Cinema e Argumento

Filmes em DVD

O Ultimato Bourne, de Paul Greengrass (revisto)

Com Matt Damon, David Strathairn e Joan Allen

Esse foi considerado por mim o melhor longa do ano passado e somente agora tive a oportunidade de rever essa maravilhosa produção que é um dos melhores filmes de ação dessa geração (se não o melhor). A entrada do competente diretor Paul Greengrass (merecidamente indicado ao Oscar por Vôo United 93) na série foi um grande acerto e aqui no desfecho da trilogia ele realiza mais um marcante trabalho na cadeira de diretor. Mas não é só ele – o setor técnico do filme é impecável, desde a ótima trilha de John Powell até a frenética fotografia. O formato de O Ultimato Bourne desagrada muita gente, mas até os membros da Academia se renderam a tal qualidade, dando merecidas três estatuetas para o filme. Outro ponto que merece nota é a participação do sempre competente David Strathairn, que fez belos momentos com a fixa Joan Allen (uma figura constante em excelência nos filmes de Bourne) e roubou a cena. Encerrando de forma empolgante ao som de uma nova versão de Extreme Ways, de Moby, O Ultimato Bourne é uma aula de como se fazer um filme de ação.

FILME: 9.5

Contos Proibidos do Marquês de Sade (revisto)

Com Geoffrey Rush, Kate Winslet e Joaquin Phoenix

Ainda estou para entender a implicância de tanta gente com esse instigante drama de época que foge dos típicos padrões apresentados nesse tipo de história. Alguns reclamam do teor sexual da história, outros da caricatura do Geoffrey Rush; já eu acho Contos Proibidos do Marquês de Sade muito bem conduzido e cheio de grandes pontos a serem considerados. Começando, claro, pelo fabuloso elenco. Rush, indicado ao Oscar, criou um personagem bem enigmático que desperta diversos tipos de sensação. Mas ele está longe de ser a única estrela do filme – fiquei bastante satisfeito com o Joaquin Phoenix, que está em um momento bem inspirado de sua carreira. Kate Winslet e Michael Caine estão corretos e satisfatórios. A fotografia escura e a direção de arte exaltam o mundo sujo e cheio de corrupções em que a história acontece, dando um retrato bem realista da insanidade. O longa perde pontos em sua resolução, onde fica histérico demais.

FILME: 8.0

Quebra de Confiança, de Billy Ray

Com Ryan Phillippe, Laura Linney e Chris Cooper

Um filme de investigação envolvendo o FBI que não apela para tiros, momentos finais exagerados ou gente malvada criando planos mirabolantes. Esse é o mérito de Quebra de Confiança: ser um excelente exemplar do gênero sem utilizar aquelas típicas bobagens que encontramos no gênero. Fico resistente com a escolha de Ryan Phillippe para interpretar o protagonista – o tempo não fez bem a ele, que não tem mais nenhum carisma para sustentar um longa sozinho. Sorte que temos Laura Linney e Chris Cooper no elenco, atores fantásticos e que realizam trabalhos excelentes nesse longa. A princípio não se sabe quem é mocinho ou quem é bandido na história, e o roteiro faz questão com que o espectador veja os dois lados da moeda de cada ser humano. Utilizando uma estrutura bem banal mas que estranhamente funciona de maneira bem efetiva, mantendo o interesse necessário, Quebra de Confiança é uma ótima surpresa que merece ser conferida.

FILME: 8.0

Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg

Com Richard Dreyfuss, Melinda Dillon e Teri Garr

Contatos Imediatos do Terceiro Grau é aquele tipo de filme que sempre vai ser atual, já que a questão de vida extraterrestre está longe de ser resolvida. Por mais que esse tema já tenha sido tão explorado pelo cinema (e muito satirizado inclusive) e isso prejudique a visão de um cinéfilo mais novo em relação a esse longa de 1977, é impossível ficar indiferente com a grande qualidade da produção e principalmente com a seriadade que o tema é tratado. Possui, sem dúvida, ao menos duas cenas inesquecíveis – a primeira é quando uma dona de casa vê o seu filho sendo levado pelas “luzes” que atacam sua casa (essa, a cena mais arrepiante) e o desfecho memorável. Steven Spielberg comanda de forma habilidosa, visto que está no típico gênero de filme em que tem talento de sobra. Contatos Imediatos do Terceiro Grau dá uma derrapada depois de sua metade, onde perde boa parte do suspense que apresentou em seu começo. Todavia, retoma suas qualidades em seus momentos finais. O valor cinematográfico do filme é maior do que o filme em si. Deve ter intrigado e marcado muita gente na sua época.

FILME: 8.0

A Cor Púrpura, de Steven Spielberg

Com Whoopi Goldberg, Danny Glover e Oprah Winfrey

Muitos veneram essa consagrada produção (nada menos que 11 indicações para o Oscar) e se emocionam bastante com a história cheia de sofrimento e desgraça da protagonista. Eu não consegui entrar na onda e acabei ficando só com pena da pobre coitada da personagem da Whoopi Goldberg, a única do longa que consegue passar algum tipo de simpatia. Todos os outros personagens são tipos detestáveis e que me desmotivavam a continuar acompanhando a história. A Cor Púrpura é um filme que demora a engrenar (só começa mesmo a criar conflitos interessantes depois de transcorrida uma hora de projeção) e quando finalmente consegue cativar, já está se aproximando do final. É um filme esperançoso e com uma bonita mensagem que é passada de forma verossímil pela excelente Whoopi. Contudo, é a direção sem personalidade de Steven Spielberg – que está visualmente fora de seu habitual terreno cinematográfico – que prejudica o resultado. Se tivessemos uma mão dramática mais efetiva, certamente tudo seria mais amplo.

FILME: 7.0

Paranóia, de D.J. Caruso

Com Shia LaBeouf, Carrie Anne-Moss e David Morse

Um suspense tolo e que não deve ser levado a sério, justamente como outro filme do diretor D.J. Caruso: o guilty pleasure chamado Roubando Vidas, com Angelina Jolie. Mas esse perde na qualidade em relação ao filme com Jolie simplesmente por ser dirigido ao público teen, utilizando-se de situações sobre garotas gostosas e adolescentes rebeldes. O suspense é idiota e a resolução mais previsível impossível. Contudo, é aquele tipo de longa que dá pra se assistir tranqüilamente quando o senso crítico é deixado de lado. Paranóia se sustenta no carisma de Shia LaBeouf, que já havia demostrado ser um bom protagonista no péssimo Transformers e aqui tem maiores chances de demonstrar seu talento. Uma diversão para um público mais jovem.

FILME: 6.5

A Pessoa é Para o Que Nasce, de Roberto Berliner

Com Maria, Regina e Conceição

Maria, Regina e Conceição são as três famosas cegas que empolgam com suas canções nas ruas do nordeste. Depois de aparecerem na TV e em alguns festivais, o diretor Roberto Berliner decidiu falar sobre elas nesse documentário A Pessoa é Para o Que Nasce. Eu pensei que o filme ia fazer uma abordagem mais pessoal das três mulheres e relatar as dificuldas que elas sofreram na vida até conseguirem o reconhecimento popular. Não foi o que eu vi. O passado delas foi mostrado de forma muito tímida e o foco foi praticamente todo em cima da música que elas fazem e o que isso traz para as suas vidas. Claro que isso era fundamental, mas não deveria ter sido tão destacado – tanto, que em certos momentos o filme parece apenas uma narração dos diversos shows que elas fizeram. Perde-se muito tempo com esses momentos e não se humaniza direito as figuras que enxergamos na tela. Porém, quando isso acontece, o longa acerta em cheio. O resultado, no entanto, é irregular e cansativo.

FILME: 6.0

Filmes em DVD

Um Sonho Sem Limite, de Gus Van Sant

Com Nicole Kidman, Matt Dilon e Joaquin Phoenix

Mais um trabalho correto demais do irregular Gus Van Sant na cadeira de direção (mas não sem personalidade como Gênio Indomável), cuja inércia é totalmente compensada por seu impecável elenco, todos em seus devidos lugares. No entanto, é Nicole Kidman quem comanda o espetáculo, em uma de suas melhores interpretações no cinema. Injustamente lembrada apenas pelo Globo de Ouro (onde venceu na categoria de melhor atriz), Kidman mescla muito bem a inocência e ambição de uma personagem difícil, mas que no desenrolar do longa metragem vai conquistando o espectador. Um Sonho Sem Limite é aquele tipo de filme que começa pelo final-catástrofe e que utiliza disso para manter a atenção do espectador, que fica preso até o fim para saber como tudo se sucedeu. Nada de brilhante, mas muito bem produzido e atuado.

FILME: 8.0

Touro Indomável, de Martin Scorsese

Com Robert De Niro, Joe Pesci e Cathy Moriarty

Muita gente considera esse filme a obra-prima do superestimado diretor Martin Scorsese. Eu ainda prefiro o excelente Taxi Driver. Mas, ainda assim, Touro Indomável é um dos melhores exemplares da carreira do diretor. Mesmo que eu continue implicando com alguns tiques do diretor, fui bastante envolvido nessa produção que tem como principal destaque a transformação física que o ator Robert De Niro sofreu para viver o protagonista, que por sinal é um personagem bem complicado (não dá pra se identificar com ele), mas que De Niro conseguiu conduzir com maestria. Tal excelência lhe rendeu um Oscar de melhor ator. Outro destaque é a bela coadjuvante Cathy Moriarty e a impressionante montagem (também premiada com o troféu da Academia).

FILME: 8.0

A Felicidade Não Se Compra, de Frank Capra

Com James Stewart, Dona Reed e Lionel Barrymore

Nos dias de hoje, mensagens de paz e que “a vida é bela” já não funcionam mais como antigamente. Contudo, se você ainda conseguir entrar nesse espírito feliz, é bem provável que você aprove completamente o resultado de A Felicidade Não Se Compra – obra cheia de inocência e muito pura em suas intenções. É exatamente aí que reside o charme da obra de Frank Capra, que apresenta uma sociedade que já não existe mais. O grande ato do filme se concentra apenas no final, onde o protagonista vai participar de uma viagem de aprendizado que mudará sua vida, mas durante todo o roteiro o filme se equilibra entre boas atuações e uma história muito bem narrada. Cinema antigo e de qualidade.

FILME: 8.0

Dança Com Lobos, de Kevin Costner

Com Kevin Costner, Graham Greene e Mary McDonnell

Superestimado? Sem dúvida alguma. O filme não merecia metade do reconhecimento que teve, mas ainda assim é extremamente competente e agradável. Lembra muito a trilogia literário O Tempo e o Vento de Érico Veríssimo aqui do Sul, onde duas raças passam a conviver juntas e aprendem muito sobre a vida compartilhada. É louvável a dedicação de Kevin Costner, que teve momentos brilhantes de direção no longa – a cena, por exemplo, onde ele persegue uma manada de búfalos é surpreendente – e que cria um épico interessantíssimo. Pena que Dança Com Lobos tenha sido vítima daquelas louvações em exagero da Academia. Nada mais é que uma história bem feita e com ótimos momentos. Mas nada digno de tanto sucesso.

FILME: 8.0

Mentiras Sinceras, de Julian Fellowes (revisto)

Com Tom Wilkinson, Emily Watson e Rupert Everett

Não entendo a tamanha implicância com esse longa que, apesar de não ser nem metade do que poderia ser, é até bem produzido. A força do longa, claro, reside nos desempenhos de Tom Wilkinson e Emily Watson. Ele competente sempre e ela eficiente como de hábito. A história de traição é meio improvável, principalmente porque fica difícil acreditar nas atitudes dos personagens. Contudo, por alguma razão misteriosa, o filme me conquista com seu charme ingês de fazer cinema e não me desagrada. Falho? Com certeza. Mas nem por isso ruim.

FILME: 7.5

Doutor Jivago, de David Lean

Com Omar Sharif, Julie Christie e Geraldine Chaplin

Esse filme tem uma legião de admiradores e é encaixado em diversas listas dos melhores filmes de todos os tempos. Doutor Jivago é um épico grandioso e incrivelmente bem produzido (quem não se impressiona com aquelas paisagens maravilhosas e a fotografia belíssima?), com uma marcante trilha sonora que é impossível esquecer. Porém, ao contrário de outras maravilhosas produções como E O Vento Levou, falta sentimento ao longa, que não se preocupa em criar emoções ou momentos mais contundentes para os personagens. O romance entre Yuri (Omar Shariff, impecável) e Lara (Julie Christie, lindíssima, mas que precisava de um pouco mais de tempo em cena) fica em segundo plano e não tem o devido efeito. Reclamo daqueles habituais defeitos da duração excessiva e da narrativa repetitiva. Mas não nego que há muita coisa a se admirar no filme. Ele só não me atingiu.

FILME: 7.0

As Chaves de Casa, de Gianni Amelio

Com Kim Rossi Stuart, Andrea Rossi e Charlotte Rampling

Alguns filmes de deficientes têm um problema que me incomoda bastante – sempre o enfermo principal é mais esperto, engraçadinho ou inteligente que os outros a sua volta. Foi o caso da Sigourney Weaver em Um Certo Olhar e é o caso de Andrea Rossi nesse As Chaves de Casa. Esse detalhe faz o filme perder um pouco da humanidade que poderia ter, uma vez que nos emocionamos mais com os coadjuvantes do que com o próprio protagonista. Esse longa italiano foi elogiado por conta de sua humanidade, mas eu não vi nada de muito novo que já não tenha sido mostrado antes. Na realidade, As Chaves de Casa é um retrato meio que didático de pessoas com deficiência, limitando-se apenas a narrar as dificuldades de um tratamento para pessoas com essse tipo de dificuldade. Contudo, é Kim Rossi Stuart e Charlotte Rampling que validam a experiência, ambos impecáveis em seus papéis, fazendo aquilo que o roteiro não conseguiu fazer com muito êxito – tocar o espectador.

FILME: 7.0

Filmes em DVD

A Noviça Rebelde, de Robert Wise

Com Julie Andrews, Christopher Plummer e Eleanor Parker

A Noviça Rebelde não tem praticamente nada de religião, e essa tradução para o português foi um pouco equivocada. “The Sound Of Music” é uma perfeita definição das intenções do filme de Robert Wise. O show, contudo, é da perfeita Julie Andrews, que cativa a todo momento e ilumina a tela com sua presença impecável. Pena que a atriz tenha vencido o Oscar em um trabalho inferior (Mary Poppins) e não aqui, onde tem o grande momento de toda a sua carreira. Os valores de bondade e pureza se desgastaram com o tempo (hoje em dia é meio difícil acreditar naqueles personagens tão inocentes), mas considerando a época de A Noviça Rebelde, foi um enorme acerto os personagens terem essas características tão marcantes e representativas de uma época onde o ser humano ainda não havia sido corrompido pela sociedade. O musical não quer julgar ninguém e muito menos dar lições de moral, é uma bela história sobre os nossos sonhos e como podemos fazer para que tudo se torne realidade ao seguirmos o caminho certo.

FILME: 8.5

Tempo de Despertar, de Penny Marshall

Com Robin Williams, Robert De Niro e Julie Kavner

É bem raro eu conseguir me empolgar com filmes “médicos”. Algumas jornadas são encenadas de forma emocionantes (como é o caso de O Óleo de Lorenzo), mas dificilmente algum longa consegue escapar da típica narrativa dessas histórias. Não é diferente com Tempo de Despertar. Porém, a humildade do longa torna tudo muito atraente. O filme de Penny Marshall se despe de complicadas explicações técnicas ou apelações dramáticas envolvendo a doença representada e aposta no lado humano dos envolvidos no tal tratamento. O longa teve indicações para o Oscar, incluindo melhor filme. Mas é a dupla DeNiro-Williams que faz o longa ser excelente do jeito que é. Ambos naturais e em momentos bem interessantes.

FILME: 8.0

O Rei Leão, de Roger Allers e Rob Minkoff (revisto)

Com as vozes de Matthew Broderick, Rowan Atkinson e Whoopi Goldberg

O Rei Leão foi uma animação marcante na minha infância, mas não foi uma daquelas que conquistou o meu afeto como tantas outras, caso de O Corcunda de Notre Dame. Mesmo assim esse filme é uma das melhores animações da história, justamente por causa de sua mensagem sentimental e de suas lições inesquecíveis. Assistir novamente essa obra dá uma sensação incrível de nostalgia, fazendo com que eu retornasse para os tempos primórdios da minha infância. O que se conclui é que, por mais que as animações fiquem cada vez mais perfeitas em seus detalhes (vide os filmes da Pixar, que se superam constantemente), nenhuma consegue ter todo aquele charme que as de antigamente tinham. Mesmo que eu não seja fã de carteirinha de O Rei Leão, não consigo deixar de resistir a um produto tão bem acabado.

FILME: 8.0

Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg

Com Harrison Ford, Sean Connery e Alison Doody

Esse é o primeiro dos antigos Indiana Jones que tenho a oportunidade de assistir. Muita gente diz que esse A Última Cruzada é o mais fraco da série e, comparado ao recente O Reino da Caveira de Cristal, é inferior em diversos pontos. Mesmo assim não existe motivo para desprezo, já que toda a nostlagia continua presente e ainda é delicioso acompanhar as peripécias impossíveis de Indiana Jones. Esse capítulo conta com a presença de Sean Connery, um verdadeiro acerto como o pai do protagonista. Pena que A Última Cruzada se extende demais e fique bastante aborrecido em seus momentos finais.

FILME: 7.5

Amadeus, de Milos Forman

Com F. Murray Abraham, Tom Hulce e Elizabeth Berridge

São desnecessárias três horas de duração de um filme magistral, onde o setor técnico é simplesmente perfeito. O longa do excelente Milos Forman (do maravilhoso Um Estranho No Ninho) tem uma das mais impecáveis reconstituições de época já feita, conseguindo traduzir toda a grandiosidade estilística da época em que Wolfgang Amadeus Mozart viveu. Falando em Mozart, o setor musical também é muito competente, transmitindo toda a classe da música do inesquecível compositor. Todavia, foi nos desempenhos de F. Murray Abraham e Tom Hulce que eu vi a maior força de Amadeus.

FILME: 7.5

Chicago, de Rob Marshall (revisto)

Com Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones e Richard Gere

Nada em Chicago justifica o prêmio para o musical na categoria principal do Oscar. É fato que Julianne Moore merecia disparado a estatueta de coadjuvante por As Horas; mas eu entendo a consagração de Catherine Zeta-Jones (a verdadeira estrela de Chicago). Mas não na a vitória na categoria principal. Acho que foi meio que uma desculpa por não terem premiado o verdadeiro musical da década, Moulin Rouge! – Amor em Vermelho. Tento, de todas as maneiras, entrar no clima do espetáculo de Rob Marshall, mas não consigo. Vejo diante de mim apenas um longa bem feito e com excelentes características técnicas, onde parece faltar sentimento por parte da produção pelo projeto.

FILME: 7.0

Filmes em DVD

Louca Obsessão, de Rob Reiner (revisto)

Com Kathy Bates, James Caan e Lauren Bacall

Filme que rendeu um merecidíssimo Oscar de melhor atriz para a espetacular Kathy Bates, que é a grande estrela desse Louca Obsessão. A variação de humor e personalidade que sua personagem sofre através dos acontecimentos é representada de maneira assustadora por ela, que cria uma figura marcante. Se não fosse por ela, Louca Obsessão talvez não teria metade de sua excelência já que estamos diante de um suspense bem simples. O mais importante aqui é o estudo sobre a loucura que o roteiro faz, adaptado da obra Misery de Stephen King. O filme prende a atenção até o último minuto e nunca desanda para exageros, mantendo-se linear e interessante.

FILME: 8.0

Extermínio 2, de Juan Carlos Fresnadillo

Com Robert Carlyle, Rose Byrne e Amanda Walker

Pra começo de conversa já devo ressaltar que o primeiro Extermínio não me conquistou como a maioria. Sim, eu me diverti, mas não vi muita coisa interessante. Já nesse segundo volume, fui pego de surpresa. Fazia bastante tempo que o cinema não apresentava um filme tão bem produzido sobre zumbis. Aumentando exponencialmente a tensão e o suspense de seu antecessor, Extermínio 2 surpreende pela direção competente (lembrando-me bastante o estilo frenético de Paul Greengrass) e pelas inúmeras cenas de ação. Se existe um porém em toda a excelência do longa, esse é o seu segundo ato falho. Quando se encaminha para o final, repete-se bastante (ainda que culmine em um final perturbador). Sem contar que faltou, por exemplo, um James Newton Howard na trilha sonora para o setor ser melhor.

FILME: 8.0

Carne Trêmula, de Pedro Almodóvar

Com Javier Bardem, Liberto Rabal e Francesca Neri

Uma das melhores produções do espanhol Pedro Almodóvar, mas estranhamente não muito marcante. Ao contrário do que o título e a sinopse indicam, falta maior impacto na trama de Carne Trêmula, que se beneficia por ter personagens enxtremamente bem construídos e dilemas emocionais interessantes. A história é sobre uma tragédia acidental que dá novos rumos na vida para as pessoas envolvidas nela. Não tem um quê de Crash ou Babel, conseguindo ter uma estrutura própria que revela ser o maior triunfo de filmes – nada de situações desnecessárias ou conflitos maximizados. Carne Trêmula é um bom exemplar da carreira do diretor, que dessa vez foi ofuscado pelo excelente elenco que dirigiu.

FILME: 8.0

Livre Para Voar, de Paul Greengrass

Com Kenneth Branagh, Helena Bonham Carter e Ray Stevenson

Paul Greengrass é aquele diretor que só faz filmes com câmera na mão e seqüências de tensão eletrizantes, certo? Errado. Esse Livre Para Voar é um desconhecido filme dele que não tem absolutamente nada das características que o tornaram famoso – estamos diante de um drama humano que é pontuado por boas atuações de Kenneth Branagh. E justamente o longa não é melhor por causa de Greengrass; é visível que ele está fora de seu gênero e se a história tivesse sido conduzida por um diretor mais sensível, teria mais impacto. Mesmo assim o trabalho de direção é bem regular, desenvolvendo tudo com muita naturalidade. Os fatos são um pouco surreais em alguns momentos, mas nada que os atores não possam resolver. Especialmente Helena.

FILME: 7.5

Manhattan, de Woody Allen

Com Woody Allen, Diane Keaton e Meryl Streep

Se Woody Allen tem seus momentos de originalidade, ele também tem suas crises de idéias. Manhattan se encaixa nessa segunda opção. O longa é um interessante estudo de relacionamentos – até superior ao realizado em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, já que aqui temos temas muito mais sérios e densos – mas nunca alcança ritmo para que possamos nos envolver com a história. Assistimos os encontros e desencontros dos personagens, mas nunca torcemos ou simpatizamos com eles. Culpa do roteiro, indicado ao Oscar, que se preocupa mais em dizer frases pseudo-cômicas do que desenvolver as dimensões psicológicas. Se existe um ponto em que não posso reclamar de Allen, esse é a sua direção de elenco. Mesmo que ele apareça um pouco egocêntrico como protagonista (será que só sou eu que acho que ele faz sempre o mesmo tipo de papel?), convence. Suas coadjuvantes são mais interessantes, como a Diane Keaton. Curiosamente, quando ambos contracenam em cena, o filme ganha mais vida. Minha única reclamação é Meryl Streep, desperdiçada pelo roteiro em um papel interessante – como a ex-mulher do protagonista que agora é lésbica e está escrevendo um livro sobre o relacionamento e a separação deles.

FILME: 7.0

Studio 54, de Mark Christopher

Com Ryan Phillippe, Salma Hayek e Mike Myers

Eu entendo a implicância de tanta gente com esse filme – ele é batido (e eu nunca fui muito fã desses filmes de discoteca, nem mesmo Os Embalos de Sábado à Noite), frio, vazio e até apelativo. E ainda assim consegue ser um ótimo guilty pleasure embalado por boas canções e um roteiro sem enrolação. Consegui me divertir com a história e com os personagens sem nenhum problema; o único porém do elenco foi o Mike Myers, terrível e destoando de todo o resto como o dono do Studio 54 do título do filme. Ryan Phillippe foi indicado ao Framboesa de Ouro de pior ator por seu desempenho aqui. Injustiça. Mesmo que não apresente muita força para segurar sozinho um filme, esse é o seu trabalho de maior destaque. Até mais que Segundas Intenções.

FILME: 7.0

Últimos Dias, de Gus Van Sant

Com Michael Pitt, Asia Argento e Lukas Haas

A primeira experiência que tive com o diretor Gus Van Sant foi o espetacular Elefante. Depois comecei a duvidar dele com a terrível refilmagem de Psicose e o totalmente sem-graça Gênio Indomável. Com esse Últimos Dias, não acho mais que ele seja um diretor tão bom. Gus Van Sant quer criar um filme cult a todo momento e com isso termina por criar um longa estranho e que não diz muita coisa. Silencioso demais e lento em seu desenvolvimento, Últimos Dias é uma decepção em quase todos os sentidos. A exceção é Michael Pitt, ator que nunca tinha chamado minha atenção, e que aqui está na sua melhor fase. Reconheço algumas passagens originais, mas simplesmente não consegui ser cativado.

FILME: 6.0

Filmes em DVD

Adeus, Lenin!, de Wolfang Becker (revisto)

Com Daniel Brühl, Katrin Saas e Maria Simon

Precisei rever esse longa alemão pra confirmar se eu tinha gostado tanto dele de verdade, já que eu o assisti há muito tempo atrás e apenas uma vez. E tudo se confirmou – continuo apaixonado pelo filme, que é a minha produção estrangeira favorita. Achei estranho a Academia não ter se lembrado nele na respectiva categoria, já que é um filme muito bem produzido e com uma dramaticidade sempre competente. Político, engraçado, crítico e emotivo, Adeus, Lenin! prima por conseguir unir todas essas características de forma harmoniosa. A bela trilha de Yann Tiersen (que também fez a de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) e a montagem original conferem ao filme alemão um ar de competência que poucos estrangeiros conseguem. Talvez eu o superestime, mas Adeus, Lenin! é um dos meus filmes “de coração”.

FILME: 9.0

Interiores, de Woody Allen

Com Diane Keaton, Geraldine Page e Mary Beth Hurt

Não sou fã de carteirinha do Woody Allen. Suas comédias são boas e seus dramas também, mas sinceramente acho que todos eles possuem a mesma estrutura. Foi só de uns tempos pra cá, com Match Point e O Sonho de Cassandra, que ele alterou o seu estilo. Interiores é o primeiro trabalho do senhor excêntrico de óculos que me conquistou completamente – talvez isso seja pelo fato de que esse tipo de histórias sobre famílias cheias de feridas escondidas me agrade bastante. Mas não creio que tenha sido somente por isso – o longa é muito bem escrito (o mais introspectivo e denso já realizado por Allen), dando dimensões instigantes para cada personagem. O elenco dá um show a parte, em especial Diane Keaton e Mary Beth Hurt, como as irmãs que competem o tempo inteiro para ver quem é a melhor na vida. Interiores é o meu filme favorito de Woody, um drama simples mas que aos poucos vai entrando na mente e hipnotizando com suas temáticas realistas. Recebeu cinco merecidas indicações ao Oscar e é um verdadeiro marco na carreira do diretor. Pena que não seja conhecido.

FILME: 8.5

O Casamento de Muriel, de P.J. Hogan

Com Toni Collette, Rachel Griffiths e Daniel Lapaine

Pra quem desconhece o longa, O Casamento de Muriel pode parecer uma variação de O Casamento do Meu Melhor Amigo só que menor, uma vez que também é dirigido por P.J. Hogan. O fato é que um filme não tem nada a ver com o outro. Enquanto o que é estrelado por Julia Roberts foi um hit romântico, O Casamento de Muriel é um drama sobre pessoas isoladas e insatisfeitas, que anseiam por coisas boas na vida. Toni Collette realiza um trabalho excepcional como a triste Muriel do título e apresenta o melhor trabalho de sua filmografia. Quem também merece destaque é a coadjuvante Rachel Griffiths, já demonstrando muito talento antes de sua indicação ao Oscar de coadjuvante por Hilary & Jackie. As músicas do ABBA servem como pano de fundo para essa história de mudanças e sobre a força que existe dentro de cada um de nós.

FILME: 8.5


Um Amor Verdadeiro, de Carl Franklin (revisto)

Com Renée Zellweger, Meryl Streep e William Hurt

Se não fosse pelo competente elenco, Um Amor Verdadeiro seria uma produção qualquer sobre alguém que tem câncer e que passa os últimos dias da vida ao lado da família. O roteiro não foge dos habituais clichês do gênero (pessoas brigadas fazendo as pazes nesse momento difícil e lições de vida são alguns exemplos), mas a dupla Renée Zellweger e Meryl Streep validam uma espiada nesse filme que é bastante sincero e consegue até mesmo emocionar. Streep conseguiu uma duvidosa indicação ao Oscar de protagonista; duvidosa porque claramente é Renée Zellweger o nome principal do filme. Mas a nomeação se deve justamente ao difícil trabalho fisíco que a atriz realizou para dar verossimilhança na situação da personagem. Um pouco esticado demais (não precisava exceder duas horas de duração para narrar uma história tão simples) e óbvio, mas triste e emotivo.

FILME: 8.0

Atração Fatal, de Adrian Lyne

Com Michael Douglas, Glenn Close e Anne Archer

Atração Fatal é um filme que envelheceu com o tempo. Hoje é um filme completamente batido e que tem uma trama clichê. Antes era até ousado para sua época. Tentei fugir um pouco desses “clichês” da história adquiridos com o tempo e tentar aproveitar o que o longa de Adrian Lyne tinha para me oferecer. Confesso que gostei do resultado e fiquei até tenso com esse guilty pleasure. Deixando de lado a tensão da simples a história, a verdadeira força de Atração Fatal se situa nas atuações do elenco. Michael Douglas está em um de seus melhores momentos, mas é ofuscado pela marcante Glenn Close, naquele típico ótimo papel de uma mulher que enlouquece cada vez mais com o desenrolar dos fatos. Atração Fatal recebeu seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme (!). Se você for capaz de entrar no túnel do tempo e voltar para a época que o filme foi exibido, o resultado é satisfatório.

FILME: 7.0

Uma Rua Chamada Pecado, de Elia Kazan

Com Vivien Leigh, Marlon Brando e Kim Hunter

Sou fã incondicional de Vivien Leigh, mesmo que Uma Rua Chamada Pecado tenha sido apenas o segundo film que assisto com ela. Impressionante como ela consegue atuar com notável tranqüilidade e excelência, transmitindo verossimilhança a todo momento. Esse seu primeiro trabalho antes do grandioso sucesso de E O Vento Levou é ótimo e Vivien é a que mais se destaca no longa, mesmo competindo com o galã Marlon Brando (o único que não levou o Oscar por sua atuação, já que os outros três membros do elenco – Kim Hunter, Vivien Leigh e Karl Malden – sairam vitoriosos). O longa, na realidade, não tem nada de sensual como o título indica; aliás, é bem recatado. Uma Rua Chamada Pecado se torna um retrato sobre a moralidade, centrando-se na figura de Vivien Leigh, interpretando uma mulher que, à primeira vista, é pura e querida, mas que esconde um passado pecaminoso e uma alma dissimulada. A direção de Elia Kazan não segura o ritmo, tornando o filme em uma experiência pouco marcante e sem maiores momentos.

FILME: 7.0