Filmes em DVD

A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz (revisto)

Com Bette Davis, Anne Baxter e George Sanders

A Malvada é um dos melhores filmes que trata sobre os bastidores da vida artística. Ao narrar a vida de Margo Channing (Bette Davis, em desempenho emblemático), que é ofuscada pela chegada de uma interesseira fã chamada Eve Harrington (Anne Baxter, ótima), o diretor Mankiewicz criou um dos filmes mais bem sucedidos da história do cinema. Recordista de indicações ao Oscar (são 14, ao total), A Malvada é uma aula de como fazer um filme acertar em todos os aspectos. Se na maioria dos filmes de Bette Davis ela é a estrela máxima, aqui isso não acontece. Ela não brilha sozinha. O filme todo é uma sucessão de acertos.

FILME: 8.5

Frost/Nixon, de Ron Howard (revisto)

Com Michael Sheen, Frank Langella e Sam Rockwell

Frost/Nixon nem parece ser um filme de Ron Howard. Quer dizer, é tão bem realizado que fica a dúvida se foi o formulaico Howard mesmo que dirigiu. Ainda assim, não é um filme que necessariamente me empolgue como cinema. Mas, por um outro lado, admiro demais toda a faceta jornalística da história. É nesse tratamento que Frost/Nixon encontra a sua força. O embate na entrevista  entre os personagens de Michael Sheen (subestimado, diga-se de passagem) e Frank Langella é o ponto alto. Considere, também, uma excelente montagem e uma ótima trilha sonora de Hans Zimmer.

FILME: 8.0

Feitiço da Lua, de Norman Jewison

Com Cher, Nicolas Cage e Olympia Dukakis

Cher foi a última atriz a vencer um Oscar de protagonista por um filme de comédia. Feitiço da Lua funciona com bastante segurança, mas, por outro lado, não justifica a celebração em torno de Cher. Ela, que alcançou uma vitória duvidosa (concorria com Glenn Close e Meryl Streep), está realmente ótima. Mas, será mesmo que era digna de tantos aplausos? Não se formos levar em consideração tantas outras atrizes que ganharam por filmes comuns e por atuações sem qualquer grandeza… Falando um pouco do filme, Feitiço da Lua é uma comédia romântica extremamente agradável e que encontra no carisma dos personagens a sua maior força. Uma história simples, mas que conquista por ser exatamente assim.

FILME: 8.0

De Repente, Califórnia, de Jonah Markowitz

Com Trevor Wright, Brad Rowe e Tina Holmes

Certos filmes querem tanto escapar dos clichê que terminam rasos e superficiais. É o caso de De Repente, Califórnia, um filme gay que não tem aquele tratamento repetitivo que sempre vemos no cinema. No entanto, na tentativa de fazer algo diferente, não conseguiu ir muito longe. Até dá para entrar na história e simpatizar com a relação dos dois, mas nenhum conflito trabalhado no roteiro tem grande repercussão. Tudo é passageiro e resolvido em questão de instantes. Tanto, que o maior conflito de De Repente, Califórnia é a complicada relação do protagonista com sua irmã, que é uma mãe relapsa e joga toda a responsabilidade que ela deveria ter com o filho para o irmão. Portanto, não é nem a auto-aceitação do personagem ou o relacionamento homossexual a principal engrenagem de De Repete, Califórnia. É um filme assistível e sutil, mas que tem medo do próprio tema e foge da responsabilidade de aprofundar o seu verdadeiro assunto principal.

FILME: 6.5

Ela é o Diabo, de Susan Seidelman

Com Roseanne Barr, Meryl Streep e Ed Begley Jr.

O primeiro pensamento que tive quando estava assistindo Ela é o Diabo foi que o filme tem, realmente, um formato de clássico da Sessão da Tarde. Mas, vale lembrar que nem todo filme que funciona nesse programa da rede Globo precisa necessariamente funcionar em dvd, por exemplo. Esse filme de Susan Seidelman tem seus atrativos quando exibido na TV, mas ao ser conferido mais criteriosamente em DVD, fica claro que ele tem inúmeros defeitos. Pode ser a trilha exagerada, a história inverossímil ou a direção irregular. A verdadeira protagonista, Roseanne Barr, também não faz muita coisa. O destaque, na realidade, fica com Meryl Streep e Ed Begley Jr. Ele está impagáel como o típico homem cafajeste, enquanto Streep já demonstrava talento cômico para interpretar megeras. Se não fosse pelos dois, o filme seria mais irregular do que já é.

FILME: 6.0

Cadê os Morgan?, de Marc Lawrence

Com Sarah Jessica Parker, Hugh Grant e Elisabeth Moss

Se um filme lembra Recém Chegada, já é um péssimo sinal. Mesmo que Cadê os Morgan? não seja tão desprezível quanto essa péssima comédia estrelada por Renée Zellweger, chega quase no memo nível de erros. Mas, por razões diferentes. Por exemplo, o filme de Marc Lawrence tem um humor besta como Recém Chegada, mas possui uma história absurdamente vazia, um casal que não combina em momento algum e reflexões que chegam a causar sono de tão previsíveis. Parker, que só está no mundo das comédias porque deu sorte com Sex and the City (além de ser estranha, não tem vigor para comédias no cinema) não consegue ter química com Hugh Grant (que está reduzido sempre ao mesmo papel de homem engraçadinho e sarcástico). Esse é o principal problema do filme. Além de Cadê os Morgan? não fugir do bobo esquema de gente rica e mimada indo para a roça, tem um casal totalmente fora de sintonia…

FILME: 5.5

5 comentários em “Filmes em DVD

  1. Luis Galvão, eu também curto o roteiros de Peter Morgan, só não gosto tanto de “A Outra”. Quanto a “Feitiço da Lua”, eu gosto bastante do filme, mas foi um absurdo a Cher ter vencido de Glenn Close e Meryl Streep aquele ano!

    Cleber, achei que faltou ousadia em “De Repente, Califórnia”…

    Vinícius, só porque outros filmes já cumpriram a responsabilidade da temática, esse também não pode cumprir? Eu não gostei muito disso no filme.

    Reinaldo, e nem assista “Cadê os Morgan?”, o resultado é ruim.

  2. Ainda não assisti a Cadê os Morgan?. Quanto aos outros filmes, só posso concordar com suas contundentes observações. Especialmente a bela leitura que faz de Frost/Nixon.
    Abs

  3. Aprovei a maior parte dos seus comentários, só não concordo que “e De Repete, Califórnia” tinha alguma responsabilidade a cumprir quanto à sua temática – há outros filmes que já fizeream isso.

  4. Fiquei simplesmente chocado com FROST/NIXON, nunca na minha vida esperava tamanha trabalho vindo das mãos de um ralé como Ron Howard – De Repende, Califórnia eu acho um filme exepcional, que quebra o tabu e que passa a mensagem.

  5. A Malvada e Frost/Nixon, dois dos meus filmes preferidos!! Acho que A Malvada só se compara sobre ‘bastidores’ à Crepúsculo do Deuses. Uma Obra magnífica com um elenco genial em todos os aspectos. Já Howard contou com a ajuda de um roteiro maravilhoso do Peter (eu adoro seus roteiros!) e uma edição magnífica!. Odeio o filme de Cher por roubar o Oscar de Gleen!

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