
Oscar de melhor filme concluiu trajetória invicta de Oppenheimer na temporada.
Só não pontuou bem nas apostas do Oscar 2024 quem resolveu apostar em alguma surpresa fora da caixinha. Previsível do início ao fim, a cerimônia revelou vencedores há muito já esperados e, mesmo quando não confirmou aparentes favoritos, optou por candidatos facilmente identificáveis como alternativa. Previsibilidade, contudo, não deve ser sinônimo de injustiça, especialmente em um ano de concorrentes fortes, como o próprio Oppenheimer, grande vencedor da noite.
Goste-se ou não, Christopher Nolan é o diretor de uma geração. Entre erros e acertos, fez seu nome e se comunica com público e crítica. Sendo um reflexo da indústria cinematográfica norte-americana, o Oscar foi, sim, coerente ao premiá-lo. Isso sem falar no fato de Oppenheimer, um filme com três horas de duração, ter arrecadado quase um bilhão de dólares nas bilheterias. Ou seja, a Academia, tão cobrada por não se conectar com o grande público, também consagrou um sucesso comercial com Oppenheimer.
Por outro lado, concordo que a lista de vencedores poderia ser mais equilibrada, descontando uma ou outra estatueta do filme de Christopher Nolan para, por exemplo, o Oscar não carregar o vexaminoso fato de Assassinos da Lua das Flores ter saído da festa de mão abanando. Para parte do público que admira o filme de Scorsese, a conta foi parar nos ombros de Emma Stone, que levou seu segundo troféu para casa ao desbancar Lily Gladstone. Trata-se de uma injustiça com Emma, fenomenal em Pobres Criaturas e uma bela representante do excelente ano para a categoria de melhor atriz.
Entre os prêmios técnicos, duas vitórias me deixaram particularmente felizes: a de Zona Interesse em melhor som e a de Godzilla Minus One em melhores efeitos visuais. A primeira por ser o reconhecimento ao trabalho excepcional desse segmento no filme de Jonathan Glazer e por mostrar que a Academia, vez ou outra, entende que melhor som não é sinônimo de apenas barulheira. E a segunda por lançar luz sobre uma equipe japonesa que, com baixo orçamento comparado aos padrões hollywoodianos, não ficou devendo nada ao cinemão estadunidense.
Confira abaixo a lista completa de vencedores:
MELHOR FILME: Oppenheimer
MELHOR DIREÇÃO: Christopher Nolan (Oppenheimer)
MELHOR ATRIZ: Emma Stone (Pobres Criaturas)
MELHOR ATOR: Cillian Murphy (Oppenheimer)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Robert Downey Jr. (Oppenheimer)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Da’Vine Joy Randolph (Os Rejeitados)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Anatomia de Uma Queda
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Ficção Americana
MELHOR FILME INTERNACIONAL: Zona de Interesse (Reino Unido)
MELHOR ANIMAÇÃO: O Menino e a Garça
MELHOR DOCUMENTÁRIO: 20 Days em Mariupol
MELHOR MONTAGEM: Oppenheimer
MELHOR FOTOGRAFIA: Oppenheimer
MELHOR FIGURINO: Pobres Criaturas
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Pobres Criaturas
MELHOR SOM: Zona de Interesse
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “What Was I Made For?” (Barbie)
MELHOR TRILHA SONORA: Oppenheimer
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Godzilla Minus One
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Pobres Criaturas
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Wonderful Story of Henry Sugar
MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: War is Over!
MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO: The Last Repair Shop