Austrália

Direção: Baz Luhrmann

Elenco: Nicole Kidman, Hugh Jackman, Ray Barrett, Bryan Brown, Tony Barry, Sandy Gore, Brandon Walters, Bruce Spence

Australia, EUA/Austrália, 2008, Drama, 156 minutos, 14 anos.

Sinopse: Início da 2ª Guerra Mundial. Sarah Ashley (Nicole Kidman) é uma arrogante aristocrata inglesa, que possui uma fazenda de gado na Austrália. Ela viaja ao país para reencontrar o marido, mas ao chegar descobre que ele foi assassinado. Para não perder a fazenda, ela se une a um vaqueiro (Hugh Jackman) e ao garoto arborígene Nullah (Brandon Walters). Juntos eles precisam levar um rebanho de gado até Darwin, no interior do país.


O sucesso de um épico depende de boas escolhas; mais ainda da harmonia entre elas. Austrália já começa errando em praticamente todas as suas escolhas. Primeiro, Baz Luhrmann não deveria dirigir esse filme em hipótese alguma. Segundo, o casal central é bom mas não tem química nem muito carisma para sustentar a emoção da história. Terceiro, o roteiro atira para todos os lados tentando acertar – até porque a história principal (os personagens levando um rebanho de gado até um determinado lugar da Austrália) já está finalizada um pouco depois da metade do longa. Enfim, são inúmeras as escolhas equivocadas. O curioso é que, apesar de equivocadas, não conseguem destruir uma certa beleza que existe em seu conjunto.

Esse gênero não é muito comum nos dias de hoje e é uma pena que logo Baz Luhrmann tenha tentado revivê-lo. Tentado, já que Austrália não consegue o feito de realmente ressuscitar esse tipo de cinema. O diretor, conhecido por realizar filmes esplendorosos visualmente e frenéticos em seu desenvolvimento, trata o tema do filme de forma muito banal. Inicialmente – e estranhamente – parece mesmo que se trata de uma produção diferente. Luhrmann aplica suas conhecidas excentricidades, mas não dá certo. Então, parte para outra opção. Começa um desdobramento simples, identificável nesse tipo de história. Tudo fica calmo, com a previsível história de amor que todo mundo espera, guerra, gente má querendo destruir a paz dos personagens e muitas dificuldades no caminho rumo à felicidade.

Não apenas o retorno do diretor de Moulin Rouge! – Amor Em Vermelho era o mais esperado nessa produção, mas também a presença de Nicole Kidman. Muitos viam – inclusive eu – Austrália como o grande retorno da atriz, que depois do Oscar por As Horas nunca mais conseguiu conciliar uma boa presença sua em um longa de boa qualidade. Quando ela não errava, o filme errava. E vice-e-versa. Kidman, achando que voltou a ser Satine para dar faniquitos e cometer exageros propositais – o que funcionava com perfeição em Moulin Rouge! – não tem a força necessária para uma protagonista de um filme grandioso como esse. Já Hugh Jackman não se envolve muito e apenas faz o básico, sem querer ter uma grande interpretação. E acerta por causa disso. No que se trata de elenco, podemos até dizer que tudo é correto, mas não digno de muitos elogios.

Se Austrália tem algumas falhas significativas no principal segmento de um filme (direção-roteiro-elenco), ao menos consegue apresentar um lado técnico perfeito. O visual do filme é realmente impressionante e não por causa das pelas paisagens do país, mas porque Luhrmann sabe trabalhar as imagens como ninguém. Cada cena parece uma obra de arte e o modo como cada momento é apresentado plasticamente é impecável. Por mais que a crítica tenha odiado o filme, ao menos podiam levar em consideração a técnica, que é exemplar. Por fim, Austrália não é mesmo nenhuma maravilha. Tem inúmeras falhas e parece um filme desanimado no seu andamento mofado, mas na medida em que o espectador souber perdoar essas falhas e esquecer que o filme poderia ter sido uma obra inesquecível, podemos até extrair dali uma boa sessão. Como aconteceu comigo.  Entretanto, reconheço que essa é uma tarefa árgua, que exige muita boa vontade. Não poderia deixar de mencionar a bela canção By The Boab Tree que toca nos créditos finais.

FILME: 6.5

3

NA PREMIAÇÃO DO CINEMA E ARGUMENTO:


8 comentários em “Austrália

  1. Esse filme é um exemplo de amor para mim.
    A canção é maravolhosa.

  2. Pingback: Retrospectiva 2009: Parte 2 « Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos

  3. Kau, acho que a canção é a única coisa do filme que todo mundo elogia!

    Alex, não, quem dá faniquito é a Nicole Kidman mesmo.

    Rafael, eu indicaria “By The Boab Tree” ao Oscar!

    Kamila, é uma pena que “Austrália” não tenha dado certo.

    Vinícius, mesmo não sendo bom, “Austrália” merecia mais indicações pelo lado técnico!

  4. É oficial: acho que ninguém falou muito bem desse filme, apenas fez bons comentários quanto à parte técnica (algo que parece ser justo pelos trailers, com um visual belíssimo). Como foi dito, espero ter boa vontade suficiente para perdoar os deslizes cometidos e aproveitar o que o filme tem de melhor. Abraço!

  5. O lado técnico do filme e a atuação do vilão do longa são os únicos acertos de “Austrália”. No mais, concordo com tudo o que você escreveu no início de seu texto! :-)

  6. Postei sobre o filme no mesmo dia. Bem, é exatamente como você disse. Concordo também que Baz Luhrmann não deveria dirigir esse filme. Fiquei um pouco enjoado no meio do filme e “By The Boab Tree” é ótima mesmo, pena não ter sido reconhecida. Eu enxergava em “Austrália”, muito mais que o retorno de Baz Luhrmann e Nicole Kidman, eu realmente esperava que fosse uma obra do século, até uns meses atrás. Abraço!

    ***

  7. Uma quase-bomba cuja trama repleta de humor, drama e misticismo nunca empolga. E quem tem faniquitos é a Isabela Boscov!

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