close neste filme maravilhosa! A cena dela na banheira é uma prova da enormidade do talento dela.

    UMA RUA CHAMADA PECADO: Gosto muito dos filmes do Elia Kazan, mas acho que este filme tem um pequeno problema. Sempre achei a atuação de Vivien Leigh um tanto deslocada das outras.

    Bom final de semana!

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