Na Natureza Selvagem
I read somewhere… how important it is in life not necessarily to be strong… but to feel strong.

Direção: Sean Penn
Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, Hal Holbrook, Catherine Keener, William Hurt, Jena Malone, Kristen Stewart, Vince Vaughn
Into The Wild, EUA, 2007, Drama, 148 minutos, 12 anos.
Sinopse: Início da década de 90. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca de liberdade. Durante sua jornada pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia, ele conhece pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica as delas. Até que, após dois anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca.

A solidão deve ser o tema mais interessante de se trabalhar em um filme dramático. Principalmente quando ela é intrigante e complexa. Entender as atitudes do personagem Christopher McCandless, o protagonista do novo longa de Sean Penn, ao se isolar da família e abandonar toda vida cheia de oportunidades que estava a sua espera é o principal de Na Natureza Selvagem. Trazendo alguns dilemas para o espectador, essa produção menor e que ficou em menor destaque nas premiações desse ano, consegue o feito de trabalhar a solidão sem cair em qualquer tipo de clichê.
Os méritos ficam por conta de dois apaixonados por esse projeto. O primeiro é o diretor Sean Penn, que se mostra maduro atrás das câmeras desde que estreiou nesse ramo com A Promessa. O segundo é o jovem ator Emile Hirsch (que chamou minha atenção em Heróis Imaginários), que entrou de cabeça no personagem, até mesmo se arriscando nas cenas mais perigosas onde negou a ajuda de um dublê. O restante do elenco também contribui bastante para o filme fluir com excelência. Hal Holbrook (em bom desempenho indicado ao Oscar), Kristen Stewart e Catherine Keener são os coadjuvantes que mais se destacam e só trazem pontos positivos para a trama.
É exatamente por causa de tamanha sinceridade por parte do elenco e do diretor que Na Natureza Selvagem funciona, uma vez que fica evidente que o filme não é brilhante e muito menos cativante – tem poucos conflitos e não precisava de uma duração tão longa. As narrações em off são sempre bem-vindas, inclusive aqui. Por um outro lado, fiquei bastante indignado que um outro quesito do longa tenha sido completamente ignorado nas premiações – as belas composições de Eddie Vedder. Ok, elas são tantas que fica difícil escolher apenas uma. Mas, se ao menos Guaranteed fosse lembrada, já estaria de bom tamanho. Uma pena. Na Natureza Selvagem ficou aquém do que eu esperava (até porque havia criado expectativas demais), mas o resultado é satisfatório e não decepciona. É por Sean Penn e por Emile Hirsch que o filme deve ser conferido.
FILME: 8.0

Ligeiramente Grávidos

[de Judd Apatow. Com Katherine Heigl, Seth Rodgen e Leslie Mann]
Como todos sabem, sou um daqueles que detesta o humor de O Virgem de 40 Anos. A princípio, Ligeiramente Grávidos estava programado para ser uma continuação do filme estrelado por Steve Carell, mas ainda bem que não foi. Essa segunda comédia do diretor Judd Apatow (que acertou completamente na escolha do elenco, em especial a ótima Katherine Heigl, impulsionando sua saída da tv e sua entrada no cinema) tem um clima humorístico totalmente diferente do seu trabalho anterior. Tudo bem, é apenas mais um filme que lida sobre esse assunto tão trabalhado que é “se tornar pai quando responsabilidade e compromisso não existem”, mas ao menos Ligeiramente Grávidos consegue cumprir sua promessa sem escorregar nem exagerar, ainda que não precisasse de longos 130 minutos para desenvolver tudo. As piadas não são inteligentes ou muito menos cativantes, mas ao menos não precisam ficar sem integridade ou decência para causar graça (o que é o caso de O Virgem de 40 Anos). Conseguindo conduzir tudo com muita tranquilidade, o diretor Apatow consegue saldo positivo com essa produção que, apesar de totalmente esquecível, consegue ser ao menos simpático e enganar como uma engraçada diversão durante duas horas.
FILME: 7.0

Romance e Cigarros

[De John Turturro. Com Susan Sarandon, Kate Winslet e James Gandolfini]
Existem certos filmes que só tem “nome”. É o caso de Bobby e A Grande Ilusão. Filmes com nomes poderosos no elenco mais que não passam de um resultado regular. Também é o caso desse Romance e Cigarros, que apesar dos excelentes atores que tem em seu elenco, não consegue ir muito bem como filme. Só o fato de ter sido lançado diretamente em DVD aqui no Brasil já comprova seu fraco resultado. Realmente, como musical a produção tem um resultado bem aquém do esperado, mas o filme não merece desprezo. A história é bem divertida e as músicas conseguem dar bom ritmo para a trama. Mas, sem dúvida, quem salva é o elenco. Susan Sarandon, apesar de dublada em suas canções, dá a sua melhor aparição depois de tanto tempo cometendo erros grotescos no cinema. Kate Winslet está um pouco deslocada e quase caricata, mas exerce muito bem seu papel de mulher sensual. James Gandolfini, o protagonista, não deixa maior impressão mas está aceitável. De resto – Mary Louise Parker, Christopher Walken, Steve Buscemi, entre outros – são apenas personagens sem muita importância. Estranhamente as canções funcionam e o roteiro não. O diretor John Turturro entrega uma produção irregular e que desperdiça os grandes nomes que tem em mãos. Mas para um filme lançado em DVD, o resultado é satisfatório.
FILME: 6.5

A Noite do Oscar 2008
A festa que ocorreu ontem foi a melhor que já assisti. Simplesmente por ter sido a mais justa. Das minhas 19 apostas (não palpito em curtas), acertei 14. Fiquei muito satisfeito com meu resultado. A noite em si não foi tão inesquecível – até porque não vejo tanta graça no Jon Stewart – e tudo só foi emocionante mesmo por causa dos prêmios. Nunca tinha ficado tão satisfeito com a distribuição deles. E a Marion Cotillard? Ninguém colocava fé nela, mas eis que a Academia vence preconceitos e premia merecidamente uma das melhores performances da década. Foi a estatueta mais emocionante da noite, Marion demonstrou uma grande emoção como há tempos não se via. Outro prêmio merecido e que o vencedor se emocionou bastante foi o da Tilda Swinton, em quem poucos apostavam. Javier Bardem e Daniel Day-Lewis (em grande momento se ajoelhando nos pés de Helen Mirren) ganharam como era óbviamente panejado e apostado. Mesmo eu sendo teimoso e não acreditanto tanto em uma consagração dos irmãos Coen por Onde Os Fracos Não Têm Vez, ela aconteceu. Foi a primeira vez na vida que a categoria de Melhor Filme não me causou nenhuma sensação. Primeiro porque o óbvio ocorreu e segundo porque o prêmio era merecido. Além de melhor filme, os irmãos Coen ganharam direção e roteiro adaptado. Eu esperava alguma consagração surpresa para o Paul Thomas Anderson (Sangue Negro), principalmente em roteiro adaptado, mas mais uma vez ela foi adiada.

Já nos prêmios técnicos algumas coisas me desagradaram, como a vitória muito injusta de A Bússola de Ouro em efeitos especiais (apesar de serem ótimos, parece ter sido mais um prêmio de consolação para o filme não ter passado em branco na festa), quando Transformers merecia muito mais. Outro prêmio meio injusto foi o de fotografia para Sangue Negro. Não é desmerecido, mas outros concorrentes mereciam mais. Por um outro lado, a consagração de O Ultimato Bourne foi uma das melhores surpresas que a Academia já reservou nos respectivos setores em que o filme se saiu vencedor (edição de som, mixagem de som e montagem). Uma consagração pra lá de merecida e que me deixou muito contente. Ao que pode parecer, a vitória de Desejo e Reparação na categoria de melhor trilha sonora, não foi um prêmio de consolação como foi o de Babel ano passado nessa categoria. A trilha de Dario Marianelli é soberba, e o prêmio para o filme foi o mais justo na categoria em muito tempo. Assim como direção de arte para Sweeney Todd, que foi merecido e não consolação. Falando em música, gostei bastante das encenações e das coreografias das músicas, apesar de exagerarem às vezes (That’s How You Know, por exemplo, virou um carnaval completo em certos momentos). Como era de se esperar, Falling Slowly se saiu vencedora. Glen Hansard e Marketa Irglová foram outros que se emocionaram bastante ao subir no palco. Piaf – Um Hino Ao Amor ainda levou maquiagem. Os Falsários ficou com o prêmio de filme estrangeiro. Elizabeth – A Era de Ouro repetiu o feito de outro filme de época ano passado (Maria Antonieta) na categoria de melhor filme, ao se sair vencedor, como era bem previsível.

Enfim, além de ter uma das melhores seleções de indicados, o Oscar desse ano ainda conseguiu o feito de ser impecável. Tudo na medida, tudo muito justo, tudo muito bem distribuído. Claro que sempre teremos reclamações mas, modéstia a parte, é impossível negar a excelência dessa edição número 80, que além disso tudo não foi nem um pouco chata – foi rápida e acabou num piscar de olhos. Se em anos anteriores a Academia havia me decepcionado bastante com suas escolhas, esse ano ela se redimiu completamente. E, pela primera vez, eu digo com a maior satisfação: “viva o Oscar!”.
Oscar 2008 – Apostas

Melhor Filme
Quem vai levar: Conduta de Risco
Fique de olho em: Onde Os Fracos Não Têm Vez.
Quem merecia: Desejo e Reparação

Melhor Direção
Quem leva: Joel e Ethan Coen, por Onde Os Fracos Não Têm Vez
Fique de olho em: Paul Thomas Anderson, por Sangue Negro
Quem merecia: Paul Thomas Anderson, por Sangue Negro

Melhor Atriz
Quem leva: Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino Ao Amor
Fique de olho em: Julie Christie, por Longe Dela
Quem merecia: Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino Ao Amor.

Melhor Ator
Quem leva: Daniel Day-Lewis, por Sangue Negro
Fique de olho em: Johnny Depp, por Sweeney Todd
Quem merecia: Daniel Day-Lewis, por Sangue Negro

Melhor Atriz Coadjuvante
Quem leva: Tilda Swinton, por Conduta de Risco
Fique de olho em: Cate Blanchett, por Não Estou Lá
Quem merecia: Saoirse Ronan, por Desejo e Reparação

Melhor Ator Coajuvante
Quem leva: Javier Bardem, por Onde Os Fracos Não Têm Vez
Fique de olho em: Casey Affleck, por O Assassinato de Jesse James
Quem merecia: Javier Bardem, por Onde Os Fracos Não Têm Vez

Melhor Roteiro Original
Quem leva: Juno
Fique de olho em: Ratatouille
Quem merecia: Ratatouille

Melhor Roteiro Adaptado
Quem leva: Onde Os Fracos Não Têm Vez
Fique de olho em: Sangue Negro
Quem merecia: Onde Os Fracos Não Têm Vez
Melhor Trilha Sonora
Desejo e Reparação
Melhor Fotografia
O Escafrando e a Borboleta
Melhor Maquiagem
Piaf – Um Hino Ao Amor
Melhor Figurino
Elizabeth – A Era de Ouro
Melhor Canção Original
“Falling Slowly”
Melhor Direção de Arte
Sweeney Todd
Melhor Mixagem de Som
Ratatouille
Melhor Edição de Som
O Ultimato Bourne
Melhores Efeitos Especiais
Transformers
Melhor Documentário
S.O.S Saúde
Melhor Filme Estrangeiro
Os Falsários (Áustria)