Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme

The mother of all evil is speculation.

Direção: Oliver Stone

Elenco: Shia LaBeouf, Michael Douglas, Carey Mulligan, Josh Brolin, Frank Langella, Eli Wallach, Susan Sarandon,

Wall Street – Money Never Sleeps, EUA, 2010, Drama, 133 minutos

Sinopse: 2001. Após cumprir pena por fraudes financeiras, Gordon Gekko (Michael Douglas) deixa a prisão. Impossibilitado de operar no mercado financeiro, ele dedica seu tempo a realizar palestras e a escrever um livro, onde critica o comportamento de risco dos mercados. Um dia, após uma das palestras, ele é abordado por Jacob Moore (Shia LaBeouf), um operador idealista do mercado de Wall Street. Ele vive com Winnie (Carey Mulligan), filha de Gekko que não fala mais com ele, e usa esta proximidade para conseguir sua atenção. Jacob quer conselhos sobre como agir com Bretton James (James Brolin), um grande investidor que fez com que seu mentor, Lewis Zabel (Frank Langella), tivesse que vender sua tradicional empresa por uma ninharia. Gekko decide ajudá-lo, pedindo em troca que Jacob o ajude a se reaproximar de Winnie.

O primeiro Wall Street deu certo por ser o fiel retrato de uma época  da economia norte-americana. A continuação, que recebe o subtítulo de O Dinheiro Nunca Dorme, segue mais ou menos os padrões do filme original, mas perde pontos por não ser tão genuína como a produção que deu a Michael Douglas o Oscar de melhor ator. A sequência parece algo fabricado para reproduzir exatamente aqueles aspectos que deram certo anteriormente, adicionando alguns diferenciais como, por exemplo, uma maior humanidade para os personagens. Só que alguns desses “bônus” no roteiro são acertadas, outros nem tanto.

O elenco é inteiramente novo, com exceção de Michael Douglas. Sai Charlie Sheen e entra Shia LaBeouf no papel do jovem que se envolve nas tramas de Gordon Gekko (Douglas). LaBeouf é um sujeito que não se sobressai, mas que costuma funcionar. Aqui não foi diferente, já que ele conseguiu segurar bem as pontas como protagonista. Douglas, reprisando um dos papéis mais importantes da sua carreira, assume a posição de coadjuvante (ao meu ver, no original, ele já não era o protagonista) e rouba a cena toda vez que aparece. É o melhor desempenho de Douglas em anos e ele demonstra plena habilidade na hora de fazer a sua composição. Um excelente trabalho.

No elenco, também temos boas participações de Frank Langella e Susan Sarandon (que tem apenas três cenas e merecia ser melhor aproveitada). O porém nesse acertado grupo de atores é a inglesa Carey Mulligan. A jovem atriz, que merecia ter vencido o Oscar desse ano por Educação, fica choramingando o filme inteiro e sempre apresenta a mesma expressão de  chata e desagradável. E essa já não é a primeira vez que Mulligan faz uma representação desse tipo. Sua personagem no longa Em Busca de Uma Nova Chance também chorava pelos quatro cantos e não conquistava. Será que tudo aquilo que vimos em Educação foi um engano?

Quanto ao filme, ele sofre de alguns problemas no roteiro. A história, nos primeiros momentos, dá muitas voltas e demora para dizer ao que veio. E por mais que ela comece a ser desenhada com clareza ao longo do filme, poucos acontecimentos empolgam de fato. A trama começa a alcançar níveis mais notáveis nos momentos finais, quando descobrimos algumas revelações envolvendo o personagem de Gekko. Mas, de resto, é uma história repleta de diálogos mecânicos e que possuem apenas o intuito de querer realizar a mesma relevância que o primeiro Wall Street realizou.

Em uma última análise, O Dinheiro Nunca Dorme pode até ter alguns atrativos (e vale repetir que Douglas é o maior deles), mas não chega a ser uma produção com momentos mais dignos de aplausos. Além de humanizar de forma clichê e enfadonha o personagem Gordon Gekko (o desfecho dele não condiz nem um pouco com o que foi apresentado ao longo dos dois filmes), o roteiro não saiu do básico. Na tentativa de repetir algo que deu certo, o resultado não ficou genuíno. É algo para se lamentar, já que fica visível a vontade dessa continuação de querer ser um filme acima da média. O máximo que conseguiu foi ser um longa-metragem banal com um ou outro aspecto de maior destaque.

FILME: 7.0

NA PREMIAÇÃO 2010 DO CINEMA E ARGUMENTO:

9 comentários em “Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme

  1. Reinaldo, essa continuação não fica mal na fita, só é bem inferior ao original!

    Cleber, o primeiro é melhor, mas a continuação tem as suas virtudes.

    Kamila, eu gostei do Frank Langella, mas o meu favorito foi o Michael Douglas mesmo.

    Robson, você teve uma opinião mais ou menos parecida com a minha, né?

    Roberto, concordo com tudo o que você disse!

    Luis Galvão, eu não tinha assistido o anterior também, fui procurá-lo faz pouco tempo…

    Rafael, eu achei o primeiro melhor focado na “economia” do que essa continuação.

    Jorge, não achei a continuação ruim, mas também não acho que ela tenha sido necessária.

  2. Sobre a nova versão de Wall Street: Caça-níquel! Muito ruim.

  3. Cara, você acredita que até hoje eu não vi nem o primeiro Wall Street? Sei que é uma falta e tenho até lá no meu PC. Vejo assim que sobrar um tempinho. Mas acho muito interessante a continuação do filme porque vivemos um momento diferente no quesito financeiro que justifiva mais discussões em torno do assunto.

  4. Dos últimos que o Stone fez, é disparado o melhor, mas ainda assim fiquei chateado com o final (no mundo dos Gekkos jamais há essa crise de consciência).

  5. Para mim, o melhor do filme foi o Frank Langella. Depois que ele saiu, a história perdeu totalmente a graça para mim. Eu concordo com você que existe essa tentativa de humanizar demais o personagem de Gordon Gekko e isto está totalmente representado pelo final romantizado e idealizado demais deste filme. Definitivamente, Oliver Stone não é mais o mesmo!

  6. Boa crítica Matheus. Não concordo com a sua conclusão final sobre o filme, mas é inegável que vc abarcou muitos dos problemas (como a disposição de redimir Gekko) e das virtudes (a atuação de Douglas) do filme. Enfim, o original é melhor, mas não acho que este fique mal na fita.
    Abs

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