Cinema e Argumento

Filmes em DVD

Direito de Amar, de Tom Ford (revisto)

Com Colin Firth, Julianne Moore e Nicholas Hoult

Difícil encontrar, em 2010, outro filme que me encante tanto quanto Direito de Amar. Lembro que fui assisti-lo no cinema cheio de expectativas, e fiquei absolutamente maravilhado por elas terem sido superadas em todos os aspectos. Mais do que isso, Direito de Amar me transmitiu brilhantismo em cada momento. Se Colin Firth tem um desempenho arrasador (Jeff Bridges ganhou aquele Oscar só por causa da carreira e não por verdadeiro merecimento) e o roteiro entrega momentos sublimes, o setor técnico é igualmente encantador: a trilha do polonês Abel Korzeniowski é uma das mais belas que já escutei, a fotografia é genial e a direção de arte e figurinos são impecáveis. Em um momento ou outro, a direção de Tom Ford escorrega ao querer embelezar demais algumas tomadas. No entanto, isso é mero detalhe de um filme que já está entre os meus favoritos.

FILME: 9.5

Orações Para Bobby, de Russell Mulcahy (revisto)

Com Sigourney Weaver, Ryan Kelley e Austin Nichols

O dvd desse filme ainda não foi lançado no Brasil (e nem tem previsão), mas já pode ser adquirido em lojas do exterior – recomendo demais o dvd da Alemanha, que pode até só ter o áudio em inglês sem legendas, mas tem uma capa lindíssima e roda em qualquer aparelho de dvd. Pena que esse filme não tenha feito sucesso e é lamentável que não tenha sido produzido para o cinema. Digo isso porque Orações Para Bobby é o filme que melhor defende os direitos homossexuais. Sem falar que consegue fazer isso com muita humanidade, tornando-se o filme mais emocionante com relação a essa temática. Como é um filme feito para tv, a produção é bem compacta e vai direto ao ponto, sem muitas enrolações. O desempenho de Sigourney Weaver também é outro destaque (e ela merecia ter sido lembrada nas temporadas de premiações, onde não conquistou nenhuma estatueta), assim como a genuína representação de Ryan Kelley. Orações Para Bobby é um filme escondido e que quase ninguém sabe da existência. Uma pena, já que é uma história obrigatória para qualquer ser humano.

FILME: 9.0

Shrek Para Sempre, de Mike Mitchell

Com as vozes de Mike Myers, Cameron Diaz e Eddie Murphy

Sou fã apenas do segundo volume (por alguma razão que não consigo explicar, acho o primeiro superestimado), mas é fato que a franquia perdeu o fôlego no terceiro filme. Com a tentativa de recuperar o que foi perdido em uma suposta despedida, Shrek Para Sempre tenta trazer de volta tudo o que deu certo na história do ogro. Entretanto, mais uma vez, o resultado fica abaixo do esperado. Para uma despedida, Shrek se encerrou de forma passageira e esquecível, em uma história que não tem inspiração e que não faz nada além do óbvio. Aliás, não sei nem se crianças conseguirão ter paciência com esse enredo que tem lições de moral e uma estrutura longe de ser fácil para o público infantil. Alguns momentos divertem, mas nada que seja digno de maior nota. Uma pena que a série tenha acabado com um filme mediano desses… Agora, cadê o clima de despedida? Nem isso eu senti aqui.

FILME: 6.5

O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, de Terry Gilliam

Com Christopher Plummer, Andrew Garfield e Heath Ledger

Existe uma certa cota de loucuras para mim nos filmes. O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus ultrapassa esse meu limite. Até certo ponto, consegui entrar nas bizarrices e nas inventividades da história. Mas, em determinado momento, não consegui mais ver saldos positivos nas loucuras do roteiro. Além da história começar a complicar um enredo que não precisava ser complicado, o filme começa a perder ritmo e termina no nível do decepcionante. O elenco é interessante, trazendo o último desempenho de Heath Ledger e outras estrelas como Jude Law, Johnny Depp e Colin Farrell. Pena que os atores e a ótima direção de arte não sejam o suficiente para salvar esse filme de suas próprias loucuras narrativas.

FILME: 6.0

Marie & Bruce, de Tom Cairns

Com Julianne Moore, Matthew Broderick e Bob Balaban

Nada pior do que um filme que tem a proposta de ser estranho e não consegue alcançar bom resultado por causa disso. Marie & Bruce tem uma história simples, mas resolve dificultar a narrativa com escolhas bem estranhas, o que confere ao filme aquele velho tom insatisfatório de irregularidade. É outro trabalho ruim na carreira de Julianne Moore, que tenta fazer de tudo para dar ao filme alguma qualidade. Contudo, ela não consegue rivalizar com esse roteiro que é vazio e sem emoções – algo muito errado, uma vez que o conflito principal é a separação de um casal que não se suporta mais. Frio e perdido, Marie & Bruce só tem momentos mais interessantes quando chega perto do desfecho.

FILME: 5.0

Filmes em DVD

Up – Altas Aventuras, de Pete Docter e Bob Peterson (revisto)

Com as ozes de Edward Asner, Christopher Plummer e Jordan Nagai

Dos últimos filmes da Pixar, esse é o que menos tem consistência no roteiro. A história é rasa e os personagens são previsíveis. No entanto, é um dos mais emotivos que a produtora já realizou. Up – Altas Aventuras tem, no mínimo, duas cenas de cortar o coração, em especial a inesquecível tomada em que acompanhamos a vida do casal da história. Além dessa veia emocional, temos uma maravilhosa trilha de Michael Giacchino, diversão bem pontuada e uma aventura que sempre funciona. Portanto, esse pode até não ser um dos melhores momentos da produtora. Mas, como já constatamos muitas vezes, até os produtos mais “fracos” da Pixar são capazes de alcançar um ótimo nível.

FILME: 8.5

The Wonders – O Sonho Não Acabou, de Tom Hanks

Com Tom Everett Scott, Johnathon Schaech e Charlize Theron

Sabe aquela história de uma banda de jovens desconhecidos que alcança sucesso, vira um fenômeno e depois começa a sofrer problemas em função da fama? Pois é, The Wonders – O Sonho Não Acabou é mais um filme assim. Porém, é tão verdadeiro e simples que conquista exatamente por não ser pretensioso. Além de ter uma música marcante (será que é possível terminar de ver o filme sem cantarolar That Thing You Do?), essa produção é cheia de carisma e, também, um projeto bem realizado de Tom Hanks, que além de atuar, também dirige e assina o roteiro. Ou seja, não é um grande filme, mas é super simpático e agradável.

FILME: 8.0

Sob o Domínio do Mal, de Jonathan Demme (revisto)

Com Denzel Washington, Liev Schreiber e Meryl Streep

Sob o Domínio do Mal é um filme que tem mais de duas horas de duração e não consegue manter a sua qualidade durante todo o tempo. Mais do que isso, também não define muito bem se quer ser um filme de investigação, um suspense ou um drama político. Mas, no geral, apesar das falhas, é um filme que tem excelentes momentos e algumas tomadas bem executadas. Seja na hora de trazer alguma abordagem política ou na hora de criar alguma tensão (e vamos dar crédito, claro, para a boa trilha de Rachel Portman). Ou seja, o filme atira para todos os lados e erra na falta de foco, mas também acerta ao trabalhar um pouco de cada gênero. No entanto, o que mais se destaca aqui é a impecável performance de Meryl Streep como uma senadora forte, decidida e um pouco vilanesca. Ela rouba a cena quando aparece e, facilmente, merecia ter recebido uma indicação ao Oscar de coadjuvante. Ela só não foi ajudada pelo filme, que não foi bem recebido e que dá certas razões para o abraço morno da crítica.

FILME: 7.5

Jezebel, de William Wyler

Com Bette Davis, Henry Fonda e George Brent

A lenda chamada Bette Davis ganhou seu segundo Oscar por Jezebel. Não sei o porquê dessa celebração, já que esse está longe de ser um dos desempenhos mais interessantes da atriz. Ela está bem, como sempre, mas linear e com pouco a fazer em um filme irregular. Jezebel tem aquele tipo de roteiro que começa contando uma história, mas, aos poucos, muda o foco de tudo e acaba com uma proposta diferente do que havia iniciado. Portanto, não consegui me fixar muito no enredo e só consegui ficar mais envolvido por causa de Davis. Jezebel, no final das contas, é uma raridade na carreira da atriz: um dos pouquíssimos filmes em que nem ela nem o filme alcançam maior notoriedade.

FILME: 7.5

Cartas Para Julieta, de Gary Winick

Com Amanda Seyfried, Vanessa Redgrave e Gael García Bernal

Cartas Para Julieta é exatamente isso que você está pensando: um filme normal, previsível e açucarado. Mas quem disse que, de vez em quando, não é bom assistir a um filme assim? Se formos levar isso em consideração, o resultado alcançado por Gary Winick é satisfatório – dentro de suas limitações, claro. Se Gael García Bernal pouco faz em cena, Amanda Seyfried tem sua simpatia habitual e Vanessa Redgrave ilumina cada cena com sua ótima presença. No final das contas, é muito simples saber se você deve ou não assistir Cartas Para Julieta, já que o filme é exatamente aquilo que você pensa dele antes mesmo de assistir.

FILME: 6.5

Duas Semanas, de Steve Stockman

Com Sally Field, Ben Chaplin e Julianne Nicholson

É fácil encontrar filmes de câncer que não comovem por exagerar no melodrama e no clichê. Agora, pensei que fosse impossível achar um filme sobre câncer que não tivesse emoção simplesmente porque o filme não passa a devida quantidade de drama. É o caso de Duas Semanas, que só encontra algum momento de tristeza quando mostra Sally Field “acabada” pela doença devida a uma boa maquiagem. De resto, é um filme extremamente formulaico, que deixa a atriz em segundo plano e ainda tem tentativas falhas de criar humor para trazer certo alívio para a narrativa. O resultado de tudo isso é superficial, sem vida e não comove nem os mais fracos por esse tipo de história.

FILME: 5.0

Filmes em DVD

A Dança das Paixões, de Pat O’Connor

Com Meryl Streep, Michael Gambon e Catherine McCormack

A Dança das Paixões é um dos filmes menos conhecidos da carreira de Meryl Streep. E, também, um dos mais subestimados. É de se lamentar que um filme tão especial como esse não tenha o devido reconhecimento. Quer dizer, A Dança das Paixões está longe de ser um filme grandioso, mas tem pequenas sutilezas e tantos momentos sinceros que, no final, fica difícil não se envolver com a história. Não é só Meryl que está muito verdadeira e natural (parece, de verdade, que ela é uma irlandesa), mas também todo o elenco. A sinceridade passada por todos os atores é o que também confere para A Dança das Paixões um tom de pura verossimilhança. Um filme a ser descoberto, mas que pode não despertar tanta apreciação justamente por ser calcado em pequenos momentos.

FILME: 8.5

Duas Mulheres, de Vittorio De Sica

Com Sophia Loren, Eleonora Brown e Carlo Ninchi

Sophia Loren foi a primeira atriz de língua não-inglesa a vencer o Oscar de melhor atriz. E mesmo que sua nacionalidade seja apenas um detalhe (já que, no filme, ela fala inglês), Loren mereceu todas as honrarias que recebeu por seu desempenho em Duas Mulheres. Muito bela e radiante, a italiana encontra um equilíbrio maravilhoso entre a sutileza e a veracidade, fazendo um belo retrato da maternidade sofrida mas também inabalável. Vittorio De Sica realizou um filme interessante, que nunca se deixa eclipsar pelo ótimo momento de Loren. Afinal, Duas Mulheres vai além de uma interpretação especial. É um filme que também chama atenção em outros aspectos.

FILME: 8.0

Infâmia, de William Wyler

Com Audrey Hepburn, Shirley MacLaine e James Garner

Infâmia trata de uma temática que aprecio bastante: o poder da palavra e como uma mentira pode destruir vidas. Se Desejo e Reparação foi um dos melhores exemplares desse tipo de história recentemente, Infâmia foi um marco dos anos 60. Não só por “endiabrar” uma criança (que origina todos os conflitos do filme), mas, também, por tocar no delicado assunto de como a sociedade condenava homossexualidade naquela época. Apesar de beber bastante de uma fonte teatral (e, em certos momentos, parece samba de uma nota só), traz um notável trabalho de elenco, em especial das protagonistas Audrey Hepburn e Shirley MacLaine. Infâmia, portanto, pode até parecer datado em certos momentos, mas nunca perde o brilho e sempre deixa transparecer competência narrativa.

FILME: 8.0

Chico Xavier, de Daniel Filho

Com Nelson Xavier, Christiane Torloni e Tony Ramos

Ao contrário do que se pode imaginar, Chico Xavier está longe de ser um filme caça-níquel. E se é, consegue não deixar essa sensação. Na realidade, é um longa-metragem mais autoral de Daniel Filho (se é que podemos encaixar o diretor nesse estilo), com uma história mais humana e menos superficial. Ainda assim, fica claro que Daniel Filho não consegue se livrar de algumas manias “comerciais”. Por exemplo, o uso desnecessário da trilha sonora para criar suspense nos momentos “espíritas”, que é bastante incômodo. Mas, o principal problema do filme é que o roteiro só engrena a partir da metade, quando o protagonista já é uma celebridade. Antes disso, tem pouco a dizer e só encena determinados momentos para cumprir as típicas formalidades de cinebiografias. Além dos atores que interpretaram Chico Xavier, destaco, também, a ótima atuação de Christiane Torloni. Ela é uma ótima atriz e merecia muito mais tempo em cena, já que rouba a cena quando aparece.

FILME: 7.0

Maluca Paixão, de Phil Traill

Com Sandra Bullock, Bradley Cooper e Thomas Haden Church

Maluca Paixão traz, possivelmente, o papel mais imbecil de toda a carreira de Sandra Bullock. O único prêmio que ela merecia ter vencido nessa temporada era o de pior atriz por esse filme, que é pura vergonha alheia. Para falar bem a verdade, ela é apenas um dos inúmeros problemas lastimáveis desse longa. Se a escalação de elenco e as atuações dos atores já começam erradas (e nisso incluo, também, a canastrice de Thomas Haden Church e a ineficiência de Bradley Cooper), tudo piora com o roteiro. A história simplesmente não convence (até porque é difícil simpatizar com uma protagonista tão lesada mentalmente) e todo e qualquer conflito chega a ser impressionante de tão sem noção. Se um filme bobo desse fosse ao menos simpático, teríamos algo mais aceitável. Mas nem isso Maluca Paixão consegue ser. É chato, fora da casinha e totalmente descartável.

FILME: 4.0

Filmes em DVD

A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz (revisto)

Com Bette Davis, Anne Baxter e George Sanders

A Malvada é um dos melhores filmes que trata sobre os bastidores da vida artística. Ao narrar a vida de Margo Channing (Bette Davis, em desempenho emblemático), que é ofuscada pela chegada de uma interesseira fã chamada Eve Harrington (Anne Baxter, ótima), o diretor Mankiewicz criou um dos filmes mais bem sucedidos da história do cinema. Recordista de indicações ao Oscar (são 14, ao total), A Malvada é uma aula de como fazer um filme acertar em todos os aspectos. Se na maioria dos filmes de Bette Davis ela é a estrela máxima, aqui isso não acontece. Ela não brilha sozinha. O filme todo é uma sucessão de acertos.

FILME: 8.5

Frost/Nixon, de Ron Howard (revisto)

Com Michael Sheen, Frank Langella e Sam Rockwell

Frost/Nixon nem parece ser um filme de Ron Howard. Quer dizer, é tão bem realizado que fica a dúvida se foi o formulaico Howard mesmo que dirigiu. Ainda assim, não é um filme que necessariamente me empolgue como cinema. Mas, por um outro lado, admiro demais toda a faceta jornalística da história. É nesse tratamento que Frost/Nixon encontra a sua força. O embate na entrevista  entre os personagens de Michael Sheen (subestimado, diga-se de passagem) e Frank Langella é o ponto alto. Considere, também, uma excelente montagem e uma ótima trilha sonora de Hans Zimmer.

FILME: 8.0

Feitiço da Lua, de Norman Jewison

Com Cher, Nicolas Cage e Olympia Dukakis

Cher foi a última atriz a vencer um Oscar de protagonista por um filme de comédia. Feitiço da Lua funciona com bastante segurança, mas, por outro lado, não justifica a celebração em torno de Cher. Ela, que alcançou uma vitória duvidosa (concorria com Glenn Close e Meryl Streep), está realmente ótima. Mas, será mesmo que era digna de tantos aplausos? Não se formos levar em consideração tantas outras atrizes que ganharam por filmes comuns e por atuações sem qualquer grandeza… Falando um pouco do filme, Feitiço da Lua é uma comédia romântica extremamente agradável e que encontra no carisma dos personagens a sua maior força. Uma história simples, mas que conquista por ser exatamente assim.

FILME: 8.0

De Repente, Califórnia, de Jonah Markowitz

Com Trevor Wright, Brad Rowe e Tina Holmes

Certos filmes querem tanto escapar dos clichê que terminam rasos e superficiais. É o caso de De Repente, Califórnia, um filme gay que não tem aquele tratamento repetitivo que sempre vemos no cinema. No entanto, na tentativa de fazer algo diferente, não conseguiu ir muito longe. Até dá para entrar na história e simpatizar com a relação dos dois, mas nenhum conflito trabalhado no roteiro tem grande repercussão. Tudo é passageiro e resolvido em questão de instantes. Tanto, que o maior conflito de De Repente, Califórnia é a complicada relação do protagonista com sua irmã, que é uma mãe relapsa e joga toda a responsabilidade que ela deveria ter com o filho para o irmão. Portanto, não é nem a auto-aceitação do personagem ou o relacionamento homossexual a principal engrenagem de De Repete, Califórnia. É um filme assistível e sutil, mas que tem medo do próprio tema e foge da responsabilidade de aprofundar o seu verdadeiro assunto principal.

FILME: 6.5

Ela é o Diabo, de Susan Seidelman

Com Roseanne Barr, Meryl Streep e Ed Begley Jr.

O primeiro pensamento que tive quando estava assistindo Ela é o Diabo foi que o filme tem, realmente, um formato de clássico da Sessão da Tarde. Mas, vale lembrar que nem todo filme que funciona nesse programa da rede Globo precisa necessariamente funcionar em dvd, por exemplo. Esse filme de Susan Seidelman tem seus atrativos quando exibido na TV, mas ao ser conferido mais criteriosamente em DVD, fica claro que ele tem inúmeros defeitos. Pode ser a trilha exagerada, a história inverossímil ou a direção irregular. A verdadeira protagonista, Roseanne Barr, também não faz muita coisa. O destaque, na realidade, fica com Meryl Streep e Ed Begley Jr. Ele está impagáel como o típico homem cafajeste, enquanto Streep já demonstrava talento cômico para interpretar megeras. Se não fosse pelos dois, o filme seria mais irregular do que já é.

FILME: 6.0

Cadê os Morgan?, de Marc Lawrence

Com Sarah Jessica Parker, Hugh Grant e Elisabeth Moss

Se um filme lembra Recém Chegada, já é um péssimo sinal. Mesmo que Cadê os Morgan? não seja tão desprezível quanto essa péssima comédia estrelada por Renée Zellweger, chega quase no memo nível de erros. Mas, por razões diferentes. Por exemplo, o filme de Marc Lawrence tem um humor besta como Recém Chegada, mas possui uma história absurdamente vazia, um casal que não combina em momento algum e reflexões que chegam a causar sono de tão previsíveis. Parker, que só está no mundo das comédias porque deu sorte com Sex and the City (além de ser estranha, não tem vigor para comédias no cinema) não consegue ter química com Hugh Grant (que está reduzido sempre ao mesmo papel de homem engraçadinho e sarcástico). Esse é o principal problema do filme. Além de Cadê os Morgan? não fugir do bobo esquema de gente rica e mimada indo para a roça, tem um casal totalmente fora de sintonia…

FILME: 5.5

Filmes em DVD

Koyaanisqatsi, de Godfrey Reggio

Documentário

Narrando, sem palavras ou diálogos, o descompasso entre as grandes metrópoles e a natureza, o documentário Koyaanisqatsi usa apenas trilha e imagens para transmitir a sua mensagem. O curioso é que, com essa estrutura, o trabalho do diretor Godfrey Reggio consegue ser muito mais interessante do que vários filmes desse gênero. A harmonia entre trilha e imagem consegue ser, inclusive, impactante artisticamente. Philip Glass, em mais um momento espetacular, traduz toda a força da mensagem em suas melodias que variam entre a melancolia e a sensação frenética.  Méritos também, claro, para a ótima montagem. Koyaanisqatsi é um filme para poucos. No entanto, é impossível fica indiferente com tal experiência.

FILME: 8.5

Powaqqatsi, de Godfrey Reggio

Documentário

A segunda parte da trilogia “qatsi”, iniciada com o ótimo Koyaanisqatsi, já não se mostra tão impactante ou especial nesse segundo volume. Powaqqatsi parece ser apenas um retrato sem ousadias da cultura e das dificuldades de países pobres. A trilha de Philip Glass continua em ótimo momento e a fotografia permanece bela. Porém, falta uma sincronia maior entre os setores audiovisuais. Música e imagem não parecem tão bem balanceados como em Koyaanisqatsi. Fica a sensação de que são apenas imagens embaladas, sem qualquer pretensão, por músicas. Isso, de certa forma, tira o potencial do filme e deixa Powaqqatsi apenas no nível do satisfatório.

FILME: 7.5

Naqoyqatsi, de Godfrey Reggio

Documentário

Tecnologia é o assunto de Naqoyqatsi, último volume da trilogia “qatsi”. Para isso, o diretor Godfrey Reggio resolveu colocar efeitos de computador em praticamente todas as imagens. São vários efeitos visuais, variações de cor e alternância de tecnologias. Esteticamente interessante, conseguiu ser melhor que o volume anterior, Powaqqatsi, mas não conseguiu alcançar o mesmo nível de impacto e hipnose de Koyaanisqatsi. O último capítulo tem a seu favor o fato do jogo de imagens computadorizadas ser bem interessante e de ter uma trilha sonora espetacular. Philip Glass sempre está ótimo, mas aqui ele aposta em violinos, o que traz uma diferente sonoridade para o resultado. Naqoyqatsi é vítima do formato, que já não surpreende mais, mas não merece desprezo em função disso.

FILME: 8.0

A Carta, de William Wyler

Com Bette Davis, Herbert Marshall e James Stephenson

Esse é um dos filmes mais simples da carreira de Bette Davis. A Carta conta a história de uma mulher (Davis), que comete um crime e quer, a todo custo, ser inocentada. O filme segue os caminhos mais comuns e não traz grandes inovações. Mas, para a época, apresenta alguns aspectos bem marcantes. A própria personagem de Davis, por exemplo, que é convicta de cada palavra que está dizendo, mas que também um pouco dissimulada por dentro. A Carta, apesar de convencional, tem como coringa a ótima interpretação da atriz – que, mais uma vez, empresta sua representação de mulher geniosa e misteriosa para a personagem. O final é um pouco insatisfatório (e diria até um pouco negativo demais e fora de tom), mas nada que apague a prazerosa experiência que é ver Davis atuando novamente.

FILME: 8.0

É Proibido Fumar, de Anna Muylaert

Com Glória Pires, Paulo Miklos e Marisa Orth

É Proibido Fumar foi o grande vencedor desse ano do Grande Prêmio de Cinema Brasileiro. Devido ao estranho resultado da lista de indicados, o filme mereceu a vitória (antes ele do que Se Eu Fosse Você 2 ou A Mulher Invisível), mas, fica longe do excelente resultado de À Deriva. Esse filme de Anna Muylaert é bem convencional em todos os aspectos, tanto no roteiro linear quanto na simples técnica. Ainda assim, é uma história que funciona. Talvez, seja mais em função da presença da ótima Glória Pires (cuja melhor cena é aquela em que fala do bolo de sua falecida tia). Portanto, é fácil constatar que É Proibido Fumar é uma produção comum, mas que também funciona com muita facilidade.

FILME: 7.5

O Solista, de Joe Wright

Com Robert Downey Jr., Jamie Foxx e Catherine Keener

Mesmo que Desejo e Reparação seja um trabalho espetacular, nunca colocaria a mão no fogo por Joe Wright. Ao passo em que ele alcança resultado fenomenais, como no filme anteriormente citado, também consegue construir filmes monótonos e convencionais como O Solista. Dessa vez, o problema não foi nem Robert Downey Jr. (sem os seus maneirismos de sempre) ou Jamie Foxx (o ator que foi da excelência para a canastrice no mais curto espaço de tempo), mas sim o roteiro lento e quadrado. Todo mundo já está cansado de ver longas sobre pessoas talentosas mas que possuem problemas pessoais ou alguma doença que os impedem de ir a frente com o seu dom. O Solista conta toda essa ladainha de novo. E sem a menor originalidade.

FILME: 6.0