Apenas Uma Vez

Direção: John Carney

Elenco: Glen Hansard, Marketa Irglova, Hugh Walsh, Geoff Minogue, Bill Hodnett, Mal Whyte

Once, Irlanda, 2007, Drama, 85 minutos, 12 anos.

Sinopse: Dublin, Irlanda. Um músico de rua (Glen Hansard) sente-se inseguro para apresentar suas próprias canções. Um dia ele encontra uma jovem mãe (Markéta Inglová), que tenta ainda se encontrar na cidade. Logo eles se aproximam e, ao reconhecer o talento um do outro, começam a ajudar-se mutuamente para que seus sonhos se tornem realidade.

O longa irlandês “Apenas Uma Vez” é o velho samba de uma nota só, onde praticamente não temos clímax e a história não tem variações. Porém, é toda a humildade e sinceridade de Glen Hansard e Marketa Irglova, em uma química perfeita, que transformam o filme em uma experiência prazerosa.”

Junto com Juno, A Família Savage e outros tantos filmes, Apenas Uma Vez reforçou a potência do cinema independente no mundo de Hollywood. Da safra desses filmes, sem dúvida é a produção mais precária técnicamente (a câmera treme constantemente, a fotografia é péssima e a montagem nada agradável), sendo que as grandes limitações do orçamento (que ficou em torno de 150 mil dólares) ficam completamente visíveis na tela. Mas assim como em outros longas filmados nessas circunstâncias (alguém se lembra da precariedade de Do Jeito Que Ela É), ele não deve ser julgado por isso.  Toda a força de Apenas Uma Vez reside nos protagonistas Glen Hansard e Marketa Irglova. Eles estão impecáveis em todas as suas funçoes – cantores encantadores e ótimos atores. A química entre ambos é absurdamente perfeita e consegue comandar o ritmo do longa sem nenhum problema. Outro ponto muito forte de Apenas Uma Vez são as suas belas canções, todas escritas por Glen e Marketa especialmente para o longa. Claro que a mais marcante é Falling Slowly, que venceu o Oscar desse ano de melhor canção original e pontua dois momentos importantes e emotivos da história, mas ainda temos outras memoráveis. Fallen From The Sky, If You Want Me e When Your Mind’s Made Up são apenas outros exemplos da excelência da ótima trilha sonora.

Do ponto de vista musical, Apenas Uma Vez é um longa maravilhoso, mas do cinematográfico nem tanto. Deixando de lado a precariedade, temos uma história não muito interessante. As atuações de Glen e Marketa e as músicas é que “disfarçam” a falta de um roteiro. Pouquíssima coisa acontece, não temos clímax e faltam conflitos (o relacionamento dos dois com seus respectivos parceiros fica muito vago). Com isso, no final das contas, o filme de John Carney acaba se tornando um samba de uma nota só. Mas se o roteiro tem esses problemas, devemos ficar gratos por termos duas competentes pessoas cobrindo esses defeitos. O filme é puramente dos protagonistas, que transformaram Apenas Uma Vez em uma história muito sincera e emocionante em seu desfecho. O carisma de ambos basta para que o filme mereça ser conferido. Apesar de eu não acreditar que eles devam seguir carreira no mundo cinematográfico (é mais provável que prossigam no meio musical), o longa já fez o justo trabalho de divulgá-los. Porque afinal, são eles que têm todos os créditos positivos do longa.

FILME: 8.0

35

12 comentários em “Apenas Uma Vez

  1. Ainda não vi esse filme, mas um filem que muito me agrada e é um filme bem simples, como foi dito levado pela emoção dos personagens é “Vida que segue”, sem fazer comparações já que não vi esse mas me fes lembrar esse filme que particularmanete adorei…

  2. Rodrigo, o filme merece ser visto sim!

    Louis, acho que eu teria gostado mais do filme se ele não se baseasse apenas na química dos atores e nas músicas para compôr o seu resultado.

    Vinícius, eu relevei esse detalhe sim. Tanto que fui levado pelos pontos positivos do longa.

    Ibertson, é ótimo sim!

    Robson, ele é ótimo por causa dos atores e das músicas. E não é tão curioso um filme não ter clímas e variações e ser ótimo. Ao menos eu acho =P

    Kamila, concordamos em nossos comentários. E volto a repetir aquilo que disse para o Vinícius, eu relevei a “pobreza” técnica do longa. =)

    Alex
    , excelente comentário e ponto de vista!

    Vinicius , vou procurar ver “Cidade Tranqüila”.

    Wally, acho que você vai gostar do filme.

    Pedro, não achei o filme cativante. Mas emocionante com certeza.

  3. Esse filme é a maior surpresa do ano até agora. Ótimas canções e uma dupla afinada. História simples e objetiva, porém cativante e emocionante.

  4. Assim que der sinal de vida aqui verei. Estou querendo vê-lo. Gosto de tramas simples movidas por sentimento.

    Ciao!

  5. Matheus, recomendo para você “Cidade Tranquila”, que reforça mais ainda esse espirito independente que você se refere no início do texto. E, na verdade, incluir “Juno” nessa lista é uma precipitação, visto que o filme passa longe de ser independente. Na verdade, a mídia deturpou o que se chama de cinema alternativo exatamente com o lançamento de “Juno” . Eles já tinham feito algo parecido quando “Pequenas Miss Sunshine” foi lançado e isso foi reforçado com “Juno”. Porém, não vou reclamar. Acredito que é até uma forma de enaltecer esse espírito que você fala.

    Porém, tente assistir “Cidade Tranquila”. Ele é, como mesmo mencionou, “precário tecnicamente”, mas se segura nos seus atores, na sua música, na sua despretensiosidade.

    abraços, boa semana

  6. Matheus, parece que é mesmo o cinema independente aquele capaz de atingir os nossos sentimentos. E confesso que, apesar de ser um recurso do qual ninguém está acostumado em ver na tela, gosto bastante de filmes rodados em sistema digital. Ao contrário de você, não acho, por exemplo, que seja precária a produção de “Do Jeito Que Ela É”. De certa forma, filmes como este de Peter Hedges dão uma naturalidade e realismo impressionante nas interpretações e na ação, além de ser perceptível a dedicação de cada pessoa responsável pelo filme, algo que os milhões investidos em qualquer outra produção só atingem com um esforço maior.

  7. Concordo com o Vinícius. Temos que relevar a “pobre” qualidade técnica do filme por causa do baixo orçamento. O problema é que estamos muito mal acostumados com os filmes independentes bem feitos. Na sua essência, essas obras são iguais a este “Apenas Uma Vez”.

    De qualquer maneira, concordo com você que o filme se sustenta por causa da química entre Glen Hansard e Marketa Irglova e das músicas que nascem do encontro dos dois.

  8. É estranho que um filme que não tenha clímax e variações, como você falou, tenha uma nota tão boa e se mostre tão agradável. Fiquei curioso.

  9. Matheus, sei que o filme não transparece suas qualidades técnicas, mas é preciso relevar isso quando olhamos esse pequeno orçamento – portanto não diria que nada da parte técnica é péssimo, especialmente a fotografia. Também adorei as canções.

  10. Achei o filme formidável. Simples, mas sensível, tocante, emocionante, bem atuado e com uma trilha sonora maravilhosa! A+

  11. Matheus nada que vc me disser sobre esse filme aqui no seu blog vai tirar minha ansiedade em assisti-lo…rs… nem as falhas que vc aponta depois de ve-lo…
    pela sua nota e pelo destaque dos pontos altos, parece que estou certo de que verei um ótimo filme…
    abraços!!!

Deixar mensagem para Rodrigo Fernandes Cancelar resposta