Anjos e Demônios

Direção: Ron Howard

Elenco: Tom Hanks, Ayelet Zurer, Ewan McGregor, Stellan Skargard, Curt Lowens, Bob Yerkes, Marc Fiorini, Howard Mungo, Rance Howard

Angels & Demons, EUA, 2009, Aventura, 132 minutos, 14 anos

Sinopse: O professor de simbologia Robert Langdon (Tom Hanks), depois de decifrar os eventos retratados em “O Código Da Vinci”, é chamado pelo Vaticano para investigar o misterioso desaparecimento de quatro cardeais. Agora, além de enfrentar a resistência da própria igreja em ajudá-lo nos detalhes de sua investigação, Langdon precisa decifrar charadas numa verdadeira corrida contra o tempo porque a sociedade secreta por trás do crime em andamento tem planos de explodir o Vaticano.

Ron Howard tentou de tudo para fazer de O Código Da Vinci um produto à altura do romance de Dan Brown. Tudo bem, Brown é um péssimo escritor (algumas reviravoltas sobre os vilões e romances forçados chegam a irritar), mas sabe como ninguém unir tensão com fatos históricos. Essa união inusitada foi o que lhe deu sucesso. Da Vinci, apesar de tudo, era um produto muito fiel ao texto de Brown, mas que não causava a mesma tensão do livro: focava mais as suas atenções para as explicações históricas e religiosas do que para a ação em si. Já Anjos e Demônios faz o oposto: trata a trama como um produto de entretenimento e não se dedica tanto aos debates histórico-religiosos. Quer saber de correria e movimento.

Para alguns, essa decisão foi um acerto – tanto, que a recepção de Anjos e Demônios foi bem mais positiva que a do outro filme. Para mim, nem tanto. Existe um certo problema de verossimilhança nesse último longa-metragem de Ron Howard. Enquanto em O Código Da Vinci tudo era bem mastigado e dava para crer que, realmente, aqueles diálogos educativos encaminhavam os personagens para a aventura, aqui ocorre o oposto. Não dá para acreditar muito nas situações em alta velocidade, nos mistérios sendo desenvolvidos em questão de minutos ou nos estudos aprofundados que rendem diálogos absurdamente intelectuais e detalhistas.

O Vaticano, inclusive, é retratado como um verdadeiro circo dos horrores e da bagunça. É padre dirigindo helicóptero, padre voando de pára-quedas, incêndios dentro de igrejas, pessoas sendo mortas por engano, explosões em pontos históricos e por aí vai… Tudo isso com um Jack Bauer da religião correndo contra o relógio, liderando uma investigação de vida ou morte em tempo real e que sabe tudo e ainda no final é saudado como um enviado de Deus. No livro dava até pra acreditar e eu sempre achei que ficaria verossímil nas telas de cinema. Não foi o que aconteceu. Enquanto nas páginas funcionava, aqui ficou meio forçado, fantasioso demais. Ficção e realidade não se combinaram.

Mas, claro, é um dom divertimento quando o senso crítico é deixado de lado. Ron Howard aprendeu a lição: o público gosta de movimento não de passividade. Anjos e Demônios, então, tem muita aventura e acerta demais nesse ponto. As correrias são muito bem filmadas e com jogos de câmera interessantes, transmitindo um bom senso de aventura. Sem falar, claro, de toda a belíssima direção de arte, que reconstruiu com extrema perfeição todos aqueles lugares que o Vaticano proibiu de serem filmados. A fotografia é outro aspecto inquestionável, que traz para o espectador todo um visual arrebatador.

Anjos e Demônios, portanto, pode até ser uma aventura bem arquitetada e conduzida, mas é falho em seu conteúdo.  Terminei de ver o filme e não me lembro de sequer um fato histórico mencionado na produção. Não aprendi nada com ele. Nesse sentido, O Código Da Vinci era bem mais interessante. O filme de Ron Howard é uma experiência interessante, mas que nunca chega a ser mais notável como na literatura. O que deixa o resultado no patamar do mediano. Talvez, simplesmente, esse tipo de história tenha sido criado para ficar nas páginas de livros mesmo.

FILME: 6.5

3

15 comentários em “Anjos e Demônios

  1. Pingback: Retrospectiva 2009: Parte 4 « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

  2. Matheus. Quando li Código Da Vinci, lembro-me de correr para mostrar para minhas filhas que o livro era quase um roteiro de filme e acreditei que ficaria, por isso mesmo, perfeito no cinema. Porém, achei que os atores não estavam bem… A mocinha foi sem sal e sem açúcar e o Tom estava totalmente por fora do que estava fazendo (acho que ele não leu o livro, hehehe). Agora em Anjos e Demônios, tudo ficou mais FILME. Será que me fiz entender? Então achei bem melhor. Mesmo assim, concordo com a nota 6.5 para o filme. Um abraço.

  3. Cléber, acho que o Ron Howard consertou algumas coisas erradas que existiam em “O Código Da Vinci”, mas também minimizou outras…

    Dewonny, apesar de “O Código Da Vinci” não ser o que eu esperava, gostei mais dele do que “Anjos e Demônios”

  4. Tunay, achei “O Código Da Vinci” MUITO mais verossímil que “Anjos e Demônios”.

    Vinícius, talvez “Anjos e Demônios” seja ‘passatempo’ demais…

    Vinicius Silva, não achei terrível, mas ficou devendo em vários aspectos.

  5. Sem dúvida falta um pouco de personalidade ao longa. Acho que não está muito longe do nível de “O Código Da Vinci”, apesar de acertar mais em determinados aspectos. É um passatempo descartável, mas bem divertido.

  6. Destei o Código da Vinci e me diverti muito com anjos e demônios, talvez por ter lido “Anjos” antes de “Da Vinci”, para mim a experiência literária de unir tensão com fatos históricos foi mais emocionante no primero. No filme o mesmo, acho que Howard agiu muito bem nesse filme, sem delongas e com muita ação, soube mesclar tudo muito bem com as chatices católicas, com certeza um filme muito melhor adaptado e mais verossímel do que O Código da Vinci.

  7. Brenno, exatamente! O Vaticano é retratado no filme como uma grande bagunça!

    Jeniss, acho que o filme funciona melhor em DVD!

    Mayara, “Anjos e Demônios” é BEM mais movimentado que “O Código Da Vinci”.

    Kamila, acho que fui o único que gostou mais de “O Código Da Vinci”.

  8. Eu gostei de “Anjos e Demônios” por ter um ritmo ágil e por condensar de forma tranquila uma trama que era complicada e com algumas falhas. As mudanças feitas em relação ao livro do Dan Brown foram muito bem sucedidas. O resultado: um filme melhor que “O Código da Vinci”.

  9. Se o filme ser mil vezes melhor do que o sonífero “O Código Da Vinci”, já vale. Mas já que ele está saindo do circuito por aqui, aguardarei a sua chegada ao DVD! ;)

  10. VOCÊ FOI PERFEITO AO DIZER QUE NESTE FILME, O VATICANO É RETRATADO COMO UM CIRCO DE HORRORES E BAGUNÇA, EU FIQUEI BASTANTE INCOMODADO COM ISSO. ESPERO NUNCA MAIS VER ESTE FILME NA MINHA VIDA.

    ABRAÇOS

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