Traídos Pelo Destino

Direção: Terry George

Elenco: Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Jennifer Connelly, Mira Sorvino, Elle Faning.

Reservation Road, EUA, 2007, Drama, 100 minutos, 14 anos.

Sinopse: Ethan (Joaquin Phoenix) e Grace Learner (Jennifer Connelly) estão voltando para casa com seus filhos, Josh (Sean Curley) e Emma (Elle Fanning). Antes de entrar no carro Josh pegou alguns vaga-lumes e os prendeu em um pote. Já durante a viagem de retorno ele pergunta à mãe se pode ficar com eles, com ela respondendo que seria melhor soltá-los pois caso contrário morreriam. A família faz uma parada durante a viagem, onde Josh aproveita para saltar do carro para soltar os vaga-lumes. Simultaneamente Dwight Arno (Mark Ruffalo), um advogado divorciado, está voltando para casa com seu filho, Lucas (Eddie Alderson), após assistirem ao vivo uma partida do Red Sox. Dwight perde a direção do carro por um instante e atropela Josh, sem parar para socorrê-lo. Ethan vê o carro e seu condutor em um relance, mas corre para socorrer o filho. O garoto morre, o que faz com que Ethan desenvolva uma obsessão em encontrar e punir o culpado. Como a polícia não consegue encontrá-lo Ethan decide procurar uma empresa de advogados, sendo encaminhado para ser auxiliado por Dwight.

“Apoiado completamente no elenco que possui, Traídos Pelo Desejo é um filme “clássico” sobre uma perda trágica – baseado em choros, silêncios e angústias. Ainda que não trabalhe essa temática de forma nada original ou mais instigante, consegue segurar as rédeas de forma competente, sem nunca se perder.”

A dor de uma perda é impossível de ser descrita com palavras. Mais dramática ainda é aquela dor relacionada a uma perda trágica onde existe um grande culpado. Esse assunto já rendeu inúmeros filmes no mundo de Hollywood, e é difícil achar algum cinéfilo de carteirinha que não goste de ao menos alguma produção com essa temática. Esse Traídos Pelo Desejo não traz nada de novo e se parece mais com aqueles filmes dramáticos que passam de madrugada na TV. O diferencial, no entanto, é o seu elenco – chamou a atenção por conta dos nomes poderosos e foi cotadíssimo para as premiações desse ano. Talvez por não ter satsifeito as expectativas é que foi ignorado e injustamente massacrado por público e crítica. Contudo, eu gostaria de fazer defesa ao filme; devo confessar que a originalidade dele é zero e que assisti mais do mesmo, mas ao menos a produção é realizada de forma competente e consegue manter um bom nível de dramaticidade para esse tipo de história.

Quando Dwight (Mark Ruffalo) provoca um trágico acidente envolvendo o filho de Josh (Joaquin) e Grace (Jennifer Connelly) na Reservation Road, ele foge do local sem dar assistência à família. A partir daí, acompanhamos paralelamente duas histórias. A primeira é a angústia de Dwight por não ter ajudado quando deveria e agora carregar um enorme peso de culpa nas costas, ao mesmo tempo em que tenta escapar de uma possível investigação policial. O personagem poderia cair no lugar-comum, mas é a intepretação de Mark Ruffalo (por sinal, é o terceiro filme consecutivo em que ele me agrada muito – os anteriores foram Conte Comigo e Zodíaco) que dá o tom perfeito para a dramaticidade de Dwight. O ator é o que mais se destaca, apresentando a melhor interpretação do elenco. A segunda história é a do casal que teve o filho envolvido no acidente. Tentado processar a dor de sua perda, eles procuram aceitar tudo e procurar o culpado pela desgraça para fazer com que ele pague por seu erro. Enquanto a mãe fica em casa lamentando (Jennifer Connelly tem ótimos momentos, apesar do espaço bem reduzido), o pai faz o trabalho que a polília não faz. Joaquin Phoenix está ótimo também, mas parece que lhe faltou um pouco mais de força como protagonista. Gostei bastante do elenco mirim, em especial a Elle Faning (que apareceu anteriormente em Babel), que mostra ser muito mais talentosa e carismática que sua irritante irmã Dakota. Só esperava mais de Mira Sorvino, praticamente uma figurante em cena.

O diretor Terry George, depois de Hotel Ruanda, continua mostrando bom domínio sobre histórias dramáticas e trágicas; seu primeiro filme me agradou justamente por causa desse tom. Apesar de ele conduzir Traídos Pelo Destino de forma limitada e clichê, ao menos não caiu na medíocridade emotiva que é freqüente em histórias como essa. O mesmo pode se dizer do roteiro, que ao menos não tenta se achar intelectual ou mais profundo – trabalha a banalidade de forma competente. O compositor Mark Isham demonstra novamente ter grande talento, produzindo uma ótima trilha sonora. A fotografia nebulosa também ajuda, traduzindo o caminho sombrio pela qual os personagens estão passando. Traídos Pelo Destino mereceu mesmo não ser indicado a nenhum prêmio, mas não é digno de fracasso ou críticas aterradoras. Claro que a estrutura convencional e o clima novelão atrapalha bastante, mas ao menos o filme fica no lugar comum e não traz mais uma bobagem para o hall dessas histórias em Hollywood. Daí vem aquela velha recomendação que faço constantemente: deixe o lado crítico de lado e aproveite.

FILME: 8.0

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8 comentários em “Traídos Pelo Destino

  1. Kamila, acho que a minha nota ficou incoerente com a crítica mesmo =P

    Robson, Joaquin é um excelente ator! Seu trabalho em “Johnny & June” é soberbo. Pena que a fraca Reese roubou todo o brilho dele.

    Pedro, o Mark Ruffalo é o melhor do elenco. Cada vez mais ele vem subindo em meu conceito.

    Wally, assista sem medo. Desde que deixe maior criticismo de lado. Algo que eu sei que você é capaz.

    Rodrigo, é o elenco que vaida a conferida em “Traídos Pelo Destino”, principalmente o Mark Ruffalo.

    Vinícius, também não me emocionei com o filme, mas eu acho que ele trabalha bem a dramaticidade. Não gosto de comparar o filme com “Entre Quatro Paredes” porque aquela cena do Mark Ruffalo com o Joaquin Phoenix foi uma cópia descarada do filme de Todd Field.

    Alex, também acho que uma boa parte do público faz criticismo em excesso em cima de obras que cheiram à Oscar. E “Traídos Pelo Destino” merecia uma segunda chance. E, sim, a participação da Mira Sorvino é bem superficial.

  2. Também adoro “Hotel Ruanda”, um dos dramas mais tocantes e verdadeiros da década. Acredito que muito desse fracasso deste “Reservation Road” é a forma como o público e crítica confunde premiação com qualidade: basta um filme ser lançado, até então com questões que o faziam ser uma obra promissora para muitos prêmios, para que as vaias surjam. Ainda bem que faz meses que não me importo mais com Oscar, Globo de Ouro e toda essa baboseira que tem como único atrativo a nossa torcida para aqueles de quem realmente gostamos. E adoro o elenco do filme, especialmente Mira Sorvino, que infelizmente acabo de ver que deve aparecer pouco.

  3. Não sei, achei tudo muito superficial e em nenhum momento fiquei emocionado com uma situação que supostamente deveria fazer o público cair em lágrimas. Nesse sentido de retratar uma perda e o desejo de “vingança”, prefiro “Entre Quatro Paredes”. De qualquer forma gostei do elenco, sendo do Mark Ruffalo o destaque absoluto.

  4. Curiosidade mais pelo elenco… já vi algumas criticas meio qeu severas sobre ele…
    Matheus, a história pelo menos parece ser interessante e Mark Ruffalo vem tendo ptimos momentos nos ultimos filmes que ele faz…
    abraços!!!

  5. Primeira crítica realmente positiva que leio dele. Me deu novo fôlego para abordá-lo, algo que farei até segunda-feira sem falta.

    Ciao!

  6. Curto o trabalho de Joaquin Phoenix, acho que ele tem muito a oferecer ao cinema. Me interessei bastante pela história em sim, do filme! vou vê-lo!

  7. Matheus, sua nota foi até muito alta para alguém que apontou vários defeitos sérios no filme.

    Eu tinha altas expectativas em relação a este “Traídos Pelo Destino” (até mesmo por causa de todo o Oscar buzz que ele gerou antes de seu lançamento), mas agora (especialmente depois de ler textos nada animadores sobre ele) pretendo seguir seu conselho e assistir ao filme com meu “lado crítico de lado” para que eu possa aproveitá-lo.

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