Burlesque

Direção: Steve Antin

Elenco: Christina Aguilera, Cher, Stanley Tucci, Cam Gigandet, Eric Dane, Alan Cumming, Peter Gallagher, Kristen Bell, Glynn Turman

EUA, 2010, Musical, 119 minutos

Sinopse: Ali (Christina Aguilera) deixou sua pequena cidade natal em busca do sucesso em Los Angeles. Logo ao chegar ela conhece a boate Burlesque, especializada em shows musicais de belas mulheres, que sempre se apresentam usando playback. O local é gerenciado por Tess (Cher), que nega uma chance a Ali. Ela insiste e consegue ser contratada como garçonete, graças à ajuda do balconista Jack (Cam Gigandet). Ali passa a acompanhar todos os shows, decorando as canções e coreografias. Quando Tess e seu braço-direito Sean (Stanley Tucci) realizam uma audição em busca de novas bailarinas, Ali aproveita a chance para mostrar do que é capaz.

Burlesque assume que não quer ser levado a sério. Também pudera: cafona do início ao fim, o filme aposta nos mais variados tipos de clichês envolvendo a história da garota pobre que tem uma vez poderosa e quer alcançar o sucesso. Além disso, tem sua trama desenvolvida praticamente toda em um cenário, além de trazer muitos figurinos brilhantes e várias coregrafias. Aí vem Christina Aguilera com aquela voz que chega a ser fake de tão perfeita para uma garotinha desempregada e “sem talento”, Cher pagando a diva com visual de Mortícia cheia de botox da Família Addams e Stanley Tucci gay sendo o amigo best dela.

Ou seja, como dá para perceber, Burlesque só é para aqueles que sabem como funciona esse tipo de filme. Não dá para levar a sério. Isso, claro, já está evidente nos primeiros minutos do longa. No entanto, os problemas de Burlesque estão além das cafonices ou das bobeiras do roteiro. O  principal problema dele reside na direção de Steve Antin. Aplicando um tom completamente antiquado para a história (tudo parece ser de décadas atrás), a direção torna Burlesque um produto mofado. Cada aspecto é ultrapassado além da conta. Pode até ser uma homenagem ao jeito antigo de fazer musical. Mas, se for, Antin não foi habilidoso o suficiente para deixar transparecer essa intenção.

Para piorar a situação, o musical faz questão de copiar descaradamente os novos musicais do cinema. Dá até para se indignar quando versões pioradas de All That Jazz de Chicago ou Sparkling Diamonds de Moulin Rouge! aparecem encenadas sem qualquer vergonha na cara. Ok, se inspirar em outros musicais dá para engolir. Mas, sério, copiar? Incluindo alguns movimentos de câmera e focos idênticos? Desnecessário. Infinitamente previsível e com uma solução de problema mais imbecil que a outra, Burlesque, além de ultrapassado, não deixa o espectador se divertir com outra coisa a não ser a parte musical. Interpretações e conteúdo beiram o inexpressivo.

Com um ou outro momento mais notável (e Cher chorando as pitangas em You Haven’t Seen the Last of Me é um deles), Burlesque permanece como um entretenimento aceitável, mesmo que repleto de falhas. É aquela velha situação em que os problemas do filme precisam ser perdoados para um melhor aproveitamento. Foi assim com o divertido Mamma Mia!. Só que esse tinha Meryl Streep, ABBA, Grécia… Burlesque tem Cher cheia de botox com voz de Roberta Miranda, Christina Aguilera incorporando o estrelismo de sua personagem, personagens presos em um único ambiente e muitos coadjuvantes desnecessários com draminhas que nada acrescentam. Nada trágico ou sequer ruim, mas não custaria um pouquinho de frescor, não é mesmo?

FILME: 6.0

7 comentários em “Burlesque

  1. Kamila, concordei demais com o que você disse no seu texto, que “Burlesque” não é o guilty pleasure do ano nem uma bomba. Não conseguiu ser nada tamanha a falta de personalidade…

    Mateus, não digo que me diverti com a parte musical, mas pelo menos ela não chegou a me incomodar – só senti falta de canções mais contagiantes…

    Victor, te entendo completamente!

    Reinaldo, já eu prefiro “Mamma Mia!” mil vezes mais!

    Nando, por isso tenho pensando em abolir meu sistema de notas do blog… Estou pensando em deixar somente os textos.

    Mayara, o Rob Marshall perdeu a mão até para musicais, né? (Se bem que eu sempre disse que ele era uma farsa e que “Chicago” é uma coisa muito chata!)

  2. Tenho preconceito MESMO com esse filme. O filme pode querer se deixar levar e tentar convidar o público a diversão descompromissada, mas isso não me basta pra assistir aqui.

    Cher e Christina Aguilera são o tiro no pé. Se Burlesque quer que eu o assista pelo menos pra me descontrair, deve haver o mínimo de atrativo nos artistas. E as duas são justamente um ponto que me leva pro negativo.

    Sorry, não verei. u.u

  3. Ainda que você se divertiu com a parte musical, então, porque eu sequer isso consegui. Musicais não precisam inovar na história para serem bons, desde que encantem na parte espetáculo. Que BURLESQUE seja péssimo no primeiro e fraco no segundo é algo que faz o filme passar sem ser notado. Não ficará entre os piores do gênero, tampouco entre os melhores: pior ainda, sequer será lembrado. 4/10

  4. Exatamente, “Burlesque” é um filme que não se leva a sério! Sua análise foi perfeita. A obra é uma reunião de clichês e realmente copia descaradamente alguns dos números vistos em musicais no decorrer dos anos. A elogiar somente, pra mim, a direção de arte, especialmente o trabalho feito no clube e nos números de dança, que foi bem competente.

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