A Noite do Oscar 2008

A festa que ocorreu ontem foi a melhor que já assisti. Simplesmente por ter sido a mais justa. Das minhas 19 apostas (não palpito em curtas), acertei 14. Fiquei muito satisfeito com meu resultado. A noite em si não foi tão inesquecível – até porque não vejo tanta graça no Jon Stewart – e tudo só foi emocionante mesmo por causa dos prêmios. Nunca tinha ficado tão satisfeito com a distribuição deles. E a Marion Cotillard? Ninguém colocava fé nela, mas eis que a Academia vence preconceitos e premia merecidamente uma das melhores performances da década. Foi a estatueta mais emocionante da noite, Marion demonstrou uma grande emoção como há tempos não se via. Outro prêmio merecido e que o vencedor se emocionou bastante foi o da Tilda Swinton, em quem poucos apostavam. Javier Bardem e Daniel Day-Lewis (em grande momento se ajoelhando nos pés de Helen Mirren) ganharam como era óbviamente panejado e apostado. Mesmo eu sendo teimoso e não acreditanto tanto em uma consagração dos irmãos Coen por Onde Os Fracos Não Têm Vez, ela aconteceu. Foi a primeira vez na vida que a categoria de Melhor Filme não me causou nenhuma sensação. Primeiro porque o óbvio ocorreu e segundo porque o prêmio era merecido. Além de melhor filme, os irmãos Coen ganharam direção e roteiro adaptado. Eu esperava alguma consagração surpresa para o Paul Thomas Anderson (Sangue Negro), principalmente em roteiro adaptado, mas mais uma vez ela foi adiada.

 Já nos prêmios técnicos algumas coisas me desagradaram, como a vitória muito injusta de A Bússola de Ouro em efeitos especiais (apesar de serem ótimos, parece ter sido mais um prêmio de consolação para o filme não ter passado em branco na festa), quando Transformers merecia muito mais. Outro prêmio meio injusto foi o de fotografia para Sangue Negro. Não é desmerecido, mas outros concorrentes mereciam mais. Por um outro lado, a consagração de O Ultimato Bourne foi uma das melhores surpresas que a Academia já reservou nos respectivos setores em que o filme se saiu vencedor (edição de som, mixagem de som e montagem). Uma consagração pra lá de merecida e que me deixou muito contente. Ao que pode parecer, a vitória de Desejo e Reparação na categoria de melhor trilha sonora, não foi um prêmio de consolação como foi o de Babel ano passado nessa categoria. A trilha de Dario Marianelli é soberba, e o prêmio para o filme foi o mais justo na categoria em muito tempo. Assim como direção de arte para Sweeney Todd, que foi merecido e não consolação. Falando em música, gostei bastante das encenações e das coreografias das músicas, apesar de exagerarem às vezes (That’s How You Know, por exemplo, virou um carnaval completo em certos momentos). Como era de se esperar, Falling Slowly se saiu vencedora. Glen Hansard e Marketa Irglová foram outros que se emocionaram bastante ao subir no palco. Piaf – Um Hino Ao Amor ainda levou maquiagem. Os Falsários ficou com o prêmio de filme estrangeiro. Elizabeth – A Era de Ouro repetiu o feito de outro filme de época ano passado (Maria Antonieta) na categoria de melhor filme, ao se sair vencedor, como era bem previsível.

Enfim, além de ter uma das melhores seleções de indicados, o Oscar desse ano ainda conseguiu o feito de ser impecável. Tudo na medida, tudo muito justo, tudo muito bem distribuído. Claro que sempre teremos reclamações mas, modéstia a parte, é impossível negar a excelência dessa edição número 80, que além disso tudo não foi nem um pouco chata – foi rápida e acabou num piscar de olhos. Se em anos anteriores a Academia havia me decepcionado bastante com suas escolhas, esse ano ela se redimiu completamente. E, pela primera vez, eu digo com a maior satisfação: “viva o Oscar!”.

6 comentários em “A Noite do Oscar 2008

  1. concordo com a melhor festa no sentido dos indicados, mas deixou a desejar em vários outros pontos, curti o jon na apresentçaão, mas lhe faltou mais surpresas, grandes apresentações musicais, homenagens dignas para os 80 anos, algo que marcasse… e nada disso ocorreu, até foi fraco e sem graça o momemto mais emocionante, o in memorian… esqueceram de alguns nomes… enfim… mas valeu pela alta qualdiade dos filmes indicados e pelo elenco estrangeiro que venceu, né?!?! Javie, o Day-lewis, a Marion, oscar internacional dessa vez…
    abraços

  2. Ao contrário de você, acho que essa foi a PIOR cerimônia que já vi, só perdendo para o ano de “Crash”. Uma coisa é os prêmios serem merecidos (e foram), outra coisa é a produção fazer uma festa capenga logo nos 80 anos do Oscar. Piadas sem graça, números musicais vergonhosos (tirando o de “Once”) e uma imensa vontade de terminar nas três horas e meia estabelecidas – e terminaram mesmo, passou tão rápido que nem vi. Enfim, para terminar eu diria “ao inferno, Oscar!”.

    Abraço!

  3. Acertei pouco palpites, mas nunca fiquei tão feliz em errar um deles: finalmente a Academia demonstrou ao mundo que antes da nacionalidade, deve se observar o talento. Marion Cottilard, estupenda em “Piaf”, levou o Oscar, e eu ganhei o ano por isso.
    Claro que ADOREI ver Javier Bardem como coadjuvante, Day-Lewis como ator, e, apesar de gostar de Saoirse Ronan, devo admitir que Tilda mereceu ovações.
    Abraço!

  4. Dos meus palpites, só acertei 13!

    Eu também gostei da noite do Oscar 2008! Adorei a apresentação do Jon Stewart e tivemos uma noite sem muitas surpresas.

    Acho que as vitórias mais surpreendentes foram as de “A Bússula de Ouro” em Efeitos Visuais, “Elizabeth – The Golden Age” em Figurinos, “Taxi to the Dark Side” em Documentário e “O Ultimato Bourne” com 3 Oscars, perdendo somente em número de vitórias para “Onde os Fracos Não Têm Vez”.

    Realmente, o momento da Marion Cotillard foi bem emocionante, mas meu momento favorito foi a Marketa Iglova podendo voltar ao palco para dar seu discurso de agradecimento.

  5. Também gostei dos escolhidos! Apesar de estar torcendo por Atonement, acho No Country um soberbo filme. Maravilhosa a vitória de Cottilard, a melhor da noite!

    Ciao!

  6. Gostei muito da premiação tambem, realmente rapida e boa!

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