Relembrando “Wall Street”

Wall Street – Poder e Cobiça se passa no ano de 1985 e conta a história de Bud Fox (Charlie Sheen), um jovem corretor que trabalha no setor de ações e que deseja ter algum tipo de contato profissional com Gordon Gekko (Michael Douglas), um bilionário inescrupuloso. Bud consegue o feito e se torna um discípulo de Gekko. Mas, na medida em que se envolve no mundo do bilionário, o jovem começa a perder a ética e se dedicar a trabalhos que só visam o enriquecimento, independente das consequências.
Para quem não se lembra ou ainda não tem conhecimento, Wall Street – Poder e Cobiça trouxe para Michael Douglas o Oscar de melhor ator. Sem dúvida, apesar da boa atuação de Charlie Sheen (o verdadeiro protagonista), é Michael Douglas quem mais chama a atenção. Com um pleno domínio do personagem, Douglas constrói um Gordon Gekko arrogante e que trabalha sem medir os seus atos, mas que nunca cai na caricatura ou no exagero.
No entanto, é injusto redimir Wall Street apenas ao desempenho de Douglas. O filme não faz muito o meu estilo, mas tem uma excelente condução. O roteiro consegue ser dinâmico e construir tudo de forma muito clara, nunca confundindo o espectador. As questões éticas estão presentes, bem como a boa dimensão psicológica dos personagens. Esse, portanto, é um dos filmes mais importantes da carreira de Oliver Stone, que hoje está preso em uma crise de identidade ao dirigir filmes sem personalidade.
Talvez, seja exatamente por isso que Oliver Stone tenha decidido filmar Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme. Quem sabe se ele retomar uma história marcante de sua carreira não consegue voltar a boa forma? Só isso para explicar o porquê do diretor reviver uma história contada há mais de 20 anos e que não necessitava de uma sequência. Agora, você vai resistir a um elenco que, além de Douglas, traz Carey Mulligan, Frank Langella e Susan Sarandon? O segundo filme chega aos cinemas brasieiros na próxima sexta-feira.
Trilogia “Pânico”

A trilogia Pânico representou uma verdadeira revolução no modo do cinema contemporâneo de fazer filmes de suspense e terror. Não só trouxe a moda de assassinar adolescentes como também virou sensação entre esse público. A repercussão foi tanta que, inclusive, surgiu a famosa série de comédia Todo Mundo em Pânico, que parodiou o filme e tantos outros exemplares famosos do cinema naquela época. Mas, afinal, os longas realmente justificam tanto sucesso?
Se formos levar em consideração apenas o primeiro filme, é fácil dizer por que a história se tornou sensação no ano de lançamento. Muito mais do que um guilty pleasure dos anos 90, Pânico conseguia apostar em suspense e sangue sem nunca partir para o exagero. Tudo era muito harmônico e o desenvolvimento dos personagens também era satisfatório. Os personagens, inclusive, beiram ao caricatural (principalmente a jornalista sedenta por sucesso interpretada por Courteney Cox), mas o roteiro nunca permite que eles sejam prejudicados por isso. Pelo contrário, a caricatura de cada um deles é um alívio narrativo dentro do suspense.
De certo modo, a revelação final de quem era o assassino mascarado não tem tanta relevância quanto o próprio suspense criado durante o filme. É mais divertido acompanhar quem será a próxima vítima ou qual será a próxima cena de tensão do que, de fato, tentar adivinhar quem é o possível responsável por tudo. Pânico, no final das contas, se tornou um filme que, além de cumprir o que promete dentro do gênero, também traz diversão. Algo meio raro de se encontrar nos dias de hoje.
Como todo produto de sucesso, Pânico teve outras duas continuações, uma de 1997 e outra de 2000. As sequências, apesar de igualmente bem realizadas e com propostas quase que sem alterações, já não funcionam tão bem como o primeiro volume. O principal obstáculo é que o roteiro simplesmente tenta reproduzir o que deu certo antes. O mesmo formato e o mesmo desenvolvimento. Ou seja, mais do mesmo e sem novidades. Se é pra ser assim, mais fácil rever o primeiro capítulo da história.
Mas, se todos pensavam que a série tinha terminado no terceiro capítulo, eis que o diretor Wes Craven resolve ressuscitar a história. Com o elenco original de volta e ainda com novos rostos na história como Anna Paquin, Rory Culkin, Adam Brody e Mary McDonnell, Pânico 4 tem sua estreia prevista nos cinemas norte-americanos para abril de 2011. Agora, era mesmo necessário um quarto filme para a série?
As indicações ao Oscar de… Tom Hanks

1989 – MELHOR ATOR
Dustin Hoffman (Rain Man)
Edward James Olmos (Stand and Deliver)
Gene Hackman (Mississipi em Chamas)
Tom Hanks (Quero Ser Grande)
Max Von Sydow (Pelle, o Conquistador)
Conseguindo sua primeira indicação por um tipo de filme que normalmente não é reconhecido pela Academia, Tom Hanks parece ter a simpatia dos votantes. No entanto, ele não tinha chances contra o grande favorito Dustin Hoffman. O veterano ator ganhou sua segunda estatueta por várias razões, entre elas por fazer parte de um filme datadoque fez sucesso entre os prêmios e também por fazer aquele velho tipo de papel de pessoa com problemas mentais que a Academia adora reconhecer. Hanks, portanto, teve que se contentar com uma indicação.

1994 – MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (Em Nome do Pai)
Tom Hanks (Filadélfia)
Liam Neeson (A Lista de Schindler)
Laurence Fishburne (What’s Love Got to do With It)
Anthony Hopkins (Vestígios do Dia)
Nessa que, talvez, seja a interpretação mais completa de sua carreira, Hanks deu um show. Além de Filadélfia ser um filme sobre luta, preconceito e coragem, também consegue ser muito humano no retrato que faz do seu protagonista. Portanto, prêmio mais do que merecido para uma atuação emblemática e cheia de ótimos momentos – que, claro, são ajudados por um filme muito bem realizado e até emotivo (quem não se emociona na cena final ao som de Philadelphia, do Neil Young?). Os outros concorrentes também tinham nomes de peso, como Anthony Hopkins e Daniel Day-Lewis (esse em desempenho muito competente, mas que tinha contra si o fato de já ter uma estatueta em casa). No páreo ainda tinha Liam Neeson no clássico A Lista de Schindler. No entanto, o ano era de Hanks mesmo.

1995 – MELHOR ATOR
Tom Hanks (Forrest Gump – O Contador de Histórias)
John Travolta (Pulp Fiction – Tempo de Violência)
Morgan Freeman (Um Sonho de Liberdade)
Nigel Hawthorne (As Loucuras do Rei George)
Paul Newman (O Indomável)
Se Tom Hanks perdeu na sua primeira indicação ao Oscar para um vencedor que representava uma pessoa com problemas mentais, foi a vez Hanks ganhar o Oscar com um papel desses. Não sou admirador de Forrest Gump, mas devo reconhecer a ótima composição do ator para o filme. De fato, era o melhor entre os indicados, ainda que rivalizasse com John Travolta em um dos melhores momentos de sua carreira em Pulp Fiction. Morgan Freeman também tinha sua credibilidade, mas deveria ter vencido o prêmio anteriormente por Conduzindo Miss Daisy, onde ele estava impecável ao lado de Jessica Tandy. Mas, em função do buzz em torno do filme e de seu ótimo desempenho, Hanks levou, merecidamente, pela segunda vez.

1999 – MELHOR ATOR
Tom Hanks (O Resgate do Soldado Ryan)
Ian McKellen (Deuses e Monstros)
Roberto Benigni (A Vida é Bela)
Edward Norton (A Outra História Americana)
Nick Nolte (Temporada de Caça)
Ano muito polêmico para a categoria. Tem gente que despreza por completo o prêmio para Roberto Benigni (alguns, inclusive, definem o ator como o Didi italiano), mas A Vida é Bela estava em alta aquele ano e o ator ajudava a construir a emoção desse ótimo filme. Era meio improvável – e até meio exagerado – que Tom Hanks levasse um terceiro Oscar por O Resgate do Soldado Ryan. Principalmente por um trabalho que não merecia tanto reconhecimento. Era mais fácil, por exemplo, Ian McKellen vencer por Deuses e Montros. Mesmo que, na época, muita gente considerasse Hanks como uma forte possibilidade, ao meu ver, ele era carta fora do baralho.

2001 – MELHOR ATOR
Ed Harris (Pollock)
Tom Hanks (Náufrago)
Geoffrey Rush (Contos Proibidos do Marquês de Sade)
Russell Crowe (Gladiador)
Javier Bardem (Antes do Anoitecer)
Não seria nada injusto Tom Hanks receber um prêmio por sua dedicada e notável performance em Náufrago. Contudo, o ano, claramente, pertencia aos atores que ainda não possuiam a estatueta. Se Ed Harris e Geoffrey Rush tinham papéis biográficos, Javier Bardem vinha cheio de vitalidade em Antes do Anoitecer e Russel Crowe estava começando a trilhar seus melhores momentos com Gladiador (ainda assim, seu trabalho em Uma Mente Brilhante é mais interessante). Não tenho um cadidato favorito, mas todos estavam em ótimo momento.
Opinião – A (falta de) polêmica em “Do Começo ao Fim”

Recentemente, comentei que De Repente, Califórnia é um filme gay que foge da responsabilidade de discutir a sua principal temática. Inclusive, disse que a história tinha medo de discutir o relacionamento gay entre os dois personagens. Isso é porque eu ainda não tinha assistido Do Começo ao Fim, que é, possivelmente, a produção mais covarde e sem noção da verdade já realizada sobre a homossexualidade.
O pôster do filme diz que “para entender esse amor é preciso virar o mundo pelo avesso”. Nem os responsáveis pela publicidade se deram conta do que estavam vendendo. Se o pôster diz que o romance entre Francisco (João Gabriel Vasconcellos) e Thomás (Rafael Cardoso) é complicado, não é nada disso que assistimos no filme. Na realidade, é a coisa mais normal do mundo dois irmãos serem gays e namorados. Todo mundo aceita e o preconceito é inexistente no mundo criado pelo diretor e roteirista Aluisio Abranches.
Inclusive, temos uma absurda cena onde a mãe (Júlia Lemmertz, um acerto), quando questionada pelo pai de um dos garotos sobre a intimidade excessiva deles, afirma que ela percebe o que está acontecendo, mas que não pode dizer para eles que “isso” é errado. Realmente, ser homossexual não é errado. Mas, quer dizer, então, que namorar o irmão também não é? E assim seguem outras inúmeras cenas onde os dois irmãos explicitam o relacionamento e ninguém diz absolutamente nada. Para os personagens da história, o relacionamento é perfeitamente normal.
Mais do que isso, Do Começo ao Fim ainda romantiza incansavelmente a história dos dois da forma mais “bonita” possível e parece que nem está tratando de um incesto. Muitas declarações de amor, diálogos bonitinhos e uma melação sem fim. Problemas não existem para os dois – nem entre eles nem para quem está na volta. O maior conflito que existe em todo o filme é que, em certo ponto, os dois precisam morar longe só porque um deles foi selecionado para treinar na Rússia para as próximas Olimpíadas.
Qualquer pessoa com bom senso não vai levar a sério o mundo fantasioso apresentado em Do Começo ao Fim. Nada daquilo existe. Peço desculpas para quem discorda. Mas, num país onde o preconceito ainda existe, é impossível uma situação tão delicada como aquela ser tratada por tanta gente com a naturalidade mostrada. Talvez, Aluisio Abranches tenha percebido que não tinha capacidade para lidar com um tema tão perigoso e difícil. Assim, resolveu apelar para o comercial, mas descambou para o erro.
Comercial no sentido de que o filme é vendido em função de sua temática promissora/polêmica e apela para muitas cenas de nudez entre os atores (que, claro, foram escolhidos com o propósito de serem atraentes e causarem alvoroço com o público-alvo) e para um romance idealizado e açucarado. Ou seja, sacanagem para quem curte e romance sonhador para quem é sentimental. As cenas de nudez, inclusive chegam a doer de tão constrangedoras. Quando não existe uma pavorosa trilha de fundo (os brasileiros continuam sem saber usar direito esse setor), então aparece uma cafona cena de tango onde os dois atores dançam sem roupa alguma. É lamentável.
No final das contas, Do Começo ao Fim criou uma grande polêmica antes de seu lançamento e não cumpriu nem um milésimo da promessa que foi cultivada. É de se lamentar, portanto, que os dois atores e Júlia Lemmertz – todos bem enquadrados em seus respectivos papéis e funcionando dentro do possível – tenham parado em um filme tão mal resolvido e covarde como esse. Um filme cafona, cheio de problemas narrativos e fora da realidade. É a legítima situação de uma obra que poderia ter causado alguma revolução mas se perdeu dentro de alguns ideais. Ou não teria sido na falta deles?
Conheça o “Sala de Cinema”

O projeto do “Sala de Cinema” já existia desde o ano passado. Quando entrei na faculdade de jornalismo e fiquei sabendo que era possível gravar programas na rádio da instituição, logo tive o desejo de fazer um programa sobre a sétima arte. Como eu ainda não era familiarizado com o cotidiano de rádio, não coloquei meu plano em prática. Agora, no terceiro semestre de faculdade, que é dedicado ao rádio, entrei de cabeça no projeto. Eu e meu colega cinéfilo Luan Pires criamos o “Sala de Cinema”, um programa semanal com notícias, comentários sobre estreias da semana e filmes em dvd, além de músicas e dicas de outros cinéfilos.
O “Sala de Cinema” já está na sua décima edição. Resolvi divulgar só agora aqui no blog porque procurei mostrá-lo quando ele já estivesse estável na programação da webradio da faculdade. O programa dessa semana foge do formato habitual do programa e traz um bate-papo com a professora e jornalista Laura Glüer. O tema da troca de ideias é o jornalismo no cinema. Aqui, podem ser conferidos comentários sobre filmes como Leões e Cordeiros, Frost/Nixon, Boa Noite e Boa Sorte, A Rainha, entre outros. Para ouvir, basta clicar aqui. No player disponível abaixo da arte do programa, você confere a edição dessa semana. Para ouvir outras edições, basta clicar em “Ouvir os programas anteriores”. Conto com a audiência de vocês. Dúvidas e sugestões? Basta comentar aqui ou lá mesmo!