Guerra Sem Cortes

Direção: Brian De Palma

Elenco: Izzy Dias, Rob Devaney, Ty Jones, Daniel Stewart Sherman, Anas Wellman, Mike Figueroa, Kel O’Neill, Patrick Carroll

Redacted, EUA/Canadá, 2007, Drama, 90 minutos

Sinopse: História baseada em um recente acontecimento da Guerra no Iraque, no qual quatro soldados americanos estupraram e mataram uma garota de 14 anos, além de matar mais três membros da família.

É preciso ter muita coragem para realizar um filme que, desde antes do seu lançamento, já está fadado a passar em branco por cinemas e locadoras. Mesmo sabendo que Guerra Sem Cortes não seria reconhecido e muito menos alcançaria êxito nas bilheterias, o diretor Brian De Palma resolveu ir em frente com o projeto. Mas, não foi diferente: o projeto estagnou na arrecadação e, pelo mundo, também não teve sucesso. Aqui no Brasil foi exibido apenas nos festivais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Afinal, quem iria exaltar, em plena era Bush (o projeto é de 2007), um filme que faz uma forte denúncia sobre as atrocidades cometidas pelo exército norte-americano no Iraque?

Se tantos outros filmes falharam no relato dessa guera ou, então, foram completamente superestimados (como é o caso do vencedor do último Oscar, Guerra ao Terror, que é apenas bom), o trabalho de Brian De Palma em Guerra Sem Cortes foi o mais injustiçado. De todos os retratos que o cinema já fez sobre o Iraque, esse é, sem sombra de dúvida, o mais contundente. De Palma não juntou imagens reais e nem formou uma espécie de documentário,  mas escreveu o roteiro baseado em situações que aconteceram de verdade e, simplesmente, transferiu cada situação da realidade para a encenação. Ou seja, tudo o que acontece no filme foi alguma situação relatada por soldados ou outros envolvidos. Por isso, frequentemente, o longa parece um pouco encenado demais e menos natural do que deveria transparecer.

É perceptível a vontade do diretor de querer chocar e emocionar, principalmente em cenas mais pesadas de violência. Tanto o uso da trilha sonora quanto a interpretação do elenco evidenciam isso. Podemos encontrar, também, o tradicional delineamento de quem é mocinho ou bandido. Para alguns, o filme pode parecer fake por todas essa escolhas do diretor de encenar a realidade com atores. Para mim, não foi assim. Por mais que seja fácil perceber esses elementos, em momento algum considerei o filme prejudicado por eles. Pelo contrário, toda a emoção funciona e a denúncia tem um êxito digno.

Se, logo nos créditos iniciais, Guerra Sem Cortes não anunciasse que as imagens são encenadas – e, talvez, seja em função disso que possamos perceber uma clara dramatização na história – seria fácil acreditar que estamos diante de um documentário (afinal, as imagens são filmadas com câmera digital, como se fosse um relato pessoal feito por um dos soldados). E a boa notícia é que o resultado final deixa uma excelente impressão: Guerra Sem Cortes funciona como drama e, também, como documentário. É de se lamentar que o filme melhor executado sobre a guerra do Iraque tenha sido, justamente, aquele que menos teve reconhecimento. Uma pena.

FILME: 8.5


10 comentários em “Guerra Sem Cortes

  1. Mayara, é uma pena que esse filme não tenha tido repercussão…

    Vinicius, acho que a realidade mostrada pelo filme é o ponto alto.

    Alan, vale a pena procurar o filme!

    Roberto, não cheguei a procurar na internet, vi em uma sessão especial aqui no sul.

    Leandro, e lá se vão três anos desde que o filme foi produzido e nada dele ser lançado…

    Kamila, procure o filme, é excelente!

    Cleber, então, assista =)

    Rafael, além de “Guerra Sem Cortes” ser o melhor filme sobre o Iraque, também é um longa muito necessário!

    Pedro, concordo!

  2. O filme é mesmo de uma potência violenta. As imagens que ele mostra são veementes com o cinema do próprio De Palma. Direção 10!

  3. Toda vez que leio alguma coisa sobre esse filme acho-o mais necessário no seu sentido político, por mais forte e unilateral que parece ser. Uma pena que não tenha alcançado o sucesso adequado pelo menos para ser lançado no Brasil.

  4. Este filme passou totalmente despercebido e faz muito tempo que eu não ouvia falar dele. Seu excelente texto sobre a obra vai fazer este favor a ela: trazer de volta a atenção que ela merecia. Espero poder conferir em breve!

  5. Eu to curioso pra assistí-lo um tempão,acho uma palhaçada um filme simplesmente ser ignorado pela coragem que sua mensagem passa.
    Fora isso,eu não costumo gostar de filmes de guerra,mas os filmes sobre o Iraque sempre me interessam muito.
    Abraços

  6. A mesma covardia que fizeram com o Tarantino no “À prova de morte” fizeram com o De Palma nesse aqui. Estou doido pra ver…

    Será que acho isso nos sites de download?

  7. Eu não conhecia o filme, acabei de saber de sua existência e fiquei muito curioso, tentando imaginar as cenas, deve ser muito bom, acho bacana filmes drmáticos com um pé no “documentário”.
    Vou tentar vê-lo o mais rápido possível =)

  8. Belíssimo filme. Eu assisti ele em 2007, logo quando saiu na internet. Fiquei chocado, completamente chocado com o tamanho da realidade que Brian de Palma tinha conseguido filmar. Parecia que ele estava voltando à velha forma depois de alguns lançamentos estranhos.

    “Redacted” é um filme que merece ser visto, merece ser debatido, tem que ser levado para as escolas e precisa ser discutido. Uma pena que ele passou tão despercebido pelos cinemas, uma pena que o público não conseguiu ir atrás desse maravilhoso filme.

    Abraço, cara!

  9. Poxa, uma pena que o filme nem foi lançado, deve ser impactante e bem filmado. E faz tempo que o De Palma devia um filme como esse. Curiosa já faz um tempão. rsrsrs. ;)

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