
Sem recursos da LIC, 51ª edição do evento gramadense é mais compacta. Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto.
O Tapete Vermelho já está estendido para o início do 51º Festival de Cinema de Gramado, que acontece hoje com a exibição dos filmes produzidos pelo Educavídeo, projeto que leva o fazer cinematográfico para as escolas municipais de Gramado. É uma pena que críticos e imprensa em geral não marquem presença nessa noite em que os jovens gramadenses se veem na tela do Palácio dos Festivais como qualquer outro cineasta que concorra ao Kikito. Digo isso porque há afeto de sobra nesse momento, e a diversão é garantida. Sem falar, claro, que é um grande incentivo para que, desde cedo, os alunos alimentem a curiosidade pelo cinema e pela cultura em geral. Ao todo, dez trabalhos serão exibidos nesta noite inteiramente dedicada ao Educavídeo.
Já amanhã, sábado, 12 de agosto, o Festival começa a todo vapor com a Mostra Gaúcha de Curtas promovida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul pela parte da tarde. Logo em seguida, Kleber Mendonça Filho se faz presente no evento para exibir o ainda inédito Retratos Fantasmas em caráter hors concours, abrindo a programação. Kleber, aliás, já exibiu todos os seus longas-metragens na Serra Gaúcha, algo de grande prestígio para o Festival. É um ponto muito positivo as sessões começarem às 17h30 porque, após Retratos Fantasmas, a mostra competitiva de longas começa com Angela, novo filme do diretor Hugo Prata. Isso sem falar nos curtas-metragens em competição, que sempre antecedem os longas. Haja fôlego!
No geral, o desafio é dos grandes, uma vez que a 50ª edição, realizada no passado, foi marcante do ponto de vista cinematográfico. Primeiro, pela própria qualidade dos filmes. Segundo, por marcos importantes, como a vitória de Noites Alienígenas, primeiro longa do Acre produzido para as salas de cinema. Por fim — e principalmente — pela admirável coesão entre os filmes brasileiros em competição, reconhecida pela imprensa como o retrato de “um Brasil em convulsão social”. Com a saída de Dira Paes da curadoria, Caio Blat assume a missão de selecionar os longas em competição ao lado de Marcos Santuario e Soledad Villamil.
Particularmente, minhas expectativas são baixas com a seleção deste ano, talvez pela falta de surpresas. Fabio Meira e Hugo Prata, que estrearam seus primeiros longas no evento, voltam a Gramado com Tia Virgínia e Angela, respectivamente. José Eduardo Belmonte que, no ano passado, exibiu O Pastor e o Guerrilheiro, também retorna, dessa vez com Uma Família Feliz. E há as vagas de cinebiografias ocupadas por Angela, baseado na vida de Angela Diniz, e Mussum, o Filmis, sobre a trajetória do eterno trapalhão-título. Como no ano passado, minha curiosidade fica com os “estreantes”: Eva Pereira com O Barulho da Noite e Petrus Cariry com Mais Pesado é o Céu. Também aposto minhas fichas em Tia Virgínia porque acho As Duas Irenes, trabalho de estreia do diretor Fabio Meira, uma pérola, além de ser estrelado por um trio talentoso de atrizes: Vera Holtz, Arlete Salles e Louise Cardoso.
Realizada sem recursos da LIC após o evento não ter sido contemplado pelo Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul, a 51ª edição do Festival de Cinema de Gramado é, no geral, mais compacta, inclusive com a exclusão da mostra competitiva de longas estrangeiros, presente no evento desde 1992. As homenagens, no entanto, seguem acontecendo, pela primeira vez consagrando apenas mulheres: Lea Garcia e Laura Cardoso recebem o Troféu Oscarito, Lucy Barreto fica com o Troféu Eduardo Abelin, Alice Braga leva para casa o Kikito de Cristal e Ingrid Guimarães é reverenciada com o Troféu Cidade de Gramado. A programação completa do evento, assim como detalhes de todos os filmes em competição, pode ser conferida em www.festivaldegramado.net.