Os Descendentes
Goodbye, my love. My friend. My pain. My joy.

Direção: Alexander Payne
Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Beau Bridges, Patricia Hastie, Carmen Kaichi, Karen Kuioka Hironaga
The Descendants, EUA, 2011, Comédia Dramática, 115 minutos
Sinopse: Havaí. Há 23 dias a vida de Matt King (George Clooney) mudou completamente. Foi nesta data que sua esposa Elizabeth (Patricia Hastie) sofreu um sério acidente de barco e entrou em coma. Desde então cabe a Matt cuidar das filhas Scottie (Amara Miller) e Alexandra (Shailene Woodley), que estuda e vive em outra ilha do arquipélago. Quando é informado pelos médicos que sua esposa irá morrer em breve, Matt resolve trazer Alexandra de volta. Ele conta com a ajuda dela para contar a triste notícia aos amigos e familiares, de forma que eles possam se despedir de Elizabeth ainda em vida. Desbocada e de gênio difícil, Alexandra surpreende o pai ao contar que sua mãe o estava traindo. A notícia afeta profundamente Matt, que passa a querer saber quem era o amante de sua esposa e se ela o amava. (Adoro Cinema)

Em uma recente entrevista, o diretor Alexander Payne disse: “Faço filmes baseado em personagens e relações. Isso não é o que interessa à indústria”. Falando sobre o seu mais recente trabalho, Os Descendentes, Payne apresentou uma grande verdade – que, inclusive, consegue se refletir muito bem em todos os filmes de sua filmografia. Autor de obras como Eleição e Sideways – Entre Umas e Outras, o diretor, que está prestes a completar 52 anos de idade, realiza um certo tipo de filme que, infelizmente, não costuma ser devidamente valorizado. Assim como Mike Leigh, Payne encena, como bem disse, histórias baseadas em personagens e relações. Tudo muito simples, humano, sem grandes atrativos técnicos ou pretensões narrativas. Os Descendentes, que recebeu cinco indicações ao Oscar, não foge à regra. A diferença é que, aqui, o diretor caiu na normalidade excessiva, entregando uma obra carente daquele caráter tão reflexivo que já havia explorado anteriormente no belo As Confissões de Schmidt ou no segmento 14e Arrondissement, de Paris, Te Amo.
Os Descendentes, assim como qualquer outro longa da filmografia de seu diretor, dificilmente causará aversão – até porque estamos diante de uma história que não tem muito potencial para se tornar, digamos, irritante. E o que o filme estrelado por George Clooney segue justamente essa linha: apresentar um resultado acessível, universal. Raro encontrar quem se sinta incomodado com Os Descendentes. O que acontece é que, ao tentar aproximar o espectador dos seus personagens, terminou tornando-se quase previsível. As figuras retratadas por Payne são verossímeis, os atores conseguem dominar seus personagens e a história, dentro de suas limitações, faz um bom desenvolvimento de tudo. Os Descendentes, contudo, perde pontos quando justamente coloca os personagens em situações comuns. Assuntos como traição e relação conturbada entre pais distantes e filhos já foram retratados milhares de vezes, e Payne conduz tudo sem variações, em um resultado muito plano, carente de novidades.
Quando decide abraçar muitos dramas sem ter um foco específico (parece que dá apenas pinceladas em vários questionamentos), não consegue a devida profundidade. Profundidade que o filme deveria ter. Precisava ter. Assim, Os Descendentes nem parece ser de um diretor que já havia mostrado muita facilidade em trabalhar personagens “gente como a gente” de forma atrativa e, principalmente, original. Visto o reconhecimento que recebe, Os Descendentes não corresponde às expectativas. Não quer dizer, por outro lado, que seja um filme ruim. Não, longe disso. Como mencionado anteriormente, essa é uma história que não afasta ninguém – inclusive porque, se o fizesse, estaria se colocando contra as convicções de seu diretor. O filme, inclusive, pode até emocionar, especialmente quando se encaminha para o final, quando reserva um momento extremamente emocionante para George Clooney. Só faltou mesmo mais complexidade – algo que certamente tiraria tudo do lugar-comum.
Em suma, o clima do Havaí, a forma sutil como fala sobre o perdão e a presença da jovem Shailene Woodley (uma revelação) são fatores que só proporcionam mais chances para aquele que é o grande destaque de Os Descendentes: George Clooney. Hoje, muito se fala que, aqui, ele tem o melhor desempenho de sua carreira e, em uma brincadeira não muito inteligente, chegaram a fazer um pôster falso do filme onde está escrito: “Olhem! George Clooney é bom atuando”. Quem fez tal piada não deve ter assistido Conduta de Risco ou Amor Sem Escalas… É verdade, Clooney sempre interpreta a si mesmo – mas, felizmente, como no caso de Jack Nicholson, isso não é um problema. E se Os Descendentes ainda não consegue acabar de uma vez por todas com o fator “é George Clooney, não personagem”, pelo menos consegue mostrar como o ator está cada vez melhor e mais maduro em suas nuances nuances: os olhares, gestos e minúcias nunca estiveram tão eficientes. Clooney reina. Inclusive, tem um momento digno de honrarias (a última cena com a esposa). Sem ele, Os Descendentes não teria tanta vida…
FILME: 7.5

Inquietos

Direção: Gus Van Sant
Elenco: Henry Hopper, Mia Wasikowska, Ryo Kase, Schuyler Fisk, Lusia Strus, Jane Adams, Paul Parson, Chin Han, Thomas Lauderdale
Restless, EUA, 2011, Drama, 91 minutos
Sinopse: Enoch (Henry Hopper) acaba de perder os pais em um acidente de carro. Ele, que sobreviveu após três meses em coma, agora participa de funerais de pessoas desconhecidas. Um dia, conhece Annabel (Mia Wasikowska), que também tem esse mesmo hábito. O problema é que Annabel só tem três meses de vida. No entanto, a ligação dela com Enoch é maior do que isso. Juntos, os dois se completam, e passam a se relacionar, mesmo sabendo da brevidade desse relacionamento. (Adoro Cinema)

A cada novo filme, o diretor Gus Van Sant confirma a tendência de que perdeu toda aquela ousadia e originalidade que já apresentou em títulos como Elefante e Um Sonho Sem Limites. É certo que ele sempre dividiu a sua carreira entre produções mais autorais e outras completamente quadradas (o exemplo mais recente é o superestimado Milk – A Voz da Igualdade). No entanto, nos últimos anos, parece ter pedido a capacidade de ser diferente e… interessante. Assim como o tedioso Últimos Dias, esse Inquietos tem caráter independente e, com certeza, conseguirá ter a simpatia de muitas pessoas. Mas a verdade é que esse drama romântico enjoado estrelado por Henry Hopper e Mia Wasikowska é mais um deslize desse diretor que anda desperdiçando muito o seu talento.
O principal problema de Inquietos não é nem a bobeira envolvendo a insana decisão dos protagonistas iniciarem um relacionamento amoroso mesmo sabendo que a mocinha só tem três meses de vida, mas sim a personalidade de cada um deles. É o esquema personagens chatos = filme chato. O Enoch de Henry Hopper e a Annabel de Mia Wasikowska são assim: não gostam de ninguém, fazem questão de se isolar, possuem hábitos estranhos, discutem Darwin e Einstein, lêem livros sobre ornitologia, acham que são intelectuais para filosofar sobre a relação vida/morte e ainda alimentam a loucura um do outro (a exemplo do fantasma que o garoto vê e que é tratado com normalidade pela moça). Una a isso o fato de Annabel ter câncer e não se abalar com isso. É o famoso discurso “a morte não é difícil, o amor é”.
Se já não bastasse toda essa abordagem “quero ser cult” de Inquietos, ainda precisamos juntar muita paciência para aturar não só a eterna expressão de moça chata de Mia Wasikowska (que, por alguma razão, nunca repetiu o show que deu no seriado In Treatment), mas o próprio desleixo de Gus Van Sant em deixar essa história cair no enjoativo do início ao fim. Não existe nada de novo em Inquietos e, sinceramente, ao que tudo indica, é um filme de férias do diretor, onde ele achou que poderia criar um mini-cult sobre adolescência, amor e morte. O resultado, como se pode constatar, ficou bem longe disso. Resta saber, agora, o que Gus Van Sant nos reserva – especialmente depois que anunciou seus planos para trabalhar com… Taylor Lautner. Medo do que vem por aí.
FILME: 3.0

A Dama de Ferro
What we think we become.

Direção: Phyllida Lloyd
Elenco: Meryl Streep, Jim Broadbent, Susan Brown, Alexandra Roach, Iain Glen, Harry Lloyd, Emma Dewhurst, Victoria Bewick, Olivia Colman
The Iron Lady, Inglaterra/França, Drama, 105 minutos
Sinopse: Antes de se posicionar e adquirir o status de verdadeira dama de ferro na mais alta esfera do poder britânico, Margaret Thatcher (Meryl Streep) teve que enfrentar vários preconceitos na função de primeiro-ministra do Reino Unido em um mundo até então dominado por homens. Durante a recessão econôminica causada pela crise do petróleo no fim da década de 70, a líder política tomou medidas impopulares, visando a recuperação do país. Seu grande teste, entretanto, foi quando o Reino Unido entrou em conflito com a Argentina na conhecida e polêmica Guerra das Malvinas. (Adoro Cinema)

A Dama de Ferro, desde que foi anunciado, sempre esteve cercado por expectativas. Boas e ruins. As boas, claro, eram direcionadas para Meryl Streep. Retomando o sotaque britânico (que lhe rendeu uma merecida indicação ao Oscar por A Mulher do Tenente Francês) e interpretando uma polêmica figura da Inglaterra, a atriz despertava a curiosidade de todos por estar, possivelmente, preparando mais uma grande interpretação. Já as expectativas ruins ficavam por conta da diretora Phyllida Lloyd, que dirigiu o divertido Mamma Mia! – um musical que, apesar do clima “feel good”, tinha uma comandante amadora atrás das câmeras. Por isso, o que sempre se esperou de A Dama de Ferro foi o seguinte: um filme repleto de falhas mas que traria outro momento maravilhoso de uma das melhores atrizes que o cinema já viu. A Dama de Ferro atendeu a tudo isso. Não é à toa que, quando os créditos finais aparecem, o primeiro nome que surge na tela é o de Meryl Streep e não o de Phyllida Lloyd…
Para falar a verdade, a cinebiografia de Margaret Thatcher nem surpreende tanto negativamente. Quer dizer, qualquer cinéfilo bem atento já poderia prever que a diretora não tinha cacife para um filme como esse. Além de ter suas origens no teatro, sua primeira investida no cinema foi, justamente, uma adaptação de seu trabalho nos palcos! Partir de um musical descontraído e assumidamente bobo para a cinebiografia de uma polêmica figura política não era o mais aconselhável… A diretora não tinha embasamento para isso. Não só em função de sua pouca experiência, mas por sua falta de talento mesmo. Assim, o falho roteiro de Abi Morgan termina apenas como um leve problema desse filme que, por causa de sua diretora, não teve um décimo do impacto e do envolvimento que poderia ter.
A Dama de Ferro já começa errando com a escolha de narrar o filme a partir das memórias de uma já esquecida Margaret Thatcher (Meryl Streep). Portanto, temos duas correntes que guiam a história. Primeiro, a velha Margaret tendo alucinações com o já falecido marido (Jim Broadbent). Segundo, os flashbacks contando as memórias dessa senhora que, hoje, está praticamente enclausurada em um apartamento sem saber direito de sua vida. Com isso, cerca de 70% do filme é passado com uma Meryl Streep usando uma pesada (e impressionante) maquiagem. Se o envelhecimento da atriz foi feito com uma precisão de cair o queixo, o mesmo já não pode se dizer de seus dramas nesse segmento. Na velhice, é sempre o mesmo esquema da protagonista alucinando com o marido (que é usado como piadista durante praticamente todo o tempo). Ou seja, a velhice de Margaret impressiona por um lado mas se torna exaustiva por outro.
Nos flashbacks, acompanhamos a vida dessa mulher que era filha de um quitandeiro: passamos por seu início na política, as difíceis decisões, a proposta de casamento, a decisão de concorrer como primeira-ministra, a mudança de postura e visual, sua adoração, seu ódio, a Guerra das Malvinas, a conhecida fama de dama de ferro, a sobrevivência a um atentado, a luta contra os sindicatos, as divergências com seus colegas e… ufa, a crise que a tirou do poder. Se narrado de forma linear, A Dama de Ferro conseguiria aproveitar boa parte desses assuntos. Porém, como tudo isso é apresentado em flashbacks, bons dramas se perdem em abordagens rasas. Além de não sabermos direito como era a convivência com o marido ou muito menos com os filhos (que mal aparecem!), os fatos políticos surgem sem muita explicação ou consistência. Por mais que, como já declarado pela diretora, a política não seja o principal foco do filme, merecia mais atenção. Não dá para se envolver com fatos que parecem tão gratuitos e jogados com descaso na trama. A Dama de Ferro mostra muito mas comunica pouco.
O problema mesmo é a direção de Phyllida Lloyd. Não bastasse o roteiro falho, a britânica simplesmente não sabe transmitir qualquer elegância que disfarce a sua falta de experiência atrás das câmeras. Ela estraga qualquer chance de A Dama de Ferro se tornar algo a mais. É uma direção problemática, que traz cortes inexplicáveis (em dado momento, quase estraga um dos melhores momentos do filme com mudanças bruscas de enquadramento), e que pode, inclusive, trazer momentos de humor involuntário com o uso de certos artifícios como o de câmera lenta (o atentado ao hotel onde está Margaret não tem impacto algum) e outras escolhas amadoras. Ela não consegue dar linha dramática a um filme que não tem foco definido e que, por consequência, termina sem variações e, o mais preocupante, sem clímax. A Dama de Ferro, ainda que com o roteiro falho, teria mais chances com uma direção competente. Phyllida não sabe o que faz e, no final das contas, parece ter elaborado esse filme só pela oportunidade de trabalhar mais uma vez com Meryl Streep e, claro, possivelmente dar o tão esperado terceiro Oscar para a atriz.
Meryl, como era de se esperar, é um caso à parte. Sempre surpreendente, tem se reinventado a cada ano e, em A Dama de Ferro, entrega justamente aquilo que as premiações gostam tanto de celebrar. É um trabalho de postura, sotaque e maquiagem, onde a atriz interpreta de forma impecável uma figura política. O que existe de mais brilhante na interpretação de Meryl é a versatilidade. Estamos diante de um trabalho completo. Na velhice, não se limita ao uso da maquiagem (sua última cena é particularmente destacável em função de seu trabalho com o olhar); na juventude, vai além do sotaque; no auge de Margaret, utiliza aquela sua conhecida expressão de poder e firmeza que já vimos em longas como Dúvida e O Diabo Veste Prada. É uma verdadeira aula de atuação que dá força a esse filme quadrado, antiquado e mal dirigido que parece ter sido feito para a televisão (no pior sentido dessa afirmação). Só é uma pena que uma interpretação tão marcante para a atriz esteja, justamente, em um filme que está longe de fazer jus ao seu talento e grandiosidade. Meryl, como sabemos, é singular e de arrasar. Ao contrário de A Dama de Ferro.
FILME: 5.0

NA PREMIAÇÃO 2012 DO CINEMA E ARGUMENTO:

A Separação

Direção: Asghar Farhadi
Elenco: Peyman Moadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini, Sarina Farhadi, Kimia Hosseini, Sahabanu Zolghadr, Babak Karimi
Jodaeiye Nader az Simin, Irã, 2011, Drama, 123 minutos
Sinopse: Nader (Peyman Moadi) e Simin (Leila Hatami) divergem sobre a possibilidade de deixar o Irã. Simin quer deixar o país para dar melhores oportunidades a sua filha, Termeh. Nader, no entanto, quer continuar no Irã para cuidar de seu pai, que sofre do Mal de Alzheimer. Chegam a conclusão de que devem se separar, mesmo ainda estando apaixonados. Sem uma esposa para cuidar da casa, Nader contrata uma empregada para ser responsável pelos afaseres domésticos e por tratar da rotina de seu pai. A empregada, que está grávida, aceita o trabalho sem avisar o seu marido. (Adoro Cinema)

Para um filme conseguir alcançar significativa repercussão internacional, principalmente no que se refere ao circuito de premiações, é necessário que ele tenha a humanidade como essência. Por essa razão que, por exemplo, Tropa de Elite 2 não foi selecionado para concorrer ao Oscar, uma vez que trata de um tema muito interno do Brasil – o que, certamente, não tem muito apelo lá fora. O oposto acontece com histórias que falam de pessoas comuns ou de dilemas que poderiam acontecer em qualquer lugar do mundo – e o nosso cinema já colheu frutos com isso em longas como Central do Brasil e O Quatrilho. Agora, em 2012, o iraniano A Separação alcança respeitável sucesso fora de seu país exatamente por conseguir contar uma história universal, nunca limitando a sua narrativa aos costumes do Irã.
Dirigido por Asghar Farhadi, A Separação também tem um estilo que é facilmente envolvente: aquele em que um pequeno incidente toma proporções cada vez maiores. E o melhor de tudo: o filme não mostra esse incidente de forma clara, deixando para o espectador decidir qual personagem é o culpado de toda a situação. Assim, a dúvida se instala de forma intensa, fazendo com que todos personagens sejam dignos de desconfiança. A tal separação do título, então, vira assunto de segundo plano nessa história muito bem amarrada em sua tensão. Grande feito de um roteiro que, em momento algum, é tendencioso ao tentar fazer com que o espectador tome partido por um personagem A Separação, além de ter um desenvolvimento bem humano de seus personagens (é tocante a cena em que o protagonista começa a chorar ao ter que dar banho no seu pai que sofre do mal de Alzheimer), ainda consegue despertar angústia ao trabalhar tanto essa dúvida.
Com um ótimo elenco, o longa é um excelente exemplar do cinema iraniano e deve ser visto por todos aqueles que, por alguma razão, têm algum tipo de preconceito com as produções do país. É mais um caso onde um filme consegue quebrar barreiras, tornando-se acessível, envolvente e universal. Tudo isso está evidente não só na temática, mas na própria forma como o diretor Asghar Farhadi constrói a história. A Separação não perde ao ritmo ao longo das duas horas de duração e mesmo que, em determinados momentos, o roteiro pareça repetir certas discussões, nada tira o interesse pela trama, que permanece interessante até o último minuto. Portanto, ainda que o diretor peça que não façam muito alarde em relação ao filme (já que a censura no Irã é forte e isso pode trazer problemas para ele por lá), A Separação merece sim reconhecimento. Se você tem preconceitos com filmes iranianos, chegou a hora de quebrá-los.
FILME: 8.5

NA PREMIAÇÃO 2012 DO CINEMA E ARGUMENTO:

As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne
How’s your thirst for adventure, Captain?

Direção: Steven Spielberg
Elenco (performance capture): Jamie Bell, Andy Serkins, Daniel Craig, Toby Jones, Nick Frost, Simon Pegg, Daniel Mays, Gad Elmaleh, Tony Curran
The Adventures of Tintin, EUA, 2011, Animação
Sinopse: Tintim (Jamie Bell) é um jovem repórter, que está sempre atrás de boa matéria. Um dia, ele vê à venda na rua o modelo de um galeão antigo e resolve comprá-lo. Logo dois outros interessados o abordam, querendo adquirir o objeto, mas Tintim não o vende. Ele leva o galeão à sua casa, onde o coloca em destaque. Só que a entrada de um gato faz com que Milu, seu cachorro, o persiga dentro de casa e, por acidente, derrube o galeão. Ele fica danificado e um pequeno cilindro sai de seu interior, sem que Tintim perceba. Logo Tintim e Milu vão à biblioteca, onde tentam encontrar mais informações sobre o navio retratado no modelo. Ao retornar percebem que o galeão foi roubado. Tintim vai até a mansão recentemente comprada pelo doutor Sakharine (Daniel Craig), um dos interessados em comprar o modelo, mas nada descobre. Ao retornar ele encontra o cilindro e percebe que, dentro dele, há uma pista para um tesouro perdido. É o início de uma nova aventura, onde Tintim e Milu se juntam ao capitão Haddock (Andy Serkis) na disputa contra Sakharine para encontrar o tesouro. (Adoro Cinema)

Antes de ser uma animação, As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne é um filme de aventura. Tal estilo não se refere apenas ao modo como Steven Spielberg dá vida ao personagem com planos e tomadas atípicas para um filme de animação, mas também ao estilo narrativo da trama. As Aventuras de Tintim requer a atenção do público, além de adotar um ritmo movimentado – o que, claro, não o classifica como uma animação convencional. Por isso mesmo, não se surpreenda caso crianças comecem a chorar na sua sessão ou caso os pais impacientes deixem a sala de cinema com os pequenos. O longa de Steven Spielberg não é mesmo para eles. Como filme solo, abandonando qualquer relação com as origens do protagonista, As Aventuras de Tintim, em termos narrativos e técnicos, poderia muito bem ser um filme live action – e só não o é porque, dessa forma, perderia parte do encanto nostálgico envolvendo o protagonista.
Certas escolhas de As Aventuras de Tintim não poderiam existir em um filme com pessoas de carne e osso. O humor, as situações absurdas e a ação imaginativa não teriam lugar em uma aventura de verdade – soaria falso, exagero e histérico. Tintim, portanto, apresenta-se assim para o público leigo, como uma animação com espírito de cinema live action mas que, ao mesmo tempo, seria impossível de ser contada em tal formato. O filme de Spielberg se beneficia justamente por encontrar na animação essa possibilidade de ser descontraído e quase ingênuo sem medo de errar. A diversão está garantida em personagens excêntricos e até mesmo naqueles cujo humor é previsível. A sensação agradável de que estamos assistindo a uma matinê também está ali presente, mostrando que Spielberg acertou no seu trabalho atrás das câmeras.
Produzido com a já conhecida técnica de performance capture, As Aventuras de Tintim impressiona pela qualidade dos detalhes. Em determinados momentos, parece que estamos diante de paisagens verdadeiras (notem, em especial, as cenas passadas no oceano), beneficiando-se, claro, das “locações” escolhidas por Spielberg para encenar a história. Por um outro lado, as expressões dos personagens ainda ficam devendo nesse aspecto. Falta, aqui, o impacto causado por Andy Serkins em Planeta dos Macacos: A Origem, por exemplo. Spielberg, entretanto, cumpriu sua missão e entregou um filme divertido, ainda que prolongado e com uma trama cheia de informações que não são amarradas com o devido impacto no final. Vale, enfim, por ser comandado por um diretor experiente. Nas mãos de outro qualquer, cairia na histeria.
FILME: 8.0
